A Liturgia é uma
linguagem pela qual se comunicam Deus e aqueles que n’Ele crêem. Essa linguagem
se expressa de modo oral, por gestos e também por símbolos. Pertencem à
linguagem litúrgica frases e palavras, vozes acompanhadas de instrumentos musicais,
expressões corporais, a luz das velas, as cores das toalhas, a arte dos vitrais,
a água, o pão, o vinho etc.
Todo católico que
participa da Eucaristia dominical tem uma noção básica sobre a linguagem
litúrgica, graças aos tempos da sua preparação aos sacramentos na Catequese, e
também por escutar as pregações dos sacerdotes e os comentários que acompanham
os ritos litúrgicos.
Essa noção básica,
ainda que sumamente válida e importante, é insuficiente para um católico
consciente do chamado que Deus lhe dirige para servi-Lo na Igreja. Enquanto o
católico tradicional se contenta em cumprir o preceito de “escutar missa no
domingo”, o católico consciente sabe que deve ser um leigo atuante, exercendo o
seu protagonismo na Igreja, especialmente na Liturgia, participando ativamente,
seja acolhendo ou despedindo os fiéis, seja cantando ou tocando um instrumento
musical, seja proclamando uma leitura, seja auxiliando os sacerdotes nas suas
funções, seja distribuindo o Pão consagrado etc.
Para servir a Deus e à
Igreja como o mercem, de modo digno, o católico consciente sabe que é preciso
se preparar adequadamente, através de cursos, formações e capacitações.
Possivelmente seja por essa razão que muitos fiéis não se comprometem, pois não
se sentem suficientemente preparados para fazê-lo.
Também é preciso reconhecer que, muitas vezes, são convidadas a exercer algum
ministério pessoas sem a indispensável formação litúrgica. Seguramente é muito
válida a boa-vontade acompanhada da disponibilidade; mas é a preparação
litúrgica que dá a segurança necessária para desempenhar bem um ministério,
conforme as orientações oficiais da Igreja.
A falta de capacitação
litúrgica geralmente produz conseqüências bastante comuns: “invenções” sem
fundamento, excesso de criatividade, rigorismos autoritaristas, obediência
cega, entre outras. Muitas vezes se busca aplicar na nossa realidade
latino-americana o modelo litúrgico europeu, sem considerar suficientemente a
caminhada litúrgica da Igreja católica no nosso continente, com aprovação
eclesiástica, que busca valorizar as características próprias do povo latino-americano
com as suas expressões culturais.
Sim, a Liturgia tem uma
enorme abertura que permite a criatividade. Seria como preparar uma comida ou
organizar uma casa: cada família legitimamente tem os seus temperos preferidos,
transmitidos entre as diferentes gerações; os móveis são dispostos nos
diferentes ambientes conforme os critérios estéticos e o bem-estar dos
familiares.
Mas a Liturgia também tem alguns aspectos fundamentais que precisam ser
observados, para garantir a sua fidelidade e finalidade. Por exemplo: para
preparar um bolo, são indispensáveis os ovos e o fermento; o lugar do forno
microondas é na cozinha, e não no banheiro.
Incentivemos a formação litúrgica dos fiéis, de todos os fiéis, mas sobretudo
daqueles que já desempenham ministérios durante a Eucaristia, a fim de que
realizem as suas funções de modo digno e com conhecimento, não apenas para
obedecer e mecanicamente. Valorizemos os cursos, as capacitações, os materiais
e livros publicados. Dediquemo-nos em conhecer e enriquecer a Liturgia, a fim
de que a comunicação entre Deus e aqueles que n’Ele crêem seja mais afetiva e
afetiva.

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