quarta-feira, 1 de maio de 2019

Sentido religioso do trabalho

O universo onde habitamos é fruto do pensamento amoroso de Deus Pai que se tornou realidade pelo poder da sua Palavra criadora. A Sabedoria infinita de Deus previu que todos os seres vivos e não vivos - assim como uma semente que, bem regada e cuidada, aos poucos vai se transformando numa grande árvore com folhas e frutos - fossem se desenvolvendo até alcançar a sua forma definitiva e, então, contribuir decididamente com o cuidado e o progresso material e espiritual da humanidade e da natureza, deixando de ser meros observadores extasiados para oferecer a sua preciosa contribuição.

De fato, Deus criou a mulher e o homem e lhes confiou a administração de diversos talentos e habilidades, tanto intelectuais quanto manuais, para que, a partir das coisas já existentes em estado bruto na natureza, eles pudessem imaginar, relacionar, associar, transformar e produzir criativamente novas coisas, através do trabalho.

Quer dizer, através do trabalho, a mulher e o homem desenvolvem o seu próprio ser, alcançando a sua forma definitiva, descobrindo e colocando em prática os seus talentos e habilidades, cuidando da humanidade e da natureza a fim de que prosperem material e espiritualmente.

Pensando desde esta perspectiva, o trabalho deixou de ser visto como um “castigo” (como sugere o livro do Gênesis, depois que Adão comeu do fruto proibido) para se tornar uma honrosa participação na própria ação criadora de Deus que continua melhorando as pessoas e a natureza através das atividades humanas.

Quando Deus Filho se fez Homem pela ação do Espírito Santo, graças à disponibilidade de Maria, acompanhada do homem justo José - carpinteiro de profissão -, todas as realidades e atividades humanas foram santificadas, incluindo a dimensão do trabalho.

Com o pai adotivo, Jesus aprendeu um ofício e, com o suor do próprio trabalho honesto, fazia chegar à mesa da sua família o pão de cada dia. “O filho do carpinteiro” é um dos mais conhecidos títulos atribuídos a Jesus pelos evangelistas.

É evidente que o trabalho - alguns mais, outros menos - possui uma forte dimensão de disciplina, de concentração, de esforço permanente, de renúncia, de superação, de cansaço físico e intelectual. Mas a alegria ao terminar uma jornada de trabalho, de finalizar satisfatoriamente uma atividade e de ser recompensado financeiramente é algo muito gratificante.

Infelizmente há muitas pessoas que não têm uma ocupação profissional, nem formal, nem informal, e estão privadas de expressar externamente todas as suas capacidades e talentos; e se sentem diminuídas e depressivas, sem conseguirem manter a si mesmas e a suas famílias. Também há aquelas que perdem a motivação para trabalhar por causa da remuneração insuficiente, especialmente nestes últimos tempos em que os direitos dos trabalhadores têm sido tão atacados.

É verdade que as condições dos trabalhadores já foram muito piores há alguns séculos atrás, com trabalhos escravos e jornadas intermináveis, sem os equipamentos de segurança indispensáveis, com absurdas diferenças de salário entre mulheres e homens. Tais condições foram mudando graças às diversas manifestações da classe operária, quase sempre violentamente reprimida.

Percebendo que os católicos não possuíam um intercessor para as importantes causas trabalhistas, a Igreja ofereceu aos operários o modelo e o testemunho do grande São José. Isso aconteceu através do papa Pio XII em 1955.

Desde então o pai adotivo de Jesus, o carpinteiro que ensinou a Deus Filho a importância e a dignidade do trabalho, tem intercedido pelos trabalhadores, especialmente no dia 01 de maio, na comemoração do Dia do Trabalho.


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