sexta-feira, 31 de maio de 2019

Preconceito

Deus é pura criatividade e generosidade. Não criou apenas uma raça de pássaros ou de peixes; Ele encheu os céus com as mais variadas espécies voadoras, de diferentes tamanhos, formas e cores, e os mares e rios com diversas espécies nadadoras, igualmente belas e atraentes.

Por assim dizer, a “caixa de lápis de cor de Deus” não tem apenas “preto e branco”, mas uma quantidade enorme de “cores e tonalidades”. Há para todos os gostos e preferências. Nenhuma é melhor ou pior que a outra; simplesmente são diferentes e, quando artisticamente combinadas, geram resultados surpreendentes.

Com os seres humanos acontece o mesmo. Somos muitos e diferentes: há amarelos e vermelhos, há negros e brancos, com olhos grandes ou puxados, há magros e gordos, há baixos e altos, com cabelos ruivos e pretos, há peludos e pelados, com narizes pontudos ou arredondados etc. É um festival de criatividade e generosidade. E as características físicas são transmitidas geneticamente de geração em geração.

Nos séculos passados, algumas civilizações invadiram violentamente extensos territórios, matando ou dominando populações inteiras, obrigadas a trabalhos forçados sem descanso nem remuneração, condenadas à miséria e à ignorância, perdendo a liberdade depois de terem sido vencidas.

Felizmente, não sem luta e dificuldades, algumas dessas populações reconquistaram a sua liberdade. Entretanto, os séculos de dominação, miséria e ignorância lhes obrigaram a viver longe das cidades e nas periferias dos grandes centros urbanos, mantendo-se economicamente com subempregos, com trabalho informal e também com a delinqüência e o narcotráfico.

Muitas pessoas - aproveitando os projetos sociais oferecidos por iniciativas públicas e privadas - se capacitaram técnica e profissionalmente, ascendendo social e economicamente.

Apesar dos esforços educativos e culturais das famílias, das escolas, colégios e universidades, das religiões, da arte, das leis, dos meios de comunicação social etc, infelizmente as pessoas ainda se julgam mutuamente a partir da cor da pele, de algum traço físico, da região de onde procedem.

A questão do preconceito, mesmo sendo considerada absurda pela maioria da sociedade, está profundamente enraizada nas culturas, no senso comum. Ainda há pessoas que se consideram superioras se apoiando ridiculamente na cor da pele, dos olhos, dos cabelos.

Não basta não ser preconceituoso; é preciso desmascarar o preconceito sutil que se perpetua através de piadas e comentários vergonhosos.

É preciso investir na auto-estima das nossas crianças, adolescentes e jovens, a fim de que se amem e se respeitem como são, sem a necessidade de buscar desesperadamente seguir um padrão estético único e estabelecido conforme referências estadunidenses e europeias.

Sempre que tenhamos oportunidade, optemos por valores multiculturais e demos espaço à diversidade cultural, começando pelas raças historicamente ameaçadas, com as quais temos uma dívida social.

Não finjamos que o preconceito não existe ou que não é perigoso. Não sejamos omissos nem coniventes. Apoiemos a diversidade cultural.

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Illuminati

Ainda que muitos acreditem que os “Illuminati” continuam existindo na atualidade e que formam um grupo de intelectuais, políticos e artistas de várias nacionalidades que é responsável pelos mais importantes acontecimentos sociais e que está tratando de impor uma “Nova Ordem Mundial”, a realidade é que isso não tem fundamento histórico e não passa de uma famosa “teoria da conspiração”.

“Illuminati” vem do latim e significa “os iluminados”. Historicamente os “Illuminati” surgiram no sul da Alemanha, no final do século XVIII. O seu fundador foi Adam Weishaupt, um professor de Direito Canônico e de Filosofia Prática da Universidade de Ingolstadt, bastante influenciado pelo Iluminismo alemão - uma corrente filosófica e cultural que pretendia acabar com a escuridão da ignorância e superstição acendendo a luz das ciências e da racionalidade.

Durante a sua curta existência histórica (1776 a 1784), os “Illuminati” atraíram vários pensadores, políticos e artistas e rapidamente se espalharam pela Alemanha, Áustria, Hungria, Suíça, França, Itália e outras partes da Europa.

O objetivo dos “Illuminati” era colocar fim às maquinações dos perpetradores da injustiça, controlando-os sem dominá-los. Lutavam contra as superstições e o obscurantismo, opondo-se contra a influência religiosa da Igreja Católica sobre a vida pública e também contra os abusos do poder do estado. Para alcançar tal objetivo, os “Illuminati” chegaram a se misturar com a Maçonaria, inclusive atraindo a vários de seus membros.

Através de um edito de um soberano do sul da Alemanha, foram proibidas de se reunir todas as sociedades secretas, incluídas a Maçonaria e os “Illuminati”. A Igreja Católica apoiou essa proibição em diversas ocasiões.

Por ter alcançado grande repercussão, na atualidade há alguns grupos que se identificam com os ideais dos “Illuminati”, assumindo alguns dos seus símbolos. Conscientes do fascínio e da curiosidade que as “teorias da conspiração” despertam nas pessoas, muitos artistas têm adicionado elementos simbólicos dos “Illuminati” nos seus livros, filmes, músicas, pinturas, esculturas etc. Um famoso exemplo é a obra “O código Da Vinci” - um filme baseado no livro homônimo do escritor norte-americano Dan Brown, publicado em 2003.

As pessoas que acreditam nestas “teorias da conspiração” - e as propagam - afirmam que importantes acontecimentos (como as duas grandes Guerras Mundiais e o atentado às torres gêmeas do World Trade Center, em setembro de 2001) e personagens (como o ex-presidente dos Estados Unidos Barak Obama e o atual papa Francisco) do cenário social, político, econômico e até religioso estão vinculados aos “Illuminati”, a fim de impor a tal “Nova Ordem Mundial”.

A vida real não é ficção, e os eventos globais, ainda que se influenciem mutuamente, são mais complexos do que se possa imaginar. Explicações simplistas motivadas por fanatismos religiosos em nada contribuem para a autêntica transformação da humanidade e do mundo segundo os valores do Reino de Deus apresentados por Jesus Cristo e assumidos pela Igreja, na força do Espírito Santo. Não convém desperdiçar tempo com algo inútil e sem fundamento.

terça-feira, 28 de maio de 2019

Carência afetiva

A mulher e o homem - criados à imagem e semelhança de Deus, que é Amor - existem para amar e serem amados. Nisso consiste a sua plena realização, a sua felicidade. Fora do amor a sua existência perde o sentido e a sua razão de ser.

Na infância, a mulher e o homem têm uma imensa necessidade de receber amor (atenção, proteção, aprovação...) da sua mãe, do seu pai, da sua família. É natural, nesta etapa da vida, que a criança se sinta “o centro de universo”, ficando profundamente irritada ou entristecida quando as suas expectativas não se cumprem.

É muito importante o papel dos pais e educadores para ajudar a criança a aprender a administrar saudavelmente as próprias frustrações e decepções, sem agredir verbal nem fisicamente as pessoas, e tratando de lutar contra a tristeza em vez de se deixar vencer por ela.

A maioria das mulheres e homens, com maior ou menor dificuldade, com altos e baixos, ajudados pela família e amigos, consegue avançar pela infância, adolescência e juventude até se tornar um adulto afetivamente bem resolvido. Assim, é capaz de constituir um casamento estável e manter um relacionamento saudável com os filhos, os sogros e demais familiares e parentes. Tal estabilidade emocional influencia positivamente o desempenho profissional, bem como os outros aspectos da vida.

Entretanto, há mulheres e homens que chegaram à idade adulta sem terem alcançado o necessário amadurecimento emocional. As razões são variadas: rejeição ainda no ventre da mãe, bullying na família e na escola, doenças, acidentes ou mortes traumáticas, abuso sexual, violência entre os esposos, alcoolismo e drogas, adultério e divórcio, solidão etc.

É possível que uma pessoa mergulhada numa tristeza profunda desenvolva - de modo mais ou menos consciente - uma carência de atenção. Uma mulher ou homem carente, ao encontrar alguém que lhe acolhe, ouve e fala, deposita em tal pessoa toda a sua capacidade de amar, esperando que ela corresponda às suas expectativas lhe oferecendo o amor que necessita, que a vida lhe negou.

O problema é que muitas vezes as expectativas não se cumprem, aprofundando ainda mais a carência afetiva, a instabilidade emocional, a tristeza, o vazio existencial.

Também é importante salientar que, nestes tempos de redes sociais e aplicativos de relacionamento pela Internet, não faltam pessoas mal intencionadas que se aproveitam de mulheres e homens carentes e ingênuos, buscando indevidamente obter vantagens econômicas e materiais. É preciso estar muito atentos a esses crimes.

Para lidar com a carência de atenção (a dos outros e a nossa) é importante, em primeiro lugar, identificar a situação e as pessoas, sem se auto-enganar ou buscar falsas justificativas. Um profissional da área da Psicologia é muito útil para confirmar o diagnóstico e ajudar a buscar um estilo de vida que estimule o saudável amor próprio, a auto-estima, sem depender emocionalmente de ninguém, na linha da liberdade afetiva e emocional.

A vivência da espiritualidade integrada também é muito importante. Através dela, permite-se curar os traumas da vida passada, acolhendo o amor puro e gratuito de Deus que, sem substituir os importantes afetos humanos, ajuda a equilibrar as emoções e a se desfazer das terríveis expectativas na área da afetividade. A saudável vivência comunitária, onde se experimenta o amor fraterno entre os fiéis, também é altamente recomendada.


segunda-feira, 27 de maio de 2019

Duração da Catequese

“Catequese” é o anúncio da Pessoa e dos ensinamentos de Jesus Cristo através de palavras e de vivências religiosas a fim de despertar e fazer crescer a fé das crianças, adolescentes, jovens e adultos, geralmente em preparação aos sacramentos da Eucaristia e Confirmação.

Infelizmente a Catequese nem sempre alcançou os seus tão nobres propósitos. Apesar dos esforços dos pais, dos catequistas e dos sacerdotes, depois de receberem os sacramentos da Eucaristia e da Confirmação, a maioria das crianças, adolescentes, jovens e adultos já não guardava os domingos e festas, não se confessava uma vez ao ano nem comungava ao menos pela Páscoa da ressurreição, indo à Igreja muito esporadicamente quando precisavam do sacramento do Matrimônio ou do Batismo para os filhos.

A oração pessoal e comunitária e o compromisso com a Igreja e com os mais necessitados eram esquecidos, sem contar os casos de desonestidade, violência e promiscuidade envolvendo pessoas que se declaravam católicas não praticantes.

Aquele modelo de Catequese era muito similar ao adotado pelas escolas e colégios, com períodos para matrículas, com etapas determinadas conforme a idade, com tempo pré-definido para início e término, geralmente concluindo no final do ano com uma celebração bastante parecida a uma formatura. Os catequistas inclusive eram chamados de “professores”, os catequizandos de “alunos” e os encontros de Catequese de “classes”.

É difícil de admitir, mas os resultados nos obrigam a afirmar que esse modelo de Catequese não funcionou. E não adiante insistir numa estratégia que não mostra efeitos.

Pensando seriamente nesta realidade, muitas dioceses e paróquias - com os seus ministros ordenados e não ordenados - têm proposto novos modelos de Catequese que, sem desprezar as técnicas utilizadas nas escolas e colégios, inspiram-se mais nas experiências das comunidades cristãs dos primeiros séculos do Cristianismo.

Sem dar tanta importância ao tempo, à duração da Catequese, as primeiras comunidades cristãs estavam mais preocupadas em anunciar fielmente a Pessoa e os ensinamentos de Jesus Cristo, através de momentos fortes de espiritualidade - sustentados na Palavra de Deus e nos principais símbolos do Cristianismo - e do compromisso com a Igreja e com os mais pobres.

É verdade: a Catequese dura toda a vida, independente da preparação aos sacramentos. Mas também é verdade que a Catequese inicial, tendo estabelecido os pontos centrais da fé (kerigma) a serem desenvolvidos, uma vez transmitidos às crianças, adolescentes, jovens e adultos, dão-lhes condições para receber da Igreja a Graça de Deus contida nos sacramentos.

Sem definir arbitrária e antecipadamente uma duração para este novo modelo de Catequese, sugere-se que às crianças e adolescentes a preparação para cada sacramento dure em média dois anos, enquanto os jovens e adultos se preparem por um ano para cada sacramento. Este tempo eventualmente poderia se encurtar ou prolongar dependendo do desenvolvimento de cada pessoa e do seu compromisso com a Igreja e com os pobres.

Pede-se encarecidamente tanto às mães e pais quanto aos catequizandos que tenham uma atitude de abertura ao novo modelo de Catequese proposto pela Igreja, pois a sua motivação é bastante válida e visa unicamente a qualidade da vivência da fé dos católicos de hoje e de amanhã, que vai se refletir nas famílias e na sociedade em geral.


sábado, 25 de maio de 2019

Ministro da Eucaristia

O Ministério Extraordinário da Comunhão Eucarística é um serviço litúrgico destinado especialmente aos doentes e idosos e à assembleia litúrgica, quando o número de fiéis que desejam comungar é muito numeroso, pelo que a celebração tomaria desnecessariamente muito tempo.

É o bispo diocesano, devidamente representado pelo pároco, quem designa e autoriza uma leiga ou leigo para o Ministério Extraordinário da Comunhão Eucarística, para que exerça esse serviço litúrgico. Ninguém se candidata para tal ministério.

Esse ministro cultiva a devoção à Sagrada Eucaristia e dá exemplo diante dos demais fiéis a respeito do Santíssimo Sacramento.

Antes de começarem a exercer tal serviço litúrgico, esses ministros recebem suficiente preparação bíblica e pastoral da psicologia do doente ao redor dos graves interrogantes da dor, sofrimento e morte, em relação com a fé e com Deus.

Quando levam a Comunhão Eucarística àqueles que não podem ir à Igreja para a Eucaristia, esses ministros lhes levam o Cristo ressuscitado que está presente de uma maneira muito especial na Hóstia Consagrada.

Os ministros extraordinários da Comunhão Eucarística são como transportadores amorosos de Deus para a pessoa à qual se leva a Hóstia Consagrada.

A missão desses ministros é ser as mãos de Cristo para que Ele possa chegar a alimentar a fé daqueles aos quais Ele quer se doar.

A mesa da Eucaristia é suficientemente ampla para incluir aqueles que não podem estar presentes pela enfermidade ou idade avançada. Quando esses ministros lhes levam a Hóstia Consagrada, estão prolongando o mistério eucarístico. O que começou no altar da Igreja local se estende aos quartos do hospital, aos geriátricos, às casas dos enfermos e idosos.

Os ministros extraordinários da Comunhão Eucarística levam não só a Hóstia Consagrada, mas a fraternidade da Eucaristia comunitária.

Nestas visitas, são lidas as leituras correspondentes ao Domingo. O fiel enfermo ou idoso une as suas orações às dos demais fiéis que se reuniram presencialmente ao redor da mesa do banquete eucarístico neste dia.

Na Liturgia, o sujeito ativo é Jesus Cristo ressuscitado; Ele o faz através dos ministros ordenados (bispos, presbíteros e diáconos) e dos ministros não ordenados (religiosas e religiosos e fiéis leigos e leigas).

A palavra “ministro” vem do latim e significa “menor”, “servidor”. Através de um rito especialmente criado, fiéis leigos e leigas recebem do ministro ordenado a “instituição” para exercer o Ministério Extraordinário da Comunhão Eucarística na Igreja por um período de tempo e um espaço geográfico determinados.

Tal ministério é exercido por fiéis leigos e leigas com estabilidade e que foram reconhecidos publicamente e confiados por quem tem a responsabilidade na Igreja. Fiéis leigos e leigas que sobressaem na sua comunidade cristã pela sua vida exemplar, pela sua fé e os seus bons costumes podem ser admitidos como ministros extraordinários da Comunhão Eucarística.

Esses ministros não se clericalizam nem formam parte da hierarquia da Igreja; continuam inteiramente leigos. A instituição de fiéis leigos e leigas para o Ministério Extraordinário da Comunhão Eucarística não deve ser compensação de anos de serviço, com o fim de outorgar honra ou distinção.

Esses ministros devem assistir aos cursos e retiros formativos para serem instituídos, e devem contar com tempo disponível e com a autorização da família. Os encontros para a admissão vão sendo completados com o acompanhamento e formação humana, catequética, teológica, espiritual e pastoral dos ministros. Os sacerdotes que os apresentaram devem velar pela sua formação e pelo correto exercício do seu ministério.

A formação privilegia o crescimento de atitudes pessoais maduras, já que o amor de Deus se comunica especialmente através do testemunho e do exemplo da própria vida.


sexta-feira, 24 de maio de 2019

Troca de igreja

Lembremo-nos: as palavras “religião” e “igreja” possuem significados distintos; enquanto o “Cristianismo” é uma religião (assim como o Judaísmo, o Islamismo, o Budismo...), a “Católica” é uma igreja cristã (assim como a “Luterana”, a “Batista”, a “Universal do Reino de Deus”...). Em outras palavras: católicos e evangélicos são da mesma religião (o “Cristianismo”), embora se congreguem em diferentes igrejas.

Lembremo-nos também: a palavra “evangélico” costuma ser utilizada para identificar os cristãos que se congregam em outras igrejas que não a “Católica”. Ou seja, “evangélicos” podem ser cristãos de igrejas protestantes históricas (Luterana, Anglicana, Presbiteriana...), de igrejas protestantes pentecostais (Batista, Assembleia de Deus, Congregação Cristã...) e de igrejas protestantes neo-pentecostais (Deus é Amor, Mundial do Poder de Deus, Universal do Reino de Deus...).

No “Cristianismo”, a igreja mais antiga é a “Católica” (que significa “universal”, quer dizer, para todas as nações). A maioria dos “cristãos” ainda é “católica”, embora haja países de maioria “evangélica” (como os Estados Unidos, a Inglaterra e a Alemanha).

Pessoas que têm uma forte experiência de intimidade com Deus na igreja à qual pertencem, que conhecem profundamente os fundamentos doutrinais de determinada igreja, que estão sentimentalmente vinculadas aos demais membros de tal igreja, que estão engajadas em algum ministério ou serviço nesta igreja, dificilmente a abandonam para se congregar em outra comunidade de fé.

Entretanto, são excelentes candidatas a trocarem de igreja as pessoas que têm uma frágil experiência de intimidade com Deus na sua comunidade de origem, que conhecem superficialmente os seus fundamentos doutrinais, que não possuem vínculos sentimentais com os demais membros, que não têm compromisso com um ministério ou serviço.

Quando surgem escândalos ou situações de incoerência, apesar da dificuldade, geralmente os membros da igreja superam os conflitos sem a necessidade de trocar de comunidade de fé. Mas não é incomum que algumas pessoas comecem a se congregar em outra igreja por causa de problemas mal resolvidos.

Há católicos que abandonam a sua igreja de origem porque não se sentem espiritualmente preenchidos, alegando que o ritualismo e o tradicionalismo presente na igreja católica não respondem aos diversos desafios da vida contemporânea, como as drogas, o mundo empresarial, político e artístico, o protagonismo feminino etc.

Há “evangélicos” que trocam a sua igreja de origem pelo catolicismo porque percebem a fragilidade da sua organização hierárquica, a inconsistência de alguns pontos doutrinais, a administração suspeitosa dos dízimos etc. Os “evangélicos” que antes foram “católicos” costumam sentir falta dos sacramentos (especialmente a Eucaristia e a Reconciliação), do culto à Mãe de Jesus, das representações artísticas através de pinturas e esculturas.

Finalmente, não faltam “católicos” nem “evangélicos” que trocam de igreja pela influência e insistência de familiares e parentes, de amizades e namoros, de patrões e companheiros de trabalho. Não faltam oportunistas que, aproveitando-se de momentos de fragilidade, de doenças, de dificuldades familiares e econômicas, propõem o abandono da comunidade de fé de origem para uma experiência numa nova igreja.


quinta-feira, 23 de maio de 2019

Canais de comunicação católicos

Transmitir mensagens através dos MCS - meios de comunicação social - é um desafio em todos os sentidos. Seja por impressão, por teledifusão, por radiodifusão ou por meios digitais, o custo da transmissão costuma ser bastante elevado, quando consideramos o valor dos equipamentos tecnológicos, os profissionais envolvidos, as licenças a serem pagas, os edifícios e instalações.

Para iniciar e manter ativa toda essa estrutura humana e material, requer-se muito investimento financeiro, que geralmente procede do próprio meio de comunicação, seja através da propaganda de produtos e serviços, seja por meio da doação daqueles que recebem as mensagens transmitidas.

A arte da comunicação tem várias finalidades, por exemplo: informar, educar, divertir, entreter, fazer companhia, conscientizar, convocar. E uma comunicação de qualidade equilibra a ética (compromisso com a verdade) e a estética (compromisso com a beleza, a harmonia das formas).

Tendo recebido de Jesus Cristo e do Espírito Santo a mensagem da salvação, os cristãos de ontem e de hoje têm se esforçado por fazer conhecida a Boa Notícia a cada mulher e homem, aos povos e nações. Para cumprir essa missão, a Igreja (a princípio, apenas os ministros ordenados; atualmente, também os ministros não ordenados) tem utilizado os MCS disponíveis.

Em muitos países, vemos vários canais de comunicação católicos, disponíveis na televisão, no rádio, na Internet... Muitos deles possuem grandes e admiráveis estruturas bastante populares e consolidadas. Quase sempre a sua origem foi humilde e com enormes dificuldades.

A evangelização pelos MCS tem sido um ministério predominantemente assumido por ministros não ordenados, ainda que haja alguns ministros ordenados e também religiosas e religiosos. Para bem exercer tão importante apostolado, a grande maioria possui formação técnica ou profissional na área da Comunicação Social, com licenciatura, especializações, mestrado e até doutorado. Mas infelizmente são poucos os que têm formação teológica.

Os canais de comunicação católicos procuram equilibrar a ética e a estética, comunicando a verdade da fé de um modo atraente e envolvente, sobretudo através da arte com recursos áudio-visuais. Há programação para informar, educar, divertir, entreter, fazer companhia, conscientizar, convocar.

Costuma-se criticar negativamente alguns canais de comunicação católicos que, para aumentar ou conservar a audiência, multiplicam a transmissão de práticas devocionais, reduzindo a formação bíblica e missionária, o estudo dos documentos da Igreja, incentivando indiretamente um catolicismo intimista e descomprometido. Alguns são criticados por exagerar no pedido de doações, dificultando o compromisso do católico com a sua paróquia através do pagamento do dízimo.

Costuma-se criticar positivamente os canais de comunicação católicos por transmitirem diariamente a Eucaristia, a Palavra de Deus conforme a Liturgia da Palavra, difundir as devoções oficiais da Igreja, apresentar a vida dos santos etc. Muitas vezes os canais de comunicação católicos alcançam aqueles fiéis que, por idade avançada ou por doenças, estão impedidos de freqüentar as suas comunidades, como também os católicos que vivem nos campos, com limitado atendimento sacerdotal.

Louvamos e bendizemos a Deus pelas pessoas que transmitem a Boa Notícia da salvação através dos canais de comunicação católicos. Que busquem cada vez mais a excelência e contem com as nossas orações e generosidade.


quarta-feira, 22 de maio de 2019

Segurança viária

“Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (João 10, 10)

Costuma-se chamar a Igreja de Mãe, pois, através da evangelização, Ela vai gerando as novas filhas e filhos de Deus, nascidos pelo sacramento do Batismo, e vai lhes alimentando com o Pão da Palavra e da Eucaristia, a fim de que cresçam na fé, na esperança e na caridade.

A Igreja é Mãe e Educadora. Completamente comprometida com Jesus Cristo - que se auto-proclamou “Caminho, Verdade e Vida” (João 14, 6) -, a Igreja apresenta corajosa e fielmente a Pessoa e os ensinamentos de Jesus Cristo, através de palavras testemunhadas pelas obras.

A sociedade contemporânea alcançou uma admirável autonomia e independência, por meio das suas instituições e organizações sociais, para acompanhar e administrar as diversas áreas da vida pública, como a educação, o atendimento médico e o transporte.

Para alcançar os seus objetivos e propósitos, a administração pública geralmente convoca os cidadãos e demais entidades para que participem ativamente dos seus projetos e iniciativas. A Igreja - como tradicional e importante entidade presente na sociedade - costuma ser envolvida nos assuntos de grande interesse social.

Vale recordar que, apesar das limitações humanas de seus ministros ordenados e não ordenados, a Igreja ainda é uma importante formadora de opinião, gozando de alto prestígio e confiança na sociedade em geral. Milhares de cristãos se reúnem semanalmente nos templos para ouvir os seus dirigentes, e a palavra deles exerce grande influência nas suas vidas.

A Igreja acompanha com muita tristeza e preocupação o número cada vez mais elevado de acidentes ocorridos nas rodovias, avenidas e ruas dos grandes centros urbanos e também nas pequenas cidades e povoados. Diariamente mulheres e homens, jovens e adultos, quase sempre por imprudência, perdem a vida ou ficam seriamente feridos, sobretudo nos fins de semana e feriados.

Enquanto mães e pais, completamente atordoados pelo desespero, choram sem consolo pela morte das suas filhas e filhos, os governos gastam rios de dinheiro no atendimento das emergências médicas, que poderia ser melhor utilizado com doentes que realmente necessitam de cuidado, medicação e tratamento.

Sim, existem os acidentes ocasionados por falhas mecânicas e técnicas; mas a maioria das tragédias ocorridas nas vias públicas é resultado da condução sob efeito do álcool, a alta velocidade, o uso do celular enquanto se dirige, o não uso do capacete e do cinto de segurança, entre outras imprudências.

Claro: a responsabilidade primeira da Igreja não é atuar na segurança viária, pois essa é a competência dos meios oficiais, conforme a determinação dos governos. Entretanto, sem dúvidas, a Igreja poderia ser uma importante parceira da sociedade civil na conscientização dos cidadãos - especialmente dos fiéis que freqüentam as suas celebrações e atividades.

A Igreja pode dispor de suas estruturas físicas - edifícios e salões - para que os responsáveis pela segurança pública, de tempos em tempos, realizem palestras e orientações, com materiais psico-pedagógicos pertinentes. Muitas vidas podem ser preservadas e muito sofrimento pode ser evitado com a imprescindível colaboração decidida e ativa da Igreja na área da segurança viária. Afinal de contas, antes que nada, evangelizar é humanizar.


terça-feira, 21 de maio de 2019

Santos ou heróis?

Os heróis estão na moda. Há para todas as idades e gostos, gêneros e raças, culturas e nacionalidades. Estão por toda parte: começaram nos gibis e desenhos animados, e logo chegaram aos filmes e jogos, às casas e cinemas, às roupas, toalhas e lençóis, às festas de aniversário, cadernos e mochilas, às pastas de dente e xampus. São muito rentáveis para os seus idealizadores e distribuidores, e são a alegria dos seus consumidores. São um fenômeno mundial.

Os heróis foram criados para despertar nas pessoas valores nobres e altruístas através das lutas e batalhas que travam contra vilões e organizações criminosas. Os heróis são apresentados como justos e bondosos, defensores da paz e dos fracos e inocentes. Costumam ser inteligentes, honestos e divertidos.

As histórias geralmente contam a trajetória dos heróis, como descobriram e desenvolveram as suas capacidades extraordinárias ou poderes especiais, como tiveram que superar perdas e dificuldades, como foram perseguidos antes de conquistarem a admiração e carinho das pessoas, como precisaram aprender a trabalhar em equipe para enfrentar ameaças de grandes proporções.

Alguns, antes de se tornarem heróis, foram desonestos, criminosos, intolerantes, e travaram grandes batalhas internas até se tornarem melhores pessoas. As histórias valorizam as mulheres, os negros, os asiáticos, a natureza, os animais, e são contadas cuidadosamente para que sejam universais, sirvam a todos, sem excluir ninguém.

As crianças, adolescentes e jovens - e inclusive os adultos e idosos - se identificam com os heróis e contam as suas histórias, vestem-se ou utilizam acessórios com os símbolos que lhes representam.

Os santos foram mulheres e homens que, em vida, identificaram-se com a pessoa de Jesus Cristo, viveram a sua fé até as últimas conseqüências, cuidaram das pessoas mais vulneráveis e abandonadas, suportaram perseguições, humilhações e dores, e, após a sua morte, receberam o reconhecimento dos cristãos católicos (e também da sociedade) e foram solenemente declarados como exemplo a ser imitado, como fiéis intercessores nos Céus junto a Deus.

A história dos santos está contida em livros e algumas até já se tornaram desenhos animados e filmes, com o objetivo de fazê-los conhecidos universalmente e despertar o interesse das crianças, adolescentes e jovens - tão acostumados na atualidade à linguagem áudio-visual e quase sempre pouco interessados em leitura.

Quando são canonizados, os santos passam a ser reverenciados na Igreja presente no mundo inteiro. Ainda que muitos não católicos e não cristãos admirem e exaltem os santos, geralmente eles são recordados apenas na Igreja Católica. A memória deles é celebrada numa data específica do calendário litúrgico e, no dia 01 de novembro, todos são recordados na Solenidade de todos os Santos, inclusive aqueles que viveram a santidade no anonimato.

Ultimamente, por ocasião desta solenidade, crianças, adolescentes e jovens costumam se vestir caracterizados com alguns santos mais conhecidos, geralmente para se contrapor à popular festa do dia das bruxas.

Não é errado admirar as histórias dos heróis - algumas verdadeiramente belíssimas, desde uma perspectiva literária e cultural. Sem deixar de apreciá-las, valorizemos os santos, façamos conhecida a vida deles, especialmente às nossas crianças, adolescentes e jovens. Que todos nos espelhemos no exemplo que nos deixaram, a fim de que sejamos melhores cristãos, com mais fé e mais comprometidos com a prática do amor e do bem.


sábado, 18 de maio de 2019

Feminismo

Sim, felizmente houve exceções; mas, na história da humanidade, geralmente as mulheres foram consideradas pelos homens como inferiores física e intelectualmente, razão pela qual costumavam ser tratadas com força e violência, inclusive durante a intimidade sexual.

Geralmente elas foram reduzidas às funções reprodutivas, maternais e domésticas, enquanto os homens se dedicavam à caça, aos trabalhos braçais, às guerras, ao governo. Elas eram como uma propriedade para os homens, e deviam lhes satisfazer sexualmente.

Custou muito às mulheres conquistar o seu legítimo espaço na vida pública e contribuir no desenvolvimento intelectual, social, econômico e político. Muitas perderam a vida, sofreram agressões físicas, foram perseguidas e humilhadas. A dominação ideológica foi tão forte, que as próprias mulheres se consideravam inferiores aos homens, incapazes, defendendo que o lugar delas era o ambiente familiar. Tal dominação estava aberta ou sutilmente presente nas piadas, nos livros, nas músicas, nas pinturas, nas orações.

Vítimas durante milênios do machismo - ideologia que ensina e defende a superioridade natural do homem sobre a mulher -, na defesa da sua dignidade feminina e nas suas reivindicações sociais, muitas vezes elas acabaram reproduzindo inversamente o comportamento machista, desenvolvendo o chamado “feminismo”.

Muitas mulheres feministas humilham os homens em geral (não apenas os machistas), afirmando que não precisam deles para nada, que são inúteis e que eles devem ser substituídos por elas.

Cansadas de terem sempre que agradar os seus maridos ou namorados, comportando-se de modo irrepreensível e moderado, e de serem traídas emocional e sexualmente por eles, muitas mulheres passaram a defender a liberdade sexual, o divórcio, o aborto, o abuso na sensualidade, no erotismo e no consumo de drogas lícitas e ilícitas; algumas promovem inclusive o lesbianismo.

É verdade: graças aos movimentos feministas, as mulheres foram desenvolvendo as suas capacidades e alcançando espaços nunca antes imaginados. São presidentes, ministras, governadoras, senadoras, deputadas, vereadoras, juízas, advogadas, médicas, empresárias, economistas, policiais, guardas, militares, escritoras, artistas de fama internacional, reitoras de universidades, professoras com mestrados e doutorados etc.

O desenvolvimento das mulheres, em constante progresso, tem preocupado a muitos homens. Atividades profissionais tradicionalmente realizadas por eles aos poucos são ocupadas por elas. Cresce assustadoramente o desemprego entre os homens que, na atualidade, passam a depender economicamente das mulheres - apesar de terem sido educados para serem os provedores de suas famílias. Essa situação tem gerado muita depressão e sentimento de inferioridade nos homens, que às vezes reagem tratando as esposas com agressividade verbal e até física, sendo julgados e condenados criminalmente.

Ainda que seja legítimo o direito das mulheres para defender os seus interesses individuais e de gênero, aos poucos o feminismo - como também o machismo - deve dar espaço a uma relação de respeito e de mútua-ajuda entre as mulheres e os homens, já que nem um nem outro são superiores ou inferiores; apenas são diferentes, e tais diferenças se complementam e se enriquecem.


sexta-feira, 17 de maio de 2019

Projeto de vida

“Não existe vento favorável para o marinheiro que não sabe aonde ir” (Séneca, filósofo romano do primeiro século do Cristianismo)

A vida, sem dúvidas, é o tesouro mais precioso para um ser vivo, e mais ainda para os humanos que, não apenas vivem, mas sabem que vivem, têm consciência da sua existência e podem tomar decisões para tornar grandiosa a própria vida.

Seria um tremendo desperdício viver de qualquer jeito, sem metas, objetivos, propósitos. Não somos uma “folha seca que se desprendeu de uma árvore e se deixa levar pelo vento”, tampouco um “animal irracional dominado pelos próprios instintos”.

Nossa inteligência e capacidades são ferramentas e instrumentos que desenvolvemos e utilizamos para viver intensamente e fazer da vida uma experiência maravilhosa.

Na primeira etapa da vida, a grande meta costuma ser a descoberta e o desenvolvimento das nossas capacidades intelectuais, afetivas e espirituais. A família, a escola e a Igreja são os espaços privilegiados para esse crescimento.

Na etapa intermediária, o grande objetivo geralmente é colocar em prática as capacidades intelectuais no ambiente de trabalho, as capacidades afetivas na constituição da própria família, as capacidades espirituais no serviço aos mais necessitados e no anúncio alegre da vida em Deus aqui e agora e na eternidade. É tempo de se expandir, de se lançar, de trocar experiências, de viajar pelo mundo, de ler, de mergulhar no próprio mistério, de curar as feridas e traumas, de viver intensamente o amor, de defender e resgatar, de se divertir, de fazer a vida valer à pena.

E na sua etapa derradeira, o grande propósito da vida costuma ser tornar mais leve a existência, refletindo sobre o que valeu à pena e o que não valeu, conservando apenas os bons pensamentos, emoções e lembranças, administrando as próprias limitações e a partida dos seres queridos, conservando a serenidade, a esperança, a alegria, a fé, preparando-se para o passo definitivo à eternidade.

Ainda que possam existir exceções, geralmente colhemos o que plantamos. Se nós somos generosos no plantio, a colheita costuma ser abundante. Portanto, para que a vida seja plena e exitosa, é importante gastar tempo pensando no que realmente nos importa, aonde queremos chegar, nos passos e tempos necessários para alcançar os objetivos. Ainda que Deus respeite a liberdade - o livre arbítrio que Ele nos deu -, é sempre importante consultá-Lo, perguntar-Lhe o que Ele tem pensado para a nossa vida, e Lhe pedir forças e Graça para cumprir a Sua Vontade.

É verdade: às vezes não conseguimos realizar completamente o que planejamos para a nossa vida; algumas coisas ficam pela metade e outras são tragicamente encerradas. É preciso aprender a reorganizar os pensamentos e emoções e estabelecer um novo projeto de vida. Lidar com divórcios, injustiças, doenças, acidentes, mortes, imprevistos não é nada fácil. Muitas pessoas necessitam de apoio através de orientação espiritual e de terapia psicológica. O importante é conservar intacta a fé e aprender que “tudo concorre para o bem daqueles que Deus ama”, como escreveu o apóstolo Paulo aos cristãos de Roma (8, 28).

A respeito do projeto de vida é muito oportuno conversar com pessoas que realmente se importam conosco, que nos conhecem melhor que outras, e que querem a nossa felicidade. Isso ajuda muito a não correr inutilmente atrás de ilusões fúteis e passageiras. Também vale à pena, de tempos em tempos, fazer uma pausa para avaliar o processo e os resultados, rezando as conquistas e fracassos.

Fazendo-se Homem, o Filho de Deus é a grande referência e inspiração para o projeto de vida daqueles que n’Ele crêem. A plenitude da vida humana só é alcançada quando imitamos em todas as etapas da nossa existência a vida do Salvador, reproduzindo em nós os pensamentos e sentimentos d’Ele.


quinta-feira, 16 de maio de 2019

Gravidez na adolescência

Exceto nos casos de doenças, a mulher e o homem, a partir da puberdade, na transição entre a infância e a juventude, são sexualmente férteis. Em outras palavras, se tiverem intimidade sexual, o rapaz está apto para engravidar a moça, e ela está fisicamente em condições de gerar uma nova vida.

Para não adiantar as enormes responsabilidades maternas e paternas com um bebê, os pais e educadores devem, sim, oferecer aos adolescentes uma suficiente educação sexual; mas devem também acompanhar a vida das filhas e filhos, estabelecendo os necessários limites, conhecendo as suas companhias (amigas, amigos, namorada, namorado) e os lugares que freqüentam. O excesso de liberdade pode ser um fator que leva à gravidez na adolescência.

Não se pode chamar educação sexual simplesmente comprar preservativos ou anticoncepcionais e os entregar ao rapaz e à moça. É muito mais que isso! É falar sobre a capacidade humana de gerar uma nova vida - um grande poder, mas também uma imensa responsabilidade. É falar que os seres humanos são capazes de controlar e canalizar os seus desejos sexuais, ao contrário dos animais que são dominados pelos seus instintos. É falar que a adolescência e juventude são etapas da vida para estudar e se preparar técnica e profissionalmente para conseguir uma boa oportunidade de trabalho, com um bom salário, a fim de alcançar uma estabilidade econômica e material que permita constituir uma família com filhos e lhes oferecer uma vida digna, com oportunidades, sem privações. É falar sobre a dignidade do corpo humano, que é templo do Espírito Santo e deve ser respeitado como tal, sem tratá-lo como um brinquedo para satisfação sexual. É falar sobre o sacramento do Matrimônio, a indispensável bênção de Deus para que o casal possa alcançar a plenitude, a felicidade.

Os pais e educadores que não ofereceram aos adolescentes uma suficiente educação sexual não têm o direito de se sentirem decepcionados ou contrariados caso o rapaz engravide uma moça, ou ela gere uma nova vida. A responsabilidade é da família, e todos devem se comprometer com o bebê que está sendo gestado, pois se trata de uma vida inocente, um ser humano que não pediu para vir ao mundo, mas que já está concebido e tem o direito divino e constitucional de nascer, sob pena de pecado mortal de enorme gravidade e de encarceramento.

Muitas filhas e filhos, mesmo tendo recebido dos seus pais e educadores uma suficiente educação sexual, acabam se envolvendo em gravidez na adolescência. É perfeitamente compreensível que tanto a moça e o rapaz quanto os pais e educadores se sintam emocionalmente perturbados ao serem informados sobre a gravidez. Num momento de fraqueza e miséria humana, há pessoas que cogitam a possibilidade do aborto, de interromper a gravidez, de matar um ser humano inocente. É fundamental resistir a esses pensamentos diabólicos e se comprometer com a vida, com Deus.

Superadas a frustração e decepção iniciais, os pais e responsáveis devem acompanhar a moça ao hospital para receber o atendimento médico profissional, cuidando para que o bebê e a sua mãe estejam física e psicologicamente saudáveis.

Recordando que gravidez não é doença, a moça e o rapaz, com o apoio dos pais e educadores, devem continuar estudando para conseguirem uma oportunidade de trabalho e oferecer ao bebê uma vida digna. Sempre que possível, deve-se incentivar que a moça e o rapaz fortaleçam o seu amor e cheguem a se unir pelo sacramento do Matrimônio - pois, sem dúvidas, é melhor para o bebê crescer junto à mamãe e ao papai. Se, apesar dos esforços, a moça e o rapaz decidem seguir por caminhos diferentes, é importante insistir para que se respeitem e se relacionem amigavelmente para o bem do bebê.

Um conselho importante é cuidar para que não aconteça uma nova gravidez sem planejamento. Errar é humano, mas persistir no erro é burrice.

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Comunismo e fascismo

Vivemos tempos politicamente conturbados, cheios de polarizações e extremismos, nos quais as pessoas, identificando-se com uma determinada proposta e com as pessoas que a defendem, no calor das discussões, costumam agredir verbalmente quem pensa de um jeito diferente. No auge das divergências, há quem chegue à violência física.

Nestes ataques ideológicos, muitas pessoas repetem palavras e frases - geralmente utilizadas pelos meios de comunicação ou pelos formadores de opinião - sem muito esclarecimento. Levantam bandeiras, discutem, agridem-se verbal e até fisicamente sem um conhecimento profundo.

Os adjetivos “comunista” e “fascista” são exemplos de palavras não suficientemente compreendidas, mas utilizadas com freqüência. Busquemos esclarecer melhor a origem dessas expressões.

“Comunista” vem de “Comunismo”, um modelo econômico, social e político proposto pelos filósofos Karl Marx e Friedrich Engels, na Alemanha do século XIX. O “Comunismo” é, ao mesmo tempo, uma crítica e uma alternativa ao “Capitalismo” na economia, à “Burguesia” na sociedade e à “Democracia” na política.

Conscientes de que tais mudanças não seriam possíveis de modo pacífico e institucional, os idealizadores do “Comunismo” - nos seus escritos - convocavam os trabalhadores nas fábricas e nos campos para que tomassem o poder à força através da revolução. Dava-se o nome de “Socialismo” à organização econômica, social e política existente até que o “Comunismo” fosse completamente instaurado. Algumas propostas dos “comunistas” eram: o nivelamento das classes sociais, a propriedade comum dos meios de produção, o fim da propriedade privada.

Alguns países já têm uma longa trajetória no “Socialismo” rumo ao “Comunismo”, é o caso da Rússia, da China, de Cuba, da Coreia do Norte.

“Facista” vem de “Fascismo”, que foi um movimento social surgido na Itália do século XX, entre a primeira e a segunda grandes Guerras Mundiais. Insatisfeitos, por um lado, com os resultados econômicos do modelo político da Itália na época e, por outro, com o avanço dos ideais do “Comunismo”, os simpatizantes do “Fascismo” foram inicialmente uma espécie de grupo militar extra-oficial e violento.

Através do seu grande representante, Benito Mussolini, aos poucos o grupo alcançou o máximo poder político, disseminando os seus ideais, entre eles: a suspensão de todos os partidos políticos favoráveis ao “Comunismo” e contrários ao “Fascismo”, a centralização do governo numa única pessoa, a exaltação da nação e da raça. Muito inspirado no “Fascismo” de Mussolini na Itália está o movimento do “Nazismo” de Adolf Hitler na Alemanha.

Algumas autoridades políticas da atualidade (como Nicolás Maduro, na Venezuela, e Vladimir Putin, na Rússia), com seus discursos e decisões, expõem e defendem o “Comunismo” - que, sejamos sinceros, apesar de ter alcançado algum desenvolvimento na área da educação e da saúde, historicamente reproduziu a violência e a corrupção que condenavam no Capitalismo, na Burguesia e na Democracia. Costumam serem chamadas de “comunistas” as pessoas que apóiam o nivelamento das classes sociais, a propriedade comum dos meios de produção, o fim da propriedade privada.

Outras autoridades políticas dos nossos dias (como Donald Trump, nos Estados Unidos, e Jair Bolsonaro, no Brasil), com seus discursos e decisões, fazem recordar tanto o “Fascismo” quanto o “Nazismo” - que, diga-se de passagem, não se sustentaram historicamente e foram responsáveis por grandes atrocidades e genocídios. Costumam serem chamadas de “fascistas” as pessoas que apóiam a suspensão dos partidos políticos de oposição, a centralização do governo numa única pessoa, a exaltação da nação e da raça.

Mais que discutir ideologias e classificar as autoridades ou os cidadãos como “comunistas” ou “fascistas”, devemos encontrar alternativas verdadeiramente eficazes para devolver aos povos e às nações a possibilidade de se desenvolverem humana, material e espiritualmente, de modo sustentável, em harmonia com a natureza, pelo bem das gerações do presente e do futuro.


terça-feira, 14 de maio de 2019

Confiança nos sacerdotes

A confiança é a base de qualquer relação. É praticamente impossível a convivência harmoniosa entre pessoas que não confiam umas nas outras. É imprescindível um mínimo de confiança entre as partes para que o conjunto possa continuar existindo e realizando os seus propósitos.

A desconfiança crônica - quando uma pessoa está em constante suspeita em relação aos demais - é uma doença psicológica que produz ansiedade, estresse, depressão, baixa auto-estima.

Não subsiste um casamento sem confiança entre a esposa e o esposo, uma família sem confiança entre os pais e os filhos, uma amizade sem confiança entre os amigos, uma empresa sem confiança entre os patrões e os funcionários, uma comunidade sem confiança entre os sacerdotes e os leigos.

Conquista-se a confiança e se permite que ela cresça quando as pessoas enriquecem a relação com as virtudes da sinceridade, da transparência, da honestidade, falando e agindo sempre de modo respeitoso.

O excesso de confiança - ou a confiança cega - pode produzir comportamentos inadequados nas pessoas a quem são dados poderes absolutos e ilimitados de decisão.

Os sacerdotes são homens que dedicaram vários anos da sua vida à formação espiritual, humana e filosófico-teológica para assumirem funções de liderança nas paróquias e demais instituições da Igreja, acompanhando espiritualmente as pessoas, as famílias, as comunidades, as pastorais, os movimentos, responsabilizando-se pela administração financeira e pela manutenção dos bens materiais da Igreja.

Apesar da sua longa preparação, os sacerdotes são seres humanos e, como qualquer pessoa, também são marcados pela condição de pecadores, podendo não resistir às tentações e seduções do maligno e cair em graves faltas, que costumam gerar grandes escândalos dentro e fora da Igreja, afetando a fé e a vida de muitas mulheres e homens, especialmente aqueles que estão iniciando um caminho de conversão.

Muitas dioceses têm sofrido enormemente sobretudo por causa de escândalos econômicos e sexuais de bispos, presbíteros, diáconos e religiosos, expostos nacional e internacionalmente pelos meios de comunicação, obrigando a Igreja a pagar indenizações às vítimas e suas famílias, com o dinheiro que deveria ser utilizado na evangelização e na promoção social junto aos pobres. Muitos dos envolvidos nestes escândalos são judicialmente processados e condenados.

Num passado não muito distante (e, de repente, ainda presente em algumas partes do mundo) havia uma maior tolerância da Igreja com os desvios éticos e morais dos sacerdotes, tratando-os internamente apenas com penalidades canônicas (substituições, transferências, excomunhões).

Sem conseguir diminuir ou controlar os escândalos, e graças às fortes pressões externas, a Hierarquia da Igreja tem mudado radicalmente a sua estratégia, inclusive incentivando os fiéis - independente da sua função dentro da Igreja - a denunciar os sacerdotes que eventualmente estejam envolvidos em desvios econômicos e sexuais, exercendo a dimensão denunciadora do seu profetismo.

O papa Francisco, em seu recente escrito “Vos estis lux mundi” (“Vós sois a luz do mundo”) pede que todas as dioceses do mundo habilitem espaços para receberem dos fiéis tais denúncias, de modo secreto e sigiloso, e então realizar os procedimentos correspondentes. A ideia não é criar uma “caça às bruxas” nem gerar um ambiente de desconfiança, mas estimular a conversão, o compromisso com a santidade de vida, evitando novos casos e escândalos.

De qualquer modo, convém aos sacerdotes que não se exponham desnecessariamente às tentações e seduções do maligno, zelando pela castidade própria e também dos fiéis – especialmente as crianças e adolescentes - e administrando honestamente os bens da Igreja, preferencialmente acompanhados por comissões de fiéis com preparação na área da contabilidade e da economia, conhecendo e obedecendo as leis civis e eclesiásticas.

Rezemos pelos nossos sacerdotes, pela sua santidade, oferecendo nossa amizade sincera.


Pense comigo

Por que eu não gosto de pobre? Porque pobre é vagabundo e preguiçoso; porque ele pesa no bolso da sociedade; porque ele suja e enfeia a cida...