“Não existe vento
favorável para o marinheiro que não sabe aonde ir” (Séneca, filósofo romano do
primeiro século do Cristianismo)
A vida, sem dúvidas, é
o tesouro mais precioso para um ser vivo, e mais ainda para os humanos que, não
apenas vivem, mas sabem que vivem, têm consciência da sua existência e podem
tomar decisões para tornar grandiosa a própria vida.
Seria um tremendo
desperdício viver de qualquer jeito, sem metas, objetivos, propósitos. Não
somos uma “folha seca que se desprendeu de uma árvore e se deixa levar pelo
vento”, tampouco um “animal irracional dominado pelos próprios instintos”.
Nossa inteligência e
capacidades são ferramentas e instrumentos que desenvolvemos e utilizamos para
viver intensamente e fazer da vida uma experiência maravilhosa.
Na primeira etapa da
vida, a grande meta costuma ser a descoberta e o desenvolvimento das nossas
capacidades intelectuais, afetivas e espirituais. A família, a escola e a
Igreja são os espaços privilegiados para esse crescimento.
Na etapa intermediária,
o grande objetivo geralmente é colocar em prática as capacidades intelectuais
no ambiente de trabalho, as capacidades afetivas na constituição da própria
família, as capacidades espirituais no serviço aos mais necessitados e no
anúncio alegre da vida em Deus aqui e agora e na eternidade. É tempo de se
expandir, de se lançar, de trocar experiências, de viajar pelo mundo, de ler, de
mergulhar no próprio mistério, de curar as feridas e traumas, de viver
intensamente o amor, de defender e resgatar, de se divertir, de fazer a vida
valer à pena.
E na sua etapa
derradeira, o grande propósito da vida costuma ser tornar mais leve a
existência, refletindo sobre o que valeu à pena e o que não valeu, conservando
apenas os bons pensamentos, emoções e lembranças, administrando as próprias
limitações e a partida dos seres queridos, conservando a serenidade, a
esperança, a alegria, a fé, preparando-se para o passo definitivo à eternidade.
Ainda que possam
existir exceções, geralmente colhemos o que plantamos. Se nós somos generosos
no plantio, a colheita costuma ser abundante. Portanto, para que a vida seja
plena e exitosa, é importante gastar tempo pensando no que realmente nos importa,
aonde queremos chegar, nos passos e tempos necessários para alcançar os
objetivos. Ainda que Deus respeite a liberdade - o livre arbítrio que Ele nos
deu -, é sempre importante consultá-Lo, perguntar-Lhe o que Ele tem pensado
para a nossa vida, e Lhe pedir forças e Graça para cumprir a Sua Vontade.
É verdade: às vezes não
conseguimos realizar completamente o que planejamos para a nossa vida; algumas
coisas ficam pela metade e outras são tragicamente encerradas. É preciso
aprender a reorganizar os pensamentos e emoções e estabelecer um novo projeto
de vida. Lidar com divórcios, injustiças, doenças, acidentes, mortes,
imprevistos não é nada fácil. Muitas pessoas necessitam de apoio através de
orientação espiritual e de terapia psicológica. O importante é conservar
intacta a fé e aprender que “tudo concorre para o bem daqueles que Deus ama”,
como escreveu o apóstolo Paulo aos cristãos de Roma (8, 28).
A respeito do projeto
de vida é muito oportuno conversar com pessoas que realmente se importam
conosco, que nos conhecem melhor que outras, e que querem a nossa felicidade.
Isso ajuda muito a não correr inutilmente atrás de ilusões fúteis e
passageiras. Também vale à pena, de tempos em tempos, fazer uma pausa para
avaliar o processo e os resultados, rezando as conquistas e fracassos.
Fazendo-se Homem, o
Filho de Deus é a grande referência e inspiração para o projeto de vida
daqueles que n’Ele crêem. A plenitude da vida humana só é alcançada quando
imitamos em todas as etapas da nossa existência a vida do Salvador,
reproduzindo em nós os pensamentos e sentimentos d’Ele.

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