A Teologia é uma ciência que se propõe a apresentar de modo sistemático e organizado os conteúdos da fé em Deus e as suas conseqüências na vida prática daqueles que n’Ele crêem. Aqui consideramos o Cristianismo e o Judaísmo - religião que está na origem da fé cristã.
Os conteúdos da fé procedem, por um lado, dos livros sagrados do Judaísmo (Primeiro Testamento) e do Cristianismo (Segundo Testamento) e, por outro lado, da Tradição da Igreja Católica Apostólica Romana.
A Teologia possui quatro grandes áreas: a bíblica, a ética, a pastoral e a sistemática (que reúne e apresenta de modo organizado e coerente a contribuição das áreas anteriores).
Os fiéis têm acesso a uma síntese ou compêndio da Teologia nos importantes documentos do Catecismo da Igreja Católica e da Doutrina Social da Igreja, com consistentes e fartas referências nas Sagradas Escrituras e na Tradição.
As ciências humanas e sociais contribuem muitíssimo para que a Teologia alcance o seu propósito, especialmente a Filosofia, a História, a Sociologia e a Psicologia.
A chamada “Teologia da Libertação” - hoje presente em todo o mundo, mas procedente do continente latino-americano, mais precisamente do Peru, a partir de 1971 - tem como originalidade redescobrir e reafirmar a opção preferencial de Deus Pai e de Deus Filho feito Homem na História da Salvação pelos perseguidos, pelos injustiçados, pelos desprezados, pelos considerados últimos - que, por fidelidade, deve ser também a opção da Igreja e dos que se identificam como cristãos.
Tem sido assim desde os tempos da severa escravidão imposta aos hebreus pelos egípcios, passando pela dominação do povo de Israel pelos estrangeiros, pela perseguição religiosa e política das comunidades cristãs pelos judeus e romanos, e presente em toda a história do Cristianismo, em todos os continentes, desde as suas origens até os tempos atuais.
A “Teologia da Libertação” surgiu no contexto do pós Segunda Grande Guerra Mundial, da Guerra Fria entre os Estados Unidos (capitalistas) e a já extinta União Soviética (comunista), das décadas de ditaduras militares na América Latina. Os pobres foram identificados nos povos nativos (indígenas), nos povos afro-descendentes (que tinham sido escravizados), nos agricultores sem terra, nos trabalhadores desempregados, nos moradores das periferias, na juventude sem estudo e cultura, nas mulheres vítimas do machismo e impedidas de votar etc.
Além da Doutrina Social da Igreja, a “Teologia da Libertação” se serviu também da Filosofia, da História e da Sociologia. Foi muito forte a contribuição da “Teologia da Libertação” na segunda e terceira conferências do episcopado latino-americano (CELAM), realizadas respectivamente em Medellín, Colômbia, em 1968, e em Puebla de los Ángeles, México, em 1979.
Sim, houve alguns excessos e exageros na elaboração da “Teologia da Libertação”, que foram corrigidos pela Hierarquia da Igreja, por se inspirarem mais no pensamento de Karl Marx (filósofo alemão do século XIX) que na Tradição e na Doutrina Social da Igreja, limitando-se a falar mais da libertação social e terrena que da libertação espiritual para além da História.
Novos e importantes temas foram propostos pela “Teologia da Libertação” na atualidade, como os meios de comunicação, a ecologia e os refugiados.
O papa São João Paulo II e o papa emérito Bento XVI tiveram não poucas dificuldades com a “Teologia da Libertação”. Muitos dos seus teólogos se sentiram institucionalmente perseguidos por eles. Um caso emblemático é o de Leonardo Boff (ex-sacerdote franciscano), a quem foi imposto “silêncio obsequioso” por um ano em 1985.
Apesar de não se considerar simpatizante da “Teologia da Libertação”, nota-se nas declarações orais e escritas do papa Francisco uma certa identificação com muitos dos temas abordados por ela. Seguramente porque estão baseadas na Tradição e na Doutrina Social da Igreja. Mas não se pode negar a influência da “Teologia da Libertação”, já que Francisco tem origens latino-americanas por ter sido arcebispo de Buenos Aires, na Argentina.
Na atualidade, há muitos bispos, sacerdotes, diáconos, religiosos e leigos que nutrem admiração pela “Teologia da Libertação”, referindo-se aos seus temas em homilias, conferências, livros e homilias.

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