O universo onde
habitamos é fruto do pensamento amoroso de Deus Pai que se tornou realidade
pelo poder da sua Palavra criadora. A Sabedoria infinita de Deus previu que
todos os seres vivos e não vivos - assim como uma semente que, bem regada e
cuidada, aos poucos vai se transformando numa grande árvore com folhas e frutos
- fossem se desenvolvendo até alcançar a sua forma definitiva e, então,
contribuir decididamente com o cuidado e o progresso material e espiritual da
humanidade e da natureza, deixando de ser meros observadores extasiados para
oferecer a sua preciosa contribuição.
De fato, Deus criou a
mulher e o homem e lhes confiou a administração de diversos talentos e
habilidades, tanto intelectuais quanto manuais, para que, a partir das coisas
já existentes em estado bruto na natureza, eles pudessem imaginar, relacionar,
associar, transformar e produzir criativamente novas coisas, através do
trabalho.
Quer dizer, através do
trabalho, a mulher e o homem desenvolvem o seu próprio ser, alcançando a sua
forma definitiva, descobrindo e colocando em prática os seus talentos e
habilidades, cuidando da humanidade e da natureza a fim de que prosperem
material e espiritualmente.
Pensando desde esta
perspectiva, o trabalho deixou de ser visto como um “castigo” (como sugere o
livro do Gênesis, depois que Adão comeu do fruto proibido) para se tornar uma
honrosa participação na própria ação criadora de Deus que continua melhorando
as pessoas e a natureza através das atividades humanas.
Quando Deus Filho se
fez Homem pela ação do Espírito Santo, graças à disponibilidade de Maria,
acompanhada do homem justo José - carpinteiro de profissão -, todas as
realidades e atividades humanas foram santificadas, incluindo a dimensão do
trabalho.
Com o pai adotivo,
Jesus aprendeu um ofício e, com o suor do próprio trabalho honesto, fazia
chegar à mesa da sua família o pão de cada dia. “O filho do carpinteiro” é um
dos mais conhecidos títulos atribuídos a Jesus pelos evangelistas.
É evidente que o
trabalho - alguns mais, outros menos - possui uma forte dimensão de disciplina,
de concentração, de esforço permanente, de renúncia, de superação, de cansaço
físico e intelectual. Mas a alegria ao terminar uma jornada de trabalho, de
finalizar satisfatoriamente uma atividade e de ser recompensado financeiramente
é algo muito gratificante.
Infelizmente há muitas
pessoas que não têm uma ocupação profissional, nem formal, nem informal, e
estão privadas de expressar externamente todas as suas capacidades e talentos;
e se sentem diminuídas e depressivas, sem conseguirem manter a si mesmas e a
suas famílias. Também há aquelas que perdem a motivação para trabalhar por
causa da remuneração insuficiente, especialmente nestes últimos tempos em que
os direitos dos trabalhadores têm sido tão atacados.
É verdade que as
condições dos trabalhadores já foram muito piores há alguns séculos atrás, com
trabalhos escravos e jornadas intermináveis, sem os equipamentos de segurança
indispensáveis, com absurdas diferenças de salário entre mulheres e homens.
Tais condições foram mudando graças às diversas manifestações da classe
operária, quase sempre violentamente reprimida.
Percebendo que os
católicos não possuíam um intercessor para as importantes causas trabalhistas,
a Igreja ofereceu aos operários o modelo e o testemunho do grande São José. Isso
aconteceu através do papa Pio XII em 1955.
Desde então o pai
adotivo de Jesus, o carpinteiro que ensinou a Deus Filho a importância e a
dignidade do trabalho, tem intercedido pelos trabalhadores, especialmente no
dia 01 de maio, na comemoração do Dia do Trabalho.

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