quinta-feira, 30 de outubro de 2025

A maldade

Embora muitos de nós não gostemos de admitir, a maldade está esparramada pelo mundo. É o joio que nasce e cresce entre o trigo (cf. Mateus 13, 24-43).

O homem, embora criado à imagem de Deus para ser bom, costuma usar a sua liberdade e capacidades para o mal. E a maldade pessoal tem consequências sociais, mais ainda quando os maus se associam para delinquir.

O mal é um dragão imenso, é uma estrutura com engrenagens complexas, com raízes que se aprofundam na sociedade, com ramos que se estendem por toda parte, com incontáveis braços e cabeças, sempre se recriando e se reinventando, mais ainda em tempos de tecnologias.

O mal está nos homens e nas mulheres, nos jovens e nos idosos, nos ricos e nos pobres, nos grandes centros urbanos e nas periferias e pequenas cidades, em todas as raças e religiões, em analfabetos e diplomados.

Embora seja uma tarefa difícil e ingrata, o mal precisa ser contido, já que é impossível eliminá-lo completamente. É um trabalho diário pessoal e familiar, mas também das instituições sociais como as escolas, as religiões, a política e, sobretudo, a polícia e as forças armadas.

Não podemos subestimar o mal. Há muita gente armada, preparada para matar, sem remorso nem empatia, numa espécie de engenharia da criminalidade. Neste mercado criminoso, há gente produzindo, gente traficando e gente consumindo. Há fornecedores e há milhonários que compram juízes e sentenças, dentro e fora do país.

A miséria, por um lado, e a impunidade, por outro, levam muitas pessoas ao crime, que atrai pelo suposto enriquecimento rápido e fácil para quem não tem profissão nem emprego, pelas festas cheias de drogas e sexo, pelas casas, carros e viagens luxuosos.

A família e os amigos geralmente não apoiam a decisão do criminoso, embora algumas se beneficiam dos bens adquiridos ilegalmente. Pela convivência diária, os criminosos vão formando uma irmandade, até porque é muito difícil sair do crime depois de ter entrado nele.

Não há uma "bala de prata", uma fórmula mágica, para resolver o grave problema da criminalidade. Há muitas experiências que se demonstraram ineficazes e ineficientes, com efeitos colaterais terríveis, como várias vítimas inocentes, destruição de casas, carros e ônibus, importunação da ordem pública, caos social.

Ao mesmo tempo, a polícia, as forças armadas e a política não podem ficar de braços cruzados, se omitindo diante da expansão da criminalidade, que não respeita as leis sociais e explora economicamente os mais pobres.

Finalmente, não pode faltar a empatia nem o acompanhamento emocional e espiritual das famílias e vizinhanças que sofrem pelo trabalho da segurança pública para neutralizar e conter a livre atuação dos criminosos na sociedade.

Até que se prove o contrário, toda pessoa é inocente. Antes do julgamento e da condenação, deve ser garantido à pessoa o amplo direito à defesa. Mas é importante demonstrar às pessoas que o crime não compensa e que as autoridades civis estão prontas para defender os cidadãos e as famílias da violência e da maldade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Pense comigo

Por que eu não gosto de pobre? Porque pobre é vagabundo e preguiçoso; porque ele pesa no bolso da sociedade; porque ele suja e enfeia a cida...