quarta-feira, 28 de outubro de 2026

A Mãe Igreja

• Sim, a Igreja é nossa Mãe.

• Em que sentido, já que Ela não é uma pessoa?

• No sentido de que Ela, animada e conduzida pelo Espírito de Deus, amorosamente acolhe as mulheres e homens que desejam se tornar discípulos de Jesus Cristo, gerando novos filhos adotivos de Deus pelas águas do Batismo e pela evangelização, e os acompanhando no caminho da fé. É verdade: a Igreja não é uma pessoa; mas é formada por pessoas que agem movidas pelo Espírito de Deus, tornando-se o Corpo Místico de Cristo (que é Sua Cabeça), continuadora no mundo da Sua tríplice missão de santificar, ensinar e pastorear, até a volta gloriosa do Seu divino Esposo, que implementará definitivamente o Reino divino de amor e de justiça.

• Entendi.

• Por isso a Igreja é associada à Virgem Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe. A pedido de Jesus pregado na Cruz, Nossa Senhora recebe como filhos Seus aqueles que amorosamente A acolhem no coração como Mãe, tomando-os pela mão e os conduzindo a Deus Filho e aos Céus.

• Que orgulho para nós, então, é sermos filhos da Mãe Igreja e sermos filhos da Virgem Maria!

• Sim! Amemos a Igreja e rezemos por Ela com respeito e devoção para que cumpra com fidelidade a Sua tão elevada vocação.

Expulsar demônios

Jesus exorcizava as pessoas atormentadas por espíritos malignos, devolvendo-lhes a liberdade e o controle da própria vida.

Jesus autorizou e deu poder aos apóstolos para que eles expulsassem demônios.

No Batismo, quando nascemos de novo da água e do Espírito, fazemos a renuncia a Satanás e às suas tentações e seduções.

Os anjos rebeldes, que utilizaram sua liberdade para se afastar da vontade divina e foram expulsos da convivência com Deus, tentam as pessoas para que também se rebelem e desobedeçam o Senhor, pecando compulsivamente até a autodestruição e a perdição eterna.

Ainda hoje é urgente expulsar demônios e exorcizar os espíritos malignos. Não podemos permitir que Satanás e os anjos rebeldes aprisionem a mente e o coração das pessoas, destruindo sonhos, famílias e a própria sociedade.

Como fazer isso? E quem pode fazê-lo?

Aos demônios se expulsa e se exorciza pelo fortalecimento da amizade e proximidade com Deus através da oração constante, do arrependimento dos pecados, do alimento da Palavra e da Eucaristia, da direção espiritual, da devoção mariana, do acompanhamento psicológico, do tratamento psiquiátrico.

O principal agente do exorcismo é a própria pessoa atormentada. Mas como muitas vezes tal pessoa se encontra fragilizada e impotente, é fundamental o apoio inicial da família, dos amigos e dos irmãos de fé e; claro, em situações extremas, de um sacerdote exorcista.

Com a Virgem Maria, a Rainha do Céu, vençamos o dragão de muitas cabeças e chifres, imitando a nova Eva que pisa a cabeça da serpente. Livrai-nos, Pai nosso, de todo mal. Amém.

quarta-feira, 13 de maio de 2026

O Protestantismo e a Modernidade

O Protestantismo iniciou na Europa com Martinho Lutero (1483 a 1543) na Modernidade (século XV ao XVIII).

A Idade Média se caracterizava como uma era de estabilidade cultural, com a predominância do Cristianismo Católico Romano como uma forte instituição que influenciava a política e a economia na Europa.

Predominava o teocentrismo, a teocracia, com Deus sendo a referência última da sociedade e do poder, sempre mediados pela alta hierarquia da Igreja Católica.

Mas a Modernidade chegou com o antropocentrismo, colocando o homem como medida de todas as coisas, valorizando o indivíduo e questionando as instituições e a organização da sociedade.

Embora tenham apresentado resistência ao movimento moderno, as estruturas da Idade Média não puderam frear as mudanças e as novidades foram se implementando e se espalhando pela Europa e para fora dela, com a chegada dos europeus às Américas.

Junto com o Renascimento Cultural, com a expansão da democracia, com a Revolução Industrial e a consolidação da burguesia, com a multiplicação das universidades, surgiu o Protestantismo, questionando a forte Igreja Católica Romana, priorizando o indivíduo em vez da instituição.

Os protestantes, além de romperem com a hierarquia católica e suas tradições seculares, uniram-se mais facilmente aos ideais democráticos e burgueses, à mentalidade moderna que estava surgindo e sendo divulgada.

O Protestantismo se apresentava como um Cristianismo moderno e adaptado às novas realidades, em oposição ao Catolicismo, identificado como monárquico, aristocrata, rígido, dominador. Os protestantes acusavam os católicos de terem trocado o Cristianismo bíblico por tradições greco-romanas e de outras culturas, enquanto o Protestantismo era visto como um retorno à mais genuína vivência cristã.

Na pós-modernidade atual, o Protestantismo - agora na sua versão pentecostal e neopentecostal - ainda reforça entre seus membros uma oposição ao Catolicismo, mesmo após sua tardia abertura ao mundo moderno durante o Concílio Ecumênico Vaticano II.

Os católicos, seguindo a hierarquia da Igreja e sua doutrina social, acolhem de modo esperançoso e crítico os autênticos ideais da democracia, do capitalismo burguês e da autonomia do indivíduo em relação às instituições.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Pense comigo

Por que eu não gosto de pobre? Porque pobre é vagabundo e preguiçoso; porque ele pesa no bolso da sociedade; porque ele suja e enfeia a cidade; porque ele é aproveitador e acomodado; porque ele vive às custas do governo; porque ele não contribui com nada e quer receber o fruto do trabalho dos outros; porque ele traiçoeiro, desonesto e violento; porque é fraco e viciado em álcool e drogas etc.

O que eu faria com o pobre? Eu não lhe daria nada; eu lhe diria que limpasse um terreno ou pintasse a guia das calçadas para ganhar dinheiro, comer e vestir; eu tiraria os mendigos das avenidas e praças e faria eles voltarem para sua cidade de origem; eu obrigaria os viciados a receberem tratamento médico e psiquiátrico; eu colocaria os criminosos atrás das grades; eu cortaria toda ajuda do governo, que não resolve mas aumenta o problema e faz o pobre depender dos políticos e continuar votando neles etc.

O que diz o humanismo? O pobre é uma pessoa e deve ser tratado como tal. A sociedade deve cuidar dos seus cidadãos, direcionando parte da sua arrecadação ao bem estar social dos cidadãos mais vulneráveis, especialmente as crianças, os idosos e os doentes, os que vivem na miséria e mendicância. Tal cuidado passa por garantir as condições mínimas de alimentação, vestuário, higiene pessoal, socorro médico, integridade física etc. Para ajudar a pessoa a superar a pobreza extrema, a sociedade deve oferecer cursos profissionalizantes e oportunidades de trabalho e renda, com as ferramentas e equipamentos de segurança correspondentes, além do alojamento. Ao pobre deve ser garantido o seu direito fundamental à liberdade, assumindo as consequências das suas escolhas.

O que diz o Cristianismo? Sendo pessoa humana, o pobre é imagem e semelhança de Deus, tendo uma altíssima dignidade. Como todo ser humano, o pobre tem o direito de conhecer a Cristo e ao Espírito Santo, para que se converte, abandone seus pecados e disfrute da vida nova na Igreja e na sociedade. O cristão vê a Cristo no faminto, no doente, no desabrigado, no dependente químico, que espera para ser atendido nas suas necessidades materiais e espirituais. O cristão acredita na conversão do preguiçoso e do desonesto pela pregação e pela formação humana e cristã. Para o cristão, o pobre não é um peso, mas um irmão que nos ajuda a sair do comodismo, da indiferença, da avareza. O cristão não julga o pobre, mas o acompanha e apóia na defesa dos seus direitos individuais e sociais.

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

A maldade

Embora muitos de nós não gostemos de admitir, a maldade está esparramada pelo mundo. É o joio que nasce e cresce entre o trigo (cf. Mateus 13, 24-43).

O homem, embora criado à imagem de Deus para ser bom, costuma usar a sua liberdade e capacidades para o mal. E a maldade pessoal tem consequências sociais, mais ainda quando os maus se associam para delinquir.

O mal é um dragão imenso, é uma estrutura com engrenagens complexas, com raízes que se aprofundam na sociedade, com ramos que se estendem por toda parte, com incontáveis braços e cabeças, sempre se recriando e se reinventando, mais ainda em tempos de tecnologias.

O mal está nos homens e nas mulheres, nos jovens e nos idosos, nos ricos e nos pobres, nos grandes centros urbanos e nas periferias e pequenas cidades, em todas as raças e religiões, em analfabetos e diplomados.

Embora seja uma tarefa difícil e ingrata, o mal precisa ser contido, já que é impossível eliminá-lo completamente. É um trabalho diário pessoal e familiar, mas também das instituições sociais como as escolas, as religiões, a política e, sobretudo, a polícia e as forças armadas.

Não podemos subestimar o mal. Há muita gente armada, preparada para matar, sem remorso nem empatia, numa espécie de engenharia da criminalidade. Neste mercado criminoso, há gente produzindo, gente traficando e gente consumindo. Há fornecedores e há milhonários que compram juízes e sentenças, dentro e fora do país.

A miséria, por um lado, e a impunidade, por outro, levam muitas pessoas ao crime, que atrai pelo suposto enriquecimento rápido e fácil para quem não tem profissão nem emprego, pelas festas cheias de drogas e sexo, pelas casas, carros e viagens luxuosos.

A família e os amigos geralmente não apoiam a decisão do criminoso, embora algumas se beneficiam dos bens adquiridos ilegalmente. Pela convivência diária, os criminosos vão formando uma irmandade, até porque é muito difícil sair do crime depois de ter entrado nele.

Não há uma "bala de prata", uma fórmula mágica, para resolver o grave problema da criminalidade. Há muitas experiências que se demonstraram ineficazes e ineficientes, com efeitos colaterais terríveis, como várias vítimas inocentes, destruição de casas, carros e ônibus, importunação da ordem pública, caos social.

Ao mesmo tempo, a polícia, as forças armadas e a política não podem ficar de braços cruzados, se omitindo diante da expansão da criminalidade, que não respeita as leis sociais e explora economicamente os mais pobres.

Finalmente, não pode faltar a empatia nem o acompanhamento emocional e espiritual das famílias e vizinhanças que sofrem pelo trabalho da segurança pública para neutralizar e conter a livre atuação dos criminosos na sociedade.

Até que se prove o contrário, toda pessoa é inocente. Antes do julgamento e da condenação, deve ser garantido à pessoa o amplo direito à defesa. Mas é importante demonstrar às pessoas que o crime não compensa e que as autoridades civis estão prontas para defender os cidadãos e as famílias da violência e da maldade.

sexta-feira, 3 de outubro de 2025

Entenda para poder explicar

- Como foi mesmo que ela disse?

- Ela disse assim: "Deus mandou a Si mesmo ao mundo, para que Ele fosse morto e cumprisse a justiça d'Ele, nos salvando da ira d'Ele, num sistema religioso sacrificial que Ele mesmo criou".

- Mas isso é muito confuso!

- Ela disse que justamente por isso já não acreditava no Cristianismo.

- Provavelmente ela é atéia e está apenas ridicularizando quem tem fé. Mas conclusões como esta podem surgir de uma evangelização mal feita e superficial.

- E como a gente poderia resolver aquela confusão?

- Vamos por parte. De propósito, ela misturou Deus Pai Criador com Deus Filho Salvador, Jesus. Ou então ela não entendeu que, embora seja um só Deus, a Santíssima Trindade é formada por três pessoas divinas distintas em perfeita comunhão de amor e liberdade, cada qual com sua identidade e função.

- Sim, tem razão. Este entendimento é fundamental.

- Sobre o sistema religioso sacrificial, este era ensinado e praticado pelas religiões dos povos vizinhos dos israelitas, nos tempos em que o Primeiro Testamento foi escrito. O Judaísmo se apropriou das experiências religiosas vizinhas e afirmou que era vontade divina.

- Sério?!?

- Sim. E, por incrível que pareça, o sacrifício de animais já era um grande avanço comparado a religiões que sacrificavam seres humanos às suas divindades.

- Deus do Céu!

- Pois é. Então, em vez de matar o criminoso, o pecador, sacrificava-se um animal, e o sangue dele derramado era o sinal para o perdão divino.

- Mas Deus Pai não poderia simplesmente perdoar, sem a necessidade de matar animais, já que Deus é amor?

- Ela também fez esta mesma pergunta. E os israelitas respondiam que Deus era bom mas que também era justo. Pedagogicamente falando, pelo sistema religioso sacrificial, Deus estava educando os israelitas sobre as consequências dos seus erros. Na mentalidade judaica, se Deus fosse apenas bom e misericordioso, os israelitas não iam respeitá-Lo e iam abusar da Sua bondade. Além disso, era preciso pensar na resposta às vítimas dos crimes, que legitimente pediam justiça a Deus.

- Isso é complicado, hein? Mas nós não somos judeus; nós somos cristãos!

- Sim, mas o Messias foi prometido aos judeus e veio para eles, em primeiro lugar. Tanto nas promessas quanto no cumprimento delas, estava a mentalidade judaica sacrificial.

- Então realmente Deus Pai quis a morte de Deus Filho para perdoar os pecadores?

- Na lógica judaica, sim, Deus Pai quis, para realizar a justiça perfeita. E era a única forma de vencer o mal e a morte, de uma vez por todas, pois o sangue de animais não tinha poder para isso.

- Se não fosse assim, Deus Pai daria um castigo eterno aos pecadores, enviando-os ao inferno? Isso não é desproporcional?

- Por isso vem a lógica do Cristianismo, meu caro. Na evangelização, ensinamos que Jesus veio, por um lado, cumprir as promessas messiânicas, na lógica judaica sacrificial e, por outro lado, resolver definitivamente a situação do mal e da morte, encerrando os sacrifícios. E o segredo estava no amor de Jesus, pelo qual Ele aceitou morrer no lugar dos pecadores para que a perfeita justiça acontecesse.

- Mas isso tudo funcionou? O mal e a morte continuam presentes no mundo...

- Ela também fez esta consideração. E a evangelização responde dizendo que a morte e a ressurreição de Jesus iniciaram um processo irreversível de restauração da humanidade, que avança cada dia mais quando corações se abrem à fé cristã e ao amor. O mal e o pecado estão com seus dias contados. A vitória é certa!

terça-feira, 9 de setembro de 2025

Cultura popular e liturgia

Por cultura popular, entende-se as expressões e preferências das pessoas simples, talvez pouco escolarizadas, das cidades do interior ou das periferias dos grandes centros urbanos.

Quando se fala em Liturgia, pensa-se numa manifestação religiosa solene, organizada e executada por / para pessoas instruídas, como bispos e autoridades civis, particularmente em espaços religiosos oficiais - um santuário ou catedral, por exemplo.

A cultura popular é diversa e reflete as origens dos povos, dando-lhes identidade. Trata-se de elementos que se aprende desde a infância e se transmite de uma geração à outra. Pode-se pensar nos indígenas, nos quilombolas, nos sertanejos, nos gaúchos, nos ribeirinhos, nos sambistas e rappers etc.

A Liturgia é uma expressão oficial da fé, uma herança de tempos passados e de países distantes, com uma linguagem e estrutura próprias. São partes essenciais da expressão litúrgica as palavras, os gestos, os objetos, as vestimentas, os ritos etc, e devem estar presentes necessariamente.

Uma das tarefas da evangelização é justamente tornar a Liturgia compreensível e significativa às novas gerações, a fim de que participem ativamente nela.

Em décadas passadas, os bispos da América Latina orientavam os fiéis a respeitar e valorizar as culturas populares, evangelizando os povos a partir da sua própria linguagem cultural, especialmente a geração mais jovem. Embora reconhecessem as limitações das culturas populares e a oficialidade da Liturgia, os bispos encorajavam o diálogo frutífero.

É verdade que houve alguns excessos na concretização deste diálogo, mas eles foram fraternalmente sendo expostos e corrigidos.

Na atualidade, nota-se, por um lado, uma crescente exaltação da Liturgia oficial e, por outro lado, um desinteresse ou menosprezo pela cultura popular, tanto da parte dos bispos quanto da parte dos fiéis leigos.

São vistos com suspeita e como ameaça os instrumentos e ritmos populares, as procissões, os símbolos culturais. Incentiva-se o canto gregoriano, o uso do órgão, expressões em latim, com a desculpa de tornar a Liturgia mais solene e sóbria, a exemplo do que é visto no Vaticano.

Em tempos de influenciadores nas redes sociais, há padres e fiéis leigos tradicionalistas que tratam de doutrinar os católicos, exaltando a Liturgia em detrimento da cultura popular.

Um desafio constante para a catolicidade da Igreja é alcançar o justo equilíbrio entre preservar a Tradição milenar e permitir a inculturação do Evangelho entre os povos. Há muitos valores populares, enraizados na diversidade cultural, que podem ser devidamente conservados, porque são profundamente humanos.

Já dizia Rupertus Meldenius, "no essencial, unidade; no não essencial, liberdade; em todas as coisas, caridade".

A Mãe Igreja

• Sim, a Igreja é nossa Mãe. • Em que sentido, já que Ela não é uma pessoa? • No sentido de que Ela, animada e conduzida pelo Espírito de...