segunda-feira, 17 de junho de 2024

Igreja na Idade Média

A Igreja - que sofria violentas perseguições e que, reunindo-se às escondidas, brilhava por sua simplicidade e pobreza - pode evangelizar sem impedimentos, graças à sua nova condição de religião oficial e ao apoio do império. Os povos bárbaros mantiveram os privilégios concedidos à Igreja pelos romanos do Ocidente.

As vestimentas - sobretudo do patriarca de Roma e dos bispos unidos a ele - tornaram-se majestosas, à maneira do imperador e da nobreza. Foram edificados templos semelhantes a castelos para a celebração dos cultos cristãos.

O patriarca de Roma - chamado de Papa - é ponto de unidade na Igreja. Os demais patriarcas não abrem mão da própria autoridade.

Mesmo com resistência, nações e povos bárbaros da Europa e do norte da África eram catequizados e batizados na fé cristã.

Externamente, a Igreja acompanhava com surpresa e grande preocupação o surgimento e expansão da religião muçulmana pelo Oriente Médio, Ásia, Europa e África. Houve invasões violentas, tomadas de poder e assassinatos de quem se recusasse a se converter ao Islamismo.

Internamente, a Igreja lutava para combater sérias heresias, como as que questionavam a divindade ou a humanidade de Jesus, a Santíssima Trindade, a concepção virginal de Maria, a sacralidade da Eucaristia, a autoridade papal.

Aos poucos, o latim foi-se tornando o idioma oficial da Igreja, utilizado nos cultos e nos escritos. Algumas pessoas entendiam o latim, mas a maioria dos cristãos o ignorava completamente.

Inicialmente, os autores e divulgadores de heresias eram corrigidos apenas teoricamente; infelizmente, com a multiplicação dos hereges, estes eram punidos pelo governo com violência física e psicológica, e até com a condenação à morte.

Havia forte pregação sobre o pecado e o inferno de quem negasse a fé cristã. Eram oferecidas indulgências aos penitentes, enfatizando que a caridade - em forma de dinheiro - apagava uma multidão de pecados. As doações em dinheiro garantiriam o paraíso aos pecadores, enquanto ajudavam na subsistência da Igreja e nas construções de templos majestosos.

O patriarca de Roma e os bispos unidos a ele foram se envolvendo no poder político, ungindo imperadores e reis, interferindo nas suas decisões. O contrário também aconteceu: os imperadores interferiam na escolha do patriarca de Roma e nas decisões dele. Houve abusos de ambas as partes.

A Igreja apoiou a luta dos cristãos para expulsarem os muçulmanos da Europa e também para reconquistarem Jerusalém - a Terra Santa -, dominada pelos muçulmanos.

Crescia o número de ordens religiosas - de maioria monástica -, propondo uma volta ao Cristianismo original, mais radical (pobreza, obediência, castidade), fugindo da nova configuração da Igreja, agora aliada ao poder temporal. Nos mosteiros havia preservação dos livros e da cultura, justamente onde surgiram as primeiras universidades católicas.

A Igreja ajudou na reconciliação de povos e nações, na reconstrução após guerras e catástrofes naturais, incluindo a pandemia da peste negra.

A história da Igreja na Idade Média encerra com a divisão da Igreja em Ocidental (ou Romana) e Oriental (ou Ortodoxa), em 1054, quando os patriarcas se recusaram a aceitar a primazia do patriarca de Roma, chamado Papa. Também merece destaque a queda do Império Romano do Oriente em 1453.

As heresias e críticas à Igreja se multiplicaram e culminaram na Reforma Protestante, com Lutero, Henrique VIII e Calvino.

Alguns países rejeitaram a interferência do poder religioso do Papa e bispos em questões políticas nacionais. A Igreja ficou muito ofendida com isso.

Portugal, Espanha, Inglaterra e outros países chegam às Américas e à Oceania, para explorar suas riquezas naturais e minerais, acompanhados de missionários para evangelizar e domesticar os povos nativos. Eram a espada e a cruz juntas.


- A Igreja fez bem em se envolver nas questões políticas dos povos e nações?

- Foi correta a forma como a Igreja reagiu ao fenômeno das heresias?

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