quarta-feira, 30 de outubro de 2024

Repensar a salvação

Os judeus achavam que só eles eram o povo escolhido por Deus, que só eles seriam salvos e todos os outros povos seriam condenados.

Vieram então Jesus Cristo e o Espírito Santo para revelar as verdadeiras pretensões de Deus: salvar a humanidade inteira.

Mas, com o passar dos séculos, os cristãos voltaram ao pensamento dos judeus, restringindo a salvação apenas aos que crêem em Cristo.

Então é urgente voltarmos ao ensinamento de Jesus e do Espírito Santo. A salvação é para todos: cristãos, não cristãos, agnósticos e ateus.

O ser humano - independente da sua crença - deseja a plenitude, a felicidade, a paz. Deseja profundamente amar e ser amado. Deseja o perdão das suas culpas. Deseja uma vida sem fim, sem lágrimas, sem doenças. Deseja se reencontrar com os seres queridos que já se foram. E sabe, por experiência própria, que isso não se alcança totalmente no aqui e agora.

Em outras palavras: o ser humano deseja a salvação. E é um direito dele recebê-la, ser salvo. Os cristãos não podem privar ninguém da realização do maior desejo humano, restringindo a salvação apenas aos que crêem em Cristo.

A salvação é universal. Deus a quis assim. O Céu é suficientemente grande para caber todo e cada ser humano, de todos os tempos e lugares.

Só não se salvará aquele que não quiser e livremente rejeitar a salvação, pois ela é uma proposta, e não uma imposição.

Mesmo que professe outra fé, que creia em outras divindades, que pertença a outra religião ou não tenha nenhuma para chamar de sua, deve ter o seu direito assegurado à salvação, ao Céu.

A fé pode ser relativizada, mas definitivamente não se pode relativizar o amor, a justiça, o bem, a verdade. É obrigatório abandonar o ódio, a injustiça, o mal, a mentira para receber a salvação, para se salvar, para ir ao Céu, para o descanso eterno, junto de Deus e dos seres queridos.


- A salvação é exclusiva para os cristãos?

- A fé pode ser relativizada para a salvação?

Cerco de Jericó

No Brasil - e possivelmente em outros países latinoamericanos - tem ocorrido uma atividade religiosa católica chamada de Cerco de Jericó.

Trata-se de uma atividade que costuma reunir centenas de fiéis nos templos, que acaba tendo um bom retorno econômico de ofertas e doações.

Este texto é um breve comentário de quem presenciou e participou desta atividade em algumas paróquias.

Penso que o Cerco de Jericó é, por um lado, resultado do crescimento do pentecostalismo e do neopentecostalismo na Igreja Católica e, por outro lado, um esforço por trazer de volta à Igreja os católicos que se afastaram.

Como se sabe, muitíssimos católicos são batizados, muitos fazem sua Primeira Confissão e Comunhão, mas poucos são Confirmados e se unem pelo Matrimônio.

Quando se afastam, alguns católicos começam a participar de igrejas pentecostais ou neopentecostais, com cultos marcados pelo som alto das músicas, tocadas em grande quantidade. As pregações apelam ao emocional das pessoas e falam de curas das doenças físicas e psíquicas, em expulsão de demônios, de recebimento de bênçãos e graças para a família, para o trabalho, para a quitação de dívidas, para libertação de vícios em bebidas e drogas etc. Está presente o aparelho de celular, registrando os momentos através de fotos e vídeos, utilizados para divulgar as atividades e convidar para as seguintes na Internet, nas redes sociais.

Supostamente para atrair de volta à Igreja os católicos afastados, o Catolicismo acolheu o pentecostalismo e neopentecostalismo, reproduzindo suas características e adicionando elementos específicos da espiritualidade católica, como a Eucaristia e a intercessão da Virgem Maria e dos anjos e santos.

É nesse contexto que surge o Cerco de Jericó, uma atividade que tem duração de sete noites, onde a santa missa é presidida e, após a comunhão, rezam-se algumas orações diante da Eucaristia exposta no ostensório, suplicando a cura, a libertação, a bênção, a graça de Deus aos participantes. O povo é aspergido com a água benta e o Santíssimo Sacramento sai numa procissão interna pelos corredores da igreja. Sim, reduz-se a iluminação ao estritamente necessário. Estão presentes as velas, o incenso, o turíbulo, os coroinhas. A duração é de 120 a 150 minutos.Durante as setes noites, os participantes são convidados a levar fotografias da família e objetos para serem abençoados (como água, sal, roupas, rosários etc).

A ideia central do Cerco de Jericó - que se inspira na oração de Josué para que caíssem as muralhas da cidade de Jericó (cf. Josué 6, 20) - é que as dificuldades enfrentadas pelos participantes sejam superadas ao término das sete noites de oração.

Participam do Cerco de Jericó pessoas de bairros e cidades vizinhos. Há pessoas que, durante o ano, vão ao Cerco de Jericó em diversas paróquias, porque gostam do estilo da atividade. Muitos participam sozinhos, mas alguns levam a família inteira.

Neste sentido, o Cerco de Jericó se assemelha às novenas rezadas pelos católicos e dedicadas aos santos de devoção, a fim de se alcançar bênçãos e graças.

O Cerco de Jericó ocupa um lugar importante na agenda paroquial, como a Semana Santa, a festa do padroeiro da paróquia etc. É feito um grande investimento econômico em flores, velas etc. Paga-se estipêndio para sacerdotes convidados de outras cidades, paga-se pelos ministérios de música. Envolve-se toda a liderança leiga da paróquia. Aproveita-se para vender comida e bebida em cantinas. Vendem-se velas, água e objetos religiosos. Há lugares onde se confeccionam camisetas específicas para cada Cerco de Jericó.

A pergunta é: o Cerco de Jericó é eficiente? Ou seja, os católicos afastados voltam à Igreja?

A resposta é: são poucos os católicos que realmente voltam. Eles se acostumam com o estilo pentecostal e neopentecostal do Cerco de Jericó e não o encontram nas missas dominicais. E isso desmotiva a participação deles.

Chama a atenção o silêncio dos bispos e o interesse dos padres mais jovens. Há uma série de "excessos litúrgicos" cometidos pelos padres e, como não são corrigidos pelos bispos, deixam-se levar pela vaidade religiosa, pela superficialidade, com pregações moralistas e pouco comprometidas com os projetos pastorais da diocese e com a transformação social.

Há diversos livros que ensinam como realizar o Cerco de Jericó, mas poucos que refletem sobre a pertinência da atividade na Igreja Católica.

sábado, 26 de outubro de 2024

Bíblia e comunidade

- Você não precisa de ninguém pra conhecer a Jesus e se salvar. Você tem a Bíblia. Leia-a e isso basta!

- Não é tão simples assim. Essa é a visão individualista e protestante do Cristianismo.

- A Igreja Católica se considera a única autorizada a interpretar a Bíblia. Sua leitura é tendenciosa e manipuladora.

- Não. Você está errado. A Bíblia não é um livro de fácil entendimento, para iniciantes. Para interpretá-la corretamente, é preciso estudá-la, saber sobre seus autores e sobre o contexto em que escreveram. Do contrário, sim, será uma leitura tendenciosa, manipuladora, em que eu entendo e ensino só o que me convém.

- O Espírito Santo me revela o sentido da Bíblia, e Ele nunca falha!

- Não. Não é assim tão fácil. Desculpe-me atrapalhar seu raciocínio, sua lógica. Mas você está simplificando demais. O Espírito Santo não substitui o estudo da Bíblia. De jeito nenhum. Muitas pessoas, supostamente sob a ação do Espírito Santo, fazem afirmações totalmente erradas sobre a Bíblia por falta de um estudo sério. Vocês desconfiam tanto da Igreja Católica e dos seus líderes, por que não desconfiam dos pastores das suas igrejas também? Acaso eles não podem errar?

- Claro que podem e, justamente por causa de erros dos pastores, é que cada vez mais surgem novas igrejas.

- Percebe? Aí está o problema: cada qual interpreta a Bíblia à sua maneira, supostamente sob a ação do Espírito Santo, e os cristãos vão se dividindo em incontáveis igrejas.

- Por isso nós não confiamos no homem, confiamos só em Jesus Cristo, sem mediadores, lendo a Bíblia, que nos garante a salvação.

- Desculpe-me outra vez. Mas a salvação é comunitária, não é individual. Cristo pregou e nasceu a Igreja, reunida no amor pelo Espírito Santo. Do jeito que você fala, então não preciso de igreja, de comunidade. Fica tudo entre Deus e a própria pessoa. Pronto. Acabou. Jesus não pede apenas amor a Deus, mas também ao próximo, na comunidade, na Igreja.


- Para conhecer a Jesus e se salvar, basta que a pessoa leia sozinha a Bíblia, pedindo a luz do Espírito Santo?

- Devemos desconfiar das igrejas e dos seus pastores? Precisamos de mediadores? Ou que cada cristão faça seu próprio caminho?

segunda-feira, 21 de outubro de 2024

Receita de evangelização

- Como trazer as pessoas pra Igreja, pra Cristo?

- Não há uma receita, um esquema, uma estratégia que sirva pra todos.

- Sim, eu vejo que as pessoas são muito diferentes, que têm necessidades e preferências muito particulares.

- Exato. No geral, faz-se primeiro uma apresentação breve sobre a vida de Jesus. É como se fosse um primeiro degrau. Pode ser feito presencialmente e também de forma virtual, de modo verbal ou utilizando músicas, desenhos, fotos e vídeos.

- Legal, bem atraente, né?

- Sim. Também se pode partir da necessidade real da pessoa. Tem gente que está passando por tribulações, doenças, problemas conjugais e familiares, dificuldades financeiras, desemprego, dependência química etc. Através de conversas e aconselhamentos, apresenta-se Jesus como aquele que pode atender as necessidades diárias.

- Bem bacana também.

- Também se pode utilizar elementos da religiosidade popular. Há quem goste de água benta, velas, incensos, imagens, medalhas, promessas, romarias a santuários, procissões, rosários, ladainhas, novenas etc. Estas devoções podem ser uma porta de entrada aos afastados da Igreja.

- Realmente muitas pessoas gostam disso.

- Tem também os escolarizados, que são menos emoção e mais razão. Estudam e lêem muito. Fazem perguntas complexas e exigem respostas profundas, sem contradições. Para que aceitem uma verdade, pedem raciocínio lógico e argumentos bem fundamentados. Também aos universitários a fé precisa ser apresentada com inteligência.

- Puxa vida, você tem toda a razão!

- Mas não podemos nos contentar apenas com o primeiro degrau. É preciso subir toda a escada. A doutrina deve ser transmitida integralmente. Os aperitivos não substituem o prato principal. Infelizmente vemos muitas lideranças especializadas em atrair as pessoas, em apresentar com criatividade um resumo da fé, mas são poucos os líderes que dão continuidade. Há mais pessoas pra lançar sementes do que pra regar e arrancar as ervas daninhas. É preciso vida de oração, vida bíblica e sacramental.

- Sem palavras. Concordo totalmente.

- E é preciso pensar nas necessidades específicas de cada idade e grupo. Por exemplo: crianças e jovens, mulheres e homens, periferia e centro, zona urbana e rural etc. E marcar presença nas rádios, TVs, redes sociais etc. Em resumo: apresentar o Cristo inteiro ao homem inteiro: corpo, mente e coração.

- Perfeito!


- Estamos sabendo atrair as pessoas pra Igreja, pra Cristo?

- Onde estamos acertando? Onde estamos errando?

sexta-feira, 18 de outubro de 2024

O homem sem Deus

- O Antropocentrismo e o Humanismo prometeram muito, mas entregaram pouco.

- Mas o que é isso? Antropocentrismo? Humanismo?

- O Antropocentrismo é uma forma de pensar e organizar a sociedade, tendo o homem no centro, como medida de todas as coisas, em oposição ao Teocentrismo da Idade Média, em que Deus era a referência central.

- Sei. E o Humanismo?

- O Humanismo é uma corrente de pensamento que afirma a autosuficiência do homem em relação a Deus. Em outras palavras, o homem não precisa de Deus para ser bom e fazer o bem. Se o homem receber a educação correta, ele será ético, justo, moral, sem necessidade de religião.

- Entendi. Então, na sua opinião, o Antropocentrismo e o Humanismo falharam?

- Exatamente.

- Por quê?

- Nestes últimos séculos - já tendo o homem no centro, sem Deus e sem religião -, só temos visto a sociedade piorar e regredir na sua humanidade.

- Que horror! Que pessimismo!

- O homem já erra com Deus, imagine então sem Deus!

- Então para que Deus, se o homem erra tanto com Ele quanto sem Ele?

- Não diga isso! O homem com Deus erra, mas se arrepende e se esforça para não voltar a errar. Mas o homem sem Deus erra sem arrependimento, repetindo os erros e comentendo erros ainda piores, destruindo tudo e a todos.

- Mas isso acontece porque o homem não recebeu a educação correta.

- Não adianta. A verdade é essa: com Deus, com a religião, o homem e a sociedade progridem. Sem Deus, sem a religião, só pioram e regridem.

- Depende da religião, né, meu amigo? Tem umas religiões que usam o nome de Deus para disseminarem e justificarem o ódio, a intolerância, a injustiça, a mentira etc.

- E também tem umas religiões centradas no homem, com uma visão idealizada do ser humano, cheias de falso otimismo e pensamento positivo, sem denunciar nem condenar os erros do homem, sem afirmar a dependência absoluta do ser humano em relação a Deus.


- Para você, o ser humano - em si mesmo - é bom ou é mau?

- Deus e a religião ajudam ou atrapalham o progresso da sociedade e da humanidade?

- A educação correta é suficiente para tornar o homem ético, justo, moral?


quarta-feira, 16 de outubro de 2024

Falar com os mortos

- Mas dá pra falar com os mortos?

- Claro que dá!

- Então me ensine! Isso muito me interessa!

- Podemos falar com os mortos através da oração. Para nós católicos, os mortos estão nos Céus ou no Purgatório e podem nos escutar.

- Através da oração?!?

- Sim. Orar é falar, é conversar com Deus e também com os anjos, os santos e os mortos que estão nos Céus ou no Purgatório.

- Que doideira isso!

- Doideira nada! Os mortos que estão nos Céus podem interceder por nós e nos conseguir bênçãos e graças. E os mortos que estão no Purgatório podem receber nossa oração para que se arrependam e se purifiquem dos seus pecados e possam chegar aos Céus.

- Queria tanto falar com meus seres queridos falecidos...

- É só falar então. Às vezes, as pessoas morrem e a gente não tem tempo suficiente para agradecer por tudo que fizeram por nós ou para fazermos as pazes depois de brigas e desentendimentos.

- Esse é o meu caso.

- Então, através da oração, você pode abrir seu coração e falar tudo o que você está sentindo. Pode chorar, pode rir, pode desabafar. O falecido vai ouvir tudo.

- Certo. Mas ele vai falar também?

- Sim e não.

- Como assim?

- Você não vai ouvi-lo com os seus ouvidos, mas com o seu coração.

- Como isso é possível?

- Sim, com as recordações e memórias que você guarda no coração, você vai se lembrar das coisas que o falecido já havia dito antes a você, a forma como o falecido tratava você. E será como se ele estivesse repetindo a você hoje o que disse naquele momento.

- Sim, tem sentido o que você está dizendo...

- Mais uma coisa ainda: o falecido que está nos Céus já alcançou a santidade, então ele já se converteu e já perdoou todas as ofensas. Está feliz nos Céus. Não sofre. Quer a felicidade de todos e reza por eles. Quer que um dia se reencontrem nos Céus.

- Mas e os falecidos que ainda estão no Purgatório?

- Eles desejam ardentemente os Céus. Não querem ir aos Infernos. Ainda precisam ser perdoados por Deus, por nós. Sofrem a solidão, o medo, o arrependimento por terem prejudicado a família, os amigos. Precisam se converter a Deus. Pedem as nossas orações.

- Nossa! Que terrível!

- Pois é!

- Mas os mortos não são fantasmas, né? Não são assombração, espíritos, almas penadas?

- Não. São filhos de Deus como nós, que podem nos conseguir graças - se estão nos Céus, ou que precisam da nossa oração para se purificarem dos seus pecados - se estão no Purgatório.

- Muito obrigado pela informação. Foi muito útil para mim.


- Você fala com os mortos, com os seus seres queridos falecidos?

- Nossos seres queridos falecidos são fantasmas, assombração, espíritos, almas penadas? Devemos ter medo de falar com eles?

quinta-feira, 10 de outubro de 2024

É verdade ou não?

- Padre, é verdade aquela história do mundo criado em sete dias, de Adão e Eva, de maçã e de serpente?

- É e não é. É uma verdade religiosa, mas não é uma verdade científica.

- Pois é. Aprendi que as ciências ensinam outra coisa diferente.

- O que você aprendeu?

- Aprendi que a terra tem uns quatro BILHÕES e meio de anos e que o universo foi formado por diversas explosões de sóis e estrelas, e que está em expansão, em movimento.

- Isso mesmo. A história do mundo tem muito mais do que sete DIAS. O relato da criação é uma espécie de parábola sobre o surgimento do nosso sistema solar.

- Aprendi que o homem e a mulher surgiram na terra há apenas uns quase 2 MILHÕES de anos, em diferentes regiões, e que foi um longo processo até que deixassem de viver isolados como animais, indo de um lado para o outro, e passassem a viver em grupos, em lugares fixos, caminhando com a coluna reta, pensando com inteligência, construindo coisas, falando e se comunicando.

- Isso mesmo. A história do homem e da mulher tem muito mais do que um dia. O relato da criação de Adão e Eva é uma espécie de parábola sobre o surgimento da humanidade.

- Aprendi que o homem e a mulher sempre foram mortais e que, sendo animais, eles também têm uma dimensão instintiva, muitas vezes marcada pela violência, pelo egoísmo. Ou seja, a humanidade nunca foi imortal e nunca foi completamente pacífica.

- Isso mesmo. A história da inclinação do homem e da mulher ao mal é um mistério. O relato do fruto proibido e da serpente falante é uma espécie de parábola sobre o surgimento do pecado e suas consequências.

- Padre, se é assim, então com quem ficamos: com a fé ou com as ciências?

- As ciências saciam nossa legítima fome de conhecimento da verdade objetiva. É importante o trabalho das ciências, investigando evidências com seus instrumentos de pesquisa, sistematizando e socializando suas descobertas.

- Gosto muito disso, padre.

- Mas também temos fome de verdades mais profundas, que vão além da objetividade, das evidências materiais. Ou seja, as descobertas científicas não saciam plenamente a mulher e o homem. Há algo que ainda fica sem dizer, porque é um conhecimento elevado, de outra natureza.

- Como assim, padre?

- Por exemplo: a convicção de que o universo não criou a si mesmo, mas que foi criado por uma inteligência superior, que chamamos de Deus. Outro exemplo: a certeza de que o homem e a mulher têm uma dignidade superior à dos demais seres sobre a terra, que têm uma missão de cuidar e zelar do planeta e dos seus habitantes.

- Entendo. São verdades religiosas, embora sem comprovação científica.

- Sim. Dizemos que a fé e a ciência, juntas, dão à humanidade à verdade total que sacia plenamente, dando sentido à existência humana.


- Você acha importante o conhecimento oferecido pelas ciências?

- O conhecimento científico atrapalha ou ajuda a fé das pessoas?

terça-feira, 8 de outubro de 2024

Resultado das eleições

Sou testemunha de que nossos candidatos católicos praticantes a vereadores e a prefeito em Praia Grande deram o seu melhor, bem como os seus colaboradores mais próximos.

O resultado não foi 100% positivo. Semeou-se muito; colheu-se pouco.

A sociedade é complexa, e os católicos refletem essa complexidade. Há muitos interesses envolvidos. Há laços familiares, profissionais e econômicos muito fortes. Também há represálias. Não há lugar para ingenuidade nem julgamentos fáceis.

O modo oficial de atuação da Igreja Católica é diferente da forma de agir da maioria das outras igrejas, que não considera errado que seus pastores definam alguns candidatos e exijam dos fiéis que votem neles. A estratégia é eficiente, embora o processo não seja ético.

A Igreja Católica respeita a consciência dos fiéis e não favorece alguns em prejuízo de outros. É um processo ético, embora o resultado não seja satisfatório.

Aprendamos dos nossos erros. Aproveitemos para fortalecer a formação sobre Fé e Cidadania. É um compromisso diário. Para que a colheita seja boa, é preciso investir em limpar o terreno, em lançar boas sementes, em regá-las continuamente, em arrancar as ervas daninhas etc. A esperança é a última que morre. É preciso continuar acreditando.

E agora a vida segue. Tratem de descansar: o corpo, a mente, o coração. A família e a comunidade devem ser o refúgio de amor, de paz, de acolhimento.

A oração desbloqueia o cansaço, o estresse, a tristeza, a decepção. Que Jesus e Maria sejam consolo e inspiração na vida que vence a morte, na esperança que supera o desânimo.

Fiquem com a minha bênção!

Tradicionais e (neo)pentecostais

A Igreja Católica, em geral, caracteriza-se pela Tradição e pela solenidade, principalmente em comparação às igrejas pentecostais e neopentecostais, mais espontâneas e populares. Vale mencionar que tanto o pentecostalismo quanto o neopentecostalismo também já têm as suas versões católicas.

Na atualidade, muitas pessoas buscam as igrejas pentecostais e neopentecostais porque, na sua estratégia e metodologia evangelizadoras, tais igrejas apelam mais aos desafios da vida diária e às emoções, enquanto a Igreja Católica tradicional apela mais às realidades eternas e à razão-inteligência.

As igrejas pentecostais e neopentecostais falam de assuntos da vida contemporânea (empreendedorismo, prosperidade, dívidas, drogas, doenças, superação etc) e investem na música (instrumentos e vozes), no bem-estar dos fiéis nos templos e o contato diário pelas estações de rádio, televisão e redes sociais. Já a Igreja Católica tradicional fala de assuntos da vida doméstica e familiar (co-responsabilidade, amor, perdão, cuidado, fidelidade, solidariedade, generosidade etc) e investem em esculturas, pinturas e arquitetura (espaços, ambientes e sons).

Pessoas adultas e idosas costumam se identificar mais com a Tradição e a solenidade da Igreja Católica, enquanto os mais jovens geralmente preferem a espontaneidade e popularidade das igrejas pentecostais e neopentecostais. Durante a infância, as crianças obedecem seus pais e avós e os acompanham na Igreja Católica, preparando-se na Catequese. Na adolescência e juventude, os filhos e netos abandonam a Igreja Católica.

Não sem resistência, o pentecostalismo e o neopentecostalismo foram admitidos ao Catolicismo. Há quem gosta e há quem não gosta. Costuma-se respeitar o gosto de cada um.

Em geral, os fiéis católicos são tradicionais e mais solenes, são reservados e comedidos no uso de gestos, de manifestações corporais. Mas há os católicos pentecostais e neopentecostais que são mais espontâneos e populares.

Há padres e fiéis católicos que pregam apelando mais aos desafios da vida diária e às emoções, falando de assuntos da vida contemporânea, investindo na música, no bem-estar dos fiéis e no contato diário pelos meios de comunicação.


- Você é um católico tradicional ou (neo)pentecostal? Por quê?

- A abertura ao pentecostalismo e ao neopentecostalismo tem feito bem ou mal ao Catolicismo?

sábado, 5 de outubro de 2024

Evangelização

O objetivo da evangelização é, por um lado, apresentar às pessoas Jesus Cristo (e a relação d'Ele com Deus-Pai e Deus-Espírito Santo), dando a elas a possibilidade de conhecê-Lo com a inteligência e amá-Lo com o coração.

E, por outro lado, a evangelização deve preparar as pessoas para anunciarem com palavras Jesus Cristo aos demais e testemunharem com gestos concretos o amor-cuidado a todos, especialmente aos mais fragilizados.

A evangelização tem que apresentar às pessoas a Igreja (a comunidade das discípulas e discípulos de Jesus Cristo), dando a elas a possibilidade de aceitar que hoje Cristo age no mundo através da Igreja, que é uma Mãe amorosa que acolhe, educa, alimenta, purifica, santifica e envia.

Finalmente, a evangelização precisa apresentar às pessoas o Reino de Deus (que começa no aqui e agora e que se concluirá na eternidade), dando a elas a possibilidade de contribuírem na expansão do Reino no compromisso diário com o bem, a justiça, a paz, a liberdade, a verdade, o amor.


- Estamos evangelizando do jeito certo?

- Você se sente uma pessoa suficientemente evangelizada? O que lhe falta?

sexta-feira, 4 de outubro de 2024

Sentimento religioso

- Sim, é totalmente possível acreditar em Deus e não ter religião.

- Não, não é possível, não. Sinto muito.

- Ninguém pode julgar meu interior. Só Deus conhece a minha fé. Deus sabe que eu acredito n'Ele.

- Você reza? Você lê a Bíblia?

- Não leio, não tenho Bíblia. Mas rezo de vez em quando. Penso em Deus, antes de dormir.

- Você tem um sentimento religioso, mas não tem fé.

- Claro que tenho.

- A fé leva a pessoa a ter uma comunicação constante com Deus e, ao mesmo tempo, com outras pessoas que também acreditam em Deus.

- Eu não tenho tempo para religião. Minha vida é muito ocupada. Vivo a fé do meu próprio jeito. E sei que Deus me ama como sou.

- A fé muda nosso jeito de ser, nossas prioridades. Se você continua o mesmo, se coloca outras prioridades no lugar de Deus, então não tem fé, mas só um sentimento religioso.

- Pois que seja então. O importante é que sou feliz assim, que estou em paz.

- Talvez seja esse o seu problema então: você está muito em paz que, na realidade, é comodismo. Você gosta das coisas como estão. Não quer mudanças, não quer compromissos.

- Isso mesmo. Quero ter tempo para mim, para minhas próprias coisas.

- O sentimento religioso não é suficiente para enfrentar as grandes adversidades da vida, como a morte, as doenças graves, os acidentes, os prejuízos econômicos, as crises conjugais, as limitações da idade avançada etc.

- Por enquanto estou bem assim.

- Quando quiser passar do sentimento religioso à fé, estarei aqui para ajudá-lo. Deus o abençoe.


- Por que as pessoas preferem o sentimento religioso à fé?

- Educamos as pessoas para terem fé ou para terem sentimento religioso? Onde estamos falhando?

quarta-feira, 2 de outubro de 2024

Primeiras impressões

Estou na cidade de Springfield, a 80 minutos de Boston, a capital de Massachusetts.

Uma cidade bonita, tranquila e gostosa, com importante presença de americanos de origem italiana. Também há brasileiros e latinos em geral. É outono, a temperatura é de 17 graus fora de casa; dentro de casa, a temperatura é de 20 graus. Há sol entre nuvens.

Estou no bairro central, próximo à prefeitura e principais avenidas que cortam a cidade.

As famílias moram em bairros residenciais distantes do centro.

Fui bem recebido pelo Pe. Paolo Bragantini (estigmatino italiano de 84 anos), pelos funcionários da paróquia e da casa paroquial, muito gentis e amáveis.

A casa paroquial é linda, bem organizada e espaçosa, com móveis finos de bom gosto.

A matriz paroquial (Nossa Senhora do Carmo) é simplesmente sensacional, glamorosa, clássica, de altíssimo bom gosto, com um salão paroquial simplesmente extraordinário e moderno.

Durante a semana, há missa em diferentes horários, com pouca participação. Nos fins de semana, os católicos participam mais.

Ao redor da paróquia há restaurantes, padarias, centros comerciais. Há um bonito parque para caminhar e correr.

Bem, em poucas palavras, seria isso. Escrevo para partilhar com vocês minhas primeiras impressões aqui nos Estados Unidos.

Deus os abençoe. Saudades!

Pense comigo

Por que eu não gosto de pobre? Porque pobre é vagabundo e preguiçoso; porque ele pesa no bolso da sociedade; porque ele suja e enfeia a cida...