Deus é pura criatividade e generosidade. Não criou
apenas uma raça de pássaros ou de peixes; Ele encheu os céus com as mais
variadas espécies voadoras, de diferentes tamanhos, formas e cores, e os mares
e rios com diversas espécies nadadoras, igualmente belas e atraentes.
Por assim dizer, a “caixa de lápis de cor de Deus” não
tem apenas “preto e branco”, mas uma quantidade enorme de “cores e
tonalidades”. Há para todos os gostos e preferências. Nenhuma é melhor ou pior
que a outra; simplesmente são diferentes e, quando artisticamente combinadas,
geram resultados surpreendentes.
Com os seres humanos acontece o mesmo. Somos muitos e
diferentes: há amarelos e vermelhos, há negros e brancos, com olhos grandes ou
puxados, há magros e gordos, há baixos e altos, com cabelos ruivos e pretos, há
peludos e pelados, com narizes pontudos ou arredondados etc. É um festival de
criatividade e generosidade. E as características físicas são transmitidas
geneticamente de geração em geração.
Nos séculos passados, algumas civilizações invadiram
violentamente extensos territórios, matando ou dominando populações inteiras,
obrigadas a trabalhos forçados sem descanso nem remuneração, condenadas à
miséria e à ignorância, perdendo a liberdade depois de terem sido vencidas.
Felizmente, não sem luta e dificuldades, algumas
dessas populações reconquistaram a sua liberdade. Entretanto, os séculos de
dominação, miséria e ignorância lhes obrigaram a viver longe das cidades e nas
periferias dos grandes centros urbanos, mantendo-se economicamente com
subempregos, com trabalho informal e também com a delinqüência e o
narcotráfico.
Muitas pessoas - aproveitando os projetos sociais
oferecidos por iniciativas públicas e privadas - se capacitaram técnica e
profissionalmente, ascendendo social e economicamente.
Apesar dos esforços educativos e culturais das
famílias, das escolas, colégios e universidades, das religiões, da arte, das
leis, dos meios de comunicação social etc, infelizmente as pessoas ainda se
julgam mutuamente a partir da cor da pele, de algum traço físico, da região de
onde procedem.
A questão do preconceito, mesmo sendo considerada absurda
pela maioria da sociedade, está profundamente enraizada nas culturas, no senso
comum. Ainda há pessoas que se consideram superioras se apoiando ridiculamente
na cor da pele, dos olhos, dos cabelos.
Não basta não ser preconceituoso; é preciso
desmascarar o preconceito sutil que se perpetua através de piadas e comentários
vergonhosos.
É preciso investir na auto-estima das nossas crianças,
adolescentes e jovens, a fim de que se amem e se respeitem como são, sem a
necessidade de buscar desesperadamente seguir um padrão estético único e
estabelecido conforme referências estadunidenses e europeias.
Sempre que tenhamos oportunidade, optemos por valores
multiculturais e demos espaço à diversidade cultural, começando pelas raças
historicamente ameaçadas, com as quais temos uma dívida social.
Não finjamos que o preconceito não existe ou que não é
perigoso. Não sejamos omissos nem coniventes. Apoiemos a diversidade cultural.













