É verdade: os sacerdotes católicos, por amor a Cristo
e à Igreja, e por um dom especial do Espírito Santo a eles concedido,
dedicam-se em tempo integral e de modo permanente ao anúncio da Palavra de Deus
e ao acompanhamento das comunidades cristãs, santificando aos fiéis através da
celebração dos sacramentos da Igreja, promovendo a vida das pessoas mais
pobres, contribuindo à manifestação do Reino de Deus no mundo.
Pelo celibato (ou pelo voto de castidade, no caso dos
especialmente consagrados a Deus), os sacerdotes vivem em continência sexual,
privando-se de constituir uma nova família pelo sacramento do Matrimônio, sem
esposa e sem filhos, adiantando no tempo presente o estilo de vida que vai se
iniciar na eternidade feliz junto a Deus, quando as mulheres e homens já não
vão se unir íntima e sexualmente, pois vão ser como os anjos dos Céus.
Vivendo em continência, os sacerdotes, exercendo a
dimensão profética do seu ministério, sem palavras, anunciam o amor livre,
gratuito e universal - plenamente vivido pelo Filho de Deus feito Homem - e, ao
mesmo tempo, denunciam o hedonismo, a supervalorização e banalização da
sexualidade e da sensualidade. Demonstram, sem se equivocarem, que o corpo
humano é templo sagrado onde habita o Espírito Santo.
Um católico que aceitou o chamado de Jesus Cristo para
viver a sua fé na radicalidade do celibato ou da castidade, livremente
renunciando ao Matrimônio e à vida de casal e de família, poderia aconselhar as
esposas e esposos? A resposta é: sim, poderia.
Jesus Cristo e a Igreja valorizam o amor conjugal e as
famílias, entendendo a união da mulher ao homem abençoada por Deus como um
sinal incontestável do amor gratuito e fiel de Deus-Esposo pela
humanidade-esposa (e as comunidades cristãs compreenderam o Matrimônio como
sinal do amor de Cristo-Esposo pela Igreja-Esposa). E, quanto à família, esta é
apresentada como igreja doméstica, Santuário da Vida.
Os sacerdotes, havendo estudado Filosofia e Teologia,
possuem uma aprimorada compreensão tanto do ser humano individual quanto das
instituições da sociedade, entre elas a família. Eles conhecem sobre as
possibilidades e limites do corpo humano, sobre as luzes e sombras do seu
coração. Tais conhecimentos surgiram da vivência familiar dos sacerdotes e
foram se aprimorando no exercício do seu ministério, na meditação da Palavra de
Deus e do Magistério da Igreja, no acompanhamento pastoral, na direção
espiritual, no sacramento da Reconciliação.
É verdade que se trata de um conhecimento mais teórico
que prático; e não se pode subestimar a importância da prática que enriquece a
teoria e vice-versa. Mas isso não impede que os sacerdotes ofereçam sábios
conselhos aos casais que recorrem a eles e os solicitam.
Na eventualidade de que a situação concreta vivida
pelo casal supere os conhecimentos e experiências do sacerdote, ele vai
reconhecer a própria limitação e vai saber encaminhar o casal a pessoas melhor
preparadas nas diversas áreas de conhecimento teórico e prático.
Na área de atuação específica do sacerdote - ou seja,
a dimensão religiosa e espiritual - o casal vai encontrar os mais relevantes
conselhos para que vivam plenamente a sua vocação matrimonial, no amor e na
doação cotidiana que, apesar do sofrimento, são fonte de felicidade e
santidade.

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