quarta-feira, 24 de abril de 2019

Jesus ressuscitado

A primeira experiência que os discípulos de Jesus tiveram com a Sua ressurreição foi ouvir antecipadamente da Sua própria boca que, passados três dias da Sua morte, Ele ressuscitaria. Certamente este anúncio - que foi dito em três ocasiões distintas - estava baseado nos escritos deixados pelos profetas do Primeiro Testamento.

Encontrar a pedra do túmulo removida e o sepulcro vazio, apenas com as faixas de linho, foi a segunda e desconcertante experiência dos discípulos, que aconteceu na madrugada do primeiro dia da semana. Para alguns, esse já foi um sinal suficiente para acreditar na ressurreição de Jesus.

Em seguida houve a experiência de encontrarem, nos arredores do sepulcro, homens vestidos de branco (ou anjos), consolando a tristeza e as lágrimas, anunciando que Jesus estava vivo e que não deveria ser buscado entre os mortos, dando a tarefa de comunicar esta notícia aos apóstolos, ordenando-lhes que fossem à Galileia, aonde Ele ia lhes permitir vê-Lo.

Também houve a experiência de conversar com Jesus ressuscitado, porém sem reconhecê-Lo fisicamente, confundindo-o com um jardineiro perto do sepulcro, com um peregrino no caminho de Emaús, com um estranho à beira do mar da Galileia, durante uma pescaria. Em alguns casos, o Ressuscitado se deu a conhecer; em outros, não, ainda que posteriormente os discípulos percebessem que era Ele pelos Seus gestos e/ou palavras.

Uma metodologia utilizada por Jesus era recordar tudo o que Moisés, os Profetas e os Salmos (ou seja, o Primeiro Testamento, as Sagradas Escrituras do Judaísmo) tinham ensinado sobre o Messias e a Sua missão redentora, abrindo a inteligência dos discípulos para que entendessem o sentido da Sua morte na Cruz e a certeza da Sua ressurreição. Essa metodologia era completada com a partilha do pão depois da bênção de ação de graças - uma evidente referência à Última Ceia. Este gesto acompanhado das orações abria os olhos dos discípulos para que reconhecessem o Ressuscitado.

A compreensão sobre as “novas características” do corpo de Jesus - agora ressuscitado e não submetido às leis do tempo e do espaço -, como também o “jeito novo” de se relacionar com Ele após a ressurreição, estará em constante evolução, até chegar à experiência que os cristãos têm na atualidade.

Inicialmente, a visão de Jesus ressuscitado era considerada uma alucinação, produzida pela imaginação, pelo trauma da crucifixão, pelas lembranças dos Seus gestos e palavras, pela visita aos lugares onde Ele esteve ou passou.

Posteriormente o Ressuscitado era classificado como um fantasma, uma alma penada. Para assegurar que Jesus era real, o evangelista Mateus deixou escrito que algumas mulheres chegaram a abraçar os pés d’Ele. O evangelista João deixa escrito que o Ressuscitado convidou o incrédulo apóstolo Tomé a pôr o seu dedo no lugar dos cravos e a sua mão no lado d’Ele, ainda que não seja possível saber se este apóstolo atendeu o convite. O evangelista Lucas deixa escrito que Jesus comeu um pedaço de peixe assado diante dos apóstolos, para lhes garantir que não era um fantasma; Ele até lhes convidou para apalpá-Lo e reconhecer que tinha carne e ossos, ainda que também não seja possível saber se eles atenderam o convite.

Voltando à experiência do apóstolo Tomé, o Ressuscitado chegou a lhe dizer que seriam bem-aventuradas as pessoas que acreditassem na Sua ressurreição sem O terem visto.

A compreensão definitiva sobre o corpo de uma pessoa ressuscitada seria dada pelo apóstolo Paulo. Ele ensina que, pela morte, é sepultado o corpo corruptível e mortal; pela ressurreição, como uma semente que se torna uma árvore, este corpo será transformado e revestido de incorruptibilidade e de imortalidade (I Coríntios 15, 42-43). É assim o corpo glorioso de Jesus ressuscitado, não submetido às leis do tempo e do espaço, sem necessidade de ser alimentado com comida material.

Na atualidade, nós cristãos acreditamos que Jesus está ressuscitado e que possui um corpo glorioso, que não podemos ver nem tocar, não porque Ele não seja real nem porque Ele seja um fantasma, mas porque o Seu corpo glorioso, depois da Sua ascensão aos Céus, subiu para junto de Deus, onde Ele está à direita do Pai.

Sacramentalmente podemos ter acesso a Jesus ressuscitado através da meditação das Sagradas Escrituras, do recebimento da Eucaristia - Seu Corpo e Sangue sacramentados -, da vida fraterna em comunidade-Igreja, e da prática da caridade junto às mulheres e homens mais necessitados.


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