terça-feira, 21 de maio de 2019

Santos ou heróis?

Os heróis estão na moda. Há para todas as idades e gostos, gêneros e raças, culturas e nacionalidades. Estão por toda parte: começaram nos gibis e desenhos animados, e logo chegaram aos filmes e jogos, às casas e cinemas, às roupas, toalhas e lençóis, às festas de aniversário, cadernos e mochilas, às pastas de dente e xampus. São muito rentáveis para os seus idealizadores e distribuidores, e são a alegria dos seus consumidores. São um fenômeno mundial.

Os heróis foram criados para despertar nas pessoas valores nobres e altruístas através das lutas e batalhas que travam contra vilões e organizações criminosas. Os heróis são apresentados como justos e bondosos, defensores da paz e dos fracos e inocentes. Costumam ser inteligentes, honestos e divertidos.

As histórias geralmente contam a trajetória dos heróis, como descobriram e desenvolveram as suas capacidades extraordinárias ou poderes especiais, como tiveram que superar perdas e dificuldades, como foram perseguidos antes de conquistarem a admiração e carinho das pessoas, como precisaram aprender a trabalhar em equipe para enfrentar ameaças de grandes proporções.

Alguns, antes de se tornarem heróis, foram desonestos, criminosos, intolerantes, e travaram grandes batalhas internas até se tornarem melhores pessoas. As histórias valorizam as mulheres, os negros, os asiáticos, a natureza, os animais, e são contadas cuidadosamente para que sejam universais, sirvam a todos, sem excluir ninguém.

As crianças, adolescentes e jovens - e inclusive os adultos e idosos - se identificam com os heróis e contam as suas histórias, vestem-se ou utilizam acessórios com os símbolos que lhes representam.

Os santos foram mulheres e homens que, em vida, identificaram-se com a pessoa de Jesus Cristo, viveram a sua fé até as últimas conseqüências, cuidaram das pessoas mais vulneráveis e abandonadas, suportaram perseguições, humilhações e dores, e, após a sua morte, receberam o reconhecimento dos cristãos católicos (e também da sociedade) e foram solenemente declarados como exemplo a ser imitado, como fiéis intercessores nos Céus junto a Deus.

A história dos santos está contida em livros e algumas até já se tornaram desenhos animados e filmes, com o objetivo de fazê-los conhecidos universalmente e despertar o interesse das crianças, adolescentes e jovens - tão acostumados na atualidade à linguagem áudio-visual e quase sempre pouco interessados em leitura.

Quando são canonizados, os santos passam a ser reverenciados na Igreja presente no mundo inteiro. Ainda que muitos não católicos e não cristãos admirem e exaltem os santos, geralmente eles são recordados apenas na Igreja Católica. A memória deles é celebrada numa data específica do calendário litúrgico e, no dia 01 de novembro, todos são recordados na Solenidade de todos os Santos, inclusive aqueles que viveram a santidade no anonimato.

Ultimamente, por ocasião desta solenidade, crianças, adolescentes e jovens costumam se vestir caracterizados com alguns santos mais conhecidos, geralmente para se contrapor à popular festa do dia das bruxas.

Não é errado admirar as histórias dos heróis - algumas verdadeiramente belíssimas, desde uma perspectiva literária e cultural. Sem deixar de apreciá-las, valorizemos os santos, façamos conhecida a vida deles, especialmente às nossas crianças, adolescentes e jovens. Que todos nos espelhemos no exemplo que nos deixaram, a fim de que sejamos melhores cristãos, com mais fé e mais comprometidos com a prática do amor e do bem.


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