A juventude é um
fenômeno diverso e complexo. O meio e as circunstâncias em que vivem os
adolescentes e jovens interferem na sua maneira de pensar, de agir e de se
relacionar.
Pertencem ao fenômeno
juvenil as moças e rapazes dos grandes centros urbanos, cujos lares lhes
disponibilizam sinal de Internet sem-fio (Wi-Fi) e serviço de transmissão de
filmes e séries (como Youtube e Netflix); e também os adolescentes e jovens que
vivem nas periferias ou em pequenas cidades do interior, distantes dos grandes
centros comerciais, dos concorridos estádios de futebol, das discotecas mais
badaladas.
É possível que a
juventude hiper conectada e dependente das tecnologias de comunicação e
entretenimento, geralmente pouco sociável e introspectiva, tenha certo
desinteresse ou aversão aos tradicionais grupos de jovens paroquiais. A reação
pode ser outra quando consideramos os adolescentes e jovens com menos recursos
tecnológicos e financeiros, mais afeitos aos contatos interpessoais.
Os tradicionais grupos
de jovens paroquiais costumavam ser espaços fraternos onde os participantes
interagiam entre si, através da acolhida sincera, das músicas animadas
acompanhadas de instrumentos, vozes e coreografias, da oração espontânea, da
reflexão da Palavra de Deus, de discussões sobre assuntos referentes à vida
juvenil e importantes temas sociais e eclesiais, de visitas missionárias, de
peregrinações e passeios, assumindo pequenos compromissos e responsabilidades
na comunidade, na Liturgia etc.
Reunindo-se antes ou
depois das missas nos salões paroquiais, estes grupos eram freqüentados
principalmente por jovens que já tinham recebido o sacramento da Confirmação e
queriam perseverar na fé; mas sempre acolhiam novos membros sem os sacramentos,
e estes eram encaminhados à Catequese. Dos tradicionais grupos de jovens
paroquiais surgiam novos catequistas, ministérios de música, membros de
diversas pastorais e movimentos, futuros responsáveis de comunidades, vocações
ao sacerdócio e à vida consagrada.
Diferente da Catequese
- na qual os assuntos e temas já estavam pré-definidos e os catequistas falavam
enquanto os adolescentes e jovens só tinha que escutar - os tradicionais grupos
de jovens paroquiais eram espaços de espontaneidade e criatividade; e essa
dinâmica atraía muitas moças e rapazes e motivava a permanência deles.
Continuam fortemente
válidas as estratégias pastorais e pedagógicas dos grupos de jovens,
especialmente nas periferias ou nas pequenas cidades do interior. Nos grandes
centros urbanos, diante de adolescentes e jovens mais apáticos ou exigentes, é
preciso pensar em estratégias diferentes que incentivem mais a socialização, a
relação interpessoal, a utilização de tecnologias de comunicação, a discussão
de vídeos, uma espiritualidade missionária, a realização de encontros fora dos
salões paroquiais (espaços urbanos, lugares em contato com a natureza) etc.
No trabalho com a
juventude, ontem, hoje e sempre, é importante a inovação e a criatividade, sem
deixar cair na mesmice, na rotina. E também permitir que as moças e os rapazes
exerçam o seu protagonismo, sem substituí-los pelos adultos, que apenas lhes
apóiam e acompanham.

Nenhum comentário:
Postar um comentário