Deus é amor. Se Ele ama incondicionalmente as mulheres e homens pecadores, imaginem o amor d’Ele pelo Seu Filho único, Jesus Cristo! Amar significa cuidar, proteger, respeitar. Deus não impõe a Sua Vontade; Ele A propõe e respeita a decisão de cada um. Foi assim com Deus Filho; é assim com cada mulher e homem.
Fazendo mau uso da liberdade, do livre arbítrio recebido de Deus, o pecado e a morte entraram no mundo pela desobediência da mulher e do homem. Incapazes de romper com o ciclo do pecado e da morte por si mesmos, eles necessitaram de uma intervenção salvadora direta de Deus.
Esta lhes veio através de Deus Filho, pela Sua encarnação, pela Sua vida, pelos sinais prodigiosos que realizou, pelos Seus ensinamentos, pelas Suas diversas manifestações de Amor e, mais perfeitamente, pela Cruz livremente assumida, seguida da Sua exaltação pela ressurreição.
Inspirados pelo Espírito Santo, alguns profetas, no Primeiro Testamento, entreviram o mistério da reconciliação da humanidade com Deus através do Seu Servo misterioso, particularmente pelo Seu sofrimento.
O contexto religioso era do sacrifício expiatório: segundo a mentalidade vigente, o pecador, para se reconciliar com Deus, precisava oferecer em sacrifício um animal, pelas mãos de um sacerdote no templo, cujo sangue derramado substituía a morte do pecador.
Diziam alguns profetas que sacrifícios de animais - conforme a Primeira Aliança nos tempos de Moisés - não eram eficazes e seriam substituídos pelo sacrifício único e perfeito do misterioso Servo de Deus - conforme a Nova Aliança nos tempos messiânicos.
A Cruz era um popular instrumento de morte utilizado particularmente pelo Império Romano para punir os rebeldes e evitar novas rebeliões através do medo e do pavor.
Deus não queria que Jesus morresse na cruz. A crucifixão d’Ele foi conseqüência da Sua fidelidade e amor a Deus e às mulheres e homens, foi causada pela inveja e ciúmes dos fariseus, mestres da Lei e sumos sacerdotes, foi conseqüência da violência e covardia institucionalizadas na administração dos romanos.
Sendo plenamente livre, Jesus poderia ter escapado da Cruz, mas Ele não teve medo de assumir a morte para proclamar com palavras e com a vida a Justiça e o Amor de Deus pela humanidade, confiado absolutamente no poder de Deus para dar vida eterna àqueles que Lhe são fiéis e obedientes.
O sacrifício de amor livremente oferecido na Cruz por Jesus Cristo foi aceito por Deus e se tornou o sacrifício único e perfeito da Nova e Eterna Aliança, suficiente para reconciliar a humanidade pecadora com Deus uma vez por todas.
No seguimento a Jesus Cristo, os discípulos d’Ele também precisam carregar não poucas cruzes no dia-a-dia. E devem fazê-lo livremente, sem culpar a Deus pelos sofrimentos e perseguições que surgem como conseqüência da fidelidade e amor a Deus e às mulheres e homens. De um modo misterioso mas real, as nossas cruzes carregadas com confiança e paciência completam o que falta à Cruz de Cristo em favor da Igreja, Seu Corpo Místico.

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