sexta-feira, 28 de junho de 2024

Bíblia

- Não entendo nada quando leio a Bíblia. Não sei o que fazer...

- Talvez lhe faltem as técnicas, uma metodologia.

- Você poderia me ajudar com isso?

- Tá bom. Vamos lá. A primeira coisa é pedir as luzes do Espírito Santo. Sem Ele o entendimento não vem.

- Entendi: Espírito Santo.

- Agora é pegar o texto bíblico e lê-lo. Uma e outra e outra vez. A gente precisa reaprender a ler. Perdemos esse costume na idade adulta. Não é só ler com os olhos, mas com papel e caneta nas mãos, anotando informações que pareçam importantes. Por exemplo: nome dos personagens envolvidos, frases principais, palavras que se repetem, lugares citados etc.

- Entendi: papel e caneta nas mãos.

- Depois é o momento de trazer o texto lido para a nossa vida, para os dias de hoje. Qual é a sua mensagem? O que me ensina? O que me puxa a orelha? O que me manda fazer? O que quer mudar na minha vida? É bom anotar também, para que as ideias não se percam.

- Entendi: trazer para o hoje.

- Então chega o momento da oração; rezar com o texto lido e meditado. Se o texto alegrar seu coração, louve e glorifique a Deus. Se for uma correção, peça perdão dos seus pecados. Se for uma libertação ou milagre, apresente suas dores e problemas pedindo pela sua cura. Reze por você, mas reze também pela sua família e amigos, pela sua comunidade, pelo mundo inteiro, pelos pobres e necessitados.

- Entendi: orar, falar com Deus.

- Para terminar, você fica quietinho e só contempla. Feche seus olhos, coloque sua mão no coração, respire serenamente, curtindo a presença de Deus, sentindo a alegria do amor incondicional d'Ele, Sua misericórdia sem fim, longe da agitação e barulho do mundo, da correria dos compromissos, recarregando as forças pra depois voltar à missão, protegido como um pintinho sob as asas da galinha.

- Entendi: ficar em silêncio e contemplar.

- Pronto!

- E como vou saber qual texto bíblico devo ler no dia?

- Eu sugiro que seja o Evangelho que a Igreja determina cada dia aos católicos do mundo inteiro.

- E como vou saber se estou meditando do jeito certo?

- Bem, aí vale à pena complementar nosso trabalho pessoal lendo ou ouvindo homilias diárias que muitos padres compartilham pela TV, rádio e Internet. A prática leva à perfeição.

- Nossa, você me ajudou demais. Muito obrigado. Deus o pague.


- Você tem intimidade com a Bíblia?

- Como você pode melhorar sua leitura e meditação da Palavra de Deus?

quarta-feira, 26 de junho de 2024

Maconha

- Maconha é droga, cigarro é droga, álcool é droga...

- Mas a maconha é ilícita...

- Sim, é ilícita porque os produtores e distribuidores não pagam impostos de seus lucros ao governo...

- Não. É ilícita porque faz mal a quem consome, à família de quem consome, à sociedade em geral...

- Também não há níveis seguros para quem fuma ou bebe. A nicotina é cancerígena e vicia, o álcool em excesso causa cirrose hepática, acidentes de trânsito, divórcios... Mesmo assim, o governo não criminaliza sua produção, distribuição e consumo.

- Tem certeza de que você quer comparar a maconha com o cigarro e o álcool? A maconha tem a ver com o crime, com a violência, com a morte...

- Mas também há cigarros e bebidas contrabandeados, procedentes de bandas criminais violentas, que são apreendidos e incinerados pela Polícia.

- Não adianta, você não vai me convencer...

- Além disso, usuário de maconha não é criminoso. Criminosos são os produtores e distribuidores.

- Mas só há produtores e distribuidores porque há usuários. Então tem que eliminar os usuários!

- O fumante não é considerado criminoso; o bebedor tampouco. Por que só o usuário da maconha?

- Você não percebe que a maconha é a porta de entrada para as drogas mais pesadas?

- Oras, mas o cigarro e o álcool também o são.

- Mas a maconha destrói os neurônios, torna a pessoa preguiçosa.

- Em excesso, o álcool também produz demência senil.

- Não estou defendendo o cigarro nem o álcool. Pra mim, deveriam acabar com tudo isso...

- A questão é que a sociedade é tão exigente com a maconha, mas tão tolerante com o cigarro e o álcool. Percebe a hipocrisia?

- Só sei que eu não quero que a maconha seja descriminalizada para uso pessoal.

- Há policiais que são usuários; há políticos que são usuários. Na frente das câmeras, criticam as drogas mas, na vida privada, as consomem...

- É, vivemos numa sociedade cheia de vícios. Por onde formos, tem gente fumando, gente bebendo... Não sabem se divertir se não for assim...

- E muita gente enche o bolso de dinheiro vendendo esses produtos...


- A maconha é mais droga do que o cigarro e o álcool?

- O usuário da maconha deve ser tratado como criminoso (e parar na cadeia) ou deve ser tratado como um dependente químico (e receber tratamento psicofarmacológico)?

Igreja: a nova Jerusalém

Os judeus crêem firmemente que são o povo escolhido por Deus dentre todas as nações da terra, de todos os tempos.

Crêem até os dias atuais que foram escolhidos a fim de serem uma "amostra" de todo bem que Deus está disposto a fazer em prol da humanidade inteira.

Crêem que foram os primeiros a conhecerem e a experimentarem a Deus e a seu agir. Provaram o amor e a misericórdia d'Ele. Conheceram Sua Vontade e mandamentos. Tiveram a Deus habitando seu santuário em Jerusalém, sua cidade capital, onde Ele aceitava os sacrifícios espirituais e derramava bênçãos e graças.

Crêem que Deus escolheu e ungiu seus reis, sacerdotes e profetas.

Mesmo com a destruição do santuário e a dispersão do povo entre as diversas nações, mesmo tendo passado tantos séculos, a fé dos judeus é inabalável.

Nós cristãos herdamos essa fé dos judeus. Cremos que somos o novo Povo de Deus, vindos da Nova Aliança, selada em Cristo no Espírito Santo.

Cremos que fomos escolhidos por Deus - em Cristo e no Espírito - e que Ele conduz a Igreja através dos pastores, que nos santificam e educam na verdadeira fé.

Apesar das nossas infidelidades e limitações, Deus nos acolhe e perdoa com Seu amor e misericórdia que são eternos.

Creiamos na eleição de Deus. Ele voltou Seu olhar amoroso a nós, tão pecadores e miseráveis. Ele nos santifica e embeleza, para que sejamos puros e dignos de Jesus Cristo, o divino Esposo da Igreja-Esposa.

A eleição de Deus é verdadeira e indissolúvel. Creia e tome posse!


- Qual é a diferença entre judeus e cristãos sobre o tema da eleição divina?

- Deus escolheu você. E você, escolheu a Deus?

quinta-feira, 20 de junho de 2024

Brasileiro contra brasileiro

- É brasileiro contra brasileiro.

- Mas como assim?

- Um brasileiro - ambicioso e que se acha esperto -, querendo expandir seus bens com cada vez mais direitos e cada vez menos deveres, passa por cima do outro brasileiro - ingênuo e distraído -, parecendo a vítima perfeita para ser ludibriada e afanada, e que ainda saia sorrindo sem reclamar.

- Que terrível isso!

- E não estou falando apenas de indivíduos, mas de grupos inteiros, agindo de modo organizado, com investimento pesado e conhecimento em Marketing e Psicologia. Eles estão articulados: na Política, na Internet, nas igrejas, nas TVs e rádios. Têm laços com outros países.

- Isso parece teoria da conspiração...

- O outro grupo praticamente não representa nenhum perigo. Alguns estão distraídos demais com o trabalho excessivo, tentando sobreviver. Outros estão anestesiados com futebol, carnaval, Big Brother, churrasco na laje, cerveja barata etc.

- Você me assusta falando assim...

- Os que se acham espertos estão sempre na dianteira. "Os filhos das trevas são mais astutos que os filhos da luz". Pedem redução de impostos, licença para invadir, queimar, extrair, matar. Tudo para eles, nada para os demais. Inundam a Internet de mentiras, distraindo a atenção do povo para que não veja seus planos ardilosos.

- Diabólico isso!

- Entre eles, há quem se apresente como cristão.

- Que absurdo!

- E, no contra-ataque a estes marginais, há religiosos tradicionalistas que atacam inclusive religiosos moderados, numa tentativa tresloucada de implementar uma espécie de teocracia cristã que substitui a Constituição Nacional pela Bíblia.

- Mas ainda há espaço para a esperança?

- Só se for para uma esperança pró-ativa, pois achar que descerá dos Céus uma solução mágica seria um desvario. É uma luta diária. É preciso se posicionar. Quem fica em cima do muro, joga contra si mesmo.


- Neste combate entre Davi e Golias, você tem tomado o lado de quem?

- Por que há tantos brasileiros ingênuos e distraídos, dando mole para brasileiros ambiciosos que se acham espertos?

segunda-feira, 17 de junho de 2024

Igreja na Idade Antiga

As origens da Igreja está na religião judaica, no Oriente Médio da Antiguidade. Havia uma grande expectativa pelo cumprimento das promessas divinas conhecidas através dos profetas, particularmente a libertação mediante o Messias.

Inaugurando a era cristã, em contato com o jovem Jesus, alguns judeus começaram a acreditar e a anunciar que Ele era o Messias aguardado, especialmente após Sua morte na Cruz. Eles estavam convencidos de que o morto tinha vencido a morte e então vivia para sempre. Em pouco tempo, estes judeus passaram a ser identificados como cristãos, seguidores de Cristo. Merecem destaque os chamados Doze Apóstolos e seus sucessores, em particular, Simão Pedro e Paulo.

A começar pelo próprio Jesus, os cristãos foram brutalmente perseguidos e assassinados pelos romanos que dominavam o território, incentivados pelos judeus. Não era interessante aos romanos nem aos judeus que outra religião surgisse e substituísse às deles.

Apesar dos inúmeros esforços, os cristãos cresciam em quantidade e em qualidade, partindo do Oriente Médio para a Ásia e a Europa, chegando ao coração do Império Romano - Roma - sem abandonar Jerusalém.

A Igreja era composta majoritariamente por gente simples e pobre e atraía pessoas do mesmo perfil nas principais cidades do Império Romano. As lideranças da Igreja se vestiam humildemente e os cristãos se reuniam às escondidas, nas casas e nos cemitérios.

A Igreja viu muitos cristãos preferirem ser mortos a negarem sua fé em Cristo; viu muitos cristãos percorrerem longas distâncias e chegarem a grandes cidades para anunciar a fé cristã como missionários, evangelistas e catequistas.

Até o final do primeiro século foram escritos os livros inspirados que deram origem ao chamado Segundo Testamento. Era a passagem da tradição oral para a escrita. Apesar disso, ainda havia divergências sobre a interpretação de tais livros. As dúvidas eram ainda maiores entre cristãos vindos da religião judaica e da filosofia greco-romana.

Alguns cristãos estudiosos se dedicaram a aprofundar a doutrina cristã para que fosse compreendida no seu conjunto por todos.

A Igreja era conduzida por bispos auxiliados por presbíteros e diáconos. Os bispos conservavam a unidade, embora houvesse espaço para a saudável diversidade de costumes e uma relativa autonomia deles na condução. A Igreja era organizada por patriarcados, e o patriarca de Roma crescia em importância e consideração.

A história da Igreja na Antiguidade encerra quando o Imperador de Roma, após séculos de perseguição sem sucesso aos cristãos, decide lhes dar liberdade religiosa e, logo, torna o Cristianismo a religião oficial do império. 

O imperador incentiva a realização de uma importante e abrangente assembleia de patriarcas e bispos a fim de sistematizar melhor a fé cristã e evitar heresias - erros doutrinais.

E, finalmente, o Império Romano se divide em ocidental e oriental. O Império Romano Ocidental é vencido pelos povos bárbaros em 476; o lado oriental persiste. A Igreja subsiste na nova organização política.


- Qual é a relação entre a Igreja e a religião judaica?

- Como a Igreja sistematizou a fé cristã para defender a doutrina das heresias?

Igreja na Idade Média

A Igreja - que sofria violentas perseguições e que, reunindo-se às escondidas, brilhava por sua simplicidade e pobreza - pode evangelizar sem impedimentos, graças à sua nova condição de religião oficial e ao apoio do império. Os povos bárbaros mantiveram os privilégios concedidos à Igreja pelos romanos do Ocidente.

As vestimentas - sobretudo do patriarca de Roma e dos bispos unidos a ele - tornaram-se majestosas, à maneira do imperador e da nobreza. Foram edificados templos semelhantes a castelos para a celebração dos cultos cristãos.

O patriarca de Roma - chamado de Papa - é ponto de unidade na Igreja. Os demais patriarcas não abrem mão da própria autoridade.

Mesmo com resistência, nações e povos bárbaros da Europa e do norte da África eram catequizados e batizados na fé cristã.

Externamente, a Igreja acompanhava com surpresa e grande preocupação o surgimento e expansão da religião muçulmana pelo Oriente Médio, Ásia, Europa e África. Houve invasões violentas, tomadas de poder e assassinatos de quem se recusasse a se converter ao Islamismo.

Internamente, a Igreja lutava para combater sérias heresias, como as que questionavam a divindade ou a humanidade de Jesus, a Santíssima Trindade, a concepção virginal de Maria, a sacralidade da Eucaristia, a autoridade papal.

Aos poucos, o latim foi-se tornando o idioma oficial da Igreja, utilizado nos cultos e nos escritos. Algumas pessoas entendiam o latim, mas a maioria dos cristãos o ignorava completamente.

Inicialmente, os autores e divulgadores de heresias eram corrigidos apenas teoricamente; infelizmente, com a multiplicação dos hereges, estes eram punidos pelo governo com violência física e psicológica, e até com a condenação à morte.

Havia forte pregação sobre o pecado e o inferno de quem negasse a fé cristã. Eram oferecidas indulgências aos penitentes, enfatizando que a caridade - em forma de dinheiro - apagava uma multidão de pecados. As doações em dinheiro garantiriam o paraíso aos pecadores, enquanto ajudavam na subsistência da Igreja e nas construções de templos majestosos.

O patriarca de Roma e os bispos unidos a ele foram se envolvendo no poder político, ungindo imperadores e reis, interferindo nas suas decisões. O contrário também aconteceu: os imperadores interferiam na escolha do patriarca de Roma e nas decisões dele. Houve abusos de ambas as partes.

A Igreja apoiou a luta dos cristãos para expulsarem os muçulmanos da Europa e também para reconquistarem Jerusalém - a Terra Santa -, dominada pelos muçulmanos.

Crescia o número de ordens religiosas - de maioria monástica -, propondo uma volta ao Cristianismo original, mais radical (pobreza, obediência, castidade), fugindo da nova configuração da Igreja, agora aliada ao poder temporal. Nos mosteiros havia preservação dos livros e da cultura, justamente onde surgiram as primeiras universidades católicas.

A Igreja ajudou na reconciliação de povos e nações, na reconstrução após guerras e catástrofes naturais, incluindo a pandemia da peste negra.

A história da Igreja na Idade Média encerra com a divisão da Igreja em Ocidental (ou Romana) e Oriental (ou Ortodoxa), em 1054, quando os patriarcas se recusaram a aceitar a primazia do patriarca de Roma, chamado Papa. Também merece destaque a queda do Império Romano do Oriente em 1453.

As heresias e críticas à Igreja se multiplicaram e culminaram na Reforma Protestante, com Lutero, Henrique VIII e Calvino.

Alguns países rejeitaram a interferência do poder religioso do Papa e bispos em questões políticas nacionais. A Igreja ficou muito ofendida com isso.

Portugal, Espanha, Inglaterra e outros países chegam às Américas e à Oceania, para explorar suas riquezas naturais e minerais, acompanhados de missionários para evangelizar e domesticar os povos nativos. Eram a espada e a cruz juntas.


- A Igreja fez bem em se envolver nas questões políticas dos povos e nações?

- Foi correta a forma como a Igreja reagiu ao fenômeno das heresias?

Igreja na Idade Moderna

Mesmo sem querer, a Igreja se viu forçada a fazer uma revisão interna, devido às crescentes críticas. O Papa e os bispos unidos a ele se reuniram para refletir e se posicionar. O resultado desta reunião é conhecido como Contrarreforma Católica, frente à Reforma Protestante, contido nos documentos do Concílio de Trento, de 1545 a 1563.

Enquanto o Protestantismo traduziu a Bíblia a diversos idiomas e colocou a Sagrada Escritura nas mãos dos cristãos, realizando cultos nas línguas nacionais, o Catolicismo de Trento manteve a Bíblia nas mãos dos padres e o uso do latim nos cultos e escritos.

A majestosa Basílica de São Pedro, em Roma, após décadas de construção, foi inaugurada em 1626.

O Protestantismo crescia na Europa, então o Catolicismo investiu fortemente na evangelização das Américas, com o envio de missionários e a utilização dos Catecismos - resumos da doutrina católica, em vista dos sacramentos - para resistir à expansão dos protestantes.

Pensadores que criticassem a Igreja tinham seus livros incluídos na lista de proibidos. No entanto, essa estratégia não atrapalhou tais pensadores; ao contrário, ajudou para que seus conteúdos se espalhassem. Trataram de disseminar a ideia da Igreja como contrária à modernidade, retrógrada, supersticiosa, contrária ao espírito democrático e científico e aos direitos humanos.

Na Europa, sem poder para impedir, o Catolicismo viu o movimento artístico e arquitetônico do Renascimento; viu os países entrarem em guerra por sua independência e trocarem a monarquia pela democracia; viu a economia escravagista e a posterior libertação da escravidão; viu a exploração dos recursos naturais e minerais e o crescimento das fábricas e indústrias; viu o surgimento da burguesia capitalista e o declínio da nobreza e aristocracia; viu crescer os nacionalismos, o nazismo, o fascismo e, com eles, a explosão das duas grandes guerras mundiais.

Nas Américas, o Catolicismo viu - praticamente em silêncio - a exploração dos povos nativos e também dos africanos capturados como escravos; viu a exploração dos rios, da fauna e da flora; viu indígenas, africanos e seus descendentes aceitando o Batismo para não serem assassinados, privados do seu direito de praticar a própria religião e conservar suas tradições milenares.

Diante das terríveis consequências das revoluções Francesa e Industrial - jornada de trabalho abusiva, más condições, equipamentos sem segurança, exploração do trabalho feminino e infantil, acidentes e mortes - e vendo a proliferação do liberalismo e do marxismo comunista, a Igreja decide se posicionar com sua doutrina social "Rerum novarum", de 1891, colocando-se do lado dos operários nas lutas por direitos trabalhistas.

A história da Igreja na Idade Moderna encerra quando se exacerbaram os nacionalismos e diversos países participaram das duas grandes guerras mundiais.

A Igreja acompanhava, preocupada, a exacerbação dos ânimos e tratava de alertar para o perigo dos ataques. Mas foi em vão.


- Foi correto o posicionamento da Igreja em relação à Reforma Protestante, à evangelização nas Américas, à democracia e ao avanço científico?

- E se a Igreja retomasse hoje o Concílio de Trento, mantendo a Bíblia só nas mãos dos padres e voltasse a usar só o latim nos seus cultos e escritos?

Igreja na Idade Contemporânea

As duas grandes guerras mundiais (1914-1918 e 1939-1945) abalaram profundamente a humanidade e a Igreja também. Além da destruição material, houve consequências terríveis na alma do ser humano.

As bombas atômicas-nucleares deixaram em evidência que as grandes potências mundiais tinham suficiente poder bélico para destruir a humanidade e talvez a vida no planeta.

A Igreja tratou de curar as feridas na alma do ser humano, devolver-lhe a esperança e a fé em Deus, enquanto acompanhava a reconstrução dos países em ruina. Tratou-se de um trabalho intenso, principalmente porque, de 1945 a 1991, o mundo esteve na chamada Guerra Fria, com os países divididos entre capitalistas e comunistas, com ameaças constantes de ataques a bomba.

O Estado do Vaticano, em Roma, Itália, foi fundado no período entre guerras, em 1929.

A Igreja apoiou as iniciativas mundiais em vista da paz, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Organização das Nações Unidas.

A criação do Estado de Israel, em 1948 - após o holocausto de milhões de judeus pelo nazismo alemão durante a segunda guerra mundial - foi acompanhada pela Igreja - lembrando que a cidade de Jerusalém é a sede espiritual das três grandes religiões monoteístas: Judaísmo, Cristianismo e Islamismo.

Com a expansão das tecnologias de comunicação, a princípio a Igreja era desconfiada, sem apoiar explicitamente a rádio e telecomunicação.

De 1962 a 1965, aconteceu a mais recente e importante reunião ecumênica dos bispos do mundo inteiro, no Vaticano, em que a Igreja repensou a si mesma e à sua missão no mundo contemporâneo.

As decisões do Concílio Ecumênico Vaticano II foram um divisor de águas na Igreja, que se abriu ao mundo assumindo os idiomas nacionais e fez importantes revisões, em vista de ser relevante à mulher e ao homem da atualidade.

A maior parte dos membros da Igreja acolheu com alegria as renovações do Vaticano II, embora houve resistências que perduram até os dias atuais.

O Pentecostalismo - movimento religioso que enfatiza os dons do Espírito Santo -, que surgiu no Protestantismo dos Estados Unidos no início do século XX, chegou ao Catolicismo em meados dos anos 60.

Na América Latina, a Igreja viu o surgimento das ditaduras militares com seus métodos violentos de controle social, supostamente criadas para proteger os países do comunismo russo. Bispos e padres foram torturados e assassinados pelos regimes militares.

Não sem perseguição, a Igreja acompanhou a reconquista da democracia nos países governados por militares.

Em suas assembleias continentais, os bispos da América do Sul e do Caribe, apoiados pelo Papa, se posicionaram profeticamente na defesa dos pobres, do meio-ambiente, da democracia, da justiça, da paz, da verdade.

Sobretudo a partir do Papa São João Paulo II, a Igreja passou a se comunicar de maneira mais próxima com os fiéis, especialmente a juventude, com encontros internacionais multitudinários, na defesa da vida e da família.

O Papa Francisco é um religioso influente no cenário mundial, capaz de se comunicar assertivamente em temas diversos, como a proteção do meio-ambiente ameaçado pelo aquecimento global, os refugiados dos países em guerra, a fraternidade universal, a educação dos adolescentes e jovens, a economia solidária etc.

A Igreja busca respeitar a diversidade religiosa, estimulando o diálogo entre as igrejas cristãs e entre as diversas religiões.

Durante a pandemia de COVID, a Igreja tratou de apoiar os governos na prevenção da doença e da proteção através da vacinação, consolando os familiares que perderam seus seres queridos.

Diante das guerras que estão em curso no mundo (ucranianos e russos, israelenses e palestinos, países do Oriente Médio e da África), a Igreja acompanha com suas orações e no incentivo à paz e ao desarmamento.


- O que significa para a Igreja o Concílio Ecumênico Vaticano II?

- A Igreja é relevante à mulher e ao homem da atualidade?

sábado, 15 de junho de 2024

Vamos fugir

Atenção, leiga e leigo: seu lugar é no mundo, no mundo: na sua família, no seu trabalho, na sociedade, transformando-a para que cresça o Reino de Deus.

Os padres, as freiras, os monges, fizeram opção por se dedicarem 24 horas do seu dia para Cristo e para a Igreja. Por isso não se casaram. É a vocação deles.

Você fez outra escolha: decidiu se casar, formar uma família, ter uma profissão e desempenhá-la, ajudar o mundo a ser melhor pela busca do bem, da justiça, da paz, da verdade, do amor.

Sim, você pode e deve assumir responsabilidades na Igreja, um ministério, ajudando na coordenação de uma capela, pastoral ou movimento. Pode e deve ter momentos profundos de espiritualidade, adorando Jesus no sacrário, rezando o rosário, meditando a Palavra de Deus etc.

Mas a sua prioridade é estar no mundo, como sal, luz e fermento.

Muitas leigas e leigos põem como inspiração de vida cristã santos que foram bispos, sacerdotes e religiosos. Mas o estilo de vida deles era diferente, além de terem vivido numa época e lugar diferentes.

Os leigos precisam se inspirar em santos que foram leigos também, e que se santificaram na família, no trabalho, na promoção humana.

Não fujam do mundo! Deus amou tanto o mundo que enviou seu Filho único ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo através d'Ele. Jesus ressuscitado enviou seus discípulos ao mundo, porque sabia que o mundo precisava deles, do Evangelho!


- Por que os leigos estão fugindo do mundo e se escondendo na Igreja?

- Você conhece santas e santos leigos que se santificaram na família, no trabalho, na promoção humana?

quinta-feira, 13 de junho de 2024

Filosofia Antiga ou Clássica

Sim, estamos falando de Sócrates, de seu discípulo Platão e do discípulo dele Aristóteles. Estamos na Grécia dos séculos anteriores ao IV a.C.

A cidade grega de Atenas experimentava um desenvolvimento econômico, cultural e político, num período de relativa paz.

Isso permitiu aos sábios se dedicarem à contemplação e ao pensamento, que ficava independente da religião, de inspiração mitológica. Surgiam mestres que transmitiam a seus discípulos suas reflexões.

É uma filosofia que fala da origem do universo, do que é bom, justo e belo e de como alcançá-los, da organização da vida em sociedade, da primazia da ideia ou da realidade para se alcançar a verdade.

É uma filosofia que valoriza a qualidade dos argumentos, formados por premissas coerentes que apontam para uma conclusão lógica, que servirá de base para novos argumentos.

A Filosofia Antiga inspirou a Matemática, o Direito, a Ética, a Astronomia, a Teologia, a Oratória.

A Filosofia Clássica é o ponto de partida para os estudos filosóficos. Até para contestá-la é preciso conhecê-la. Tal filosofia marcou para sempre a mentalidade ocidental.

O pensamento cristão se valeu muitíssimo da Filosofia Antiga.


- Há necessidade de se estudar Filosofia ainda hoje? Filosofia Clássica?

- O que é filosofar?

Filosofia Medieval

Sim, estamos falando de Santo Agostinho, de Santo Tomás de Aquino, de Guilherme de Ockam. Estamos na grande Europa, entre os séculos IV e XIV da era cristã - praticamente mil anos!

A religião cristã estava em plena expansão. Depois de terrível perseguição, já havia chegado à capital do Império Romano e se tornado religião oficial. Com o surgimento e expansão da religião muçulmana, a paz estava permanentemente ameaçada.

Para que a fé estivesse bem sistematizada e fosse transmitida corretamente, os cristãos recorreram à Filosofia Antiga dos gregos, já tão amplamente difundida.

É famosa a Patrística, em que padres filósofos-teólogos sistematizaram a fé cristã (doutrinas) e a defenderam de erros e desvios - chamados de heresias. Era a Apologética.

Grande expoente dessa época foi Santo Agostinho, bispo de Hipona, que se utilizou do pensamento idealista de Platão para estruturar a fé cristã.

Para proteger da destruição a cultura clássica, os livros eram copiados e estudados em bibliotecas localizadas em mosteiros. Ao seu redor surgiram as primeiras experiências de universidades.

Grande representante desse momento foi Santo Tomás de Aquino, profundo conhecedor do pensamento dedutivo de Aristóteles, utilizado para sistematizar a fé cristã.

Terminando a chamada Idade Média, os povos querem retomar sua independência política e econômica, libertando-se inclusive das influências religiosas dos papas e cardeais. Insistia-se na ideia de que o ser humano bem formado seria ético, independente de professar a fé cristã. Merece destaque o filósofo Guilherme de Ockam.

A Filosofia tinha sido reduzida à serva da Teologia. Mas, aos poucos, a Filosofia vai se libertando de novo e suas diversas áreas de reflexão vão se tornando independentes, ciências autônomas.


- A fé (Teologia) precisa da razão (Filosofia)?

- Os papas e os cardeais devem se envolver nas decisões dos povos e nações?

Filosofia Moderna

Sim, estamos falando de Descartes, Kant, Darwin, Freud e Marx. Estamos na grande Europa, entre os séculos XVI e XIX - do Renascimento e Reforma Protestante até a primeira e segunda grandes Guerras Mundiais.

O Cristianismo dividiu-se entre católicos e protestantes, com Lutero, Henrique VIII e Calvino. Países europeus colonizaram povos e exploraram riquezas naturais na África e nas recentemente descobertas América e Oceania.

Após tantos séculos de negação do corpo e de estagnação artística e arquitetônica, houve um retorno à cultura grega clássica com incontáveis obras de arte e construções impressionantes.

Colônias lutaram e se tornaram independentes das metrópoles. Monarquias se tornaram democracias. Escravos conquistaram a liberdade para viverem na miséria das periferias urbanas. Os trabalhos manuais e artesanais passaram a ser feitos em série nas indústrias e fábricas, em condições subumanas.

Os recursos naturais e minerais eram explorados à exaustão. Com seu dinheiro, a burguesia conquistava o espaço das antigas aristocracia e nobreza.

A Filosofia se concentrava, por um lado, nas possibilidades e limites humanos para alcançar o conhecimento e, por outro, na reflexão sobre a origem e o exercício do poder e na ética econômica e social. Surgiam as ciências independentes e progredia a tecnologia. Era preciso um conhecimento sem interferência das religiões.

Darwin, com sua teoria evolutiva, questionou a criação divina; Freud, com sua psicanálise, ensinou que o inconsciente era mais influente que o consciente; Marx, com sua teoria materialista, alertava para o perigo do capitalismo selvagem.

A Revolução Industrial na Inglaterra, a Revolução Francesa de Napoleão Bonaparte e a independência dos Estados Unidos fermentaram suficientemente a humanidade, até culminarem nas duas grandes Guerras Mundiais.

O poder passava das mãos dos reis e papas para as mãos dos presidentes, latifundiários, industriários e bancários.


- O poder vem de Deus ou vem dos homens?

- A realidade é exatamente como o ser humano a vê ou o conhecimento da totalidade é impossível?

Filosofia Contemporânea

Sim, estamos falando de Nietzsche, de Sartre, de Heidegger, de Foucault. Estamos na grande Europa, a partir do século XX até a atualidade.

O evento das duas grandes Guerras Mundiais (1914-1918 e 1939-45), com a possibilidade da destruição do planeta pelas bombas atômicas-nucleares, levou a humanidade a um pessimismo e profunda autorreflexão. Daí surgem a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Organização das Nações Unidas. O mundo se dividiu entre capitalistas e comunistas na Guerra Fria, que terminou em 1991.

Ditadores militares tomaram o poder em muitos países durante décadas, fragilizando a democracia.

As mulheres conquistam o direito à participação na política partidária, ganhando força na sociedade,  com os negros, estrangeiros e homossexuais.

Redescobriu-se o sagrado: mais intimista no ocidente cristão, mais radical no oriente médio, com os muçulmanos extremistas.

O episódio das Torres Gêmeas do World Trade Center aumentou exponencialmente a xenofobia e a intolerância religiosa.

A tecnologia, a Internet, os equipamentos eletrônicos popularizados levaram a humanidade a uma sensação de empoderamento que a levou à acomodação, à indiferença social, ao tédio.

Esperava-se que a humanidade progrediria com o acesso a um conhecimento não-religioso, mas se observou que a educação se tornou um negócio rentável.

Com a terrível pandemia de COVID-19 se imaginava que a humanidade cresceria em compaixão, mas se notou o aumento do egoísmo.

Os conhecimentos e direitos conquistados são desprezados, com a difusão da teoria da terra plana, o questionamento das vacinas e a supressão do descanso semanal e anual remunerados.

Aumentam-se a insegurança trabalhista, a violência e o crime organizado, que se enriquece, chega ao poder e compra a polícia e os órgãos de fiscalização.

Nietzsche refletiu sobre a objetividade das ciências e a capacidade humana de conhecer a realidade; Sartre refletiu sobre a angústia da liberdade humana; Heidegger questionou o papel das tecnologias e a difusão do seu uso; Foucault refletiu sobre a relação entre cidadão e Estado na sociedade e no uso da violência.

Observa-se a polarização política extrema, as catástrofes naturais ampliadas pelo aquecimento global, a manipulação religiosa e o fanatismo, o aumento dos pobres e refugiados, a ampla difusão das redes sociais, a guerra entre russos e ucranianos, entre israelenses e palestinos, e as guerras em países da África e do Oriente Médio.

Cresce o conhecimento sobre a vastidão do universo e da física quântica, enquanto a população mundial supera a marca dos 8 bilhões. A riqueza se concentra nas mãos de poucos. O progresso material não leva ao progresso moral.

Prova-se assim, por A mais B, que ainda é válido e urgente que se estude Filosofia e se reflita sobre os temas da atualidade, apontando saídas efetivas para uma vida plenamente humana.


- O mundo e a humanidade finalmente estão perdidos? Já não há como voltar atrás?

- Ainda tem sentido refletir sobre o mundo e a existência? Ou é melhor fugir da realidade até que a morte chegue?

segunda-feira, 10 de junho de 2024

Meus inimigos estão no poder

"Ideologia... eu quero uma pra viver..." - já cantava Cazuza nos anos 80.

2024 é ano de eleições municipais. Vamos votar para vereadores e prefeito.

Na sociedade há trocentos interesses: os dos empresários e comerciantes, os do ramo da educação e do transporte, os da área da saúde e segurança, os do crime organizado etc... Cada grupo puxando a brasa para sua sardinha.

Isso não está completamente errado. É legítimo que as pessoas se reúnam e se organizem por interesses comuns e que tenham representação política para defender suas pautas.

Mas, para conseguirem seus objetivos - serem eleitos -, eles fingem ter interesse em pautas populares para conquistarem votos de cidadãos simples, ingênuos.

É comum que candidatos - que se elegem com o apoio popular -, depois de eleitos, votem contra o povo pobre, aprovando pautas que favorecem empresários ricos e prejudicam os desfavorecidos.

Por isso, é fundamental que o povo pobre se conscientize e se organize para ter sua própria representação política para defender suas pautas: serviços públicos de qualidade, oportunidades de formação profissional e diversão saudável para a juventude, proteção do meio-ambiente, assistência aos idosos e pessoas em situação de rua etc.

O voto é o poder do povo! O cidadão simples deve votar em candidato que, de verdade, vai defender seu interesse - e não o interesse dos que se acham melhores na sociedade.

Que o cidadão simples deixe de ser ingênuo e não venda a sua alma ao diabo, votando e candidatos que fingem defender o povo, mas só favorecem os empresários ricos.

Mas há candidatos comprometidos com os interesses do povo? De fato, são poucos pouquíssimos. Tomemos cuidado para não comprar gato por lebre.


- Você ainda acredita na política partidária, no processo democrático?

- Conhece candidatos pobres que foram eleitos e, de fato, defenderam os interesses dos pobres, e não os dos economicamente poderosos?

sexta-feira, 7 de junho de 2024

Corrigir o erro

- Eu sou um homem no corpo de uma mulher.

- Por favor, explique-se melhor.

- Houve um erro: nasci com o corpo de mulher mas com alma de homem. Desde criança, nunca me identifiquei como mulher.

- Se houve um erro então quem errou?

- Sei lá: Deus, a natureza, o universo... Quem saberá? Só sei que eu quero corrigir esse erro. Eu preciso corrigí-lo para ser feliz.

- Desde quando você pensa assim?

- Há uns anos ouvi essa explicação e me identifiquei com ela. Tomei-a como minha.

- Sei. Você tem dezenove anos, né?

- Sim, quase vinte anos já.

- Seus pais, sua família, o que dizem? Seus amigos...

- Meus pais detestaram a ideia. Minha família em geral. São bem tradicionais, uma família cristã. Muitas pessoas que se diziam minhas amigas se afastaram de mim. Sou uma aberração para eles.

- Quando "corrigir o erro", você vai ser feliz?

- Sim. Até hoje eu não experimentei a felicidade. Quero que a imagem no espelho reflita quem eu sou de verdade.

- Você tem tanta certeza de que isso vai acontecer! E se não acontecer?

- Não parei para pensar sobre isso.

- Vai mudar seu nome também, né?

- Sim. Deixarei de ser Mônica e serei Eduardo.

- Assim você vai conquistar o respeito das pessoas?

- Sinceramente? Isso não me importa. Chega de pensar nos outros, de agradar os outros. Agora é a minha vez!

- E Deus? O que você acha que Ele pensa sobre isso?

- Deus me ama. Ele quer a minha felicidade e respeita a minha decisão.

- Entendi. Obrigado pela conversa.

- Não há de quê.


- Deus erra? A natureza erra? O universo erra?

- Em nome da liberdade, da felicidade, o ser humano tudo pode? O biológico determina tudo?

quinta-feira, 6 de junho de 2024

Entrevista com um demônio

- Por que você é mau?

- Eu busco me vingar de Deus.

- E isso é divertido?

- É prazeroso, faz-me sentir bem.

- E o que fez Deus para merecer isso?

- Criou vocês humanos e pôs vocês acima de nós, e nos exigiu servir vocês.

- E por que você não gosta disso?

- Não é óbvio? Somos superiores a vocês! Fomos criados antes de vocês; então deveriam ser vocês a nos servirem, e não o contrário.

- Entendi. Então vocês se revoltaram?

- Exigimos nossos direitos, e Deus acabou nos expulsando dos Céus. Fomos criados livres, mas Deus não respeitou nossa liberdade quando decidimos contrariar Sua Vontade.

- E vieram parar na terra, entre os humanos? Justamente o que vocês não queriam.

- Pois é. Que irônico, né?

- E agora vocês se dedicam a nos tentar? Para que façamos o mal, não o bem, afastando-nos de Deus.

- Correto. Isso deixa a Deus triste e a nós felizes!

- Mas o que vocês ganham com isso?

- Queremos o inferno cheio e os Céus vazio.

- Mas então vieram Jesus Cristo e a Cruz e estragaram os planos de vocês?!?

- Nem me fale nisso... Isso foi injusto da parte de Deus. O jogo deveria ser apenas entre vocês humanos e nós demônios... Jesus desequilibrou a balança em favor de vocês... Isso é contra a regra.

- Como assim? Desenvolva seu raciocínio...

- Jesus veio à terra, fez-se humano, não caiu em tentação e, pra piorar, por amor, aceitou morrer na Cruz pelos pecadores, pagando o preço da salvação eterna e universal.

- Então vocês foram derrotados?

- Vergonhosamente, sim. Mas ainda vagamos na terra entre vocês, instigando o mal.

- Vocês têm obtido algum resultado?

- Claro! Basta você ver a violência, a corrupção, os divórcios, os abortos, os suicídios, a pobreza extrema, o fanatismo religioso, o ateísmo... São todas vitórias importantes alcançadas por nós!

- Os psiquiatras dizem que não existem demônios, que são enfermidades mentais, como a esquizofrenia... Os sociólogos falam de efeitos colaterais do progresso material das nações...

- De fato, nem todo mal presente nos humanos, no mundo, é culpa nossa. Vocês humanos nos surpreendem com a sua capacidade de fazer o mal, com o mau uso da liberdade. Mas, sim, estamos constantemente sussurrando no ouvido e no coração das pessoas para que desobedeçam a Deus.

- E os anjos?

- Esses são bajuladores de Deus e dos humanos, sempre servindo. São patéticos!

- São amigos nossos, protegendo e inspirando positivamente as pessoas, para que façam o bem e cheguem aos Céus.

- Patético...

- Muito bem, esta foi a nossa entrevista com um demônio. Obrigado pela sua audiência. Voltamos após o intervalo comercial...


- Demônios existem ou são fantasia da imaginação judaico-cristã?

- De quem é a culpa do mal presente no mundo?

quarta-feira, 5 de junho de 2024

Sobre jovens católicos

- Mas do que os jovens católicos gostam?

- A pergunta é complexa. Não há uma resposta só. Muitos jovens católicos deixam a Igreja após a Primeira Comunhão e o Crisma, ao completarem o ensino médio e começarem a namorar, a trabalhar. Alguns só voltam quando querem se casar no religioso, quando querem batizar os filhos, quando adoecem ou têm dificuldades financeiras ou familiares.

- Tem razão, viu?

- Há jovens católicos que perseveram, que permanecem na Igreja, que se envolvem na Liturgia, na Catequese, nos Grupos de Oração... Cantam, tocam instrumentos musicais, são cerimoniários, leitores, pregadores, intercessores, animadores... Alguns são missionários, outros ajudam os mais pobres e necessitados.

- Isso é bom, hein?

- Há jovens católicos que são misseiros. Cumprem o preceito da missa dominical, confessam seus pecados algumas vezes durante o ano, mas não se envolvem na comunidade, numa pastoral ou movimento.

- Entendi.

- Por fim, há jovens católicos não praticantes. Gostam de se sentirem livres, não gostam de regras, de compromisso com dia e horário. Gostam de eventos, de viagens, de acampamentos, de shows, de encontros de fim de semana. Buscam consolo emocional.

- E o que fazer?

- No geral, os jovens católicos não gostam de estar entre adolescentes, que costumam ser mais agitados e ruidosos. Os jovens preferem mais privacidade, tranquilidade, exclusividade.

- E os jovens conservadores?

- Sim, também há estes que, apesar de terem menos de 30 anos de idade, gostariam que a Igreja voltasse a ser como foi há 100 anos. Preferem o latim, o véu, o órgão, a comunhão na boca ajoelhados... Gostam da solenidade e rejeitam o que é popular e espontâneo.

- Realmente a resposta era complexa...

- Veja: a Igreja precisa, por um lado, oferecer espaço e tempo aos diversos estilos de juventude católica, com acompanhamento dos sacerdotes e; por outro lado, garantir que haja unidade (não uniformidade) que se manifeste em forma de missas, de assembleias, de trabalhos comuns de evangelização e serviço aos necessitados.


- O que você pensa sobre a juventude (não a adolescência) católica?

- A Igreja está cumprindo bem o seu papel em relação à juventude?

segunda-feira, 3 de junho de 2024

É tudo a mesma coisa?

- Mas qual é a diferença entre padre e pastor?

- O padre é um ministro ordenado, ungido pelo sacramento da Ordem. Já o pastor é um ministro não ordenado.

- Por favor, troque em miúdos.

- Um ministro ordenado teve suas mãos ungidas para abençoar, consagrar, santificar. Recebeu da Igreja poder divino para absolver pecados, para ungir doentes, para converter o pão e o vinho no Corpo e Sangue de Cristo, pela ação do Espírito Santo. O pastor é uma liderança cristã que prega a Palavra, administra a Igreja, que preside o culto. E só.

- Mas também vejo pastores abençoando, consagrando, santificando. Eles podem fazer isso?

- Conforme a Lei da Igreja Católica, não podem. Mas eles não são católicos e seguem suas próprias normas.

- Eles dizem que foram ungidos pelo Espírito Santo, que não precisam da autorização dos homens para agirem.

- Na Igreja Católica, ninguém pode se autodeclarar ministro. É um chamado de Deus, uma missão aceita, confirmada pela Igreja. A pessoa recebe preparação e é ungida para exercer o ministério dignamente.

- Não seria a mesma coisa, só com nomes diferentes?

- De fato, o Espírito Santo não é propriedade exclusiva da Igreja Católica. Ele pode agir onde, quando e em quem quiser. Mas a Igreja Católica zela pela legitimidade e dignidade do poder sacerdotal. Talvez seja por isso que os católicos são unidos em todo o mundo enquanto os não-católicos se dividem em incontáveis igrejas.


- Padre e pastor são a mesma coisa, com nomes diferentes?

- Se o Espírito Santo pode agir em qualquer igreja, então por que ser católico?

Pense comigo

Por que eu não gosto de pobre? Porque pobre é vagabundo e preguiçoso; porque ele pesa no bolso da sociedade; porque ele suja e enfeia a cida...