- Eu sou um "desigrejado".
- Oi?
- Sim, um "desigrejado". Faço parte de um grupo cada vez mais numeroso de crentes que deixaram suas igrejas neopentecostais, decepcionados com o contratestemunho e enriquecimento dos seus pastores.
- Nunca ouvi falar desta expressão, mas entendi do que se trata.
- As igrejas neopentecostais prometeram muito, mas entregaram pouco.
- Como assim?
- Falaram de milagres, de bênçãos, de riquezas... Mas a vida dos crentes continuava a mesma; só a vida dos pastores melhorava.
- Vocês se sentem enganados?
- Enganados, ludibriados. Chegávamos nos cultos endividados, desempregados, frustrados, deprimidos, com problemas familiares, vulneráveis... E os pastores vinham com aquela conversinha fiada, parecendo mais coaching que pregação da Palavra de Deus... Dávamos até dinheiro que não tínhamos... Alguns vendiam os poucos bens que possuíam para atender os pedidos dos pastores.
- Que horror, meu Deus!
- Falando mais de política do que de religião, manipulando nossa consciência através do medo, exigindo que votássemos nos candidatos da igreja, supostamente enviados por Deus para nós representar na terra.
- Terrível isso... E vocês agora não frequentam igreja nenhuma...
- Igreja nenhuma! Não acreditamos mais nos homens; única e exclusivamente em Deus! Alguns foram pros terreiros de Umbanda, de Candomblé...
- Umbanda? Candomblé? Mas vocês não eram cristãos? Deixaram o Cristianismo?
- Essas religiões são mais acolhedoras e têm-se popularizado muito na sociedade. É como uma modinha. Muitos artistas e esportistas têm ido aos terreiros de Umbanda e Candomblé, atraindo seus seguidores...
- Mas nessas religiões também têm muito charlatanismo... Muitas mães e pais de santos desonestos e trambiqueiros. Devem tomar cuidado para não fugirem de leões e acabarem devorados por tubarões...
- Você conhece algum "desigrejado"? O que você lhe diria?
- É bom negócio trocar igreja neopentecostal por terreiro de Umbanda ou Candomblé? Por quê?
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