quarta-feira, 22 de maio de 2019

Segurança viária

“Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância” (João 10, 10)

Costuma-se chamar a Igreja de Mãe, pois, através da evangelização, Ela vai gerando as novas filhas e filhos de Deus, nascidos pelo sacramento do Batismo, e vai lhes alimentando com o Pão da Palavra e da Eucaristia, a fim de que cresçam na fé, na esperança e na caridade.

A Igreja é Mãe e Educadora. Completamente comprometida com Jesus Cristo - que se auto-proclamou “Caminho, Verdade e Vida” (João 14, 6) -, a Igreja apresenta corajosa e fielmente a Pessoa e os ensinamentos de Jesus Cristo, através de palavras testemunhadas pelas obras.

A sociedade contemporânea alcançou uma admirável autonomia e independência, por meio das suas instituições e organizações sociais, para acompanhar e administrar as diversas áreas da vida pública, como a educação, o atendimento médico e o transporte.

Para alcançar os seus objetivos e propósitos, a administração pública geralmente convoca os cidadãos e demais entidades para que participem ativamente dos seus projetos e iniciativas. A Igreja - como tradicional e importante entidade presente na sociedade - costuma ser envolvida nos assuntos de grande interesse social.

Vale recordar que, apesar das limitações humanas de seus ministros ordenados e não ordenados, a Igreja ainda é uma importante formadora de opinião, gozando de alto prestígio e confiança na sociedade em geral. Milhares de cristãos se reúnem semanalmente nos templos para ouvir os seus dirigentes, e a palavra deles exerce grande influência nas suas vidas.

A Igreja acompanha com muita tristeza e preocupação o número cada vez mais elevado de acidentes ocorridos nas rodovias, avenidas e ruas dos grandes centros urbanos e também nas pequenas cidades e povoados. Diariamente mulheres e homens, jovens e adultos, quase sempre por imprudência, perdem a vida ou ficam seriamente feridos, sobretudo nos fins de semana e feriados.

Enquanto mães e pais, completamente atordoados pelo desespero, choram sem consolo pela morte das suas filhas e filhos, os governos gastam rios de dinheiro no atendimento das emergências médicas, que poderia ser melhor utilizado com doentes que realmente necessitam de cuidado, medicação e tratamento.

Sim, existem os acidentes ocasionados por falhas mecânicas e técnicas; mas a maioria das tragédias ocorridas nas vias públicas é resultado da condução sob efeito do álcool, a alta velocidade, o uso do celular enquanto se dirige, o não uso do capacete e do cinto de segurança, entre outras imprudências.

Claro: a responsabilidade primeira da Igreja não é atuar na segurança viária, pois essa é a competência dos meios oficiais, conforme a determinação dos governos. Entretanto, sem dúvidas, a Igreja poderia ser uma importante parceira da sociedade civil na conscientização dos cidadãos - especialmente dos fiéis que freqüentam as suas celebrações e atividades.

A Igreja pode dispor de suas estruturas físicas - edifícios e salões - para que os responsáveis pela segurança pública, de tempos em tempos, realizem palestras e orientações, com materiais psico-pedagógicos pertinentes. Muitas vidas podem ser preservadas e muito sofrimento pode ser evitado com a imprescindível colaboração decidida e ativa da Igreja na área da segurança viária. Afinal de contas, antes que nada, evangelizar é humanizar.


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