sexta-feira, 31 de maio de 2019

Preconceito

Deus é pura criatividade e generosidade. Não criou apenas uma raça de pássaros ou de peixes; Ele encheu os céus com as mais variadas espécies voadoras, de diferentes tamanhos, formas e cores, e os mares e rios com diversas espécies nadadoras, igualmente belas e atraentes.

Por assim dizer, a “caixa de lápis de cor de Deus” não tem apenas “preto e branco”, mas uma quantidade enorme de “cores e tonalidades”. Há para todos os gostos e preferências. Nenhuma é melhor ou pior que a outra; simplesmente são diferentes e, quando artisticamente combinadas, geram resultados surpreendentes.

Com os seres humanos acontece o mesmo. Somos muitos e diferentes: há amarelos e vermelhos, há negros e brancos, com olhos grandes ou puxados, há magros e gordos, há baixos e altos, com cabelos ruivos e pretos, há peludos e pelados, com narizes pontudos ou arredondados etc. É um festival de criatividade e generosidade. E as características físicas são transmitidas geneticamente de geração em geração.

Nos séculos passados, algumas civilizações invadiram violentamente extensos territórios, matando ou dominando populações inteiras, obrigadas a trabalhos forçados sem descanso nem remuneração, condenadas à miséria e à ignorância, perdendo a liberdade depois de terem sido vencidas.

Felizmente, não sem luta e dificuldades, algumas dessas populações reconquistaram a sua liberdade. Entretanto, os séculos de dominação, miséria e ignorância lhes obrigaram a viver longe das cidades e nas periferias dos grandes centros urbanos, mantendo-se economicamente com subempregos, com trabalho informal e também com a delinqüência e o narcotráfico.

Muitas pessoas - aproveitando os projetos sociais oferecidos por iniciativas públicas e privadas - se capacitaram técnica e profissionalmente, ascendendo social e economicamente.

Apesar dos esforços educativos e culturais das famílias, das escolas, colégios e universidades, das religiões, da arte, das leis, dos meios de comunicação social etc, infelizmente as pessoas ainda se julgam mutuamente a partir da cor da pele, de algum traço físico, da região de onde procedem.

A questão do preconceito, mesmo sendo considerada absurda pela maioria da sociedade, está profundamente enraizada nas culturas, no senso comum. Ainda há pessoas que se consideram superioras se apoiando ridiculamente na cor da pele, dos olhos, dos cabelos.

Não basta não ser preconceituoso; é preciso desmascarar o preconceito sutil que se perpetua através de piadas e comentários vergonhosos.

É preciso investir na auto-estima das nossas crianças, adolescentes e jovens, a fim de que se amem e se respeitem como são, sem a necessidade de buscar desesperadamente seguir um padrão estético único e estabelecido conforme referências estadunidenses e europeias.

Sempre que tenhamos oportunidade, optemos por valores multiculturais e demos espaço à diversidade cultural, começando pelas raças historicamente ameaçadas, com as quais temos uma dívida social.

Não finjamos que o preconceito não existe ou que não é perigoso. Não sejamos omissos nem coniventes. Apoiemos a diversidade cultural.

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