terça-feira, 18 de junho de 2019

Igreja acolhedora

A resposta a esta pergunta é muito pessoal. Mesmo assim, poderíamos afirmar - sem lugar a dúvidas - que a razão de ser da Igreja é estender no tempo e no espaço a salvação da humanidade realizada por Jesus Cristo, na força do Espírito Santo.

Durante o Seu ministério público, o Filho de Deus feito Homem soube acolher a todas as pessoas, especialmente aquelas que não se sentiam acolhidas pelas autoridades religiosas e civis. Eram abertamente desprezadas e ignoradas as mulheres, as crianças, os doentes, os samaritanos, os cobradores de impostos, os estrangeiros etc. E justamente tais pessoas eram acolhidas e bem recebidas por Jesus de Nazaré.

Quem desejasse se tornar discípulo d’Ele necessariamente devia reproduzir em si mesmo os valores e as opções do Mestre, acolhendo a todos, fazendo-os se sentir importantes, aos olhos de Deus, aos olhos da comunidade de fé.

É importante recordar uma verdade fundamental, tantas vezes esquecida por muitos: a Igreja de Jesus Cristo é constituída não apenas pelos ministros ordenados (papa, bispos, presbíteros e diáconos), mas também e principalmente pelos ministros não ordenados (fiéis leigos e leigas e religiosas e religiosos).

É verdade que os ministros ordenados estão em maior evidência e sobre eles recai a imensa responsabilidade de organizar e acompanhar a ação evangelizadora. Entretanto, os ministros não ordenados superam numericamente os ordenados e cada vez mais são responsáveis pelas diversas capelas, pastorais e movimentos da Igreja, assumindo coordenações, relacionando-se diretamente com os fiéis, sendo tantas vezes o rosto visível da comunidade cristã local.

Por isso, tanto os ministros ordenados quanto os não ordenados - testemunhando que são discípulos do Mestre acolhedor - devem estar seriamente comprometidos com a acolhida na Igreja, fazendo tudo o que está ao seu alcance para que as pessoas se sintam importantes aos olhos de Deus, aos olhos da comunidade de fé.

Como sabemos, vivemos numa sociedade tão massificada e massificadora que muitas pessoas não se sentem valorizadas, sentem-se desamparadas e abandonadas, julgadas e condenadas sem que ninguém se importe em ouvi-las. Algumas se sentem desprezadas pela própria família, pelos amigos mais próximos.

É verdade que as Sagradas Escrituras têm os dez mandamentos, que a Igreja tem os seus preceitos. Isso é inquestionável. Mas, como escreveu o Apóstolo Paulo aos cristãos de Roma, “o amor é o cumprimento da Lei” (13, 10).

Devemos tratar as pessoas assim como Deus nos trata. Quando ainda éramos pecadores, Ele nos amou e deu a Vida d’Ele por nós. Só o amor transforma de verdade uma pessoa.

É preciso estar particularmente atentos às pessoas com necessidades especiais (idosas, grávidas, com criança no colo, com dificuldade motora), às famílias que chegaram recentemente para residir na cidade, aos turistas e visitantes, às autoridades civis e religiosas etc.

E a acolhida deve ser praticada tanto na Eucaristia dominical (dia em que a comunidade cristã se reúne) quanto fora dela, no atendimento da secretaria, nos confessionários, nas reuniões, nos momentos formativos e de espiritualidade, nas festas e eventos etc.

A acolhida se expressa no sorriso do rosto, no aperto de mão, no abraço sincero, no respeitoso beijo no rosto, em olhar a pessoa nos olhos enquanto conversam, no amigável tom de voz, nas informações dadas com precisão, sem fofocas, sem asperezas, sem radicalismos - em uma palavra: no amor.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O Protestantismo e a Modernidade

O Protestantismo iniciou na Europa com Martinho Lutero (1483 a 1543) na Modernidade (século XV ao XVIII). A Idade Média se caracterizava com...