quarta-feira, 8 de maio de 2019

Maçonaria

Pra começo de conversa, a Igreja Católica Apostólica Romana se opõe frontalmente à maçonaria. Já em 1738, o papa Clemente XII escreveu um documento condenando essa sociedade secreta. Referindo-se a ela como “reino de satanás”, o papa Leão XIII advertia os bispos do mundo inteiro sobre a necessidade de combater a maçonaria. São punidos com excomunhão os católicos que se associem a essa sociedade secreta.

A palavra “maçon” vem do francês e significa pedreiro ou construtor. Não é simples a tarefa de reconstruir a história da maçonaria, pela falta de documentos e registros. Há muitas histórias fantasiosas, da parte de quem lhe é favorável e também de quem se lhe opõe.

Muitos historiadores concordam que a maçonaria foi-se organizando aos poucos. A sua origem pode estar relacionada ao fim do Império Romano do ocidente, no século V da era cristã, quando os antigos nobres se dispersaram pela Europa e precisaram construir novos castelos e muralhas para se protegerem das ameaças, e também tiveram que abrir estradas para transportarem os seus produtos. Supostamente com o objetivo de valorizarem o seu trabalho, os construtores guardavam sigilosamente os seus conhecimentos e técnicas em sociedades secretas. Eram contratados para construir catedrais, edifícios públicos, pontes, especialmente após guerras, incêndios e catástrofes naturais.

Para serem admitidos nessas sociedades secretas, os homens - estamos falando de um contexto patriarcal e machista - deviam ser pessoas de bem, honestas, generosas com os necessitados, e deviam acreditar numa divindade criadora (o “grande arquiteto do universo”), independente da religião que professassem.

Entre o fim da Idade Média e o início da Modernidade, foram admitidos às sociedades secretas profissionais de outras áreas e também artistas e intelectuais. Num contexto de analfabetismo generalizado e de concentração do conhecimento nas mãos da realeza e do clero, os seus membros liam e refletiam sobre diversas propostas filosóficas, nem sempre aceitas pela Igreja.

Sem deixarem completamente a construção civil, os membros das sociedades secretas foram se dedicando à construção dos novos princípios sociais, particularmente a nova burguesia, apoiando importantes movimentos, como o Renascimento (artístico e cultural), a Reforma Protestante, a colonização do Novo Mundo (Américas), o Iluminismo (a luz da razão devia prevalecer sobre as trevas da ignorância e das superstições), a Revolução Industrial, a Revolução Francesa (a transição entre a monarquia e a democracia), a independência das colônias em relação aos conquistadores europeus etc.

Questionando frontalmente as opções oficiais da Igreja Católica, os membros das sociedades secretas têm sofrido a perseguição das autoridades religiosas, embora há muitas histórias de sacerdotes, bispos e até papas que discretamente se associaram à maçonaria, especialmente o chamado “alto clero” (que procedia das famílias tradicionais e ricas e defendia os seus interesses).

Essas sociedades secretas, apesar da sua peculiar discrição, buscam se apresentar como ideologicamente abertas, religiosamente acolhedoras e sociologicamente filantrópicas, conquistando assim novos adeptos, especialmente jovens universitários e empresários.

Como quase tudo na atualidade, muitas pessoas se interessam pela maçonaria e suas sociedades secretas por interesses econômicos, para ter acesso a círculos sociais privilegiados, para se projetar na vida social e política, ou por puro modismo. Cogita-se que grandes empresários, bancários, políticos e militares das mais altas patentes pertençam à tais sociedades.

Os membros da maçonaria se identificam através do seu tradicional ícone do compasso sobre o esquadro (instrumentos utilizados pelos construtores) e pela letra “G” (que se refere à divindade criadora, chamada “grande arquiteto do universo”). O ícone está presente em objetos (anéis, pingentes) e em monumentos inaugurados em lugares estratégicos das cidades.


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