sábado, 29 de junho de 2019

Autoconhecimento

Cada um de nós é um mistério à espera de ser desvelado.

Sim, cremos firmemente que fomos feitos à imagem e semelhança de Deus Pai Criador, que tivemos restaurada a nossa dignidade de filhas e filhos de Deus (que o pecado a havia roubado de nós) graças à morte e ressurreição de Deus Filho feito Homem - Jesus Cristo, Salvador -, e que somos habitados pelo Espírito Santificador derramado efusivamente em nossos corações desde o dia do nosso Batismo.

Alcançar pela fé essas verdades espirituais desvelam parcialmente o mistério que somos nós, pois a espiritualidade é uma dimensão - certamente importantíssima - entre outras da nossa existência. Também temos, por exemplo, as dimensões familiar, cultural, social etc que vêm nos influenciando em maior ou menor escala desde a nossa infância (ou até mesmo desde a nossa concepção) e têm sido responsáveis por nos tornar o que somos na atualidade.

Aquilo que sentimos, pensamos, dizemos e fazemos no tempo presente seguramente é motivado pelas diversas circunstâncias e acontecimentos do tempo passado. Dos nossos pais e familiares nós herdamos muito mais que as nossas características exteriores (cor da pele, dos cabelos e dos olhos etc); muitas vezes também herdamos as nossas características interiores (personalidade, preferências, resistências etc). A convivência familiar, a educação recebida dos pais e educadores, as oportunidades culturais, os afetos recebidos, os limites impostos, as dificuldades financeiras etc certamente influenciam a vida presente e futura de uma criança.

Muitas pessoas adultas ignoram os motivos que as levam a sentir, pensar, dizer e fazer as coisas de um determinado modo. Algumas chegam a imaginar que se comportam de tal maneira porque são livres e decidiram assim, quando em realidade o seu comportamento foi moldado a partir de circunstâncias e acontecimentos do passado.

Para desvelar o mistério que somos é indispensável o auto-conhecimento sincero e sistemático, revisitando o passado, a nossa história de vida, sobretudo as experiências da vida intra-uterina e da primeira infância. Trazer estes momentos novamente à mente e ao coração pode ser difícil, doloroso, angustiante, pois a nossa mente e coração podem estrategicamente ter escondido tais recordações e vivências para evitar o sofrimento.

Mesmo assim, para que não sejamos mulheres e homens escravos e completamente dominados pelas emoções e experiências negativas do passado, é necessário superá-las através da aceitação, do oferecimento do perdão às pessoas que nos maltrataram, da resignificação dos acontecimentos para substituir o vitimismo pelo empoderamento.

Esse trabalho interior é processual e doloroso, mas o seu resultado é libertador e gratificante. Os seus frutos são observados na vida pessoal, familiar, profissional e até na convivência social. 

Muito provavelmente será necessário recorrer a um profissional da área da Psicologia para acompanhar terapeuticamente este processo, com seriedade, objetividade e sem pressa.
A espiritualidade, a meditação da Palavra de Deus, os sacramentos e a direção espiritual podem contribuir poderosamente para que as feridas do passado se cicatrizem e deixem de ser causa de sofrimento e angústia no tempo presente.

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Enfermos e idosos

É verdade: Jesus realizou muitas curas físicas durante a Sua existência mortal. Cegos recuperaram a vista, surdos a audição, mudos a fala; paralíticos voltaram a caminhar; pessoas com febre e com convulsão tiveram a sua saúde restaurada pela fé no poder curativo do Filho de Deus feito Homem. Uma mulher foi curada de hemorragia. Também os apóstolos foram instrumentos da cura para o corpo ao despertar nas pessoas a fé em Jesus, ora ungindo-as com o óleo abençoado, ora impondo-lhes as mãos.

Os evangelhos narram mais: o Filho de Deus feito Homem chegou a trazer de volta à vida mortal ao menos três pessoas: a filhinha de Jairo (chefe de uma sinagoga), um jovem da cidade de Naim e o Seu amigo Lázaro (irmão de Marta e Maria).

Nós cristãos temos o dever de apresentar Jesus como Médico dos médicos, como saúde dos doentes, como Senhor da Vida. Especialmente os doentes e os idosos, como também os seus familiares, têm o direito de conhecer o poder do Filho de Deus feito Homem e de recorrer a Ele com toda fé e esperança, particularmente pela Unção dos Enfermos, que é o sacramento reservado a eles de um modo especial - melhor ainda quando acompanhados dos sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia.

Os anjos e as santas e santos nos Céus também têm sido intercessores eficazes junto a Deus para que muitos milagres sejam realizados e a saúde física seja restabelecida. De fato, os valiosíssimos conhecimentos científicos da Medicina muitas vezes se revelam insuficientes para compreender as doenças e para restabelecer a saúde do corpo. E ação poderosa de Deus mediante a fé - tanto a do doente ou do idoso quanto a dos seus familiares - tem deixado a muitos médicos e enfermeiros profundamente espantados e maravilhados.

Entretanto, a existência mortal tem o seu ciclo natural: nascimento, crescimento, reprodução, envelhecimento e morte. É preciso recordar aos doentes e idosos e aos seus familiares essa verdade tão angustiante quanto real. Deve ser feito tudo o que estiver ao alcance para que a saúde e a vida se mantenham, sem lugar a dúvidas. Mas chega um momento que a passagem da existência mortal à imortal é inevitável. De fato, este mundo não é a nossa pátria definitiva, estamos todos peregrinando rumo a Deus. Ele nos enviou a esse mundo para cumprir uma missão, e quando Ele - no mistério do Seu desígnio divino - decide que essa missão foi cumprida, pela morte natural passamos à Vida eterna - não pelos nossos méritos (já que não os possuímos), mas pelo Sangue redentor de Cristo derramado na Cruz, pela Sua morte e ressurreição.

Na eternidade feliz junto a Deus, aos anjos, às santas e santos, e à multidão dos reconciliados estaremos em comunhão de amor com as mulheres e homens de todos os tempos e lugares, na alegria sem fim, no merecido descanso.

Essa mensagem também precisa ser anunciada aos doentes e idosos e aos seus familiares, pois ela conforta o coração que sofre, sem permitir que o poder da morte se agigante e pareça intransponível.

Chegue a todos os ouvidos e corações a Boa Notícia de Jesus Cristo sobre a saúde do corpo e sobre a vida após a morte, especialmente aos doentes e idosos à beira da morte e aos seus familiares. O silêncio respeitoso e as orações devocionais são sumamente importantes, mas não substituem o anúncio direto e aberto da esperança cristã, que desperta a fé e consola o coração.

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Solenidade de Corpus Christi

“Corpus Christi” vem do latim e significa “Corpo de Cristo”, em referência ao sacramento da Eucaristia, ao Pão e Vinho consagrados pelo poder do Espírito Santo que se tornam verdadeiramente o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo.

Como sabemos, a Eucaristia (que significa "ação de graças") é a memória da última ceia de Jesus com a sua comunidade, na noite anterior à sua crucifixão. Nela, o Pão e o Vinho abençoados por Jesus e partilhados entre todos foram sacramento da sua morte e ressurreição, da remissão dos pecados. Jesus quis que esse gesto fosse repetido em Sua memória. Pelo sacramento da Ordem, os bispos e presbíteros agem na Pessoa de Jesus e, pelo poder do Espírito Santo, consagram o pão e o vinho, que passam a ser o sacramento do Corpo entregue e do Sangue derramado de Jesus.

A solenidade de Corpus Christi é realizada na quinta-feira depois da solenidade da Santíssima Trindade, apesar de que em muitos países ela é trasladada para o domingo seguinte, como também acontece com outras solenidades. A Igreja recomenda que se faça uma procissão pelas vias públicas para testemunhar publicamente a adoração e a veneração para com a santíssima Eucaristia.

No século XIII, o papa Urbano IV soube que Jesus havia expressado à freira Juliana de Mont Comilon o desejo de que o mistério da Eucaristia fosse celebrado solenemente, ainda mais com um milagre eucarístico acontecido na cidade italiana de Bolsena, por volta do ano 1264.

Duvidando que a Eucaristia realmente fosse o Corpo e o Sangue de Cristo, após a consagração, um sacerdote observou que havia gotas de sangue sobre o Pão eucarístico. A hóstia foi então levada até o papa Urbano IV que comprovou o milagre, afirmando “Corpus Christi”.

Este papa instituiu oficialmente a solenidade do Corpo de Cristo em setembro de 1264. As orações compostas para esta solenidade são da autoria de Santo Tomás de Aquino.

Para os cristãos católicos - e apenas para eles - Jesus Cristo está verdadeiramente presente no Pão e no Vinho eucarísticos. A aparência externa e o sabor permanecem, mas a substância é modificada. O que havia sido pão de trigo triturado torna-se realmente o santíssimo Corpo de Cristo, enquanto o que havia sido vinho tinto de uva amassada torna-se realmente o santíssimo Sangue de Cristo. Essa mudança se chama transubstanciação.

Para elevar ainda mais a solenidade de Corpus Christi, em muitos lugares a procissão do Santíssimo Sacramento é realizada encima de coloridos tapetes artística e belamente confeccionados pelos próprios fiéis a partir de diversos materiais. É uma maravilhosa manifestação popular da autêntica fé cristã católica.

terça-feira, 18 de junho de 2019

Igreja acolhedora

A resposta a esta pergunta é muito pessoal. Mesmo assim, poderíamos afirmar - sem lugar a dúvidas - que a razão de ser da Igreja é estender no tempo e no espaço a salvação da humanidade realizada por Jesus Cristo, na força do Espírito Santo.

Durante o Seu ministério público, o Filho de Deus feito Homem soube acolher a todas as pessoas, especialmente aquelas que não se sentiam acolhidas pelas autoridades religiosas e civis. Eram abertamente desprezadas e ignoradas as mulheres, as crianças, os doentes, os samaritanos, os cobradores de impostos, os estrangeiros etc. E justamente tais pessoas eram acolhidas e bem recebidas por Jesus de Nazaré.

Quem desejasse se tornar discípulo d’Ele necessariamente devia reproduzir em si mesmo os valores e as opções do Mestre, acolhendo a todos, fazendo-os se sentir importantes, aos olhos de Deus, aos olhos da comunidade de fé.

É importante recordar uma verdade fundamental, tantas vezes esquecida por muitos: a Igreja de Jesus Cristo é constituída não apenas pelos ministros ordenados (papa, bispos, presbíteros e diáconos), mas também e principalmente pelos ministros não ordenados (fiéis leigos e leigas e religiosas e religiosos).

É verdade que os ministros ordenados estão em maior evidência e sobre eles recai a imensa responsabilidade de organizar e acompanhar a ação evangelizadora. Entretanto, os ministros não ordenados superam numericamente os ordenados e cada vez mais são responsáveis pelas diversas capelas, pastorais e movimentos da Igreja, assumindo coordenações, relacionando-se diretamente com os fiéis, sendo tantas vezes o rosto visível da comunidade cristã local.

Por isso, tanto os ministros ordenados quanto os não ordenados - testemunhando que são discípulos do Mestre acolhedor - devem estar seriamente comprometidos com a acolhida na Igreja, fazendo tudo o que está ao seu alcance para que as pessoas se sintam importantes aos olhos de Deus, aos olhos da comunidade de fé.

Como sabemos, vivemos numa sociedade tão massificada e massificadora que muitas pessoas não se sentem valorizadas, sentem-se desamparadas e abandonadas, julgadas e condenadas sem que ninguém se importe em ouvi-las. Algumas se sentem desprezadas pela própria família, pelos amigos mais próximos.

É verdade que as Sagradas Escrituras têm os dez mandamentos, que a Igreja tem os seus preceitos. Isso é inquestionável. Mas, como escreveu o Apóstolo Paulo aos cristãos de Roma, “o amor é o cumprimento da Lei” (13, 10).

Devemos tratar as pessoas assim como Deus nos trata. Quando ainda éramos pecadores, Ele nos amou e deu a Vida d’Ele por nós. Só o amor transforma de verdade uma pessoa.

É preciso estar particularmente atentos às pessoas com necessidades especiais (idosas, grávidas, com criança no colo, com dificuldade motora), às famílias que chegaram recentemente para residir na cidade, aos turistas e visitantes, às autoridades civis e religiosas etc.

E a acolhida deve ser praticada tanto na Eucaristia dominical (dia em que a comunidade cristã se reúne) quanto fora dela, no atendimento da secretaria, nos confessionários, nas reuniões, nos momentos formativos e de espiritualidade, nas festas e eventos etc.

A acolhida se expressa no sorriso do rosto, no aperto de mão, no abraço sincero, no respeitoso beijo no rosto, em olhar a pessoa nos olhos enquanto conversam, no amigável tom de voz, nas informações dadas com precisão, sem fofocas, sem asperezas, sem radicalismos - em uma palavra: no amor.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Conservadorismo católico

O que seria “conservadorismo católico”? Rezar a missa em latim? Com o sacerdote de costas para a assembleia? O uso do véu para cobrir os cabelos das mulheres? O uso do hábito e do clergyman pelos sacerdotes?

Vale à pena recordar, para começo de conversa, que tais práticas - entre outras - são tão antigas quanto a própria Igreja Católica, e existe um profundo carinho e admiração pelos costumes que foram e ainda são vividos pelos fiéis católicos, tanto pelos ministros ordenados quanto pelos não ordenados.

É verdade que o Concílio Ecumênico Vaticano II, celebrado na Igreja Católica entre os anos 1962 e 1965, no seu esforço de renovação para que o catolicismo respondesse melhor aos desafios do mundo contemporâneo - especialmente após as duas grandes guerras mundiais - permitiu a prática de novos costumes.

Por exemplo: o uso do latim como idioma oficial da Igreja deixou de ser obrigatório, admitindo o uso da língua vernácula (idioma utilizado em cada país). O sacerdote estava autorizado a presidir a Eucaristia comunicando-se frente a frente com a assembleia dos fiéis. Permitiu-se a liberdade no uso do véu para cobrir os cabelos das mulheres, como também do hábito e do clargyman por parte dos sacerdotes.

Em nenhum momento o Concílio Vaticano II proibiu as práticas anteriores nem obrigou os novos costumes. É verdade que grande parte dos ministros ordenados e não ordenados optaram pela renovação permitida, mas especialmente as pessoas mais idosas continuaram vivendo e expressando a sua fé conforme aprenderam na sua formação cristã inicial.

Não podemos negar que houve exageros diante da abertura proposta pelo Concílio Vaticano II. Por um lado, alguns ministros ordenados e não ordenados rejeitaram todas as práticas anteriores (e muitos fiéis acabaram deixando o Catolicismo porque já não se identificavam com ele). Por outro lado, outros ministros ordenados e não ordenados rejeitaram todas as aberturas do Concílio Vaticano II (e muitos fiéis acabaram deixando a comunhão com o papa e os bispos, fechando-se num conservadorismo).

Segundo a mentalidade de alguns católicos, infelizmente na atualidade a Igreja tem enfraquecido a sua espiritualidade, a solenidade dos seus ritos litúrgicos (orações, vestimentas, silêncio, canções etc). Tais católicos, para resgatar o que se enfraqueceu, têm recorrido às práticas antigas para recuperar a espiritualidade e a solenidade.

E, ao contrário do que muitos podem pensar, são os adolescentes e jovens os que mais têm buscado a missa em latim, com o sacerdote de costas para a assembleia, o uso do véu para cobrir os cabelos das mulheres e do uso do hábito e do clergyman pelos sacerdotes.

É importante que os ministros ordenados e não ordenados respeitem as diferentes tendências dentro da Igreja. Sejam respeitados os fiéis que acolheram a abertura permitida pelo Concílio Ecumênico Vaticano II e também aqueles que se identificam com as práticas litúrgicas que tradicionalmente vêm alimentando a fé dos católicos desde o início da Igreja.

A opção por um modelo ou outro por parte dos ministros ordenados e não ordenados é legítima e deve ser respeitada por ambas as partes. Recordemos que o papa - na Igreja universal - e os bispos - nas igrejas locais (dioceses) - autorizam os dois modelos, praticados com o zelo litúrgico e a correspondente espiritualidade e solenidade.


sexta-feira, 14 de junho de 2019

Aparência de Jesus

Há pinturas e imagens de Jesus para todos os gostos: algumas como bebê, outras como adolescente, a maioria como adulto; algumas com os olhos e cabelos claros como os homens do norte da Europa, outras com barba e cabelos curtos e encaracolados como os homens da África, a maioria com barba e cabelos compridos como os sábios do Médio Oriente; algumas com a pele amarelada e os olhos puxados como os asiáticos, outras com a pele escura e olhos vibrantes como os negros africanos, a maioria com a pele clara e os olhos serenos como os brancos europeus.

As vestimentas também variam. Algumas pinturas e imagens de Jesus O retratam na Sua existência mortal, com estilos muito próximos aos utilizados pelos palestinos do início da era cristã; outras se referem à Sua atual condição de ressuscitado, revestido da glória divina. Jesus às vezes também é representado com vestimentas de pastor, de rei, de sacerdote, com coroa, com anel, com cetro real etc.

E essa enorme variedade de representações não é exclusiva de Jesus; Santa Maria, São José, os apóstolos, entre outros, costumam ser retratados de modos bastante diversificados, geralmente utilizando elementos culturais da Igreja local. Por exemplo: em algumas culturas, são representados com altura elevada e o porte físico magro, pois esse estereótipo representa santidade e justiça. Em outras culturas, são retratados com baixa altura e o porte físico avantajado, já que esse é o estereótipo das pessoas santas e justas.

As Sagradas Escrituras poucas vezes se prestaram a descrever fisicamente os seus personagens, priorizando mais sobre os seus aspectos interiores e valores espirituais e religiosos. Com Jesus não é diferente.

Mas tendo nascido de uma mulher autenticamente palestina, sem a participação masculina - já que Ele foi concebido pelo poder do Espírito Santo -, é extremamente provável que Jesus não tivesse as características físicas nem da Europa, nem da África, nem da Ásia, menos ainda da América ou Oceania.

Muito provavelmente o Filho de Deus feito Homem teria o perfil dos seus conterrâneos palestinos. Olhos e cabelos claros são pouco prováveis, como também compridos cabelos e barba. Há uma enorme possibilidade de que a pele de Jesus tenha sido morena, queimada pelo sol ou pelo seu mormaço. Pelo fato de viver de modo precário - praticamente como um nômade - a alimentação era limitada e rápida, razão pela qual não seria forte ou de estatura avantajada.

O Renascimento do século XV - buscando recuperar o estilo clássico da Grécia Antiga - certamente influenciou e influencia até hoje a arte cristã. Jesus tem sido retratado como uma divindade do politeísmo grego. É verdade: tais pinturas e imagens são belas e harmônicas, mas provavelmente não correspondem à realidade.

Os pintores e escultores são livres para expressar a sua arte conforme as categorias de beleza e santidade próprias da sua cultura. E os apreciadores e consumidores de tais expressões artísticas podem continuar fazendo-o, cuidando apenas para não confundir a realidade com a sua manifestação pela arte.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

São Gaspar Bertoni

Antes de tudo, recordo que eu - o padre Kleber Luiz Cardoso - sou missionário estigmatino, pertenço à Congregação dos Sagrados Estigmas de Nosso Senhor Jesus Cristo, que foi fundada por Gaspar Bertoni, um padre da cidade italiana de Verona, que viveu entre os séculos XVIII e XIX.

Filho primogênito de Francisco e Brunora, Gaspar nasceu aos 09 de outubro de 1777 e faleceu no dia 12 de junho de 1853, aos 76 anos. Ele teve uma irmã chamada Matilde, que tristemente faleceu quando ambos ainda eram crianças.

Gaspar foi um aluno inteligente e muito dedicado. Além de cantar, tocava diversos instrumentos musicais. Durante a sua primeira comunhão, teve uma forte experiência mística com Jesus Cristo eucarístico. Era muito generoso e prestativo com os pobres, os doentes, os feridos nos diversos conflitos armados entre os franceses e os austríacos, motivadas pelos ideais da Revolução Francesa que chegava à Itália.

Aceitou o chamado de Deus para ser sacerdote e, depois de concluir os estudos acadêmicos, foi ordenado padre no dia 20 de setembro de 1800, aos 23 anos. Dedicou os primeiros anos de sacerdócio ao apostolado com os adolescentes e jovens pobres de Verona, oferecendo-lhes formação humana, cristã e profissional.

Uma experiência mística lhe deu a convicção de que Deus lhe pedia que fundasse uma congregação religiosa missionária, ainda que os tempos não fossem favoráveis. Juntamente com alguns companheiros, na Igreja dos Estigmas de São Francisco de Assis, Gaspar deu início a uma escola, que mais tarde se tornou a casa-mãe da Congregação dos Sagrados Estigmas de Nosso Senhor Jesus Cristo, popularmente chamada de “estigmatinos”.

Com uma inteligência racional, humana e espiritual muito bem desenvolvida, Gaspar apoiava o clero da diocese de Verona através de aprofundamentos bíblicos e teológicos (ainda hoje se conserva a sua biblioteca pessoal com diversos e excelentes livros), de atendimento a sacerdotes em crise, envolvidos em escândalos e desviados dos ensinamentos da Igreja. Assim servia aos bispos, também como orientador espiritual dos seminaristas.

Gaspar passou por diversas doenças, sendo que algumas duraram vários anos, requerendo tratamentos de saúde exigentes, numa época em que a medicina era pouco desenvolvida. Sofria com paciência e confiança absoluta em Deus.

Apesar de proceder de uma família com recursos econômicos e materiais, Gaspar viveu a pobreza absoluta, desapegado dos bens materiais.

O fundador da congregação estigmatina recebeu vários títulos, como “missionário apostólico”, “anjo do conselho”, “pérola escondida do clero veronês” e “apóstolo da juventude”.

Gaspar Bertoni foi canonizado no dia 01 de novembro de 1989 e a sua festa litúrgica ficou estabelecida para o dia 12 de junho, ou seja, hoje.

Por isso, os missionários estigmatinos presentes em todo o mundo neste dia elevam louvores a Deus em agradecimento pela vida e pelo testemunho de fé, esperança e caridade de São Gaspar Bertoni, e se alegram de fazê-lo ainda mais conhecido propagando os seus ensinamentos.

A congregação estigmatina é formada por padres e religiosos, e também possui uma ala leiga constituída por jovens e adultos, solteiros e casados. Seja você também parte desta linda família religiosa fundada por São Gaspar Bertoni.

terça-feira, 11 de junho de 2019

Hábitos de higiene

A necessária convivência entre as pessoas requer que sejam respeitadas algumas normas mínimas. O cumprimento ou não de tais regras reflete na qualidade desta convivência social. O que inicia na privacidade do lar junto à família em seguida se projeta nos relacionamentos afetivos, na vida profissional e também na vida fraterna em comunidade.

Parte das normas de convivência se refere à higiene pessoal, ao saudável cuidado e apresentação do corpo que, se por um lado tem uma dimensão estética, tem igualmente um aspecto de prevenção de doenças, além - é evidente - de estimular e fortalecer a sociabilidade e os vínculos afetivos.

A principal etapa para estimular os hábitos de higiene pessoal é a infância, quando a criança está mais dócil para acolher dos pais nas casas e dos educadores nas escolas os cuidados a serem dispensados ao corpo (boca, mãos, cabelos, axilas, pés, órgãos genitais etc), bem como as técnicas mais efetivas, com melhores resultados, utilizando os produtos de higiene (creme e escova dentais, sabonetes, xampus, escova e pente, desodorantes e perfumes, talcos, absorventes íntimos etc).

Pais e educadores sabem que, após a infância, de tempos em tempos, é sempre importante reforçar os estímulos para os hábitos de higiene, especialmente na adolescência, durante a puberdade, quando os hormônios transformam os corpos e requerem novos cuidados.

É verdade: falar sobre higiene pessoal é sempre incômodo e desconfortável, mas é a função dos pais e educadores, como também dos familiares, amigos mais próximos e namorada, namorado, esposa, esposo.

É muito comum que uma pessoa com maus odores nem perceba a situação, já que o nariz se acostuma ao cheiro e o olfato não se incomode. Por isso é importante que as pessoas próximas, por amor e com carinho, avisem sobre o que está ocorrendo.

De fato, quem cuida bem do próprio corpo e da aparência está demonstrando a sua auto-estima, saudável amor por si mesmo, e também o carinho e respeito que tem pelos demais, apresentando a melhor versão de si próprio.

Os familiares, os amigos, os companheiros de estudos e de trabalho, a namorada, o namorado, a esposa, o esposo, os filhos, os clientes e patrões, os irmãos de comunidade, não são obrigados a aceitar passivamente situações incômodas e constrangedoras geradas pela ausência de higiene pessoal.

Em casos extremos, maus odores podem ser produzidos por disfunções orgânicas ou por doenças, que devem ser tratadas clinicamente com a administração de medicamentos, sob orientação médica profissional.

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Memórias litúrgicas

O mistério da vida de Jesus Cristo é completamente celebrado num período de doze meses, chamado Ano Litúrgico. Celebra-se a Sua encarnação, nascimento, batismo, vida pública, paixão, morte, ressurreição e ascensão aos Céus.

Além do mistério de Jesus Cristo, são recordadas também as mulheres e homens que, na história do Cristianismo em todo o mundo, viveram e morreram santamente, dando testemunho da sua fé e de caridade junto aos pobres, doentes e abandonados.

Entre essas mulheres e homens, merecem destaque Santa Maria - a Mãe de Jesus Cristo, São José - o Seu Pai adotivo, São Miguel, São Rafael e São Gabriel - arcanjos, São João Batista, os doze apóstolos, Santa Maria Madalena, São Paulo, os evangelistas, os mártires, entre outros. Há uma profunda comunhão entre o mistério de Jesus Cristo e a vida destas santas e santos.

Quando a Igreja canoniza uma mulher, um homem, reconhecendo a sua santidade, essa santa, esse santo, passa a ser um modelo para os católicos no mundo inteiro, e a Igreja estabelece uma data anual para que seja recordada a sua vida, a sua entrega a Cristo e à Igreja.

Algumas santas e santos se tornaram universalmente conhecidos e queridos pelos fiéis por causa da sua fama de santidade, dos seus ensinamentos e dos numerosos milagres atribuídos à sua intercessão. Admitindo tal realidade, a Igreja torna obrigatória a memória destas santas e santos nas datas anuais estabelecidas.

A grande maioria das santas e santos são pouco conhecidos universalmente, seja porque viveram há muito tempo atrás, seja porque viveram e morreram em países longínquos, seja porque não foram suficientemente propagados. Nestes casos, a Igreja torna facultativa, opcional ou livre a memória destas santas e santos, conservando a obrigatoriedade apenas no país, na diocese, na congregação ou na paróquia ou capela onde foram canonizados e ainda são recordados.

Para saber qual santa ou santo tem a sua memória obrigatória ou facultativa decretada pela Igreja, é necessário consultar uma agenda litúrgica. Há várias edições publicadas pelo setor de Liturgia com a aprovação das conferências episcopais nacionais. Algumas páginas de Internet ou aplicativos para dispositivos eletrônicos também oferecem essa informação.

Algumas festas de Santa Maria, referindo-se a aparições em países ou lugares específicos, com títulos ou aspectos regionais, também podem ser consideradas pela Igreja facultativas, opcionais ou livres. Convém sempre conferir na agenda litúrgica.

Quando a santa ou santo tem a sua memória obrigatória, é preciso utilizar as orações próprias contidas no Missal Romano e as leituras indicadas no Lecionário Santoral. Ainda no Missal Romano, é preciso utilizar o prefácio específico para as características de cada santo (por exemplo, se foi mártir, se foi doutor da Igreja, se foi virgem etc). Finalmente, dependendo das características de cada santo, utiliza-se uma cor litúrgica própria para as toalhas do altar e do ambão (por exemplo, branco para os doutores da Igreja e virgens, vermelho para os mártires etc).

Para ficar claro, quando a santa ou santo tem memória facultativa, opcional ou livre, conservam-se as orações do Missal Romano e leituras do Lecionário Ferial determinadas para o Tempo Litúrgico em vigência (Advento com cor roxa, Natal com cor branca, Comum com cor verde, Quaresma com cor roxa, Páscoa com cor branca).

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Faltar à missa dominical

O sacramento da Reconciliação - também chamado de Penitência ou Confissão - é o principal acesso à misericórdia de Deus para obter o perdão dos pecados, recuperar a Graça divina e de receber a força espiritual para avançar no caminho da santidade. Além do sacramento da Reconciliação, podemos verdadeira e eficazmente acessar a misericórdia de Deus através do Ato Penitencial, no sacramento da Eucaristia, e também no exame de consciência acompanhado do sincero pedido de perdão na oração pessoal diária. Alcança-se a misericórdia de Deus por estes meios sempre que se trate de faltas leves - ou pecados veniais.

Afirmar que se obtém a absolvição dos pecados unicamente por intermédio de um representante direto de Jesus Cristo é um ponto de divergência entre católicos e não católicos, entre cristãos e não cristãos.

Enquanto os cristãos católicos, apoiados em textos sagrados como “Aqueles a quem perdoarem os pecados vão lhes ser perdoados; aqueles aos quais retiverem vão lhes ser retidos” (João 20, 23), afirmam que os sucessores dos apóstolos - ou seja, os atuais bispos e presbíteros - são os únicos empoderados por Jesus Cristo para absolver os pecados em Nome d’Ele, os cristãos não católicos e os não cristãos afirmam que se obtém a absolvição dos pecados sem a necessidade do sacramento da Reconciliação.

Para defender a sua Tradição a respeito da forma de acessar a misericórdia de Deus, muitas vezes os católicos não valorizam suficientemente o Ato Penitencial, no sacramento da Eucaristia, nem o exame de consciência acompanhado do sincero pedido de perdão na oração pessoal diária. Costumam buscar o sacramento da Reconciliação repetidas vezes para receber a absolvição das faltas leves ou pecados veniais, o que não é obrigatório nem recomendável.

Faltar numa missa dominical casualmente não é o mesmo que deixar de participar freqüentemente; enquanto, no primeiro caso, trata-se de uma falta leve, tranquilamente absolvida no Ato Penitencial, no sacramento da Eucaristia, ou no exame de consciência acompanhado do sincero pedido de perdão na oração pessoal diária (sem a obrigatoriedade sacramental por intermédio de um representante direto de Jesus Cristo), no segundo caso se trata de uma falta grave ou pecado mortal que, aí sim, necessariamente requer o sacramento da Reconciliação através de um bispo ou presbítero.

Todo cristão católico suficientemente evangelizado deve saber que a Eucaristia dominical (ou no sábado a partir das 18 horas) é a mais perfeita forma de cumprir a Vontade de Deus tal qual está expressa no terceiro mandamento do decálogo “Guardarás o sábado”, que os cristãos transformaram em “Guardarás os domingos e festas de guarda”, confirmado pelo primeiro preceito da Igreja Católica “Participar da missa nos domingos e festas de guarda”. O domingo tem tal dignidade porque foi neste dia que Jesus ressuscitou dos mortos.

Faltar numa Eucaristia dominical significa deixar de receber o Pão e o Vinho consagrados, deixar de ouvir a Palavra de Deus, deixar de se reunir com a comunidade (Corpo Místico de Cristo), deixar de receber o perdão divino, deixar de louvar a Santíssima Trindade, deixar de interceder pelas autoridades da Igreja e da sociedade, pelos pobres e necessitados, pelos doentes e afligidos etc. Um domingo sem missa é uma semana sem Graça.

Vale recordar que uma celebração da Palavra com a distribuição da Eucaristia presidida por um diácono ou ministro da Palavra não é o mesmo que participar de uma missa presidida por um bispo ou presbítero. Somente quando não for possível participar da missa por razões pastorais (insuficiência de presbíteros), opte-se pela celebração da Palavra.

Em caso de doença ou idade avançada, o fiel pode ser dispensado da missa dominical, recebendo em casa a Hóstia Consagrada através de um ministro extraordinário da Comunhão Eucarística, acompanhando a missa dominical através dos meios de comunicação (rádio, televisão, Internet).

Fiéis que assistem pessoas doentes ou idosas nos hospitais ou nas casas também estão dispensados da missa dominical, já que a sua Eucaristia está sendo vivida no cuidado ao Cristo que se identifica com os fragilizados. Também eles devem acompanhar a missa dominical pelos meios de comunicação.

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Bons modos nas redes sociais

Por redes sociais nos referimos particularmente aos populares aplicativos Facebook e WhatsApp, apesar de que existam outros igualmente importantes, como Messenger, Twitter, Instagram e Youtube. Recebem este nome “redes sociais” porque favorecem a comunicação entre as pessoas, a troca de mensagens de texto, acompanhadas ou não de imagens, áudios e vídeos, com a possibilidade de chamadas por voz ou por vídeo entre duas ou mais pessoas. Alguns destes aplicativos permitem inclusive a transmissão de vídeo e áudio ao vivo.

A respeito das boas maneiras, elas existem há muito tempo, desde antes do surgimento e da popularização das redes sociais, e vão continuar existindo. As boas maneiras se referem ao tratamento entre as pessoas, a convivência baseada nos bons modos e costumes, na amabilidade, no respeito, na prudência, no bom senso, que se expressam pelas palavras, pelos gestos, pelas atitudes, pelos olhares, pelas vestimentas, em atenção especialmente às crianças e às pessoas idosas. São valores que, mesmo com o passar do tempo, permanecem, já que se tornaram universais. Continuam válidos inclusive na atualidade, tão marcadamente técnica e digital.

É preciso admitir que muitos adultos e idosos tiveram que aprender a utilizar as redes sociais às pressas, para se adaptarem ao novo ambiente cultural e social. Eles têm as boas maneiras, mas ainda não dominam muitos dos recursos das redes sociais. Com as crianças, adolescentes e jovens acontece o contrário: conhecem e utilizam quase todos os recursos, mas ainda não têm bem formada as boas maneiras.

Por tal razão, não está demais recordar tanto aos mais jovens quanto aos mais velhos alguns valores que continuam sendo válidos nestes tempos de popularização das redes sociais.

Seja amável, respondendo às saudações com cortesia.

Quando lhe fizerem uma pergunta, responda na brevidade possível.

Nas redes sociais nem todas as pessoas são bem-intencionadas; portanto tenha cuidado antes de publicar ou expor informações pessoais, opiniões, imagens, áudios ou vídeos, pois podem ser acessados por estranhos, que podem utilizar estas informações para prejudicar ou extorquir.

Antes de partilhar ou encaminhar mensagens de texto, imagens, áudios ou vídeos, certifique-se de que o seu conteúdo é apropriado ou conveniente, sem expor a intimidade das pessoas, sem mentiras, sem preconceitos nem julgamentos, sem nudez.

Respeite as regras dos grupos que você pertence: pode ser que os seus membros - para não desviar o propósito do grupo - não permitam que se publiquem informações fora do seu interesse (saudações, mensagens religiosas ou de auto-ajuda, correntes de oração, piadas etc).

Antes de comentar as publicações dos outros, certifique-se de usar palavras respeitosas, não ofensivas nem agressivas; há discussões que devem ser feitas presencialmente, não de modo virtual, menos ainda de maneira pública.

As pessoas não são obrigadas a pensar da mesma forma; é preciso respeitar os gostos e preferências alheias.

Seja cuidadoso para não utilizar os dispositivos eletrônicos durante as refeições. Valorize as pessoas ao seu redor, principalmente a mãe, o pai, os irmãos, os companheiros de trabalho, o patrão, os companheiros de universidade, os professores. É falta de educação revisar mensagens durante conversas interpessoais.

É desrespeitoso trocar mensagens com outras pessoas no leito nupcial. A cama do casal é sagrada, os dispositivos eletrônicos devem ser desligados ou colocados em modo silencioso.

Não convém entrar em contato com as pessoas ao meio-dia nem depois das 22 horas. O horário do almoço e do descanso é sagrado. É momento para estar com a família, com os seres queridos. Temos que educar as pessoas e não permitir que interfiram negativamente na convivência familiar.

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Coordenação, tesouraria e secretaria

Todo grupo organizado que se preze, seja pequeno ou grande, seja dentro ou fora da Igreja, requer que haja alguns dos seus membros legitimamente escolhidos para animar o grupo, organizar as suas atividades, distribuir as responsabilidades, representá-lo em diversas instâncias, defender os seus legítimos direitos, recordar os seus compromissos, cuidar do seu patrimônio, receber as entradas, efetuar pagamentos e compras, solicitar assessoria etc.

Também as comunidades, as pastorais e os movimentos da Igreja têm fiéis que exercem funções de liderança, legitimamente escolhidos pelos grupos que representam, com a autorização e o acompanhamento dos ministros ordenados (bispos, presbíteros e diáconos).

Trata-se de pessoas com fé firme e com uma sólida vivência comunitária, que despertam confiança tanto no grupo que representam quanto nos ministros ordenados, graças às suas virtudes humanas e cristãs. São pessoas com disponibilidade de tempo, que contam com a autorização da sua família, que têm um forte sentimento de pertença à diocese, à paróquia, representando o seu grupo nas diversas instâncias de atuação da Igreja. Buscam estar em comunicação constante com os ministros ordenados, a fim de obedecer e ensinar fielmente as orientações e normas da diocese, da paróquia.

A fim de envolver sempre mais nas atividades os membros que representam, exercem as suas funções de modo democrático e participativo, renunciando ao modelo paternalismo, que gera dependência e infantilidades. Sabem praticar a correção fraterna, sendo firmes, mas sem perder a ternura.

Claro, são pessoas de carne e osso, com qualidades e limites, com fragilidades e dificuldades; mas confiam na bondade de Deus, na força do Espírito Santo, e estão seriamente comprometidas com a conversão constante, para corresponder ao chamado de Jesus Cristo no serviço humilde e gratuito à Igreja.

A função da coordenação é ser um ponto de referência e unidade, representando oficialmente o grupo, cuidando para que seja sempre fiel aos seus propósitos, sem se desviar. Convoca e preside as reuniões, dando voz e vez aos membros. Está em contato constante com os ministros ordenados. Busca a unidade, não alimenta as divisões.

A função da tesouraria é cuidar das finanças do grupo, do seu patrimônio, recebendo as entradas, efetuando pagamentos e compras, com honestidade e transparência. Entende de contabilidade, sabe preparar planilhas e relatórios, sugere atividades, promoções e estratégias.

A função da secretaria é ser a memória do grupo, registrando todas as decisões, recordando os compromissos, a fim de que as atividades sejam realizadas tal qual foram planejadas, nos prazos estabelecidos. Conserva dados atualizados dos membros, com endereço, telefone, endereço eletrônico, datas comemorativas. Entende de informática, sabe redigir atas e tem boa comunicação.

Conscientes de que as funções da coordenação, tesouraria e secretaria são exercidas durante um tempo pré-estabelecido, os fiéis que assumem tais funções estão sempre preparando novos membros para que, quando seja necessária a mudança e a substituição, outras pessoas possam assumir com serenidade e confiança as suas responsabilidades.

Tratemos bem os fiéis que servem as comunidades, pastorais e movimentos na coordenação, na tesouraria e na secretaria, oferecendo a nossa ajuda e colaboração sempre que solicitados, eliminando as fofocas e intrigas, rezando e pedindo a Deus pelos seus trabalhos. E quando seja necessário corrigi-los, façamo-lo com fraternidade e respeito.


terça-feira, 4 de junho de 2019

Dia Mundial das Comunicações Sociais

A Igreja Católica, além de utilizar os MCS - Meios de Comunicação Social, também estimula o seu uso responsável e acompanha com preocupação os desvios de finalidade tanto da parte dos seus proprietários e funcionários quanto dos seus usuários e consumidores.

Desde 1966 a Igreja Católica promove o Dia Mundial das Comunicações Sociais, que costuma acontecer no domingo da solenidade litúrgica da Ascensão do Senhor. Em 2019, a 53ª edição aconteceu no dia 02 de junho. Para apoiar esta importante iniciativa, os papas escrevem uma mensagem para ser lida e refletida pelos fiéis católicos, especialmente aqueles que se desenvolvem profissional e pastoralmente na área da Comunicação Social.

O papa Francisco fez conhecida a sua mensagem para 2019, que teve como tema “Das comunidades de redes sociais à comunidade humana”, com o lema “Somos membros uns dos outros” (Efésios 4, 25).

Sem ignorar os importantíssimos meios impressos, a radiodifusão, a teledifusão e o ambiente digital, Francisco novamente centralizou a sua mensagem nos atuais e sumamente populares aplicativos de redes sociais.

O papa reconhece que, em muitos casos, tais aplicativos são instrumentos indispensáveis para a organização de atividades e a transmissão de informações, tantas vezes utilizados corretamente pelos agentes de pastoral para partilhar a Palavra de Deus, para difundir as autênticas devoções da Tradição da Igreja, para estreitar os laços entre a comunidade e as famílias, justamente por se tratar de um meio de comunicação simples, fácil, econômico e atraente, em especial para as novas gerações, já tão acostumadas ao ambiente virtual, cheio de imagens coloridas, de vídeos e animações, de áudios e músicas.

Entretanto, Francisco também reconhece os efeitos negativos do uso exagerado das redes sociais: o isolamento social, os comentários agressivos (haters), a humilhação virtual (cyberbullying), as falsas notícias (fake news), o assédio sexual (sexting), com conseqüências desastrosas na vida pessoal, matrimonial, familiar, profissional, pastoral, social, política etc.

Em sua mensagem, o papa compromete os fiéis católicos na resistência diante do uso inadequado dos aplicativos de redes sociais através da conscientização, que deve iniciar nas famílias, passando pelas escolas, colégios e universidades, até chegar também às nas comunidades cristãs.

Francisco insiste que uma ação pastoral que se limitasse ao ambiente virtual das redes sociais seria incompleta e deformada, pois a autêntica evangelização leva necessariamente ao encontro fraterno, à acolhida na fé, à experiência com o Cristo ressuscitado que se oferece como alimento na Palavra de Deus e no Pão e Vinho consagrados, à solidariedade com as pessoas mais necessitadas e abandonadas, ao cuidado do meio-ambiente.

O papa conclui a sua mensagem convidando as pessoas a substituírem a famosa “curtida” numa publicação pelo “amém”, que é assumir no coração e na vida a Vontade de Deus.

Acesse a mensagem do papa Francisco por ocasião do 53º Dia Mundial das Comunicações Sociais clicando no link abaixo

 http://w2.vatican.va/content/francesco/pt/messages/communications/documents/papa-francesco_20190124_messaggio-comunicazioni-sociali.html

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos

A Igreja Católica Apostólica Romana acredita na importância da unidade dos cristãos e está seriamente comprometida em atender ao pedido de Jesus Cristo: “Que todos sejam um” (João 17, 21).

As iniciativas pela unidade dos cristãos estão presentes durante o ano todo, mas são particularmente manifestadas do dia 18 ao 25 de janeiro (no hemisfério norte, em atenção à festa litúrgica da conversão do apóstolo Paulo) ou na semana anterior à solenidade de Pentecostes (no hemisfério sul).

É o Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos - organismo da Igreja Católica Apostólica Romana - que promove essas iniciativas, juntamente com o Conselho Mundial de Igrejas.

Em 2019, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos iniciou no domingo 02 e vai se encerrar no domingo 09 de junho. Sendo uma iniciativa mundial, neste ano a semana foi preparada e proposta pelas igrejas cristãs da Indonésia, e tem como lema “Procurarás a justiça, nada além da justiça” (Deuteronômio 16, 20).

Ainda que todas as igrejas cristãs sejam anualmente convidadas a participar da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, ainda são poucas as que se integram - geralmente as igrejas do Protestantismo Histórico (as mais antigas). Infelizmente as igrejas pentecostais e neo-pentecostais (as mais recentes) não costumam aceitar o convite.

O objetivo principal dessa iniciativa é fomentar o Ecumenismo (diálogo fraterno entre as igrejas cristãs), particularmente através da oração. Rezando juntos uns pelos outros, intercedendo por causas comuns que afligem a humanidade, o coração vai se sensibilizando e se desarmando, abrindo-se para a ação transformadora da Graça de Deus.

Mas a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos acaba indo além das igrejas que dela participam decididamente; vai inclusive além do próprio Cristianismo. Promovem-se valores universais como a capacidade do diálogo, a aceitação da diversidade religiosa, a luta pelos direitos humanos e a defesa do meio-ambiente.

Durante esta Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, como um gesto concreto de adesão e participação, participemos das atividades e momentos de espiritualidade previamente organizados pelas dioceses e movimentos ecumênicos. Motivemos os fiéis católicos às atitudes cristãs do diálogo e do respeito, a fim de que se cumpra o desejo de unidade abertamente manifestado por Jesus Cristo.

A divisão dos cristãos é um escândalo e, sim, pode ser um obstáculo para que as pessoas acreditem na Boa Notícia que anunciamos. Mas não sejamos simplistas nem reducionistas, pois o diálogo não significa aceitar sem critérios tudo o que dizem os demais. Antes significa dar ao outro a oportunidade de pensar e acreditar de um modo diferente ao nosso, sem considerá-lo um inimigo a ser eliminado.

Que o Espírito Santo derramado sobre nós cristãos nos ajude a derrubar os muros que nos dividem e separam, e a construir pontes que nos unam.


sábado, 1 de junho de 2019

Missa durante a semana

O primeiro dia da semana - dia no qual Jesus Cristo deixou o sepulcro ressuscitado dos mortos - é o mais importante para a maioria dos cristãos, incluindo os católicos. Ele é chamado “Dia do Senhor”. É a solenidade semanal do Catolicismo, dia santo especialmente consagrado. O que tem sido o sétimo dia para os judeus, é o primeiro dia para os cristãos.

Para ressaltar a solenidade do Domingo, neste dia os fiéis reunidos para a Eucaristia glorificam a Santíssima Trindade entoando o Hino de Louvor. Além disso, professam solenemente as principais verdades de fé do Cristianismo, recitando o Símbolo dos Apóstolos, também chamado de Credo.

O tradicional terceiro mandamento do decálogo “Guardarás o Sábado” passou a ser “Guardarás o Domingo e festas de guarda”, e foi reforçado com o primeiro preceito da Igreja Católica “Participar da Eucaristia aos domingos e festas de guarda”.

Mesmo que muitas sociedades já não reservem o primeiro dia da semana para o descanso semanal com a família - obrigando muitos funcionários a trabalhar nos domingos, dificultando o acesso ao Pão da Palavra e do Corpo de Cristo - ainda se conserva o Dia do Senhor como oficial para que os fiéis se reúnam e se integrem como Igreja, como comunidade, como Corpo Místico de Cristo, como família de Deus reunida em oração.

Durante a semana - justamente porque os fiéis leigos e leigas trabalham e/ou estudam, além dos afazeres domésticos -, a participação na Eucaristia é livre, facultativa. Aos fiéis com disponibilidade de tempo e que moram perto das igrejas onde a Eucaristia é celebrada diariamente, recomenda-se que participem, já que a Eucaristia é a mais completa e perfeita oração da Igreja.

Justamente para estimular a participação na Eucaristia semanal, a sua duração é mais breve (ao redor de meia hora): cantos são substituídos por recitações, encurta-se a meditação da Palavra de Deus, omitem-se procissões etc.

Costuma acontecer que, durante a semana, sejam celebradas algumas festas ou solenidades litúrgicas (inclusive com feriados). Para tanto, a Igreja pode recomendar o Hino de Louvor e até mesmo a Profissão de Fé, além de uma leitura complementar.

Se não houver nenhuma recomendação direta da parte da Igreja, durante a semana se proclama um trecho de um livro da Sagrada Escritura, com um salmo de meditação recitado, seguido de um trecho de um evangelho.

É importante que tanto os ministros ordenados quanto os não ordenados evitem transformar a missa durante a semana em uma missa dominical, entendendo e respeitando as diferenças entre a dinâmica de uma e de outra.

Vale recordar que, após as 18 horas, o sábado é considerado primeira véspera de domingo, adquirindo todas as características e solenidade próprias do Dia do Senhor, com procissões, cantos, Hino de Louvor, leitura bíblica complementar, homilia sem pressa e Profissão de Fé.

Privilegiemos a Eucaristia dominical e as solenidades semanais, com celebrações festivas que brilhem pela espiritualidade e pela criatividade, observando as normas litúrgicas. E, durante a semana, quem tiver condições, que participe da Eucaristia adaptada à disponibilidade de tempo dos fiéis leigos e leigas, mais sóbria e concisa, sem comprometer a sua eficácia e beleza.

Pense comigo

Por que eu não gosto de pobre? Porque pobre é vagabundo e preguiçoso; porque ele pesa no bolso da sociedade; porque ele suja e enfeia a cida...