- Padre, é verdade aquela história do mundo criado em sete dias, de Adão e Eva, de maçã e de serpente?
- É e não é. É uma verdade religiosa, mas não é uma verdade científica.
- Pois é. Aprendi que as ciências ensinam outra coisa diferente.
- O que você aprendeu?
- Aprendi que a terra tem uns quatro BILHÕES e meio de anos e que o universo foi formado por diversas explosões de sóis e estrelas, e que está em expansão, em movimento.
- Isso mesmo. A história do mundo tem muito mais do que sete DIAS. O relato da criação é uma espécie de parábola sobre o surgimento do nosso sistema solar.
- Aprendi que o homem e a mulher surgiram na terra há apenas uns quase 2 MILHÕES de anos, em diferentes regiões, e que foi um longo processo até que deixassem de viver isolados como animais, indo de um lado para o outro, e passassem a viver em grupos, em lugares fixos, caminhando com a coluna reta, pensando com inteligência, construindo coisas, falando e se comunicando.
- Isso mesmo. A história do homem e da mulher tem muito mais do que um dia. O relato da criação de Adão e Eva é uma espécie de parábola sobre o surgimento da humanidade.
- Aprendi que o homem e a mulher sempre foram mortais e que, sendo animais, eles também têm uma dimensão instintiva, muitas vezes marcada pela violência, pelo egoísmo. Ou seja, a humanidade nunca foi imortal e nunca foi completamente pacífica.
- Isso mesmo. A história da inclinação do homem e da mulher ao mal é um mistério. O relato do fruto proibido e da serpente falante é uma espécie de parábola sobre o surgimento do pecado e suas consequências.
- Padre, se é assim, então com quem ficamos: com a fé ou com as ciências?
- As ciências saciam nossa legítima fome de conhecimento da verdade objetiva. É importante o trabalho das ciências, investigando evidências com seus instrumentos de pesquisa, sistematizando e socializando suas descobertas.
- Gosto muito disso, padre.
- Mas também temos fome de verdades mais profundas, que vão além da objetividade, das evidências materiais. Ou seja, as descobertas científicas não saciam plenamente a mulher e o homem. Há algo que ainda fica sem dizer, porque é um conhecimento elevado, de outra natureza.
- Como assim, padre?
- Por exemplo: a convicção de que o universo não criou a si mesmo, mas que foi criado por uma inteligência superior, que chamamos de Deus. Outro exemplo: a certeza de que o homem e a mulher têm uma dignidade superior à dos demais seres sobre a terra, que têm uma missão de cuidar e zelar do planeta e dos seus habitantes.
- Entendo. São verdades religiosas, embora sem comprovação científica.
- Sim. Dizemos que a fé e a ciência, juntas, dão à humanidade à verdade total que sacia plenamente, dando sentido à existência humana.
- Você acha importante o conhecimento oferecido pelas ciências?
- O conhecimento científico atrapalha ou ajuda a fé das pessoas?
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