terça-feira, 7 de maio de 2019

Marta e Maria

“Marta estava ocupada pelo muito serviço. Parando, por fim, disse: ‘Senhor, a Ti não importa que minha irmã me deixe assim sozinha a fazer o serviço? Dize-lhe, pois, que me ajude’. O Senhor, porém, respondeu: “Marta, Marta, tu te inquietas e te agitas por muitas coisas; no entanto, pouca coisa é necessária, até mesmo uma só. Maria, com efeito, escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada’” (Lucas 10, 40-42).

Na Igreja Católica Apostólica Romana, desde os tempos mais remotos, existe a experiência da vida religiosa contemplativa, pela qual mulheres e homens consagrados se dedicam à oração constante e ao silêncio, vivendo em conventos, livremente separados do contato com a sociedade, com as demais pessoas. Tanto a Tradição quanto a Hierarquia da Igreja valorizam e incentivam as vocações à vida consagrada contemplativa.

Claro, as mulheres e homens que assumem esse estilo de vida também realizam atividades domésticas (limpeza do convento, preparação dos alimentos, cuidado das roupas etc)  e à fabricação de artesanato religioso, de alimentos caseiros (pães, geleias etc) e de produtos religiosos (velas, hóstias, vinho etc). Há também momentos comunitários para estudos e algum passeio ou diversão.

Nem todos os católicos se sentem especialmente chamados por Deus à vida consagrada contemplativa. Grande parte dos sacerdotes, religiosas, religiosos, leigas e leigos decidem seguir a Jesus Cristo e servi-Lo na Igreja na vida apostólica, mantendo o contato com a sociedade, com as demais pessoas. Dedicam-se formalmente à oração em alguns momentos do dia, mas estão envolvidos nas paróquias e comunidades, nas pastorais e movimentos, nos colégios e universidades, na promoção social etc.

E, no caso das leigas e leigos, muitos são casados, com esposo, esposa, filhos, netos, e dedicam uma considerável parte do tempo à convivência com a família, à sua educação, cuidado e sustento, através do trabalho honesto e remunerado.

Uma leitura rápida e desatenta deste trecho do Evangelho segundo Lucas poderia concluir erroneamente que Jesus valoriza mais a oração que a ação. É preciso recordar que Deus Filho feito Homem, ainda tendo muitos e intensos momentos pessoais de espiritualidade em lugares isolados, foi um grande missionário, percorrendo aldeias e povoados, anunciando a Boa Notícia do Reino de Deus, em contato com as pessoas, defendendo os pobres e humildes, cuidando dos doentes.

Exceto as mulheres e homens especialmente consagrados à oração e ao silêncio nos conventos de vida contemplativa, os demais católicos - que fizemos uma opção pela vida apostólica -, sem descuidar a fidelidade à oração pessoal e comunitária, devemos nos dedicar decididamente à ação transformadora da humanidade e do mundo, pela força da fé, impulsionados pelo Espírito Santo, seguindo o exemplo e o testemunho dos cristãos das primeiras gerações. Integremos no nosso ser o ardor apostólico de Marta e a espiritualidade sincera e fiel de Maria.


Um comentário:

Pense comigo

Por que eu não gosto de pobre? Porque pobre é vagabundo e preguiçoso; porque ele pesa no bolso da sociedade; porque ele suja e enfeia a cida...