- Obrigada por ter vindo, padre.
- Onde ela está?
- Me acompanhe.
- Oi, dona Emília! Tudo bem com a senhora?
- Ela não fala, padre. Fica assim, quietinha. Só chora.
- Sou o padre. Vim aqui visitar a senhora.
- Depois da morte da vovó a mamãe caiu nessa tristeza, sabe...
- Dona Emília, a senhora é uma mulher de fé. Deus sabe o que faz. A sua mamãe estava bem idosa e enferma. Era hora de descansar com Deus nos Céus. Temos o direito de ficar triste e chorar. É o tempo do luto. Mas precisamos reagir, dona Emília.
- Ela não quer sair do quarto, não abre as janelas, não come nem quer tomar banho, padre.
- Vamos mudar isso, dona Emília? Sua vida precisa continuar, sua família precisa da senhora e se preocupa.
- Snif, snif...
- Ela está fazendo algum tratamento? Está sendo acompanhada?
- Sim, padre. Está tomando antidepressivo prescrito pelo psiquiatra. Mas ela não gosta de tomar, não.
- Tem que tomar, dona Emília, senão a senhora não sara.
- Ela fica agressiva, padre, e xinga a gente.
- Faça isso não, dona Emília. A sua família a ama e só quer lhe ajudar. Seja boazinha, viu?
- Não quer saber de rezar, de ir à missa.
- Dona Emília, vou rezar pela sua saúde e lhe ministrar o sacramento da Unção dos Enfermos. Que Jesus, pela intercessão da Virgem Maria, cure a senhora e lhe liberte dessa depressão, dessa tristeza profunda!
- Padre, muitíssimo obrigada pela sua visita. Tenho fé em Deus de que a mamãe vai sair dessa!
- Continuem dando o remédio conforme a prescrição médica; levem-na para caminhar, ver gente, respirar ar puro, sair desse quarto; insistam na alimentação e no asseio pessoal e, claro; rezem, rezem muito, para que a graça de Deus aconteça! Não desanimem, viu?
- Nem sei como agradecer, padre.
- Lembrem-se de mim nas suas orações. Isso me basta.
- Como lidar com pessoas deprimidas?
- Como ajudar as famílias com parentes em depressão?
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