Pra começo de conversa,
a Igreja Católica Apostólica Romana se opõe frontalmente à maçonaria. Já em
1738, o papa Clemente XII escreveu um documento condenando essa sociedade
secreta. Referindo-se a ela como “reino de satanás”, o papa Leão XIII advertia
os bispos do mundo inteiro sobre a necessidade de combater a maçonaria. São
punidos com excomunhão os católicos que se associem a essa sociedade secreta.
A palavra “maçon” vem
do francês e significa pedreiro ou construtor. Não é simples a tarefa de
reconstruir a história da maçonaria, pela falta de documentos e registros. Há
muitas histórias fantasiosas, da parte de quem lhe é favorável e também de quem
se lhe opõe.
Muitos historiadores concordam
que a maçonaria foi-se organizando aos poucos. A sua origem pode estar
relacionada ao fim do Império Romano do ocidente, no século V da era cristã, quando
os antigos nobres se dispersaram pela Europa e precisaram construir novos
castelos e muralhas para se protegerem das ameaças, e também tiveram que abrir
estradas para transportarem os seus produtos. Supostamente com o objetivo de
valorizarem o seu trabalho, os construtores guardavam sigilosamente os seus
conhecimentos e técnicas em sociedades secretas. Eram contratados para
construir catedrais, edifícios públicos, pontes, especialmente após guerras,
incêndios e catástrofes naturais.
Para serem admitidos nessas
sociedades secretas, os homens - estamos falando de um contexto patriarcal e
machista - deviam ser pessoas de bem, honestas, generosas com os necessitados,
e deviam acreditar numa divindade criadora (o “grande arquiteto do universo”),
independente da religião que professassem.
Entre o fim da Idade
Média e o início da Modernidade, foram admitidos às sociedades secretas
profissionais de outras áreas e também artistas e intelectuais. Num contexto de
analfabetismo generalizado e de concentração do conhecimento nas mãos da
realeza e do clero, os seus membros liam e refletiam sobre diversas propostas
filosóficas, nem sempre aceitas pela Igreja.
Sem deixarem
completamente a construção civil, os membros das sociedades secretas foram se
dedicando à construção dos novos princípios sociais, particularmente a nova
burguesia, apoiando importantes movimentos, como o Renascimento (artístico e
cultural), a Reforma Protestante, a colonização do Novo Mundo (Américas), o
Iluminismo (a luz da razão devia prevalecer sobre as trevas da ignorância e das
superstições), a Revolução Industrial, a Revolução Francesa (a transição entre
a monarquia e a democracia), a independência das colônias em relação aos
conquistadores europeus etc.
Questionando
frontalmente as opções oficiais da Igreja Católica, os membros das sociedades
secretas têm sofrido a perseguição das autoridades religiosas, embora há muitas
histórias de sacerdotes, bispos e até papas que discretamente se associaram à
maçonaria, especialmente o chamado “alto clero” (que procedia das famílias
tradicionais e ricas e defendia os seus interesses).
Essas sociedades
secretas, apesar da sua peculiar discrição, buscam se apresentar como
ideologicamente abertas, religiosamente acolhedoras e sociologicamente
filantrópicas, conquistando assim novos adeptos, especialmente jovens
universitários e empresários.
Como quase tudo na
atualidade, muitas pessoas se interessam pela maçonaria e suas sociedades
secretas por interesses econômicos, para ter acesso a círculos sociais
privilegiados, para se projetar na vida social e política, ou por puro modismo.
Cogita-se que grandes empresários, bancários, políticos e militares das mais
altas patentes pertençam à tais sociedades.
Os membros da maçonaria
se identificam através do seu tradicional ícone do compasso sobre o esquadro
(instrumentos utilizados pelos construtores) e pela letra “G” (que se refere à
divindade criadora, chamada “grande arquiteto do universo”). O ícone está
presente em objetos (anéis, pingentes) e em monumentos inaugurados em lugares
estratégicos das cidades.

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