O Protestantismo iniciou na Europa com Martinho Lutero (1483 a 1543) na Modernidade (século XV ao XVIII).
A Idade Média se caracterizava como uma era de estabilidade cultural, com a predominância do Cristianismo Católico Romano como uma forte instituição que influenciava a política e a economia na Europa.
Predominava o teocentrismo, a teocracia, com Deus sendo a referência última da sociedade e do poder, sempre mediados pela alta hierarquia da Igreja Católica.
Mas a Modernidade chegou com o antropocentrismo, colocando o homem como medida de todas as coisas, valorizando o indivíduo e questionando as instituições e a organização da sociedade.
Embora tenham apresentado resistência ao movimento moderno, as estruturas da Idade Média não puderam frear as mudanças e as novidades foram se implementando e se espalhando pela Europa e para fora dela, com a chegada dos europeus às Américas.
Junto com o Renascimento Cultural, com a expansão da democracia, com a Revolução Industrial e a consolidação da burguesia, com a multiplicação das universidades, surgiu o Protestantismo, questionando a forte Igreja Católica Romana, priorizando o indivíduo em vez da instituição.
Os protestantes, além de romperem com a hierarquia católica e suas tradições seculares, uniram-se mais facilmente aos ideais democráticos e burgueses, à mentalidade moderna que estava surgindo e sendo divulgada.
O Protestantismo se apresentava como um Cristianismo moderno e adaptado às novas realidades, em oposição ao Catolicismo, identificado como monárquico, aristocrata, rígido, dominador. Os protestantes acusavam os católicos de terem trocado o Cristianismo bíblico por tradições greco-romanas e de outras culturas, enquanto o Protestantismo era visto como um retorno à mais genuína vivência cristã.
Na pós-modernidade atual, o Protestantismo - agora na sua versão pentecostal e neopentecostal - ainda reforça entre seus membros uma oposição ao Catolicismo, mesmo após sua tardia abertura ao mundo moderno durante o Concílio Ecumênico Vaticano II.
Os católicos, seguindo a hierarquia da Igreja e sua doutrina social, acolhem de modo esperançoso e crítico os autênticos ideais da democracia, do capitalismo burguês e da autonomia do indivíduo em relação às instituições.