segunda-feira, 13 de maio de 2019

Roupa infantil

Apesar de já terem os seus próprios gostos e preferências, as crianças dependem em tudo dos seus pais ou responsáveis, inclusive economicamente para a compra das suas roupas, sapatos e acessórios.

É legítimo que as pessoas se vistam e apresentem publicamente uma imagem de si mesmas conforme os seus gostos e preferências. Faz parte da construção da personalidade, da individualidade, da originalidade. Fatores climáticos, culturais, econômicos e religiosos influenciam a escolha das vestimentas.

Devido à convivência em sociedade, as roupas, sapatos e acessórios devem ser proporcionais ao que é aceito e tolerável pelo bom senso comum. A estética oferece preciosas referências para que as pessoas possam se vestir de modo confortável e elegante, como pede cada lugar e ocasião, pois não é o mesmo se vestir para um casamento e fazê-lo para um passeio no campo.

Há pessoas que estudam a estética, a moda, e se dedicam profissionalmente a esta área; trabalham incessantemente na produção, distribuição e venda de roupas, sapatos e acessórios.

O mercado da moda movimenta muito dinheiro, graças às propagandas através dos meios de comunicação e também aos artistas em filmes, novelas, concertos musicais etc. A sua estratégia de venda tem sido muito eficaz, e muitas pessoas se tornam compradoras compulsivas de roupas, sapatos e acessórios.

Essa realidade era mais comum entre as mulheres, mas ultimamente os homens também têm entrado neste consumismo, neste modismo. Até mesmo as crianças - graças aos apelos dos meios de comunicação e com o consentimento consciente ou inconsciente dos pais ou educadores - estão se tornando compulsivas por roupas, sapatos e acessórios, mesmo sendo economicamente dependentes.

Assim como acontece em outras áreas da vida das crianças, elas costumam imitar os seus pais e educadores também nos seus gostos e preferências para se vestirem. Em muitos casos, as crianças acabam vestindo as roupas, sapatos e acessórios comprados pelos pais e educadores, geralmente proporcionais à sua faixa etária, ou seja, infantis.

Mas têm-se multiplicado os casos em que as crianças são incentivadas a se vestirem com roupas adultas, similares à utilizadas pelos seus pais e educadores, geralmente não adequadas para que as crianças brinquem e se divirtam, como deve ser nesta etapa da vida.

Assumir antecipadamente um estilo de vida adulto pode gerar nas crianças ansiedade, depressão, baixa auto-estima e estresse desnecessários, com conseqüências psicológicas e até psiquiátricas a médio e longo prazos.

Também existe a possibilidade da erotização das crianças - que pode estimular a prática da pedofilia (interesse sexual por crianças) -, pois as meninas utilizam saias curtas, camisas com decotes, maquiagens, acessórios e penteados similares aos das mulheres adultas. E com os meninos, o processo não é muito diferente.

Claro que há ocasiões e lugares que requerem roupas, sapatos e acessórios especiais para as crianças. E também nada impede que os pais e educadores com maior poder aquisitivo vistam as crianças com mais elegância, desde que elas se sintam bem e confortáveis. O importante é estar consciente e resistir ao consumismo, ao modismo, à erotização, e permitir que a criança possa brincar e se divertir de modo saudável, prevenindo-as - enquanto é possível - das neuroses próprias da vida adulta. A partir da juventude, as crianças vão ter maior autonomia para decidir como se vestirem, com a correspondente independência econômica.


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