Apesar de já terem os
seus próprios gostos e preferências, as crianças dependem em tudo dos seus pais
ou responsáveis, inclusive economicamente para a compra das suas roupas,
sapatos e acessórios.
É legítimo que as
pessoas se vistam e apresentem publicamente uma imagem de si mesmas conforme os
seus gostos e preferências. Faz parte da construção da personalidade, da
individualidade, da originalidade. Fatores climáticos, culturais, econômicos e
religiosos influenciam a escolha das vestimentas.
Devido à convivência em
sociedade, as roupas, sapatos e acessórios devem ser proporcionais ao que é
aceito e tolerável pelo bom senso comum. A estética oferece preciosas
referências para que as pessoas possam se vestir de modo confortável e
elegante, como pede cada lugar e ocasião, pois não é o mesmo se vestir para um
casamento e fazê-lo para um passeio no campo.
Há pessoas que estudam a
estética, a moda, e se dedicam profissionalmente a esta área; trabalham
incessantemente na produção, distribuição e venda de roupas, sapatos e
acessórios.
O mercado da moda movimenta
muito dinheiro, graças às propagandas através dos meios de comunicação e também
aos artistas em filmes, novelas, concertos musicais etc. A sua estratégia de
venda tem sido muito eficaz, e muitas pessoas se tornam compradoras compulsivas
de roupas, sapatos e acessórios.
Essa realidade era mais
comum entre as mulheres, mas ultimamente os homens também têm entrado neste
consumismo, neste modismo. Até mesmo as crianças - graças aos apelos dos meios
de comunicação e com o consentimento consciente ou inconsciente dos pais ou
educadores - estão se tornando compulsivas por roupas, sapatos e acessórios,
mesmo sendo economicamente dependentes.
Assim como acontece em
outras áreas da vida das crianças, elas costumam imitar os seus pais e
educadores também nos seus gostos e preferências para se vestirem. Em muitos
casos, as crianças acabam vestindo as roupas, sapatos e acessórios comprados
pelos pais e educadores, geralmente proporcionais à sua faixa etária, ou seja,
infantis.
Mas têm-se multiplicado
os casos em que as crianças são incentivadas a se vestirem com roupas adultas,
similares à utilizadas pelos seus pais e educadores, geralmente não adequadas
para que as crianças brinquem e se divirtam, como deve ser nesta etapa da vida.
Assumir antecipadamente
um estilo de vida adulto pode gerar nas crianças ansiedade, depressão, baixa
auto-estima e estresse desnecessários, com conseqüências psicológicas e até
psiquiátricas a médio e longo prazos.
Também existe a
possibilidade da erotização das crianças - que pode estimular a prática da
pedofilia (interesse sexual por crianças) -, pois as meninas utilizam saias
curtas, camisas com decotes, maquiagens, acessórios e penteados similares aos
das mulheres adultas. E com os meninos, o processo não é muito diferente.
Claro que há ocasiões e
lugares que requerem roupas, sapatos e acessórios especiais para as crianças. E
também nada impede que os pais e educadores com maior poder aquisitivo vistam
as crianças com mais elegância, desde que elas se sintam bem e confortáveis. O
importante é estar consciente e resistir ao consumismo, ao modismo, à
erotização, e permitir que a criança possa brincar e se divertir de modo
saudável, prevenindo-as - enquanto é possível - das neuroses próprias da vida adulta.
A partir da juventude, as crianças vão ter maior autonomia para decidir como se
vestirem, com a correspondente independência econômica.

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