“Marta estava ocupada
pelo muito serviço. Parando, por fim, disse: ‘Senhor, a Ti não importa que
minha irmã me deixe assim sozinha a fazer o serviço? Dize-lhe, pois, que me
ajude’. O Senhor, porém, respondeu: “Marta, Marta, tu te inquietas e te agitas
por muitas coisas; no entanto, pouca coisa é necessária, até mesmo uma só.
Maria, com efeito, escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada’” (Lucas
10, 40-42).
Na Igreja Católica
Apostólica Romana, desde os tempos mais remotos, existe a experiência da vida
religiosa contemplativa, pela qual mulheres e homens consagrados se dedicam à
oração constante e ao silêncio, vivendo em conventos, livremente separados do
contato com a sociedade, com as demais pessoas. Tanto a Tradição quanto a
Hierarquia da Igreja valorizam e incentivam as vocações à vida consagrada
contemplativa.
Claro, as mulheres e
homens que assumem esse estilo de vida também realizam atividades domésticas
(limpeza do convento, preparação dos alimentos, cuidado das roupas etc) e à fabricação de artesanato religioso, de
alimentos caseiros (pães, geleias etc) e de produtos religiosos (velas,
hóstias, vinho etc). Há também momentos comunitários para estudos e algum
passeio ou diversão.
Nem todos os católicos
se sentem especialmente chamados por Deus à vida consagrada contemplativa.
Grande parte dos sacerdotes, religiosas, religiosos, leigas e leigos decidem
seguir a Jesus Cristo e servi-Lo na Igreja na vida apostólica, mantendo o
contato com a sociedade, com as demais pessoas. Dedicam-se formalmente à oração
em alguns momentos do dia, mas estão envolvidos nas paróquias e comunidades,
nas pastorais e movimentos, nos colégios e universidades, na promoção social
etc.
E, no caso das leigas e
leigos, muitos são casados, com esposo, esposa, filhos, netos, e dedicam uma
considerável parte do tempo à convivência com a família, à sua educação,
cuidado e sustento, através do trabalho honesto e remunerado.
Uma leitura rápida e
desatenta deste trecho do Evangelho segundo Lucas poderia concluir erroneamente
que Jesus valoriza mais a oração que a ação. É preciso recordar que Deus Filho
feito Homem, ainda tendo muitos e intensos momentos pessoais de espiritualidade
em lugares isolados, foi um grande missionário, percorrendo aldeias e povoados,
anunciando a Boa Notícia do Reino de Deus, em contato com as pessoas,
defendendo os pobres e humildes, cuidando dos doentes.
Exceto as mulheres e
homens especialmente consagrados à oração e ao silêncio nos conventos de vida
contemplativa, os demais católicos - que fizemos uma opção pela vida apostólica
-, sem descuidar a fidelidade à oração pessoal e comunitária, devemos nos
dedicar decididamente à ação transformadora da humanidade e do mundo, pela
força da fé, impulsionados pelo Espírito Santo, seguindo o exemplo e o
testemunho dos cristãos das primeiras gerações. Integremos no nosso ser o ardor
apostólico de Marta e a espiritualidade sincera e fiel de Maria.

Amém.
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