terça-feira, 30 de abril de 2019

Polarização ideológica

O famoso direito à “liberdade de expressão” é proporcional ao [quase sempre esquecido] dever do respeito a quem pensa ou age de um jeito diferente do nosso.

Os direitos e os deveres dos cidadãos estão literalmente declarados nas constituições dos países. Segundo uma das máximas das ciências jurídicas, “o que não está expressamente proibido, é permitido”.

Assim como é legítimo que uma pessoa tenha uma visão de mundo e de ser humano, baseadas ou não em propostas religiosas ou políticas, é igualmente legítimo que alguém tenha as suas próprias convicções, desde que elas não contradigam os direitos e deveres comuns aos cidadãos, expressos nas constituições nacionais.

Há até algum tempo - sobretudo antes da proliferação dos dispositivos eletrônicos e a popularização das redes sociais -, as pessoas geralmente guardavam para si mesmas as próprias convicções, partilhando no máximo com a família, os amigos, os companheiros de trabalho. Pensamentos preconceituosos não eram manifestos publicamente, ao menos não de modo direto.

Na atualidade, muitas mulheres e homens, sem qualquer constrangimento, falam abertamente contra as mulheres, os negros, os indígenas, os homossexuais, os pobres etc. O que começa na Internet chega às casas, às esquinas das ruas e avenidas, aos bares e centros comerciais, e até mesmo nas comunidades da Igreja, tentando justificar o que é injustificável desde um ponto de vista humanista e cristão. Muitas vezes falsas notícias (“fake news”) são inventadas para defender verdadeiros absurdos.

A dignidade do ser humano fica seriamente danificada por causa de comentários carregados de um ódio e desprezo desproporcionais. Quem pensa e age de um modo diferente é visto como um inimigo que precisa ser eliminado com urgência, custe o que custar. Antes havia sutileza, bons modos, diálogo; hoje as pessoas são agredidas verbal, virtual e fisicamente. As minorias sociais chegam a ter medo de sair e de se expor em público, preocupadas com a violência, com a integridade do seu corpo.

Existe um interesse por “conquistar novos adeptos” para a ideologia defendida, para combater as ideias contrárias. De um modo ingênuo e simplista, enquanto pessoas são “endeusadas”, outras são “satanizadas”.

Deixando-se levar pelo radicalismo, pelo fanatismo, dividem-se esposos e esposas, pais e filhos, amigas e amigos, irmãs e irmãos de comunidade. A sociedade se encontra profundamente dividida; muros se levantam.

Sem negar os ensinamentos de Jesus Cristo e da Sua Igreja, nós cristãos precisamos fazer a diferença na sociedade, conscientes da profunda polarização ideológica nos nossos dias. Não podemos entrar nesse jogo, nessa dinâmica. Em vez de contribuir para que os muros de divisão se multipliquem, precisamos construir pontes entre as pessoas e os grupos que pensam e agem de distintos modos.

Livremos as nossas famílias, as nossas amizades, as nossas comunidades, a nossa sociedade, as nossas redes sociais de pessoas agressivas (“haters”) que, de um modo mais ou menos consciente, estão a serviço daquele que é o pai da divisão e que se alegra semeando o ódio e a mentira. Como Jesus, respeitemos todas as pessoas.


segunda-feira, 29 de abril de 2019

Sagrados Estigmas

“Estigmas” significam marcas ou cicatrizes deixadas por um ferimento. Como sabemos, na Sua crucifixão, Jesus Cristo teve as duas mãos e os dois pés profundamente perfurados por pregos, além de o Seu lado ter sido aberto pela lança de um soldado romano, momentos após a Sua morte.

Tendo ressuscitado, Jesus Cristo conservou no Seu Corpo Glorioso os Sagrados Estigmas, como um memorial permanente da Sua entrega de amor total a Deus Pai, para a remissão dos pecados da humanidade inteira.

Quando Jesus Ressuscitado se manifestou aos Seus apóstolos, Ele fez questão de lhes mostrar os Seus Sagrados Estigmas, a fim de que eles tivessem a certeza de que era Ele mesmo, e não alguém se passando por Ele ou um fantasma. Os Sagrados Estigmas agora eram parte do Corpo Glorioso de Jesus Cristo.

Ao conservar as cicatrizes causadas pelos pregos e pela lança, Jesus estava demonstrando aos apóstolos que a ressurreição absolutamente transformou toda dor e sofrimento em cura e consolo. Essa manifestação era particularmente importante para os apóstolos porque também eles, no seguimento fiel a Jesus Cristo, carregando as suas cruzes de cada dia, teriam não pouco sofrimento e dor. Mas a contemplação dos Sagrados Estigmas de Jesus Ressuscitado lhes deu a garantia de que os ferimentos suportados na fé seriam curados e, na vida eterna, todo sofrimento seria consolado.

De um modo geral, cada mulher e homem, no transcurso da sua vida, também vai ferindo o seu coração - e, de repente, até o próprio corpo - com os conflitos do dia-a-dia, na família, no ambiente de trabalho e até na Igreja-comunidade. Doem bastante as mentiras, a inveja, o ciúme, a ingratidão, as injustiças, a prepotência, as fofocas, as negações, as traições etc. Os corações repletos de ferimentos estão à espera de cura, de consolo, de transformação.

Durante o Tríduo Pascal, celebrando a paixão, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo - pela meditação das Sagradas Escrituras, pelo recebimento do perdão no sacramento da Reconciliação, pela renovação das promessas batismais, pela partilha do Pão e Vinho consagrados -, os fiéis foram sendo curados e consolados dos sofrimentos e dores do seu coração. Em outras palavras, junto com Jesus Ressuscitado, os seus ferimentos se tornaram apenas cicatrizes, marcas da vitória alcançada em Deus.

É verdade que a sociedade está repleta de mulheres e homens, de todas as idades, condições econômicas e realidades sociais - principalmente se estão afastadas de Deus e da Sua graça - que ainda estão “crucificadas” com os “pregos” da fome, das doenças, da violência, da solidão, da depressão, das drogas lícitas e ilícitas, do egoísmo etc. Tais pessoas ainda estão no sofrimento e na dor, e precisam com urgência da caridade cristã para que os seus ferimentos sejam transformados em marcas da vitória em Deus.

Para celebrar os Sagrados Estigmas de nosso Senhor Jesus Cristo, a Igreja dedica a sexta-feira da segunda semana do tempo litúrgico da Páscoa. Em 2019, será no dia 03 de maio.

Lamentavelmente essa festa litúrgica é pouco conhecida e difundida na Igreja. Os missionários estigmatinos (religiosos que pertencem a uma congregação fundada por um santo italiano chamado São Gaspar Bertoni) conservam na Igreja a celebração desta importante festa litúrgica, que dá nome à sua família religiosa: Congregação dos Sagrados Estigmas de nosso Senhor Jesus Cristo.

Presentes em diversos países e dioceses, os missionários estigmatinos levaram a devoção aos Sagrados Estigmas a muitas pessoas através desta festa litúrgica, como era o desejo do seu santo fundador que, em vida, depois de oferecer a sua caridade cristã a tantos sofredores, passou por tantas dores, mas se sentia consolado pelas marcas da vitória de Cristo Ressuscitado.

sábado, 27 de abril de 2019

A Bíblia e os católicos

Utiliza-se a palavra “protestante” para identificar um grupo bastante numeroso e diversificado de cristãos que se congregam fora do Catolicismo, surgidos após a Reforma Protestante iniciada por Martinho Lutero - um ex-monge agostiniano - na Alemanha do século XVI, que foi inspirando o surgimento de diversas igrejas, que foram se espalhando, primeiro pela própria Europa, depois pela América e, finalmente, pelo mundo afora.

As igrejas mais antigas formam o chamado “Protestantismo histórico” (igrejas luterana, anglicana, presbiteriana etc). As igrejas fundadas entre o final do século XIX e início do século XX pertencem ao chamado “Protestantismo pentecostal” (igrejas Deus é amor, congregação cristã, assembleia de Deus etc). E o “Protestantismo neo-pentecostal” reúne as igrejas foram surgindo nas últimas décadas (igrejas universal do Reino de Deus, internacional da Graça de Deus, mundial do poder de Deus etc).

Os “protestantes”, em geral, seguem a inspiração de Martinho Lutero de que a Bíblia é a base fundamental do Cristianismo, que não deve ser substituída por tradições, doutrinas ou interpretações. Recordamos que, segundo o Catolicismo, além da Bíblia, a Tradição dos primeiros séculos do Cristianismo e os ensinamentos dados pela Hierarquia da Igreja (papa e o Colégio Episcopal) formam a base da fé cristã católica apostólica romana.

Além disso, os “protestantes” pentecostais e neo-pentecostais acreditam piamente que o Espírito Santo, pela oração, explica aos leitores e ouvintes da Bíblia os mistérios da fé cristã, sem a necessidade de conhecer e estudar os grandes teólogos e comentaristas da Bíblia. Por tal razão, a formação teológica e bíblica de um líder religioso nestas igrejas é curta e rápida, em comparação aos ministros ordenados do Catolicismo, cuja formação acadêmica e universitária (Filosofia e Teologia) dura, no mínimo, sete anos.

No “Protestantismo histórico” é diferente. A formação teológica e bíblica dos seus lideres religiosos é bastante séria e completa, ainda que divirjam em alguns pontos do Catolicismo. Foram eles que traduziram a Bíblia para os mais diversos idiomas, enquanto no Catolicismo mantinha a tradução em latim, desconhecido para a maioria dos fiéis, exceto os ministros ordenados e os membros da Vida Religiosa.

Devido à grande preparação dos “protestantes históricos”, na formação teológica e bíblica dos ministros ordenados são utilizados livros escritos por eles e alguns inclusive são professores em universidades e institutos católicos, ensinando os pontos convergentes da fé cristã tanto para católicos quanto para não católicos.

Preocupados com a possibilidade de que os católicos, ao lerem a Bíblia, não compreendessem a sua mensagem e a ensinassem equivocadamente, a Hierarquia da Igreja oferecia aos fiéis a síntese da fé cristã na forma de Catecismo em preparação aos sacramentos e de homilias durante a Eucaristia.

Os católicos só passaram a ter acesso à Bíblia para leitura no próprio idioma e o seu estudo a partir de 1965, com o Concílio Ecumênico Vaticano II, ou seja, tardiamente.

A multiplicação das tradições e devoções populares católicas, de alguma maneira, ocupou o lugar da leitura, meditação e estudo da Bíblia por parte dos católicos. Muitos fiéis nem mesmo possuem o livro sagrado; e muitos que têm a Bíblia pouco ou nada a conhecem e utilizam. Há pessoas que fazem do livro sagrado um objeto para enfeitar o ambiente ou a utilizam de modo supersticioso, para proteção ou para prever acontecimentos.

Os “protestantes”, com a sua metodologia de exigir dos seus fiéis a leitura da Bíblia e que a levem nos seus cultos e celebrações, recitando e memorizando versículos importantes a fim de repeti-los às pessoas em momentos de tristeza, angústia, doença ou dificuldades, ajuda-lhes muito a conhecer e utilizar a Bíblia.

Há pastorais e movimentos no Catolicismo cujos ministros ordenados e não ordenados valorizam e fazem uso do livro sagrado, preparando-lhes para evangelizar a partir da Bíblia, bem compreendida com a ajuda da Tradição da Igreja e os ensinamentos da sua Hierarquia. O exemplo destas pastorais e movimentos deveria inspirar os demais a fazer o mesmo.

Muitos católicos, para justificar a sua falta de interesse ou disposição para ler, meditar e estudar a Bíblia, acusam os “protestantes” de memorizar e recitar versículos da Bíblia com uma compreensão superficial e limitada do livro sagrado; até mesmo sem cumprirem o que ensinam. Vale lembrar que o Catolicismo também possui muitos fiéis que pouco ou nada entendem sobre a Bíblia e que também evangelizam sem praticar os seus ensinamentos.


sexta-feira, 26 de abril de 2019

Os pobres

A que estamos nos referindo quando dizemos “Estado”? Segundo o dicionário, designa-se “Estado” um país soberano, com estrutura própria e politicamente organizado, e também pode significar o conjunto das instituições que controlam e administram uma nação.

Considerando esta definição de “Estado”, podemos afirmar que é dever das pessoas que se comprometem a defender os interesses dos cidadãos e que foram eleitas para representá-los sob esta condição, organizar de tal modo as instituições que controlam e administram a nação que toda a cidadania tenha assegurada a possibilidade de contar com as condições mínimas e suficientes de alimentação, moradia, saneamento básico, segurança, atendimento médico, previdência social, educação, cultura, transporte etc, obtidas através do trabalho honesto.

Não podemos negar a evidência de que há cidadãos que têm vivido na pobreza e na miséria por preguiça e falta de disposição para trabalhar honestamente, buscando receber do “Estado”, de ONG’s - organizações não governamentais e de instituições e pessoas generosas - recursos materiais e econômicos para manter a si mesmos e às suas famílias, de modo mais ou menos permanente.

Tampouco podemos negar a evidência da explosão demográfica, do aumento populacional, do êxodo rural, da migração, da corrupção, das injustiças, fazendo que os cidadãos se concentrem nas periferias dos grandes centros urbanos, onde não há oportunidades de trabalho para todos, que se reflete na precariedade da alimentação, da moradia, do saneamento básico, da segurança, do atendimento médico, da previdência social, da educação, da cultura, do transporte etc.

E não podemos ignorar a realidade particular dos povos nativos (indígenas), daqueles forçosamente trazidos como mão-de-obra escrava (africanos), daqueles que vivem em regiões de guerrilha e narcotráfico, com condições ecológicas adversas, com catástrofes naturais e artificiais etc.

Pensando nessa terrível realidade, que se multiplica pelo interior da nação, os representantes eleitos para defender os interesses dos cidadãos devem estar comprometidos com elaboração e aplicação de projetos sociais, sempre que possível dando continuidade aos programas existentes nas administrações públicas anteriores, dando preferência às crianças, aos idosos e aos deficientes.

Também é importante que os representantes da cidadania acompanhem regularmente a execução dos projetos sociais, analisando se as pessoas beneficiadas realmente necessitam dos recursos públicos; caso contrário, o benefício pode ser transferido a cidadãos em situação de maior carência. É preciso evitar que a “lei do menor esforço” se instale na mentalidade, na cultura popular.

Vale recordar que os recursos públicos não são ilimitados, que eles procedem dos impostos regularmente pagos pela cidadania, que realmente não tem a obrigação de trabalhar para sustentar a vida de pessoas que não se esforçam, que se acomodam, que, apesar de não oferecer nada a ninguém, querem receber tudo de todos, dando desculpas e se fazendo de vítimas. Ser cidadão é cumprir os seus deveres civis para ter acesso aos direitos. Sem deveres não há direitos.


quinta-feira, 25 de abril de 2019

Agente pastoral

Há não muito tempo atrás, a Igreja era bastante categórica a respeito de casais sem o sacramento do Matrimônio e também acerca de pessoas homossexuais. Tanto os ministros ordenados quanto os não ordenados, na sua grande maioria, proibiam categoricamente a participação destes casais e destas pessoas nos serviços pastorais da Igreja e, em muitos casos, eram excomungados e proibidos até mesmo de participar da Eucaristia dominical. Eram assinalados como pecadores públicos, fatalmente condenados ao inferno.

Na atualidade, a Igreja tem-se pronunciado com mais misericórdia e tem-se referido aos casais sem o sacramento do Matrimônio e às pessoas homossexuais com a caridade que distingue os cristãos dos não cristãos.

Uma coisa é certa: um serviço pastoral - seja ele qual for - deve ser assumido por membros da Igreja suficientemente evangelizados e pastoralmente preparados pela capacitação teórica e prática. Em outras palavras, pessoas recém chegadas à Igreja, com uma vivência sacramental incompleta ou inconstante, antes de assumir algum serviço pastoral, precisam regularizar a sua situação sacramental, pois um agente pastoral é um cristão que, no exercício do serviço, está em evidência, está exposto diante dos demais e precisa lhes dar o testemunho da sua fé, como exige o próprio Jesus Cristo e a Sua Igreja.

Um agente pastoral, no exercício do serviço, diante das pessoas que ele evangeliza ou coordena, representa e fala em nome de Jesus Cristo e da Sua Igreja. É muito importante que ele se comporte e se expresse de modo coerente e compatível com a dignidade do serviço pastoral que desempenha. Pois isso também é evangelizar.

É uma triste realidade que geralmente não querem assumir serviços ou responsabilidades pastorais muitos membros da Igreja suficientemente evangelizados, que participam há muito tempo da comunidade, e com uma vivência sacramental completa e constante. Quase sempre alegam falta de tempo disponível. E como os serviços pastorais não podem deixar de serem realizados, costuma-se convidar pessoas com disponibilidade, mas nem sempre devidamente preparadas ou ainda sem o testemunho de vida necessário.

A Igreja tem insistido que, tanto os casais sem o sacramento do Matrimônio quanto as pessoas homossexuais, devem ser bem acolhidos na comunidade e que estão autorizados a participar da Eucaristia, privando-se de comungar até que reúnam as condições estabelecidas pela Igreja na sua ética ou moral. A fim de evitar escândalos e inconvenientes, eles podem participar das pastorais e movimentos, assumindo apenas pequenas responsabilidades, a fim de que não se exponham, deixando a outras pessoas funções de coordenação. Deveriam se dedicar a serviços pastorais com pessoas adultas, evitando as crianças, adolescentes e jovens, cujo caráter ainda está sendo formado, e que são mais questionadores.

De todos os modos, quando surge na comunidade um casal sem o sacramento do Matrimônio, os ministros ordenados e não ordenados têm o compromisso cristão de acompanhá-lo e orientá-lo. Se a mulher e o homem nunca se casaram na Igreja, eles estão em condições de receber o sacramento do Matrimônio, por isso devem ser motivados a fazê-lo. Caso a mulher ou o homem já se casaram anteriormente na Igreja, eles devem ser orientados a buscar um Tribunal Eclesiástico para solicitar a nulidade matrimonial e então receber o sacramento.

Quando surge uma pessoa homossexual na comunidade, os ministros ordenados e não ordenados têm o compromisso cristão de acompanhá-la e orientá-la. Desde que a pessoa não tenha intimidade sexual com ninguém nem esteja unida civilmente a outra pessoa, nem convivendo em união livre, está autorizada a comungar na Eucaristia e também a assumir serviços pastorais.

É verdade que, na Sua vida pública, Jesus Cristo questionou leis e costumes religiosos, demonstrando a misericórdia divina pelos pecadores. Porém, isso não justifica que os ministros ordenados e não ordenados se omitam diante de situações incoerentes com os ensinamentos das Sagradas Escrituras e da Tradição da Igreja; e isso não se limita aos pecados de natureza sexual, mas também em casos públicos de corrupção, injustiça, violência, criminalidade, comércio ilícito, produção e venda de drogas etc.


quarta-feira, 24 de abril de 2019

Jesus ressuscitado

A primeira experiência que os discípulos de Jesus tiveram com a Sua ressurreição foi ouvir antecipadamente da Sua própria boca que, passados três dias da Sua morte, Ele ressuscitaria. Certamente este anúncio - que foi dito em três ocasiões distintas - estava baseado nos escritos deixados pelos profetas do Primeiro Testamento.

Encontrar a pedra do túmulo removida e o sepulcro vazio, apenas com as faixas de linho, foi a segunda e desconcertante experiência dos discípulos, que aconteceu na madrugada do primeiro dia da semana. Para alguns, esse já foi um sinal suficiente para acreditar na ressurreição de Jesus.

Em seguida houve a experiência de encontrarem, nos arredores do sepulcro, homens vestidos de branco (ou anjos), consolando a tristeza e as lágrimas, anunciando que Jesus estava vivo e que não deveria ser buscado entre os mortos, dando a tarefa de comunicar esta notícia aos apóstolos, ordenando-lhes que fossem à Galileia, aonde Ele ia lhes permitir vê-Lo.

Também houve a experiência de conversar com Jesus ressuscitado, porém sem reconhecê-Lo fisicamente, confundindo-o com um jardineiro perto do sepulcro, com um peregrino no caminho de Emaús, com um estranho à beira do mar da Galileia, durante uma pescaria. Em alguns casos, o Ressuscitado se deu a conhecer; em outros, não, ainda que posteriormente os discípulos percebessem que era Ele pelos Seus gestos e/ou palavras.

Uma metodologia utilizada por Jesus era recordar tudo o que Moisés, os Profetas e os Salmos (ou seja, o Primeiro Testamento, as Sagradas Escrituras do Judaísmo) tinham ensinado sobre o Messias e a Sua missão redentora, abrindo a inteligência dos discípulos para que entendessem o sentido da Sua morte na Cruz e a certeza da Sua ressurreição. Essa metodologia era completada com a partilha do pão depois da bênção de ação de graças - uma evidente referência à Última Ceia. Este gesto acompanhado das orações abria os olhos dos discípulos para que reconhecessem o Ressuscitado.

A compreensão sobre as “novas características” do corpo de Jesus - agora ressuscitado e não submetido às leis do tempo e do espaço -, como também o “jeito novo” de se relacionar com Ele após a ressurreição, estará em constante evolução, até chegar à experiência que os cristãos têm na atualidade.

Inicialmente, a visão de Jesus ressuscitado era considerada uma alucinação, produzida pela imaginação, pelo trauma da crucifixão, pelas lembranças dos Seus gestos e palavras, pela visita aos lugares onde Ele esteve ou passou.

Posteriormente o Ressuscitado era classificado como um fantasma, uma alma penada. Para assegurar que Jesus era real, o evangelista Mateus deixou escrito que algumas mulheres chegaram a abraçar os pés d’Ele. O evangelista João deixa escrito que o Ressuscitado convidou o incrédulo apóstolo Tomé a pôr o seu dedo no lugar dos cravos e a sua mão no lado d’Ele, ainda que não seja possível saber se este apóstolo atendeu o convite. O evangelista Lucas deixa escrito que Jesus comeu um pedaço de peixe assado diante dos apóstolos, para lhes garantir que não era um fantasma; Ele até lhes convidou para apalpá-Lo e reconhecer que tinha carne e ossos, ainda que também não seja possível saber se eles atenderam o convite.

Voltando à experiência do apóstolo Tomé, o Ressuscitado chegou a lhe dizer que seriam bem-aventuradas as pessoas que acreditassem na Sua ressurreição sem O terem visto.

A compreensão definitiva sobre o corpo de uma pessoa ressuscitada seria dada pelo apóstolo Paulo. Ele ensina que, pela morte, é sepultado o corpo corruptível e mortal; pela ressurreição, como uma semente que se torna uma árvore, este corpo será transformado e revestido de incorruptibilidade e de imortalidade (I Coríntios 15, 42-43). É assim o corpo glorioso de Jesus ressuscitado, não submetido às leis do tempo e do espaço, sem necessidade de ser alimentado com comida material.

Na atualidade, nós cristãos acreditamos que Jesus está ressuscitado e que possui um corpo glorioso, que não podemos ver nem tocar, não porque Ele não seja real nem porque Ele seja um fantasma, mas porque o Seu corpo glorioso, depois da Sua ascensão aos Céus, subiu para junto de Deus, onde Ele está à direita do Pai.

Sacramentalmente podemos ter acesso a Jesus ressuscitado através da meditação das Sagradas Escrituras, do recebimento da Eucaristia - Seu Corpo e Sangue sacramentados -, da vida fraterna em comunidade-Igreja, e da prática da caridade junto às mulheres e homens mais necessitados.


terça-feira, 23 de abril de 2019

Vida nova

Jesus Cristo, covardemente traído, vergonhosamente negado, entregue às mãos dos Seus adversários, violentamente flagelado, injustamente condenado à morte, brutalmente crucificado, sentindo-se sozinho e abandonado pelos Seus, sepultado no túmulo por três dias, finalmente ressuscitou no primeiro dia da semana, vencendo o pecado e a morte.
A paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo, realizadas para a salvação da humanidade inteira de uma vez por todas na Palestina do século primeiro da era cristã, sacramentalmente se atualizam cada vez que, em algum momento e lugar, é celebrada a Eucaristia em memória d’Ele. Assim, os frutos da salvação chegam aos cristãos, que se renovam ao se alimentarem do Pão da Palavra e do Pão e Vinho consagrados, Corpo e Sangue de Jesus Cristo.
Tal memória, celebrada todos os dias, é solenemente comemorada a cada ano durante o Tríduo Pascal, desde a Quinta-feira Santa até o Sábado Santo, pela celebração da Última Ceia, da Paixão do Senhor e da Vigília Pascal.
Participando devotamente do Tríduo Pascal, recebendo o perdão dos pecados pelo sacramento da Reconciliação, e renovando solenemente as suas promessas batismais (com o símbolo da luz e da água), os cristãos sepultam no túmulo a mulher e homem velhos - crucificados com Cristo - e permitem que se manifestem neles a mulher e homem novos - ressuscitados do sepulcro com Cristo.
Feitas todas estas considerações, a vida nova dos cristãos é um processo lento e contínuo, com altos e baixos, idas e vindas, na qual a Graça de Deus é imprescindível e age de dentro para fora, sempre que encontra abertura e docilidade.
Não se trata de euforia, de triunfalismo, de pura emotividade, pois as forças contrárias à vida continuam existindo, incomodando e atrapalhando, dentro da própria pessoa, mas também na sua família, na sociedade e, até mesmo, na Igreja, na comunidade. Os ciúmes, as fofocas, as intrigas, o comodismo, a falsidade, a prepotência, as injustiças, a violência, a morte ainda estão presentes na história, instigando-nos a não nos acomodarmos, a perseverarmos no Caminho, na Verdade e na Vida.
Sacramentalmente já somos mulheres e homens novos, participando da vitória de Cristo sobre o pecado e a morte pela Sua ressurreição; mas ainda nos falta alcançar a plenitude desta vida nova, que só vai-nos ser dada na segunda vinda de Cristo, revestido de poder e glória, para julgar os vivos e os mortos.

domingo, 21 de abril de 2019

Fé na ressurreição da carne

Como sabemos, a fé cristã procede, em grande parte, da fé judaica, uma vez que as promessas de Deus ao povo de Israel foram plenamente cumpridas, segundo a perspectiva dos judeus que chegaram a acreditar que Jesus de Nazaré era o Ungido, o Messias, o Cristo de Deus.

Ainda que de um modo não muito claro, alguns grupos de judeus - logo após a terrível experiência de serem expulsos da sua própria terra e forçados a viver na Babilônia como exilados - foram compreendendo que a justiça divina não se realizava completamente durante a existência neste mundo, mas que se cumpriria de modo pleno após a morte natural, na vida sem fim, eterna.

Os judeus, que antes acreditavam que a obediência a Deus era recompensada com bênçãos, proteção e prosperidade durante a vida, e a desobediência era castigada com doenças, desgraças e pobreza, ao constatar o sofrimento dos justos e a sorte dos ímpios, precisaram reformar a sua teologia da justiça divina, abrindo-se à revelação da ressurreição dos mortos.

Vale recordar que nem todos os judeus partilhavam esta fé. O grupo dos saduceus, por exemplo, na época em que Jesus viveu, não acreditava na ressurreição. Eles se mantinham fiéis aos tradicionais ensinamentos da Lei de Moisés, que falava de recompensa divina na vida presente, não na eternidade.

De fato, os patriarcas Abraão, Isaac e Jacó-Israel, Moisés, os reis Davi e Salomão e quase todos os principais personagens bíblicos que viveram antes do exílio na Babilônia, pensavam que a morte era o fim da existência humana; no máximo acreditavam que a vida se estendia através dos descendentes, que conservavam o nome e a memória dos seus antepassados.

A fé na ressurreição dos mortos foi-se consolidando entre os judeus principalmente nos tempos difíceis das sucessivas dominações estrangeiras (babilônios, persas, gregos e romanos), cujas autoridades eram extremamente violentas e assassinas, e diante das quais os judeus se sentiam completamente impotentes e vulneráveis. A fé dos judeus era continuamente ridicularizada. Então, já que a justiça divina não estava sendo realizada completamente no tempo presente, pela fé na ressurreição dos mortos, tal justiça seria plenamente cumprida após a morte natural, na vida sem fim, eterna.

Os judeus que acreditavam na ressurreição a localizavam no fim dos tempos, de modo coletivo; não individualmente.

Jesus, sendo um judeu autêntico, ensinava aos Seus discípulos a fé na ressurreição dos mortos, a justiça divina cumprida de modo pleno após a morte natural. Ele lhes dizia abertamente que, após a Sua morte injusta por motivações religiosas e políticas, ressuscitaria. E não seria coletivamente, no fim dos tempos, mas de modo individual, após três dias.

Os discípulos de Jesus - todos igualmente judeus - tiveram bastante dificuldade para compreender o Seu ensinamento sobre a fé na ressurreição dos mortos, tanto antes quanto depois da Sua crucifixão. Foi um processo lento e contínuo, no qual o Espírito Santo seguramente foi o grande Mestre.

O apóstolo Paulo, que se encarregou de transmitir a fé cristã aos não judeus nas principais cidades do Império Romano, também encontrou muita dificuldade para falar sobre a ressurreição, tanto a de Jesus quanto a dos demais cristãos. Nas suas cartas apostólicas ele retoma esse ensinamento várias vezes.

Muitos pensavam que a ressurreição era apenas da alma, uma vez que, após a morte natural, o corpo era sepultado e se descompunha, restando apenas os ossos. Mas Paulo, referindo-se sempre à ressurreição de Jesus, insistia-lhes que a ressurreição era da pessoa inteira, a sua alma e também o seu corpo, afirmando que se tratava de um corpo já não mais sujeito ao tempo e ao espaço, mas um corpo glorioso, como o de Jesus ressuscitado.

Convém, neste tempo pascal, aprofundar com as nossas famílias, comunidades, pastorais e movimentos, a fé cristã na ressurreição da carne, tal qual foi ensinada por Jesus, nas Sagradas Escrituras e na Tradição da Igreja.

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Jesus no inferno

As mulheres e homens que viveram e morreram fazendo a Vontade de Deus e confiando nas Suas promessas antes que Deus Filho se fizesse Homem, segundo a fé dos judeus, encontravam-se num estado espiritual chamado “hades”, em grego, “sheol”, em hebraico, traduzido como “inferno” (interior) ou “mansão dos mortos”. Em oposição à morada do Deus vivo nas alturas, o “hades” estava embaixo da terra, controlado pelo demônio.

Sendo o Salvador universal da humanidade inteira, em todos os tempos e lugares, Jesus Cristo tinha que resgatar do “hades” aqueles que confiantemente aguardavam a salvação.

Tendo morrido na Cruz do Calvário, enquanto o Corpo do Salvador se encontrava depositado no sepulcro, a Sua alma divina “desceu ao hades” para anunciar aos mortos a Boa Notícia da salvação e resgatar àqueles que a aceitaram, libertando-os do demônio e da morte, e conduzindo-os a Deus nos Céus.

Depois de ter anunciado aos vivos a Boa Notícia da salvação, plenamente realizada na Sua entrega total na Cruz do Calvário, mesmo morto e tendo a Sua alma divina separada do corpo, Jesus Cristo completou a missão redentora recebida de Deus resgatando da morte aos controlados pelo demônio.

Ressuscitado ao terceiro dia, Jesus é o Senhor dos vivos e dos mortos, tendo vencido o demônio que controlava o “hades” e conduzido a Deus nos Céus todos que ouviram e aceitaram o anúncio da Boa Notícia da salvação.

Tendo o Seu corpo dormido no sono da morte, no sepulcro, a alma divina do Salvador desceu ao triste “hades” a fim de despertar para a vida os que assim dormiam desde o princípio dos tempos.

quinta-feira, 18 de abril de 2019

O “lava-pés” foi um acontecimento histórico?

As Sagradas Escrituras têm por objetivo despertar e sustentar a fé das mulheres e homens. Ainda que alguns de seus livros se dediquem a contar alguns acontecimentos, identificando pessoas, lugares e tempos que se podem confirmar com dados históricos - por exemplo, o livro dos Juízes, os livros de Samuel, os livros dos Reis -, o seu modo de entender e narrar os acontecimentos está profundamente marcado pela fé, interpretando os tempos de prosperidade como recompensas de Deus pela fidelidade do Seu povo e os tempos de guerra e fome como castigos divinos pela sua desobediência e práticas idolátricas. 
Essa maneira de “fazer história” - presente tanto no Primeiro quanto no Segundo Testamentos - não é compatível com a História, essa ciência rigorosa que surgiu na Modernidade, a partir do século XV, comprometida em contar os acontecimentos passados apoiada unicamente nos dados objetivos, livre de intenções subjetivas, mesmo que sejam nobres motivações religiosas.
Os judeus tinham o tradicional costume da hospitalidade, acolhendo bem as pessoas quando recebiam visitas em suas casas. Parte desta acolhida consistia em lavar os pés dos visitantes, já que a terra e o pó eram freqüentes pelos caminhos não pavimentados. Este humilde serviço era realizado, não pelos anfitriões, mas pelos seus servos ou escravos.
Narrando a Última Ceia de Jesus com os Seus apóstolos, o evangelista João descreve uma cena em que o Mestre, sem discursos, apenas com o Seu exemplo, ensina aos Seus discípulos sobre o serviço humilde que deve identificar os Seus seguidores, lavando os pés deles, assumindo o papel de servo, de escravo (13, 1-15). Esse gesto tão simples manifesta o que foi a completa vida de Jesus: um incessante serviço humilde e desinteressado aos demais - exemplo a ser imitado.
Chama muito a atenção que os demais evangelistas (Marcos, Mateus e Lucas), como também o apóstolo Paulo em suas cartas, ignorem completamente este episódio tão significativo supostamente realizado durante a Última Ceia. E conste que estes evangelistas e este apóstolo são minuciosos e detalhistas ao narrar detalhes sobre a instituição da Eucaristia e do sacerdócio ministerial.
De fato, no contexto da Última Ceia, o evangelista João não fala nada sobre pão e vinho nem sobre Corpo e Sangue. Este assunto foi amplamente tratado, mas apenas no famoso capítulo seis (conhecido como o “Discurso sobre o Pão da Vida”), não durante a Última Ceia.

Esta constatação autoriza os biblistas e teólogos a pensarem que, mais que um acontecimento histórico, o “lava-pés” é um recurso narrativo utilizado pelo evangelista João para aprofundar com os seus leitores e ouvintes o importante tema cristão do serviço humilde e desinteressado, que resume tão perfeitamente a vida e os ensinamentos de Jesus Cristo, e é deixado como distintivo para que sejam identificados aqueles que n’Ele crêem.


quarta-feira, 17 de abril de 2019

Maria foi co-redentora nossa? Não foi suficiente a redenção de Jesus Cristo?

Redimir significa fazer a reparação de um erro, de um crime, de uma falta; significa retratar, ressarcir, oferecer uma compensação por um dano, por um prejuízo; significa livrar.
Quando Deus Filho se fez Homem, encarnando-se, pelo Espírito Santo, no seio virginal de Maria, Ele se uniu de tal forma com a humanidade, que assumiu em Si mesmo os pecados e as dores de cada mulher e homem, de todos os tempos e lugares. Ele, que não tinha cometido pecado algum, que tinha passado pelo mundo fazendo o bem, ao ser injustamente crucificado, morreu a nossa morte para que vivêssemos a Sua Vida.
Definitivamente Jesus Cristo é o nosso suficiente Redentor. O Seu Sangue lavou, de uma vez por todas, a mancha do pecado que contaminava de morte a humanidade inteira.
Todos os incontáveis esforços humanos para reconciliar as mulheres e homens com Deus e entre si alcançaram a sua máxima expressão pela morte e ressurreição do nosso Redentor. O que a humanidade não conseguiu realizar por si mesma, por sua condição pecadora, foi plenamente realizado por Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem.
As lágrimas, os sofrimentos, as feridas de cada mulher e homem foram assumidos pelo Redentor nosso, e a recompensa divina, a salvação eterna, chegou em plenitude àqueles que n’Ele crêem e esperam.
Escrevendo à comunidade cristã de Colossas, o apóstolo Paulo afirmou que, com os seus próprios sofrimentos - causados e suportados pela sua fé em Jesus como o Cristo de Deus - completava em sua própria carne o que faltava das tribulações de Cristo pelo Seu Corpo, que é a Igreja (1, 24).
De fato, como havia ensinado Jesus no Evangelho segundo Mateus, ser cristão implica tomar a própria cruz e segui-Lo (16, 24). Em outras palavras, um autêntico seguidor de Jesus Cristo, suportando os sofrimentos causados pela fé, toma a sua cruz e, de um modo tão misterioso quanto real, torna-se co-redentor, completando em si mesmo o que falta das tribulações de Cristo pela Igreja, que é o Seu Corpo Místico.
Acreditar em Maria como co-redentora nossa de jeito nenhum significa diminuir a ação redentora de Jesus Cristo; pelo contrário, significa reconhecer que a Mãe do Filho de Deus feito Homem participou de um modo privilegiado da redenção da humanidade, pela união de amor e de dor que vincula para sempre uma mulher ao fruto das suas entranhas.
Sendo judia, Maria - que esperou ardentemente a redenção do povo de Israel - foi redimida pelo Seu Filho, particularmente quando foi preservada do pecado original na sua concepção pelos méritos da Sua maternidade divina.
Sendo cristã, Maria - que acompanhou de perto, com lágrimas e prantos, as traições, as negações, as injustiças, as humilhações, o desprezo, os açoites, a condenação, a crucifixão e a morte dolorosa - tornou-se co-redentora da humanidade, não em substituição ao único e suficiente Redentor, mas por Sua íntima união de amor e de dor com o Seu Filho Jesus Cristo.


segunda-feira, 15 de abril de 2019

Maria e João realmente estiveram ao pé da cruz?

Mariologia é a disciplina teológica que se dedica a estudar sobre a emblemática figura da Mãe do Filho de Deus feito Homem, Jesus de Nazaré, e a importância d’Ela no Cristianismo, particularmente no Catolicismo.
Como não poderia ser diferente, o estudo sobre Maria está sustentado nas Sagradas Escrituras - particularmente no Segundo Testamento - e na Tradição da Igreja.
Encarregados de colocar por escrito organizadamente a tradição oral sobre a vida, os ensinamentos e os sinais prodigiosos realizados por Jesus Cristo, especialmente a Sua morte e ressurreição, os evangelistas - dirigindo-se a grupos e povos tão distintos - também tiveram que falar de Maria, especialmente no mistério da Encarnação de Deus Filho, quando Ela aceita ser a Mãe do Emanuel, o Messias prometido por Deus aos judeus.
O Evangelho segundo Marcos - o mais antigo e curto - pouco ou nada escreve sobre Maria, omitindo-se até mesmo sobre o mistério da Encarnação, apresentando Jesus já adulto no início do seu livro.
Mateus, no seu Evangelho, escrevendo aos cristãos convertidos do Judaísmo, fala mais sobre Maria, tratando sobre a Encarnação, embora desde a perspectiva de José, Pai adotivo de Jesus, descendente do rei Davi.
Escrevendo, respectivamente, aos cristãos convertidos fora do Judaísmo e aos cristãos mais adiantados na mística, Lucas e João são os evangelistas mais marianos, falando mais sobre a Mãe de Jesus Cristo, apresentando-A como discípula fiel que, tendo acompanhado o Filho até o martírio na Cruz, após a ressurreição igualmente acompanhou os discípulos d’Ele para que levassem adiante a missão da Igreja.
Vale lembrar que o Evangelho é só a primeira parte da obra de Lucas, que é concluída com os Atos dos Apóstolos. Este evangelista também tratou sobre a Encarnação (desde a perspectiva de Maria), deixou por escrito o “canto de Maria” na casa de Isabel e relatou a presença da Mãe de Jesus junto aos apóstolos após a Sua Ressurreição, tanto na eleição de Matias para substituir o apóstolo traidor Judas Iscariotes quanto no dia de Pentecostes, quando foi enviado o Espírito Santo.
Convém recordar que o Evangelho segundo João pertence a uma obra mais ampla, comumente chamada “Literatura joanina”, que compreende, além do Evangelho, as três cartas de João e o Apocalipse. Costuma-se dizer que o autor se dirige às comunidades fundadas ou animadas pelo “discípulo amado”, que a Tradição associa ao apóstolo João. Este autor deixou por escrito as “bodas de Caná” e revelou a realeza de Maria nos céus, revestida com o Sol e pisando a Lua, além de apresentar Maria aos pés da Cruz, apesar de também se omitir sobre o mistério da Encarnação, apresentando Jesus já adulto no início do seu Evangelho.
A presença de Maria aos pés da Cruz seria uma informação tão relevante que seguramente teria que ser escrito também por Marcos, Mateus e, especialmente, Lucas, por ser tão mariano quanto João.
A Mariologia, apesar de não negar a possibilidade da presença de Maria aos pés da Cruz, por estar sustentada nas Sagradas Escrituras e na Tradição da Igreja, considerando a violência dos soldados romanos, o desejo das autoridades dos judeus em aprisionar e eliminar os seguidores de Jesus, e o medo dos apóstolos (a começar pelo líder deles, Simão Pedro), costuma associar a narrativa do Evangelho segundo João à intenção do autor sagrado em apresentar aos cristãos mais adiantados na mística (que pertenciam às comunidades do “discípulo amado”) a fidelidade de Maria e a importância de acolhê-La no coração como Mãe, como último desejo do Crucificado, antes da Sua morte redentora e da Sua ressurreição gloriosa.


sexta-feira, 12 de abril de 2019

Quais são as diferenças entre Quaresma, Semana Santa e Tríduo Pascal?

O mistério completo da fé cristã é celebrado e atualizado no período de doze meses, chamado Ano Litúrgico, que está organizado em tempos ou ciclos.
Sem lugar a dúvidas, as duas celebrações mais importantes do calendário litúrgico são: o nascimento de Deus Filho feito Homem, na solenidade do Natal, comemorado no dia 25 de dezembro e; a ressurreição de Jesus, na solenidade da Páscoa, comemorada no domingo após a primeira lua cheia da primavera, no hemisfério norte (do outono, no hemisfério sul).
Como preparação à solenidade do Natal, temos o chamado tempo ou ciclo do Advento, que inicia o Ano Litúrgico. Comemorando durante oito dias a alegria imensa do nascimento de Deus Filho feito Homem, o tempo ou ciclo do Natal se estende até a solenidade do Batismo de Jesus, três domingos após o Seu nascimento.
Como preparação à solenidade da Páscoa, temos o chamado tempo ou ciclo da Quaresma, que inicia com a Quarta-feira de Cinzas e termina cinco semanas depois, no sábado anterior ao Domingo de Ramos. Os quarenta dias da Quaresma são de purificação e iluminação.
Chama-se Semana Santa os oito dias anteriores à solenidade da Páscoa, iniciando com o Domingo de Ramos e terminando no domingo seguinte, com a ressurreição de Jesus.
Recordando a humilde chegada de Jesus a Jerusalém, montado num jumentinho, no Domingo de Ramos, os fiéis, com palmas abençoadas nas mãos, fazem procissão pelas ruas e, depois, nos templos, proclamam a paixão e morte do Senhor.
Dentro da Semana Santa, merecem destaque a quinta-feira, a sexta-feira e o sábado, chamados Tríduo Pascal, quando são celebradas as solenidades da paixão, morte e ressurreição de Jesus.
Na Quinta-feira Santa, geralmente, pela manhã, nas catedrais metropolitanas, os bispos diocesanos celebram a Eucaristia Crismal para bênção dos Santos Óleos (para os sacramentos do Batismo, da Confirmação, da Ordem e da Unção dos Enfermos), reunido com os sacerdotes e diáconos diocesanos e religiosos que formam o clero da diocese. Aproveita-se a ocasião para celebrar também a instituição do sacerdócio ministerial por Jesus, na última ceia. Esse é o dia do sacerdote.
Pela tarde ou noite da quinta-feira, são celebrados o “lava-pés” e a instituição da Eucaristia por Jesus, que estabelece o novo mandamento: “Amem-se uns aos outros como Eu tenho lhes amado”. A celebração iniciada na quinta-feira só será concluída no sábado, depois da paixão e morte de Jesus, com a Sua ressurreição gloriosa. Evidencia-se, assim, a unidade fundamental do Tríduo Pascal. Durante a noite, os fiéis se revezam em oração diante da Eucaristia.
Na Sexta-feira Santa, às três horas da tarde, é celebrada a paixão e morte do Salvador Jesus, com a adoração da Santa Cruz. Costuma-se rezar a Via Sacra pelas ruas, muitas vezes encenada, com a contribuição dos jovens. Em muitos lugares é feita a procissão do Senhor morto. É um dia penitencial, de jejum obrigatório. Muitas pessoas aproveitam a ocasião para receber o sacramento da Reconciliação.
No Sábado Santo, pela noite, é celebrada a Vigília Pascal, na qual se batizam aqueles que foram preparados (catecúmenos) ou apenas são renovadas as promessas batismais dos fiéis, mediante a realização dos ritos do Fogo Novo (ou da Luz) e da Água, enquanto se proclamam importantes textos bíblicos, que preparam o anúncio da ressurreição gloriosa de Jesus, concluindo o Tríduo Pascal, cantando glórias com aleluias.
No Domingo de Páscoa, na imensa alegria da vitória de Jesus Cristo sobre o pecado e a morte, os fiéis celebram a vida nova recebida nas solenidades anteriores. Durante oito dias permanecem em gozosa alegria pascal, que continua por sete semanas, até a solenidade de Pentecostes, o envio do Espírito Santo, que encerra o ciclo ou tempo da Páscoa.



quinta-feira, 11 de abril de 2019

Os hebreus realmente atravessaram o Mar Vermelho a pé enxuto?

A famosa narrativa da travessia dos hebreus pelo Mar Vermelho, liderados por Moisés, fugindo do faraó egípcio e do seu exército, deixando a escravidão rumo à terra prometida, graças a uma intervenção direta de Deus, revelado como “Aquele que sou” àquele que tinha sido “salvo das águas”, é, sem dúvidas, uma das mais fundamentais bases da fé judaica. Antes mesmo de acreditar em Deus como Criador, os judeus já tinham adquirido a crença em Deus como Libertador.
A travessia dos hebreus pelo Mar Vermelho inspirou e continua inspirando diversas mulheres e homens que professam a fé dos patriarcas Abraão, Isaac e Jacó-Israel, como também os cristãos e os muçulmanos, que historicamente procedem do Judaísmo e conservam os seus textos sagrados.
Tal narrativa é particularmente meditada por ocasião da festa judaica anual da Páscoa, celebrada na primeira lua cheia da primavera, no hemisfério norte (outono, no hemisfério sul). Recordando que foram escravos e depois libertos, no passado, os judeus encontram forças para se libertarem de tudo aquilo que busca lhes escravizar, no presente, e alimentam a fé na libertação definitiva de toda e qualquer escravidão, no futuro.
Para os cristãos, a travessia do Mar Vermelho é uma imagem provisória da plena libertação operada por Jesus Cristo, pela Sua morte vergonhosa na Cruz e ressurreição gloriosa. Conscientes da sua escravidão ao pecado, os cristãos, atravessando as águas pelo sacramento do Batismo, são conduzidos à plenitude da liberdade das filhas e filhos de Deus. Essa é a Páscoa cristã.
Por se tratar de um texto sagrado tão importante, é preciso comentá-lo de um modo muito respeitoso, ainda que à luz da atual crítica histórica.
Segundo os historiadores, a famosa narrativa pertence ao período em que os egípcios já não dispunham do controle absoluto sobre os escravos hebreus e que, por tal razão, houve diversos êxodos, diversas fugas. O grupo liderado por Moisés - possivelmente pouco numeroso para não chamar tanto a atenção dos egípcios - foi um entre outros. Os hebreus fugitivos partilhavam informações sobre os melhores caminhos e momentos para a fuga, ajudando-se mutuamente. Provavelmente soldados egípcios perseguiam os fugitivos; mas seguramente não era um exército inteiro. Sem dispor das informações partilhadas sobre caminhos e momentos, os soldados egípcios já não puderam avançar depois que os fugitivos atravessaram o Mar Vermelho - certamente molhando, não somente os pés, mas o corpo completo.
Então seria uma mentira tal narrativa? Vamos com calma. A História é uma ciência moderna, comprometida com a reconstrução de eventos passados a partir de informações objetivas, livre de interpretações subjetivas. A narrativa da travessia dos hebreus pelo Mar Vermelho a pé enxuto foi contada de geração em geração, primeiro de modo oral e depois por escrito, a fim de despertar e sustentar a fé nos ouvintes e leitores judeus, para que experimentassem, individual e coletivamente, a presença do Deus Libertador, que ontem, hoje e sempre acompanha o Seu povo, com fidelidade.
Por isso é tão importante o estudo das Sagradas Escrituras, a fim de que, aos poucos, os cristãos possam ir superando a leitura ingênua e fundamentalista dos textos sagrados e, sem medo, aplicar sobre eles a preciosa contribuição da atual crítica histórica, de modo respeitoso.


terça-feira, 9 de abril de 2019

Como entender a traição de Judas Iscariotes e a negação de Simão Pedro?

O Cristianismo nasceu dentro do Judaísmo. Através dos profetas, no Primeiro Testamento, Deus havia dirigido muitas promessas aos judeus. Sem lugar a dúvidas, a mais importante delas era o envio do Messias (Cristo, em grego), por Quem os judeus receberiam a salvação eterna, a redenção, sendo definitivamente reconciliados com Deus pelo perdão dos pecados.
A maioria dos judeus, porém, não tinha uma compreensão correta sobre o Messias. Muitos pensavam que Ele teria uma origem humilde e que chegaria a ser um rei poderoso, liderando um grande exército, com o qual expulsaria os dominadores estrangeiros e reuniria os judeus que haviam se dispersado pelas perseguições. Esse Messias inauguraria um tempo de prosperidade econômica e Israel voltaria aos tempos gloriosos do passado, ao esplendor da época do famoso rei Davi, de quem seria um descendente natural. Essa compreensão equivocada do Messias estava reduzida ao destino histórico dos judeus, com uma limitadíssima perspectiva espiritual e universal.
Também os doze apóstolos não tinham uma compreensão correta do Messias. Muitas vezes Jesus teve que corrigi-los, insistindo que o Seu messianismo ia por outro caminho: Ele seria o Servo de Deus, conforme explicou detalhadamente o profeta Isaías nos quatro cânticos dedicados a Ele. Pelo Seu sofrimento livremente aceito e oferecido com amor, os judeus teriam os seus pecados perdoados e seriam reconciliados com Deus.
Apesar dos esforços de Jesus para corrigir os Seus apóstolos, Judas Iscariotes conservava uma ponta de esperança de que Ele chegaria a ser o tão aguardado Messias poderoso. Porém, quando todas as suas expectativas finalmente se frustraram, sentindo-se traído em sua esperança, covardemente o Iscariotes entregou o Messias Jesus aos Seus adversários: os fariseus, os mestres da Lei e os sumos sacerdotes - gesto do qual se arrependerá amargamente, a ponto de não conseguir conviver com esse arrependimento e tirar a própria vida.
Simão Pedro também teve muita dificuldade para compreender o messianismo de Jesus. Certa vez, por tentar convencê-Lo a ser o tão aguardado Messias poderoso, Simão recebeu uma dura correção de Jesus.
Porém a famosa tripla negação de Pedro foi motivada muito mais por medo e covardia que por compreensão incorreta do messianismo de Jesus. Temendo ser aprisionado, condenado e executado por acreditar no Messias Jesus, Simão covardemente negou conhecer Aquele que fez dele a pedra sobre a qual seria edificada a Sua Igreja.
Profundamente arrependido e envergonhado, quando Jesus ressuscitado se manifestou aos Seus apóstolos vitorioso sobre o pecado e a morte, Simão humildemente reconheceu a sua grande culpa e, com fé, acolheu o perdão do Ressuscitado. Apesar da gravidade das negações, Jesus manteve Pedro na sua função de liderança sobre os apóstolos, pela qual finalmente foi aprisionado, condenado e executado.
Também na atualidade Jesus continua sendo traído e negado. Desta vez, não por Judas Iscariotes nem por Simão Pedro, mas pelas mulheres e homens que, compreendendo incorretamente o messianismo de Jesus, abandonam a fé cristã e a sua prática, tornando-se omissos diante da maldade presente no ser humano e nas estruturas sociais. Confiados no amor e na misericórdia de Jesus, sinceramente nos arrependamos das nossas traições e negações, aceitemos o perdão de Deus e renovemos os nossos propósitos de seguir ao Messias Jesus com fidelidade.


segunda-feira, 8 de abril de 2019

Deus queria que Jesus morresse na cruz?

Deus é amor. Se Ele ama incondicionalmente as mulheres e homens pecadores, imaginem o amor d’Ele pelo Seu Filho único, Jesus Cristo! Amar significa cuidar, proteger, respeitar. Deus não impõe a Sua Vontade; Ele A propõe e respeita a decisão de cada um. Foi assim com Deus Filho; é assim com cada mulher e homem.
Fazendo mau uso da liberdade, do livre arbítrio recebido de Deus, o pecado e a morte entraram no mundo pela desobediência da mulher e do homem. Incapazes de romper com o ciclo do pecado e da morte por si mesmos, eles necessitaram de uma intervenção salvadora direta de Deus.
Esta lhes veio através de Deus Filho, pela Sua encarnação, pela Sua vida, pelos sinais prodigiosos que realizou, pelos Seus ensinamentos, pelas Suas diversas manifestações de Amor e, mais perfeitamente, pela Cruz livremente assumida, seguida da Sua exaltação pela ressurreição.
Inspirados pelo Espírito Santo, alguns profetas, no Primeiro Testamento, entreviram o mistério da reconciliação da humanidade com Deus através do Seu Servo misterioso, particularmente pelo Seu sofrimento.
O contexto religioso era do sacrifício expiatório: segundo a mentalidade vigente, o pecador, para se reconciliar com Deus, precisava oferecer em sacrifício um animal, pelas mãos de um sacerdote no templo, cujo sangue derramado substituía a morte do pecador.
Diziam alguns profetas que sacrifícios de animais - conforme a Primeira Aliança nos tempos de Moisés - não eram eficazes e seriam substituídos pelo sacrifício único e perfeito do misterioso Servo de Deus - conforme a Nova Aliança nos tempos messiânicos.
A Cruz era um popular instrumento de morte utilizado particularmente pelo Império Romano para punir os rebeldes e evitar novas rebeliões através do medo e do pavor.
Deus não queria que Jesus morresse na cruz. A crucifixão d’Ele foi conseqüência da Sua fidelidade e amor a Deus e às mulheres e homens, foi causada pela inveja e ciúmes dos fariseus, mestres da Lei e sumos sacerdotes, foi conseqüência da violência e covardia institucionalizadas na administração dos romanos.
Sendo plenamente livre, Jesus poderia ter escapado da Cruz, mas Ele não teve medo de assumir a morte para proclamar com palavras e com a vida a Justiça e o Amor de Deus pela humanidade, confiado absolutamente no poder de Deus para dar vida eterna àqueles que Lhe são fiéis e obedientes.
O sacrifício de amor livremente oferecido na Cruz por Jesus Cristo foi aceito por Deus e se tornou o sacrifício único e perfeito da Nova e Eterna Aliança, suficiente para reconciliar a humanidade pecadora com Deus uma vez por todas.
No seguimento a Jesus Cristo, os discípulos d’Ele também precisam carregar não poucas cruzes no dia-a-dia. E devem fazê-lo livremente, sem culpar a Deus pelos sofrimentos e perseguições que surgem como conseqüência da fidelidade e amor a Deus e às mulheres e homens. De um modo misterioso mas real, as nossas cruzes carregadas com confiança e paciência completam o que falta à Cruz de Cristo em favor da Igreja, Seu Corpo Místico.

Pense comigo

Por que eu não gosto de pobre? Porque pobre é vagabundo e preguiçoso; porque ele pesa no bolso da sociedade; porque ele suja e enfeia a cida...