segunda-feira, 6 de maio de 2019

Formação litúrgica

A Liturgia é uma linguagem pela qual se comunicam Deus e aqueles que n’Ele crêem. Essa linguagem se expressa de modo oral, por gestos e também por símbolos. Pertencem à linguagem litúrgica frases e palavras, vozes acompanhadas de instrumentos musicais, expressões corporais, a luz das velas, as cores das toalhas, a arte dos vitrais, a água, o pão, o vinho etc.

Todo católico que participa da Eucaristia dominical tem uma noção básica sobre a linguagem litúrgica, graças aos tempos da sua preparação aos sacramentos na Catequese, e também por escutar as pregações dos sacerdotes e os comentários que acompanham os ritos litúrgicos.

Essa noção básica, ainda que sumamente válida e importante, é insuficiente para um católico consciente do chamado que Deus lhe dirige para servi-Lo na Igreja. Enquanto o católico tradicional se contenta em cumprir o preceito de “escutar missa no domingo”, o católico consciente sabe que deve ser um leigo atuante, exercendo o seu protagonismo na Igreja, especialmente na Liturgia, participando ativamente, seja acolhendo ou despedindo os fiéis, seja cantando ou tocando um instrumento musical, seja proclamando uma leitura, seja auxiliando os sacerdotes nas suas funções, seja distribuindo o Pão consagrado etc.

Para servir a Deus e à Igreja como o mercem, de modo digno, o católico consciente sabe que é preciso se preparar adequadamente, através de cursos, formações e capacitações. Possivelmente seja por essa razão que muitos fiéis não se comprometem, pois não se sentem suficientemente preparados para fazê-lo.
Também é preciso reconhecer que, muitas vezes, são convidadas a exercer algum ministério pessoas sem a indispensável formação litúrgica. Seguramente é muito válida a boa-vontade acompanhada da disponibilidade; mas é a preparação litúrgica que dá a segurança necessária para desempenhar bem um ministério, conforme as orientações oficiais da Igreja.

A falta de capacitação litúrgica geralmente produz conseqüências bastante comuns: “invenções” sem fundamento, excesso de criatividade, rigorismos autoritaristas, obediência cega, entre outras. Muitas vezes se busca aplicar na nossa realidade latino-americana o modelo litúrgico europeu, sem considerar suficientemente a caminhada litúrgica da Igreja católica no nosso continente, com aprovação eclesiástica, que busca valorizar as características próprias do povo latino-americano com as suas expressões culturais.

Sim, a Liturgia tem uma enorme abertura que permite a criatividade. Seria como preparar uma comida ou organizar uma casa: cada família legitimamente tem os seus temperos preferidos, transmitidos entre as diferentes gerações; os móveis são dispostos nos diferentes ambientes conforme os critérios estéticos e o bem-estar dos familiares.
Mas a Liturgia também tem alguns aspectos fundamentais que precisam ser observados, para garantir a sua fidelidade e finalidade. Por exemplo: para preparar um bolo, são indispensáveis os ovos e o fermento; o lugar do forno microondas é na cozinha, e não no banheiro.
Incentivemos a formação litúrgica dos fiéis, de todos os fiéis, mas sobretudo daqueles que já desempenham ministérios durante a Eucaristia, a fim de que realizem as suas funções de modo digno e com conhecimento, não apenas para obedecer e mecanicamente. Valorizemos os cursos, as capacitações, os materiais e livros publicados. Dediquemo-nos em conhecer e enriquecer a Liturgia, a fim de que a comunicação entre Deus e aqueles que n’Ele crêem seja mais afetiva e afetiva. 


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