sexta-feira, 3 de outubro de 2025

Entenda para poder explicar

- Como foi mesmo que ela disse?

- Ela disse assim: "Deus mandou a Si mesmo ao mundo, para que Ele fosse morto e cumprisse a justiça d'Ele, nos salvando da ira d'Ele, num sistema religioso sacrificial que Ele mesmo criou".

- Mas isso é muito confuso!

- Ela disse que justamente por isso já não acreditava no Cristianismo.

- Provavelmente ela é atéia e está apenas ridicularizando quem tem fé. Mas conclusões como esta podem surgir de uma evangelização mal feita e superficial.

- E como a gente poderia resolver aquela confusão?

- Vamos por parte. De propósito, ela misturou Deus Pai Criador com Deus Filho Salvador, Jesus. Ou então ela não entendeu que, embora seja um só Deus, a Santíssima Trindade é formada por três pessoas divinas distintas em perfeita comunhão de amor e liberdade, cada qual com sua identidade e função.

- Sim, tem razão. Este entendimento é fundamental.

- Sobre o sistema religioso sacrificial, este era ensinado e praticado pelas religiões dos povos vizinhos dos israelitas, nos tempos em que o Primeiro Testamento foi escrito. O Judaísmo se apropriou das experiências religiosas vizinhas e afirmou que era vontade divina.

- Sério?!?

- Sim. E, por incrível que pareça, o sacrifício de animais já era um grande avanço comparado a religiões que sacrificavam seres humanos às suas divindades.

- Deus do Céu!

- Pois é. Então, em vez de matar o criminoso, o pecador, sacrificava-se um animal, e o sangue dele derramado era o sinal para o perdão divino.

- Mas Deus Pai não poderia simplesmente perdoar, sem a necessidade de matar animais, já que Deus é amor?

- Ela também fez esta mesma pergunta. E os israelitas respondiam que Deus era bom mas que também era justo. Pedagogicamente falando, pelo sistema religioso sacrificial, Deus estava educando os israelitas sobre as consequências dos seus erros. Na mentalidade judaica, se Deus fosse apenas bom e misericordioso, os israelitas não iam respeitá-Lo e iam abusar da Sua bondade. Além disso, era preciso pensar na resposta às vítimas dos crimes, que legitimente pediam justiça a Deus.

- Isso é complicado, hein? Mas nós não somos judeus; nós somos cristãos!

- Sim, mas o Messias foi prometido aos judeus e veio para eles, em primeiro lugar. Tanto nas promessas quanto no cumprimento delas, estava a mentalidade judaica sacrificial.

- Então realmente Deus Pai quis a morte de Deus Filho para perdoar os pecadores?

- Na lógica judaica, sim, Deus Pai quis, para realizar a justiça perfeita. E era a única forma de vencer o mal e a morte, de uma vez por todas, pois o sangue de animais não tinha poder para isso.

- Se não fosse assim, Deus Pai daria um castigo eterno aos pecadores, enviando-os ao inferno? Isso não é desproporcional?

- Por isso vem a lógica do Cristianismo, meu caro. Na evangelização, ensinamos que Jesus veio, por um lado, cumprir as promessas messiânicas, na lógica judaica sacrificial e, por outro lado, resolver definitivamente a situação do mal e da morte, encerrando os sacrifícios. E o segredo estava no amor de Jesus, pelo qual Ele aceitou morrer no lugar dos pecadores para que a perfeita justiça acontecesse.

- Mas isso tudo funcionou? O mal e a morte continuam presentes no mundo...

- Ela também fez esta consideração. E a evangelização responde dizendo que a morte e a ressurreição de Jesus iniciaram um processo irreversível de restauração da humanidade, que avança cada dia mais quando corações se abrem à fé cristã e ao amor. O mal e o pecado estão com seus dias contados. A vitória é certa!

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