domingo, 5 de maio de 2019

Grupo de jovens

A juventude é um fenômeno diverso e complexo. O meio e as circunstâncias em que vivem os adolescentes e jovens interferem na sua maneira de pensar, de agir e de se relacionar.

Pertencem ao fenômeno juvenil as moças e rapazes dos grandes centros urbanos, cujos lares lhes disponibilizam sinal de Internet sem-fio (Wi-Fi) e serviço de transmissão de filmes e séries (como Youtube e Netflix); e também os adolescentes e jovens que vivem nas periferias ou em pequenas cidades do interior, distantes dos grandes centros comerciais, dos concorridos estádios de futebol, das discotecas mais badaladas.

É possível que a juventude hiper conectada e dependente das tecnologias de comunicação e entretenimento, geralmente pouco sociável e introspectiva, tenha certo desinteresse ou aversão aos tradicionais grupos de jovens paroquiais. A reação pode ser outra quando consideramos os adolescentes e jovens com menos recursos tecnológicos e financeiros, mais afeitos aos contatos interpessoais.

Os tradicionais grupos de jovens paroquiais costumavam ser espaços fraternos onde os participantes interagiam entre si, através da acolhida sincera, das músicas animadas acompanhadas de instrumentos, vozes e coreografias, da oração espontânea, da reflexão da Palavra de Deus, de discussões sobre assuntos referentes à vida juvenil e importantes temas sociais e eclesiais, de visitas missionárias, de peregrinações e passeios, assumindo pequenos compromissos e responsabilidades na comunidade, na Liturgia etc.

Reunindo-se antes ou depois das missas nos salões paroquiais, estes grupos eram freqüentados principalmente por jovens que já tinham recebido o sacramento da Confirmação e queriam perseverar na fé; mas sempre acolhiam novos membros sem os sacramentos, e estes eram encaminhados à Catequese. Dos tradicionais grupos de jovens paroquiais surgiam novos catequistas, ministérios de música, membros de diversas pastorais e movimentos, futuros responsáveis de comunidades, vocações ao sacerdócio e à vida consagrada.

Diferente da Catequese - na qual os assuntos e temas já estavam pré-definidos e os catequistas falavam enquanto os adolescentes e jovens só tinha que escutar - os tradicionais grupos de jovens paroquiais eram espaços de espontaneidade e criatividade; e essa dinâmica atraía muitas moças e rapazes e motivava a permanência deles.

Continuam fortemente válidas as estratégias pastorais e pedagógicas dos grupos de jovens, especialmente nas periferias ou nas pequenas cidades do interior. Nos grandes centros urbanos, diante de adolescentes e jovens mais apáticos ou exigentes, é preciso pensar em estratégias diferentes que incentivem mais a socialização, a relação interpessoal, a utilização de tecnologias de comunicação, a discussão de vídeos, uma espiritualidade missionária, a realização de encontros fora dos salões paroquiais (espaços urbanos, lugares em contato com a natureza) etc.

No trabalho com a juventude, ontem, hoje e sempre, é importante a inovação e a criatividade, sem deixar cair na mesmice, na rotina. E também permitir que as moças e os rapazes exerçam o seu protagonismo, sem substituí-los pelos adultos, que apenas lhes apóiam e acompanham.


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