Antes que nada, é preciso afirmar que existem muitas e
boas exceções - e louvado seja Deus por elas! Mas, infelizmente, a grande
maioria das nossas comunidades, pastorais e movimentos eclesiais ainda não
assumiram decididamente a missionariedade, desobedecendo a intenção original de
Jesus Cristo para a Igreja que Ele mesmo fundou, desobedecendo ao Vigário de
Cristo na terra, o papa Francisco, desobedecendo as conferências episcopais de
cada país.
Com os seus calendários repletos de reuniões e
atividades, ou completamente ocupados com intermináveis tarefas
administrativas, os ministros ordenados e não ordenados têm adiado o
compromisso missionário, ou têm se limitado a rezar pelas missões.
É inegável que precisamos nos reunir regularmente nas
igrejas e salões paroquiais para, por exemplo, participar da Eucaristia
dominical, adorar a Jesus Sacramentado, catequizar, organizar atividades,
receber formação, ensaiar cânticos etc.
Entretanto, limitar a vivência do Cristianismo aos
edifícios eclesiais, sem dúvida, seria um reducionismo, um empobrecimento, uma
traição à intenção original de Jesus Cristo. Ele fundou a Igreja para que Ela
fosse por todo o mundo e fizesse discípulos de todas as nações, anunciando a
Boa Notícia a fim de que as pessoas se convertessem e alcançassem a salvação.
Fora dos edifícios eclesiais - nas casas, nos
conjuntos residenciais, nos hospitais e asilos, nas escolas e universidades,
nas praças e espaços públicos, debaixo dos viadutos, nos presídios, nas casas
de adictos em recuperação etc - há uma multidão de mulheres e homens que
precisam ser evangelizados.
Alguns até já foram batizados, fizeram a primeira
comunhão, foram crismados, casaram-se pela Igreja e, por razões diversas,
deixaram de praticar a sua fé. Outros ainda não foram evangelizados e vivem
completamente alheios à Vontade de Deus.
É preciso chegar a uns e a outros, falar-lhes com
convicção da alegria da fé, do amor de Deus pelo mundo, do sacrifício de Cristo
pela salvação de todos, da consolação no Espírito Santo, da Igreja - família
das filhas e filhos de Deus, do mandamento do amor a Deus e ao próximo, da
intercessão da Virgem Maria, dos anjos e dos santos, do compromisso com os
pobres e com o Reino de Deus no mundo, da esperança na vida eterna após a morte
etc.
Há muitíssimos corações a serem conquistados para
Cristo, há muitas lágrimas a serem enxugadas, há muitas pessoas depressivas e
sozinhas esperando uma visita, um abraço sincero e acolhedor, há muitas mãos e
estômagos vazios mendigando um pedaço de pão, há muitas inquietações e dúvidas
esperando uma resposta comprometida com a Verdade, há muitos casais e famílias
em conflito desejando se reconciliar no amor, há muita gente angustiada
precisando de um ombro amigo, de ouvidos dispostos a escutar sem julgamentos,
há pessoas que se consideram um caso perdido, pensando em tirar a própria vida.
Essa multidão de pessoas está sendo suficientemente
considerada pelas nossas comunidades, pastorais e movimentos? Ou nos limitamos a
rezar por elas, de longe, sem vê-las, sem visitá-las, sem que elas saibam que
existimos e que somos o sacramento de Cristo no mundo?
É possível tornar as nossas comunidades, pastorais e
movimentos decididamente missionários? Sim, claro que sim; é perfeitamente
possível, desde que nossos ministros ordenados e não ordenados decidamos
obedecer a intenção original de Jesus Cristo ao fundar a Igreja, incluindo nos
nossos calendários atividades abertamente missionárias, envolvendo as crianças,
os adolescentes, os jovens, os casais, os idosos, as mulheres, os homens,
enfim, todos, todos pela missão.
Os missionários devem estar minimamente formados para
anunciar a Jesus Cristo, para ouvir as pessoas, para falar sobre a Igreja, a
sua programação e os seus serviços. A Eucaristia dominical também deve estar
comprometida com as missões, oferecendo àqueles que chegam um ambiente
celebrativo alegre, envolvente e místico.
Sejamos aquela Igreja que Jesus Cristo fundou e
desejou: uma comunidade missionária em saída!




