O famoso direito à
“liberdade de expressão” é proporcional ao [quase sempre esquecido] dever do
respeito a quem pensa ou age de um jeito diferente do nosso.
Os direitos e os
deveres dos cidadãos estão literalmente declarados nas constituições dos
países. Segundo uma das máximas das ciências jurídicas, “o que não está
expressamente proibido, é permitido”.
Assim como é legítimo
que uma pessoa tenha uma visão de mundo e de ser humano, baseadas ou não em
propostas religiosas ou políticas, é igualmente legítimo que alguém tenha as
suas próprias convicções, desde que elas não contradigam os direitos e deveres
comuns aos cidadãos, expressos nas constituições nacionais.
Há até algum tempo - sobretudo antes da proliferação dos dispositivos eletrônicos e a
popularização das redes sociais -, as pessoas geralmente guardavam para si
mesmas as próprias convicções, partilhando no máximo com a família, os amigos,
os companheiros de trabalho. Pensamentos preconceituosos não eram manifestos
publicamente, ao menos não de modo direto.
Na atualidade, muitas
mulheres e homens, sem qualquer constrangimento, falam abertamente contra as
mulheres, os negros, os indígenas, os homossexuais, os pobres etc. O que começa
na Internet chega às casas, às esquinas das ruas e avenidas, aos bares e
centros comerciais, e até mesmo nas comunidades da Igreja, tentando justificar
o que é injustificável desde um ponto de vista humanista e cristão. Muitas
vezes falsas notícias (“fake news”) são inventadas para defender verdadeiros
absurdos.
A dignidade do ser
humano fica seriamente danificada por causa de comentários carregados de um
ódio e desprezo desproporcionais. Quem pensa e age de um modo diferente é visto
como um inimigo que precisa ser eliminado com urgência, custe o que custar.
Antes havia sutileza, bons modos, diálogo; hoje as pessoas são agredidas
verbal, virtual e fisicamente. As minorias sociais chegam a ter medo de sair e
de se expor em público, preocupadas com a violência, com a integridade do seu
corpo.
Existe um interesse por
“conquistar novos adeptos” para a ideologia defendida, para combater as ideias
contrárias. De um modo ingênuo e simplista, enquanto pessoas são “endeusadas”,
outras são “satanizadas”.
Deixando-se levar pelo
radicalismo, pelo fanatismo, dividem-se esposos e esposas, pais e filhos,
amigas e amigos, irmãs e irmãos de comunidade. A sociedade se encontra
profundamente dividida; muros se levantam.
Sem negar os ensinamentos
de Jesus Cristo e da Sua Igreja, nós cristãos precisamos fazer a diferença na
sociedade, conscientes da profunda polarização ideológica nos nossos dias. Não
podemos entrar nesse jogo, nessa dinâmica. Em vez de contribuir para que os
muros de divisão se multipliquem, precisamos construir pontes entre as pessoas
e os grupos que pensam e agem de distintos modos.
Livremos as nossas
famílias, as nossas amizades, as nossas comunidades, a nossa sociedade, as
nossas redes sociais de pessoas agressivas (“haters”) que, de um modo mais ou
menos consciente, estão a serviço daquele que é o pai da divisão e que se
alegra semeando o ódio e a mentira. Como Jesus, respeitemos todas as pessoas.















