Como sabemos, a fé cristã procede, em grande parte, da fé judaica, uma vez que as promessas de Deus ao povo de Israel foram plenamente cumpridas, segundo a perspectiva dos judeus que chegaram a acreditar que Jesus de Nazaré era o Ungido, o Messias, o Cristo de Deus.
Ainda que de um modo não muito claro, alguns grupos de judeus - logo após a terrível experiência de serem expulsos da sua própria terra e forçados a viver na Babilônia como exilados - foram compreendendo que a justiça divina não se realizava completamente durante a existência neste mundo, mas que se cumpriria de modo pleno após a morte natural, na vida sem fim, eterna.
Os judeus, que antes acreditavam que a obediência a Deus era recompensada com bênçãos, proteção e prosperidade durante a vida, e a desobediência era castigada com doenças, desgraças e pobreza, ao constatar o sofrimento dos justos e a sorte dos ímpios, precisaram reformar a sua teologia da justiça divina, abrindo-se à revelação da ressurreição dos mortos.
Vale recordar que nem todos os judeus partilhavam esta fé. O grupo dos saduceus, por exemplo, na época em que Jesus viveu, não acreditava na ressurreição. Eles se mantinham fiéis aos tradicionais ensinamentos da Lei de Moisés, que falava de recompensa divina na vida presente, não na eternidade.
De fato, os patriarcas Abraão, Isaac e Jacó-Israel, Moisés, os reis Davi e Salomão e quase todos os principais personagens bíblicos que viveram antes do exílio na Babilônia, pensavam que a morte era o fim da existência humana; no máximo acreditavam que a vida se estendia através dos descendentes, que conservavam o nome e a memória dos seus antepassados.
A fé na ressurreição dos mortos foi-se consolidando entre os judeus principalmente nos tempos difíceis das sucessivas dominações estrangeiras (babilônios, persas, gregos e romanos), cujas autoridades eram extremamente violentas e assassinas, e diante das quais os judeus se sentiam completamente impotentes e vulneráveis. A fé dos judeus era continuamente ridicularizada. Então, já que a justiça divina não estava sendo realizada completamente no tempo presente, pela fé na ressurreição dos mortos, tal justiça seria plenamente cumprida após a morte natural, na vida sem fim, eterna.
Os judeus que acreditavam na ressurreição a localizavam no fim dos tempos, de modo coletivo; não individualmente.
Jesus, sendo um judeu autêntico, ensinava aos Seus discípulos a fé na ressurreição dos mortos, a justiça divina cumprida de modo pleno após a morte natural. Ele lhes dizia abertamente que, após a Sua morte injusta por motivações religiosas e políticas, ressuscitaria. E não seria coletivamente, no fim dos tempos, mas de modo individual, após três dias.
Os discípulos de Jesus - todos igualmente judeus - tiveram bastante dificuldade para compreender o Seu ensinamento sobre a fé na ressurreição dos mortos, tanto antes quanto depois da Sua crucifixão. Foi um processo lento e contínuo, no qual o Espírito Santo seguramente foi o grande Mestre.
O apóstolo Paulo, que se encarregou de transmitir a fé cristã aos não judeus nas principais cidades do Império Romano, também encontrou muita dificuldade para falar sobre a ressurreição, tanto a de Jesus quanto a dos demais cristãos. Nas suas cartas apostólicas ele retoma esse ensinamento várias vezes.
Muitos pensavam que a ressurreição era apenas da alma, uma vez que, após a morte natural, o corpo era sepultado e se descompunha, restando apenas os ossos. Mas Paulo, referindo-se sempre à ressurreição de Jesus, insistia-lhes que a ressurreição era da pessoa inteira, a sua alma e também o seu corpo, afirmando que se tratava de um corpo já não mais sujeito ao tempo e ao espaço, mas um corpo glorioso, como o de Jesus ressuscitado.
Convém, neste tempo pascal, aprofundar com as nossas famílias, comunidades, pastorais e movimentos, a fé cristã na ressurreição da carne, tal qual foi ensinada por Jesus, nas Sagradas Escrituras e na Tradição da Igreja.

Glória a vós Senhor!
ResponderExcluirBom dia Padre Kleber a sua bênção.
Deus lhe abençoe!
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