terça-feira, 14 de maio de 2019

Confiança nos sacerdotes

A confiança é a base de qualquer relação. É praticamente impossível a convivência harmoniosa entre pessoas que não confiam umas nas outras. É imprescindível um mínimo de confiança entre as partes para que o conjunto possa continuar existindo e realizando os seus propósitos.

A desconfiança crônica - quando uma pessoa está em constante suspeita em relação aos demais - é uma doença psicológica que produz ansiedade, estresse, depressão, baixa auto-estima.

Não subsiste um casamento sem confiança entre a esposa e o esposo, uma família sem confiança entre os pais e os filhos, uma amizade sem confiança entre os amigos, uma empresa sem confiança entre os patrões e os funcionários, uma comunidade sem confiança entre os sacerdotes e os leigos.

Conquista-se a confiança e se permite que ela cresça quando as pessoas enriquecem a relação com as virtudes da sinceridade, da transparência, da honestidade, falando e agindo sempre de modo respeitoso.

O excesso de confiança - ou a confiança cega - pode produzir comportamentos inadequados nas pessoas a quem são dados poderes absolutos e ilimitados de decisão.

Os sacerdotes são homens que dedicaram vários anos da sua vida à formação espiritual, humana e filosófico-teológica para assumirem funções de liderança nas paróquias e demais instituições da Igreja, acompanhando espiritualmente as pessoas, as famílias, as comunidades, as pastorais, os movimentos, responsabilizando-se pela administração financeira e pela manutenção dos bens materiais da Igreja.

Apesar da sua longa preparação, os sacerdotes são seres humanos e, como qualquer pessoa, também são marcados pela condição de pecadores, podendo não resistir às tentações e seduções do maligno e cair em graves faltas, que costumam gerar grandes escândalos dentro e fora da Igreja, afetando a fé e a vida de muitas mulheres e homens, especialmente aqueles que estão iniciando um caminho de conversão.

Muitas dioceses têm sofrido enormemente sobretudo por causa de escândalos econômicos e sexuais de bispos, presbíteros, diáconos e religiosos, expostos nacional e internacionalmente pelos meios de comunicação, obrigando a Igreja a pagar indenizações às vítimas e suas famílias, com o dinheiro que deveria ser utilizado na evangelização e na promoção social junto aos pobres. Muitos dos envolvidos nestes escândalos são judicialmente processados e condenados.

Num passado não muito distante (e, de repente, ainda presente em algumas partes do mundo) havia uma maior tolerância da Igreja com os desvios éticos e morais dos sacerdotes, tratando-os internamente apenas com penalidades canônicas (substituições, transferências, excomunhões).

Sem conseguir diminuir ou controlar os escândalos, e graças às fortes pressões externas, a Hierarquia da Igreja tem mudado radicalmente a sua estratégia, inclusive incentivando os fiéis - independente da sua função dentro da Igreja - a denunciar os sacerdotes que eventualmente estejam envolvidos em desvios econômicos e sexuais, exercendo a dimensão denunciadora do seu profetismo.

O papa Francisco, em seu recente escrito “Vos estis lux mundi” (“Vós sois a luz do mundo”) pede que todas as dioceses do mundo habilitem espaços para receberem dos fiéis tais denúncias, de modo secreto e sigiloso, e então realizar os procedimentos correspondentes. A ideia não é criar uma “caça às bruxas” nem gerar um ambiente de desconfiança, mas estimular a conversão, o compromisso com a santidade de vida, evitando novos casos e escândalos.

De qualquer modo, convém aos sacerdotes que não se exponham desnecessariamente às tentações e seduções do maligno, zelando pela castidade própria e também dos fiéis – especialmente as crianças e adolescentes - e administrando honestamente os bens da Igreja, preferencialmente acompanhados por comissões de fiéis com preparação na área da contabilidade e da economia, conhecendo e obedecendo as leis civis e eclesiásticas.

Rezemos pelos nossos sacerdotes, pela sua santidade, oferecendo nossa amizade sincera.


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