segunda-feira, 15 de abril de 2019

Maria e João realmente estiveram ao pé da cruz?

Mariologia é a disciplina teológica que se dedica a estudar sobre a emblemática figura da Mãe do Filho de Deus feito Homem, Jesus de Nazaré, e a importância d’Ela no Cristianismo, particularmente no Catolicismo.
Como não poderia ser diferente, o estudo sobre Maria está sustentado nas Sagradas Escrituras - particularmente no Segundo Testamento - e na Tradição da Igreja.
Encarregados de colocar por escrito organizadamente a tradição oral sobre a vida, os ensinamentos e os sinais prodigiosos realizados por Jesus Cristo, especialmente a Sua morte e ressurreição, os evangelistas - dirigindo-se a grupos e povos tão distintos - também tiveram que falar de Maria, especialmente no mistério da Encarnação de Deus Filho, quando Ela aceita ser a Mãe do Emanuel, o Messias prometido por Deus aos judeus.
O Evangelho segundo Marcos - o mais antigo e curto - pouco ou nada escreve sobre Maria, omitindo-se até mesmo sobre o mistério da Encarnação, apresentando Jesus já adulto no início do seu livro.
Mateus, no seu Evangelho, escrevendo aos cristãos convertidos do Judaísmo, fala mais sobre Maria, tratando sobre a Encarnação, embora desde a perspectiva de José, Pai adotivo de Jesus, descendente do rei Davi.
Escrevendo, respectivamente, aos cristãos convertidos fora do Judaísmo e aos cristãos mais adiantados na mística, Lucas e João são os evangelistas mais marianos, falando mais sobre a Mãe de Jesus Cristo, apresentando-A como discípula fiel que, tendo acompanhado o Filho até o martírio na Cruz, após a ressurreição igualmente acompanhou os discípulos d’Ele para que levassem adiante a missão da Igreja.
Vale lembrar que o Evangelho é só a primeira parte da obra de Lucas, que é concluída com os Atos dos Apóstolos. Este evangelista também tratou sobre a Encarnação (desde a perspectiva de Maria), deixou por escrito o “canto de Maria” na casa de Isabel e relatou a presença da Mãe de Jesus junto aos apóstolos após a Sua Ressurreição, tanto na eleição de Matias para substituir o apóstolo traidor Judas Iscariotes quanto no dia de Pentecostes, quando foi enviado o Espírito Santo.
Convém recordar que o Evangelho segundo João pertence a uma obra mais ampla, comumente chamada “Literatura joanina”, que compreende, além do Evangelho, as três cartas de João e o Apocalipse. Costuma-se dizer que o autor se dirige às comunidades fundadas ou animadas pelo “discípulo amado”, que a Tradição associa ao apóstolo João. Este autor deixou por escrito as “bodas de Caná” e revelou a realeza de Maria nos céus, revestida com o Sol e pisando a Lua, além de apresentar Maria aos pés da Cruz, apesar de também se omitir sobre o mistério da Encarnação, apresentando Jesus já adulto no início do seu Evangelho.
A presença de Maria aos pés da Cruz seria uma informação tão relevante que seguramente teria que ser escrito também por Marcos, Mateus e, especialmente, Lucas, por ser tão mariano quanto João.
A Mariologia, apesar de não negar a possibilidade da presença de Maria aos pés da Cruz, por estar sustentada nas Sagradas Escrituras e na Tradição da Igreja, considerando a violência dos soldados romanos, o desejo das autoridades dos judeus em aprisionar e eliminar os seguidores de Jesus, e o medo dos apóstolos (a começar pelo líder deles, Simão Pedro), costuma associar a narrativa do Evangelho segundo João à intenção do autor sagrado em apresentar aos cristãos mais adiantados na mística (que pertenciam às comunidades do “discípulo amado”) a fidelidade de Maria e a importância de acolhê-La no coração como Mãe, como último desejo do Crucificado, antes da Sua morte redentora e da Sua ressurreição gloriosa.


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