segunda-feira, 29 de abril de 2019

Sagrados Estigmas

“Estigmas” significam marcas ou cicatrizes deixadas por um ferimento. Como sabemos, na Sua crucifixão, Jesus Cristo teve as duas mãos e os dois pés profundamente perfurados por pregos, além de o Seu lado ter sido aberto pela lança de um soldado romano, momentos após a Sua morte.

Tendo ressuscitado, Jesus Cristo conservou no Seu Corpo Glorioso os Sagrados Estigmas, como um memorial permanente da Sua entrega de amor total a Deus Pai, para a remissão dos pecados da humanidade inteira.

Quando Jesus Ressuscitado se manifestou aos Seus apóstolos, Ele fez questão de lhes mostrar os Seus Sagrados Estigmas, a fim de que eles tivessem a certeza de que era Ele mesmo, e não alguém se passando por Ele ou um fantasma. Os Sagrados Estigmas agora eram parte do Corpo Glorioso de Jesus Cristo.

Ao conservar as cicatrizes causadas pelos pregos e pela lança, Jesus estava demonstrando aos apóstolos que a ressurreição absolutamente transformou toda dor e sofrimento em cura e consolo. Essa manifestação era particularmente importante para os apóstolos porque também eles, no seguimento fiel a Jesus Cristo, carregando as suas cruzes de cada dia, teriam não pouco sofrimento e dor. Mas a contemplação dos Sagrados Estigmas de Jesus Ressuscitado lhes deu a garantia de que os ferimentos suportados na fé seriam curados e, na vida eterna, todo sofrimento seria consolado.

De um modo geral, cada mulher e homem, no transcurso da sua vida, também vai ferindo o seu coração - e, de repente, até o próprio corpo - com os conflitos do dia-a-dia, na família, no ambiente de trabalho e até na Igreja-comunidade. Doem bastante as mentiras, a inveja, o ciúme, a ingratidão, as injustiças, a prepotência, as fofocas, as negações, as traições etc. Os corações repletos de ferimentos estão à espera de cura, de consolo, de transformação.

Durante o Tríduo Pascal, celebrando a paixão, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo - pela meditação das Sagradas Escrituras, pelo recebimento do perdão no sacramento da Reconciliação, pela renovação das promessas batismais, pela partilha do Pão e Vinho consagrados -, os fiéis foram sendo curados e consolados dos sofrimentos e dores do seu coração. Em outras palavras, junto com Jesus Ressuscitado, os seus ferimentos se tornaram apenas cicatrizes, marcas da vitória alcançada em Deus.

É verdade que a sociedade está repleta de mulheres e homens, de todas as idades, condições econômicas e realidades sociais - principalmente se estão afastadas de Deus e da Sua graça - que ainda estão “crucificadas” com os “pregos” da fome, das doenças, da violência, da solidão, da depressão, das drogas lícitas e ilícitas, do egoísmo etc. Tais pessoas ainda estão no sofrimento e na dor, e precisam com urgência da caridade cristã para que os seus ferimentos sejam transformados em marcas da vitória em Deus.

Para celebrar os Sagrados Estigmas de nosso Senhor Jesus Cristo, a Igreja dedica a sexta-feira da segunda semana do tempo litúrgico da Páscoa. Em 2019, será no dia 03 de maio.

Lamentavelmente essa festa litúrgica é pouco conhecida e difundida na Igreja. Os missionários estigmatinos (religiosos que pertencem a uma congregação fundada por um santo italiano chamado São Gaspar Bertoni) conservam na Igreja a celebração desta importante festa litúrgica, que dá nome à sua família religiosa: Congregação dos Sagrados Estigmas de nosso Senhor Jesus Cristo.

Presentes em diversos países e dioceses, os missionários estigmatinos levaram a devoção aos Sagrados Estigmas a muitas pessoas através desta festa litúrgica, como era o desejo do seu santo fundador que, em vida, depois de oferecer a sua caridade cristã a tantos sofredores, passou por tantas dores, mas se sentia consolado pelas marcas da vitória de Cristo Ressuscitado.

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