Mesmo sem querer, a Igreja se viu forçada a fazer uma revisão interna, devido às crescentes críticas. O Papa e os bispos unidos a ele se reuniram para refletir e se posicionar. O resultado desta reunião é conhecido como Contrarreforma Católica, frente à Reforma Protestante, contido nos documentos do Concílio de Trento, de 1545 a 1563.
Enquanto o Protestantismo traduziu a Bíblia a diversos idiomas e colocou a Sagrada Escritura nas mãos dos cristãos, realizando cultos nas línguas nacionais, o Catolicismo de Trento manteve a Bíblia nas mãos dos padres e o uso do latim nos cultos e escritos.
A majestosa Basílica de São Pedro, em Roma, após décadas de construção, foi inaugurada em 1626.
O Protestantismo crescia na Europa, então o Catolicismo investiu fortemente na evangelização das Américas, com o envio de missionários e a utilização dos Catecismos - resumos da doutrina católica, em vista dos sacramentos - para resistir à expansão dos protestantes.
Pensadores que criticassem a Igreja tinham seus livros incluídos na lista de proibidos. No entanto, essa estratégia não atrapalhou tais pensadores; ao contrário, ajudou para que seus conteúdos se espalhassem. Trataram de disseminar a ideia da Igreja como contrária à modernidade, retrógrada, supersticiosa, contrária ao espírito democrático e científico e aos direitos humanos.
Na Europa, sem poder para impedir, o Catolicismo viu o movimento artístico e arquitetônico do Renascimento; viu os países entrarem em guerra por sua independência e trocarem a monarquia pela democracia; viu a economia escravagista e a posterior libertação da escravidão; viu a exploração dos recursos naturais e minerais e o crescimento das fábricas e indústrias; viu o surgimento da burguesia capitalista e o declínio da nobreza e aristocracia; viu crescer os nacionalismos, o nazismo, o fascismo e, com eles, a explosão das duas grandes guerras mundiais.
Nas Américas, o Catolicismo viu - praticamente em silêncio - a exploração dos povos nativos e também dos africanos capturados como escravos; viu a exploração dos rios, da fauna e da flora; viu indígenas, africanos e seus descendentes aceitando o Batismo para não serem assassinados, privados do seu direito de praticar a própria religião e conservar suas tradições milenares.
Diante das terríveis consequências das revoluções Francesa e Industrial - jornada de trabalho abusiva, más condições, equipamentos sem segurança, exploração do trabalho feminino e infantil, acidentes e mortes - e vendo a proliferação do liberalismo e do marxismo comunista, a Igreja decide se posicionar com sua doutrina social "Rerum novarum", de 1891, colocando-se do lado dos operários nas lutas por direitos trabalhistas.
A história da Igreja na Idade Moderna encerra quando se exacerbaram os nacionalismos e diversos países participaram das duas grandes guerras mundiais.
A Igreja acompanhava, preocupada, a exacerbação dos ânimos e tratava de alertar para o perigo dos ataques. Mas foi em vão.
- Foi correto o posicionamento da Igreja em relação à Reforma Protestante, à evangelização nas Américas, à democracia e ao avanço científico?
- E se a Igreja retomasse hoje o Concílio de Trento, mantendo a Bíblia só nas mãos dos padres e voltasse a usar só o latim nos seus cultos e escritos?
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