A primeira experiência
que os discípulos de Jesus tiveram com a Sua ressurreição foi ouvir antecipadamente
da Sua própria boca que, passados três dias da Sua morte, Ele ressuscitaria.
Certamente este anúncio - que foi dito em três ocasiões distintas - estava
baseado nos escritos deixados pelos profetas do Primeiro Testamento.
Encontrar a pedra do
túmulo removida e o sepulcro vazio, apenas com as faixas de linho, foi a
segunda e desconcertante experiência dos discípulos, que aconteceu na madrugada
do primeiro dia da semana. Para alguns, esse já foi um sinal suficiente para
acreditar na ressurreição de Jesus.
Em seguida houve a
experiência de encontrarem, nos arredores do sepulcro, homens vestidos de
branco (ou anjos), consolando a tristeza e as lágrimas, anunciando que Jesus
estava vivo e que não deveria ser buscado entre os mortos, dando a tarefa de
comunicar esta notícia aos apóstolos, ordenando-lhes que fossem à Galileia,
aonde Ele ia lhes permitir vê-Lo.
Também houve a
experiência de conversar com Jesus ressuscitado, porém sem reconhecê-Lo
fisicamente, confundindo-o com um jardineiro perto do sepulcro, com um
peregrino no caminho de Emaús, com um estranho à beira do mar da Galileia,
durante uma pescaria. Em alguns casos, o Ressuscitado se deu a conhecer; em
outros, não, ainda que posteriormente os discípulos percebessem que era Ele
pelos Seus gestos e/ou palavras.
Uma metodologia
utilizada por Jesus era recordar tudo o que Moisés, os Profetas e os Salmos (ou
seja, o Primeiro Testamento, as Sagradas Escrituras do Judaísmo) tinham
ensinado sobre o Messias e a Sua missão redentora, abrindo a inteligência dos
discípulos para que entendessem o sentido da Sua morte na Cruz e a certeza da
Sua ressurreição. Essa metodologia era completada com a partilha do pão depois
da bênção de ação de graças - uma evidente referência à Última Ceia. Este gesto
acompanhado das orações abria os olhos dos discípulos para que reconhecessem o
Ressuscitado.
A compreensão sobre as
“novas características” do corpo de Jesus - agora ressuscitado e não submetido
às leis do tempo e do espaço -, como também o “jeito novo” de se relacionar com
Ele após a ressurreição, estará em constante evolução, até chegar à experiência
que os cristãos têm na atualidade.
Inicialmente, a visão
de Jesus ressuscitado era considerada uma alucinação, produzida pela
imaginação, pelo trauma da crucifixão, pelas lembranças dos Seus gestos e
palavras, pela visita aos lugares onde Ele esteve ou passou.
Posteriormente o
Ressuscitado era classificado como um fantasma, uma alma penada. Para assegurar
que Jesus era real, o evangelista Mateus deixou escrito que algumas mulheres
chegaram a abraçar os pés d’Ele. O evangelista João deixa escrito que o
Ressuscitado convidou o incrédulo apóstolo Tomé a pôr o seu dedo no lugar dos
cravos e a sua mão no lado d’Ele, ainda que não seja possível saber se este
apóstolo atendeu o convite. O evangelista Lucas deixa escrito que Jesus comeu
um pedaço de peixe assado diante dos apóstolos, para lhes garantir que não era
um fantasma; Ele até lhes convidou para apalpá-Lo e reconhecer que tinha carne
e ossos, ainda que também não seja possível saber se eles atenderam o convite.
Voltando à experiência
do apóstolo Tomé, o Ressuscitado chegou a lhe dizer que seriam bem-aventuradas
as pessoas que acreditassem na Sua ressurreição sem O terem visto.
A compreensão
definitiva sobre o corpo de uma pessoa ressuscitada seria dada pelo apóstolo
Paulo. Ele ensina que, pela morte, é sepultado o corpo corruptível e mortal;
pela ressurreição, como uma semente que se torna uma árvore, este corpo será
transformado e revestido de incorruptibilidade e de imortalidade (I Coríntios
15, 42-43). É assim o corpo glorioso de Jesus ressuscitado, não submetido às
leis do tempo e do espaço, sem necessidade de ser alimentado com comida
material.
Na atualidade, nós
cristãos acreditamos que Jesus está ressuscitado e que possui um corpo
glorioso, que não podemos ver nem tocar, não porque Ele não seja real nem
porque Ele seja um fantasma, mas porque o Seu corpo glorioso, depois da Sua
ascensão aos Céus, subiu para junto de Deus, onde Ele está à direita do Pai.
Sacramentalmente
podemos ter acesso a Jesus ressuscitado através da meditação das Sagradas
Escrituras, do recebimento da Eucaristia - Seu Corpo e Sangue sacramentados -,
da vida fraterna em comunidade-Igreja, e da prática da caridade junto às
mulheres e homens mais necessitados.

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