- E como você pretende se eleger?
- Isso é muito fácil, é muito simples. Basta a gente se vestir bem, caprichar no sorriso, dar uns abraços, dizer meia dúzia de palavras bonitas, pra parecer que a gente entende dos assuntos, e pronto.
- Nada disso, não é tão simples assim, não. As pessoas não se deixam enganar.
- Bobagem. A coisa mais fácil é enganar os eleitores. Ninguém assiste notícias, ninguém lê nada. O povo tem memória curta. A gente apronta, faz coisa errada, e ninguém está nem aí.
- Mas quais são as suas propostas?
- Tenho propostas não. Invento qualquer coisa na hora do discurso. Ninguém confere nada mesmo. Depois é só correr pro abraço: ganhar dinheiro fácil nas costas dos eleitores.
- Que horror isso! Jamais votaria em alguém como você. Isso me dá nojo!
- Não preciso do seu voto, não. Um voto a mais, um voto a menos, não me faz falta. O importante é alcançar a quantidade mínima. Aí já era. Terão que me aguentar por quatro anos, me sustentar, a mim e à minha família.
- Como você se informa antes de votar?
- Quais são os seus critérios para escolher um candidato?
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