segunda-feira, 17 de junho de 2019

Conservadorismo católico

O que seria “conservadorismo católico”? Rezar a missa em latim? Com o sacerdote de costas para a assembleia? O uso do véu para cobrir os cabelos das mulheres? O uso do hábito e do clergyman pelos sacerdotes?

Vale à pena recordar, para começo de conversa, que tais práticas - entre outras - são tão antigas quanto a própria Igreja Católica, e existe um profundo carinho e admiração pelos costumes que foram e ainda são vividos pelos fiéis católicos, tanto pelos ministros ordenados quanto pelos não ordenados.

É verdade que o Concílio Ecumênico Vaticano II, celebrado na Igreja Católica entre os anos 1962 e 1965, no seu esforço de renovação para que o catolicismo respondesse melhor aos desafios do mundo contemporâneo - especialmente após as duas grandes guerras mundiais - permitiu a prática de novos costumes.

Por exemplo: o uso do latim como idioma oficial da Igreja deixou de ser obrigatório, admitindo o uso da língua vernácula (idioma utilizado em cada país). O sacerdote estava autorizado a presidir a Eucaristia comunicando-se frente a frente com a assembleia dos fiéis. Permitiu-se a liberdade no uso do véu para cobrir os cabelos das mulheres, como também do hábito e do clargyman por parte dos sacerdotes.

Em nenhum momento o Concílio Vaticano II proibiu as práticas anteriores nem obrigou os novos costumes. É verdade que grande parte dos ministros ordenados e não ordenados optaram pela renovação permitida, mas especialmente as pessoas mais idosas continuaram vivendo e expressando a sua fé conforme aprenderam na sua formação cristã inicial.

Não podemos negar que houve exageros diante da abertura proposta pelo Concílio Vaticano II. Por um lado, alguns ministros ordenados e não ordenados rejeitaram todas as práticas anteriores (e muitos fiéis acabaram deixando o Catolicismo porque já não se identificavam com ele). Por outro lado, outros ministros ordenados e não ordenados rejeitaram todas as aberturas do Concílio Vaticano II (e muitos fiéis acabaram deixando a comunhão com o papa e os bispos, fechando-se num conservadorismo).

Segundo a mentalidade de alguns católicos, infelizmente na atualidade a Igreja tem enfraquecido a sua espiritualidade, a solenidade dos seus ritos litúrgicos (orações, vestimentas, silêncio, canções etc). Tais católicos, para resgatar o que se enfraqueceu, têm recorrido às práticas antigas para recuperar a espiritualidade e a solenidade.

E, ao contrário do que muitos podem pensar, são os adolescentes e jovens os que mais têm buscado a missa em latim, com o sacerdote de costas para a assembleia, o uso do véu para cobrir os cabelos das mulheres e do uso do hábito e do clergyman pelos sacerdotes.

É importante que os ministros ordenados e não ordenados respeitem as diferentes tendências dentro da Igreja. Sejam respeitados os fiéis que acolheram a abertura permitida pelo Concílio Ecumênico Vaticano II e também aqueles que se identificam com as práticas litúrgicas que tradicionalmente vêm alimentando a fé dos católicos desde o início da Igreja.

A opção por um modelo ou outro por parte dos ministros ordenados e não ordenados é legítima e deve ser respeitada por ambas as partes. Recordemos que o papa - na Igreja universal - e os bispos - nas igrejas locais (dioceses) - autorizam os dois modelos, praticados com o zelo litúrgico e a correspondente espiritualidade e solenidade.


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