- Moro no morro porque não tenho outro lugar pra morar. Se não fosse no morro, estaria morando na rua. Minhas crianças não podem ficar na rua. Não tenho dinheiro pra aluguel, luz, água... Só pra comer, e olha lá... A gente ganha comida e roupa... Não estou trabalhando, só fazendo uns bicos...
- Mas vocês moram numa zona de risco. Aqui não é seguro. Com estas chuvas, o morro pode deslizar e arrastar tudo que estiver pela frente. Precisam se retirar e morar num lugar mais seguro. Podem ficar provisoriamente no alojamento. Pense nas crianças.
- O alojamento fica longe. A creche das crianças é aqui perto; faço meus bicos por aqui também. Não dá pra sair. Se a gente se for, outros vão ocupar nosso lugar. Pro governo somos lixo que deve ser recolhido do centro e jogado num lugar bem longe. Nós também somos cidadãos. Somos gente!
- Isso não é verdade! Me desculpe. Essa área é de proteção ambiental e vocês a invadiram. O governo precisa zelar pela segurança de vocês e pelo meio ambiente. É uma decisão difícil, mas precisa ser tomada.
- Vocês chegaram tarde demais. Tem famílias que moram aqui há uns 30 anos. Já têm usucapião. É propriedade nossa. Os documentos estão em negociação. Lutamos por melhorias: energia, esgoto, asfalto, ônibus, creche, posto de saúde... Ninguém vai tirar a gente daqui não...
- Como convencer as pessoas a se retirarem das zonas de risco invadidas onde moram?
- Que alternativas podem ser criadas para realocar as pessoas em lugares mais seguros para morar?