sexta-feira, 24 de maio de 2019

Troca de igreja

Lembremo-nos: as palavras “religião” e “igreja” possuem significados distintos; enquanto o “Cristianismo” é uma religião (assim como o Judaísmo, o Islamismo, o Budismo...), a “Católica” é uma igreja cristã (assim como a “Luterana”, a “Batista”, a “Universal do Reino de Deus”...). Em outras palavras: católicos e evangélicos são da mesma religião (o “Cristianismo”), embora se congreguem em diferentes igrejas.

Lembremo-nos também: a palavra “evangélico” costuma ser utilizada para identificar os cristãos que se congregam em outras igrejas que não a “Católica”. Ou seja, “evangélicos” podem ser cristãos de igrejas protestantes históricas (Luterana, Anglicana, Presbiteriana...), de igrejas protestantes pentecostais (Batista, Assembleia de Deus, Congregação Cristã...) e de igrejas protestantes neo-pentecostais (Deus é Amor, Mundial do Poder de Deus, Universal do Reino de Deus...).

No “Cristianismo”, a igreja mais antiga é a “Católica” (que significa “universal”, quer dizer, para todas as nações). A maioria dos “cristãos” ainda é “católica”, embora haja países de maioria “evangélica” (como os Estados Unidos, a Inglaterra e a Alemanha).

Pessoas que têm uma forte experiência de intimidade com Deus na igreja à qual pertencem, que conhecem profundamente os fundamentos doutrinais de determinada igreja, que estão sentimentalmente vinculadas aos demais membros de tal igreja, que estão engajadas em algum ministério ou serviço nesta igreja, dificilmente a abandonam para se congregar em outra comunidade de fé.

Entretanto, são excelentes candidatas a trocarem de igreja as pessoas que têm uma frágil experiência de intimidade com Deus na sua comunidade de origem, que conhecem superficialmente os seus fundamentos doutrinais, que não possuem vínculos sentimentais com os demais membros, que não têm compromisso com um ministério ou serviço.

Quando surgem escândalos ou situações de incoerência, apesar da dificuldade, geralmente os membros da igreja superam os conflitos sem a necessidade de trocar de comunidade de fé. Mas não é incomum que algumas pessoas comecem a se congregar em outra igreja por causa de problemas mal resolvidos.

Há católicos que abandonam a sua igreja de origem porque não se sentem espiritualmente preenchidos, alegando que o ritualismo e o tradicionalismo presente na igreja católica não respondem aos diversos desafios da vida contemporânea, como as drogas, o mundo empresarial, político e artístico, o protagonismo feminino etc.

Há “evangélicos” que trocam a sua igreja de origem pelo catolicismo porque percebem a fragilidade da sua organização hierárquica, a inconsistência de alguns pontos doutrinais, a administração suspeitosa dos dízimos etc. Os “evangélicos” que antes foram “católicos” costumam sentir falta dos sacramentos (especialmente a Eucaristia e a Reconciliação), do culto à Mãe de Jesus, das representações artísticas através de pinturas e esculturas.

Finalmente, não faltam “católicos” nem “evangélicos” que trocam de igreja pela influência e insistência de familiares e parentes, de amizades e namoros, de patrões e companheiros de trabalho. Não faltam oportunistas que, aproveitando-se de momentos de fragilidade, de doenças, de dificuldades familiares e econômicas, propõem o abandono da comunidade de fé de origem para uma experiência numa nova igreja.


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