A resposta a esta pergunta é muito pessoal. Mesmo
assim, poderíamos afirmar - sem lugar a dúvidas - que a razão de ser da Igreja
é estender no tempo e no espaço a salvação da humanidade realizada por Jesus
Cristo, na força do Espírito Santo.
Durante o Seu ministério público, o Filho de Deus
feito Homem soube acolher a todas as pessoas, especialmente aquelas que não se
sentiam acolhidas pelas autoridades religiosas e civis. Eram abertamente
desprezadas e ignoradas as mulheres, as crianças, os doentes, os samaritanos,
os cobradores de impostos, os estrangeiros etc. E justamente tais pessoas eram
acolhidas e bem recebidas por Jesus de Nazaré.
Quem desejasse se tornar discípulo d’Ele
necessariamente devia reproduzir em si mesmo os valores e as opções do Mestre,
acolhendo a todos, fazendo-os se sentir importantes, aos olhos de Deus, aos
olhos da comunidade de fé.
É importante recordar uma verdade fundamental, tantas
vezes esquecida por muitos: a Igreja de Jesus Cristo é constituída não apenas
pelos ministros ordenados (papa, bispos, presbíteros e diáconos), mas também e
principalmente pelos ministros não ordenados (fiéis leigos e leigas e
religiosas e religiosos).
É verdade que os ministros ordenados estão em maior
evidência e sobre eles recai a imensa responsabilidade de organizar e
acompanhar a ação evangelizadora. Entretanto, os ministros não ordenados
superam numericamente os ordenados e cada vez mais são responsáveis pelas
diversas capelas, pastorais e movimentos da Igreja, assumindo coordenações,
relacionando-se diretamente com os fiéis, sendo tantas vezes o rosto visível da
comunidade cristã local.
Por isso, tanto os ministros ordenados quanto os não
ordenados - testemunhando que são discípulos do Mestre acolhedor - devem estar
seriamente comprometidos com a acolhida na Igreja, fazendo tudo o que está ao
seu alcance para que as pessoas se sintam importantes aos olhos de Deus, aos
olhos da comunidade de fé.
Como sabemos, vivemos numa sociedade tão massificada e
massificadora que muitas pessoas não se sentem valorizadas, sentem-se
desamparadas e abandonadas, julgadas e condenadas sem que ninguém se importe em
ouvi-las. Algumas se sentem desprezadas pela própria família, pelos amigos mais
próximos.
É verdade que as Sagradas Escrituras têm os dez
mandamentos, que a Igreja tem os seus preceitos. Isso é inquestionável. Mas,
como escreveu o Apóstolo Paulo aos cristãos de Roma, “o amor é o cumprimento da
Lei” (13, 10).
Devemos tratar as pessoas assim como Deus nos trata. Quando
ainda éramos pecadores, Ele nos amou e deu a Vida d’Ele por nós. Só o amor
transforma de verdade uma pessoa.
É preciso estar particularmente atentos às pessoas com
necessidades especiais (idosas, grávidas, com criança no colo, com dificuldade
motora), às famílias que chegaram recentemente para residir na cidade, aos
turistas e visitantes, às autoridades civis e religiosas etc.
E a acolhida deve ser praticada tanto na Eucaristia
dominical (dia em que a comunidade cristã se reúne) quanto fora dela, no atendimento
da secretaria, nos confessionários, nas reuniões, nos momentos formativos e de
espiritualidade, nas festas e eventos etc.
A acolhida se expressa no sorriso do rosto, no aperto
de mão, no abraço sincero, no respeitoso beijo no rosto, em olhar a pessoa nos
olhos enquanto conversam, no amigável tom de voz, nas informações dadas com
precisão, sem fofocas, sem asperezas, sem radicalismos - em uma palavra: no
amor.

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