Utiliza-se a palavra
“protestante” para identificar um grupo bastante numeroso e diversificado de
cristãos que se congregam fora do Catolicismo, surgidos após a Reforma
Protestante iniciada por Martinho Lutero - um ex-monge agostiniano - na
Alemanha do século XVI, que foi inspirando o surgimento de diversas igrejas,
que foram se espalhando, primeiro pela própria Europa, depois pela América e,
finalmente, pelo mundo afora.
As igrejas mais antigas
formam o chamado “Protestantismo histórico” (igrejas luterana, anglicana,
presbiteriana etc). As igrejas fundadas entre o final do século XIX e início do
século XX pertencem ao chamado “Protestantismo pentecostal” (igrejas Deus é
amor, congregação cristã, assembleia de Deus etc). E o “Protestantismo
neo-pentecostal” reúne as igrejas foram surgindo nas últimas décadas (igrejas
universal do Reino de Deus, internacional da Graça de Deus, mundial do poder de
Deus etc).
Os “protestantes”, em
geral, seguem a inspiração de Martinho Lutero de que a Bíblia é a base
fundamental do Cristianismo, que não deve ser substituída por tradições,
doutrinas ou interpretações. Recordamos que, segundo o Catolicismo, além da
Bíblia, a Tradição dos primeiros séculos do Cristianismo e os ensinamentos
dados pela Hierarquia da Igreja (papa e o Colégio Episcopal) formam a base da
fé cristã católica apostólica romana.
Além disso, os
“protestantes” pentecostais e neo-pentecostais acreditam piamente que o
Espírito Santo, pela oração, explica aos leitores e ouvintes da Bíblia os
mistérios da fé cristã, sem a necessidade de conhecer e estudar os grandes
teólogos e comentaristas da Bíblia. Por tal razão, a formação teológica e
bíblica de um líder religioso nestas igrejas é curta e rápida, em comparação
aos ministros ordenados do Catolicismo, cuja formação acadêmica e universitária
(Filosofia e Teologia) dura, no mínimo, sete anos.
No “Protestantismo
histórico” é diferente. A formação teológica e bíblica dos seus lideres
religiosos é bastante séria e completa, ainda que divirjam em alguns pontos do
Catolicismo. Foram eles que traduziram a Bíblia para os mais diversos idiomas,
enquanto no Catolicismo mantinha a tradução em latim, desconhecido para a
maioria dos fiéis, exceto os ministros ordenados e os membros da Vida
Religiosa.
Devido à grande
preparação dos “protestantes históricos”, na formação teológica e bíblica dos
ministros ordenados são utilizados livros escritos por eles e alguns inclusive
são professores em universidades e institutos católicos, ensinando os pontos
convergentes da fé cristã tanto para católicos quanto para não católicos.
Preocupados com a
possibilidade de que os católicos, ao lerem a Bíblia, não compreendessem a sua
mensagem e a ensinassem equivocadamente, a Hierarquia da Igreja oferecia aos
fiéis a síntese da fé cristã na forma de Catecismo em preparação aos
sacramentos e de homilias durante a Eucaristia.
Os católicos só
passaram a ter acesso à Bíblia para leitura no próprio idioma e o seu estudo a
partir de 1965, com o Concílio Ecumênico Vaticano II, ou seja, tardiamente.
A multiplicação das
tradições e devoções populares católicas, de alguma maneira, ocupou o lugar da
leitura, meditação e estudo da Bíblia por parte dos católicos. Muitos fiéis nem
mesmo possuem o livro sagrado; e muitos que têm a Bíblia pouco ou nada a
conhecem e utilizam. Há pessoas que fazem do livro sagrado um objeto para enfeitar
o ambiente ou a utilizam de modo supersticioso, para proteção ou para prever
acontecimentos.
Os “protestantes”, com
a sua metodologia de exigir dos seus fiéis a leitura da Bíblia e que a levem
nos seus cultos e celebrações, recitando e memorizando versículos importantes a
fim de repeti-los às pessoas em momentos de tristeza, angústia, doença ou
dificuldades, ajuda-lhes muito a conhecer e utilizar a Bíblia.
Há pastorais e
movimentos no Catolicismo cujos ministros ordenados e não ordenados valorizam e
fazem uso do livro sagrado, preparando-lhes para evangelizar a partir da
Bíblia, bem compreendida com a ajuda da Tradição da Igreja e os ensinamentos da
sua Hierarquia. O exemplo destas pastorais e movimentos deveria inspirar os
demais a fazer o mesmo.
Muitos católicos, para
justificar a sua falta de interesse ou disposição para ler, meditar e estudar a
Bíblia, acusam os “protestantes” de memorizar e recitar versículos da Bíblia com
uma compreensão superficial e limitada do livro sagrado; até mesmo sem
cumprirem o que ensinam. Vale lembrar que o Catolicismo também possui muitos
fiéis que pouco ou nada entendem sobre a Bíblia e que também evangelizam sem
praticar os seus ensinamentos.

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