Redimir significa fazer a reparação de um erro, de um crime, de uma falta; significa retratar, ressarcir, oferecer uma compensação por um dano, por um prejuízo; significa livrar.
Quando Deus Filho se fez Homem, encarnando-se, pelo Espírito Santo, no seio virginal de Maria, Ele se uniu de tal forma com a humanidade, que assumiu em Si mesmo os pecados e as dores de cada mulher e homem, de todos os tempos e lugares. Ele, que não tinha cometido pecado algum, que tinha passado pelo mundo fazendo o bem, ao ser injustamente crucificado, morreu a nossa morte para que vivêssemos a Sua Vida.
Definitivamente Jesus Cristo é o nosso suficiente Redentor. O Seu Sangue lavou, de uma vez por todas, a mancha do pecado que contaminava de morte a humanidade inteira.
Todos os incontáveis esforços humanos para reconciliar as mulheres e homens com Deus e entre si alcançaram a sua máxima expressão pela morte e ressurreição do nosso Redentor. O que a humanidade não conseguiu realizar por si mesma, por sua condição pecadora, foi plenamente realizado por Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem.
As lágrimas, os sofrimentos, as feridas de cada mulher e homem foram assumidos pelo Redentor nosso, e a recompensa divina, a salvação eterna, chegou em plenitude àqueles que n’Ele crêem e esperam.
Escrevendo à comunidade cristã de Colossas, o apóstolo Paulo afirmou que, com os seus próprios sofrimentos - causados e suportados pela sua fé em Jesus como o Cristo de Deus - completava em sua própria carne o que faltava das tribulações de Cristo pelo Seu Corpo, que é a Igreja (1, 24).
De fato, como havia ensinado Jesus no Evangelho segundo Mateus, ser cristão implica tomar a própria cruz e segui-Lo (16, 24). Em outras palavras, um autêntico seguidor de Jesus Cristo, suportando os sofrimentos causados pela fé, toma a sua cruz e, de um modo tão misterioso quanto real, torna-se co-redentor, completando em si mesmo o que falta das tribulações de Cristo pela Igreja, que é o Seu Corpo Místico.
Acreditar em Maria como co-redentora nossa de jeito nenhum significa diminuir a ação redentora de Jesus Cristo; pelo contrário, significa reconhecer que a Mãe do Filho de Deus feito Homem participou de um modo privilegiado da redenção da humanidade, pela união de amor e de dor que vincula para sempre uma mulher ao fruto das suas entranhas.
Sendo judia, Maria - que esperou ardentemente a redenção do povo de Israel - foi redimida pelo Seu Filho, particularmente quando foi preservada do pecado original na sua concepção pelos méritos da Sua maternidade divina.
Sendo cristã, Maria - que acompanhou de perto, com lágrimas e prantos, as traições, as negações, as injustiças, as humilhações, o desprezo, os açoites, a condenação, a crucifixão e a morte dolorosa - tornou-se co-redentora da humanidade, não em substituição ao único e suficiente Redentor, mas por Sua íntima união de amor e de dor com o Seu Filho Jesus Cristo.

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