sexta-feira, 5 de julho de 2019

Padre e casal

É verdade: os sacerdotes católicos, por amor a Cristo e à Igreja, e por um dom especial do Espírito Santo a eles concedido, dedicam-se em tempo integral e de modo permanente ao anúncio da Palavra de Deus e ao acompanhamento das comunidades cristãs, santificando aos fiéis através da celebração dos sacramentos da Igreja, promovendo a vida das pessoas mais pobres, contribuindo à manifestação do Reino de Deus no mundo.

Pelo celibato (ou pelo voto de castidade, no caso dos especialmente consagrados a Deus), os sacerdotes vivem em continência sexual, privando-se de constituir uma nova família pelo sacramento do Matrimônio, sem esposa e sem filhos, adiantando no tempo presente o estilo de vida que vai se iniciar na eternidade feliz junto a Deus, quando as mulheres e homens já não vão se unir íntima e sexualmente, pois vão ser como os anjos dos Céus.

Vivendo em continência, os sacerdotes, exercendo a dimensão profética do seu ministério, sem palavras, anunciam o amor livre, gratuito e universal - plenamente vivido pelo Filho de Deus feito Homem - e, ao mesmo tempo, denunciam o hedonismo, a supervalorização e banalização da sexualidade e da sensualidade. Demonstram, sem se equivocarem, que o corpo humano é templo sagrado onde habita o Espírito Santo.

Um católico que aceitou o chamado de Jesus Cristo para viver a sua fé na radicalidade do celibato ou da castidade, livremente renunciando ao Matrimônio e à vida de casal e de família, poderia aconselhar as esposas e esposos? A resposta é: sim, poderia.

Jesus Cristo e a Igreja valorizam o amor conjugal e as famílias, entendendo a união da mulher ao homem abençoada por Deus como um sinal incontestável do amor gratuito e fiel de Deus-Esposo pela humanidade-esposa (e as comunidades cristãs compreenderam o Matrimônio como sinal do amor de Cristo-Esposo pela Igreja-Esposa). E, quanto à família, esta é apresentada como igreja doméstica, Santuário da Vida.

Os sacerdotes, havendo estudado Filosofia e Teologia, possuem uma aprimorada compreensão tanto do ser humano individual quanto das instituições da sociedade, entre elas a família. Eles conhecem sobre as possibilidades e limites do corpo humano, sobre as luzes e sombras do seu coração. Tais conhecimentos surgiram da vivência familiar dos sacerdotes e foram se aprimorando no exercício do seu ministério, na meditação da Palavra de Deus e do Magistério da Igreja, no acompanhamento pastoral, na direção espiritual, no sacramento da Reconciliação.

É verdade que se trata de um conhecimento mais teórico que prático; e não se pode subestimar a importância da prática que enriquece a teoria e vice-versa. Mas isso não impede que os sacerdotes ofereçam sábios conselhos aos casais que recorrem a eles e os solicitam.

Na eventualidade de que a situação concreta vivida pelo casal supere os conhecimentos e experiências do sacerdote, ele vai reconhecer a própria limitação e vai saber encaminhar o casal a pessoas melhor preparadas nas diversas áreas de conhecimento teórico e prático.

Na área de atuação específica do sacerdote - ou seja, a dimensão religiosa e espiritual - o casal vai encontrar os mais relevantes conselhos para que vivam plenamente a sua vocação matrimonial, no amor e na doação cotidiana que, apesar do sofrimento, são fonte de felicidade e santidade.

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