O que seria “conservadorismo católico”? Rezar a missa
em latim? Com o sacerdote de costas para a assembleia? O uso do véu para cobrir
os cabelos das mulheres? O uso do hábito e do clergyman pelos sacerdotes?
Vale à pena recordar, para começo de conversa, que
tais práticas - entre outras - são tão antigas quanto a própria Igreja Católica,
e existe um profundo carinho e admiração pelos costumes que foram e ainda são
vividos pelos fiéis católicos, tanto pelos ministros ordenados quanto pelos não
ordenados.
É verdade que o Concílio Ecumênico Vaticano II,
celebrado na Igreja Católica entre os anos 1962 e 1965, no seu esforço de
renovação para que o catolicismo respondesse melhor aos desafios do mundo
contemporâneo - especialmente após as duas grandes guerras mundiais - permitiu
a prática de novos costumes.
Por exemplo: o uso do latim como idioma oficial da
Igreja deixou de ser obrigatório, admitindo o uso da língua vernácula (idioma
utilizado em cada país). O sacerdote estava autorizado a presidir a Eucaristia
comunicando-se frente a frente com a assembleia dos fiéis. Permitiu-se a
liberdade no uso do véu para cobrir os cabelos das mulheres, como também do
hábito e do clargyman por parte dos sacerdotes.
Em nenhum momento o Concílio Vaticano II proibiu as
práticas anteriores nem obrigou os novos costumes. É verdade que grande parte
dos ministros ordenados e não ordenados optaram pela renovação permitida, mas
especialmente as pessoas mais idosas continuaram vivendo e expressando a sua fé
conforme aprenderam na sua formação cristã inicial.
Não podemos negar que houve exageros diante da
abertura proposta pelo Concílio Vaticano II. Por um lado, alguns ministros
ordenados e não ordenados rejeitaram todas as práticas anteriores (e muitos
fiéis acabaram deixando o Catolicismo porque já não se identificavam com ele).
Por outro lado, outros ministros ordenados e não ordenados rejeitaram todas as
aberturas do Concílio Vaticano II (e muitos fiéis acabaram deixando a comunhão
com o papa e os bispos, fechando-se num conservadorismo).
Segundo a mentalidade de alguns católicos,
infelizmente na atualidade a Igreja tem enfraquecido a sua espiritualidade, a
solenidade dos seus ritos litúrgicos (orações, vestimentas, silêncio, canções
etc). Tais católicos, para resgatar o que se enfraqueceu, têm recorrido às
práticas antigas para recuperar a espiritualidade e a solenidade.
E, ao contrário do que muitos podem pensar, são os
adolescentes e jovens os que mais têm buscado a missa em latim, com o sacerdote
de costas para a assembleia, o uso do véu para cobrir os cabelos das mulheres e
do uso do hábito e do clergyman pelos sacerdotes.
É importante que os ministros ordenados e não
ordenados respeitem as diferentes tendências dentro da Igreja. Sejam
respeitados os fiéis que acolheram a abertura permitida pelo Concílio Ecumênico
Vaticano II e também aqueles que se identificam com as práticas litúrgicas que
tradicionalmente vêm alimentando a fé dos católicos desde o início da Igreja.
A opção por um modelo ou outro por parte dos ministros
ordenados e não ordenados é legítima e deve ser respeitada por ambas as partes.
Recordemos que o papa - na Igreja universal - e os bispos - nas igrejas locais
(dioceses) - autorizam os dois modelos, praticados com o zelo litúrgico e a
correspondente espiritualidade e solenidade.

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