segunda-feira, 8 de julho de 2019

Igreja missionária

Antes que nada, é preciso afirmar que existem muitas e boas exceções - e louvado seja Deus por elas! Mas, infelizmente, a grande maioria das nossas comunidades, pastorais e movimentos eclesiais ainda não assumiram decididamente a missionariedade, desobedecendo a intenção original de Jesus Cristo para a Igreja que Ele mesmo fundou, desobedecendo ao Vigário de Cristo na terra, o papa Francisco, desobedecendo as conferências episcopais de cada país.

Com os seus calendários repletos de reuniões e atividades, ou completamente ocupados com intermináveis tarefas administrativas, os ministros ordenados e não ordenados têm adiado o compromisso missionário, ou têm se limitado a rezar pelas missões.

É inegável que precisamos nos reunir regularmente nas igrejas e salões paroquiais para, por exemplo, participar da Eucaristia dominical, adorar a Jesus Sacramentado, catequizar, organizar atividades, receber formação, ensaiar cânticos etc.

Entretanto, limitar a vivência do Cristianismo aos edifícios eclesiais, sem dúvida, seria um reducionismo, um empobrecimento, uma traição à intenção original de Jesus Cristo. Ele fundou a Igreja para que Ela fosse por todo o mundo e fizesse discípulos de todas as nações, anunciando a Boa Notícia a fim de que as pessoas se convertessem e alcançassem a salvação.

Fora dos edifícios eclesiais - nas casas, nos conjuntos residenciais, nos hospitais e asilos, nas escolas e universidades, nas praças e espaços públicos, debaixo dos viadutos, nos presídios, nas casas de adictos em recuperação etc - há uma multidão de mulheres e homens que precisam ser evangelizados.

Alguns até já foram batizados, fizeram a primeira comunhão, foram crismados, casaram-se pela Igreja e, por razões diversas, deixaram de praticar a sua fé. Outros ainda não foram evangelizados e vivem completamente alheios à Vontade de Deus.

É preciso chegar a uns e a outros, falar-lhes com convicção da alegria da fé, do amor de Deus pelo mundo, do sacrifício de Cristo pela salvação de todos, da consolação no Espírito Santo, da Igreja - família das filhas e filhos de Deus, do mandamento do amor a Deus e ao próximo, da intercessão da Virgem Maria, dos anjos e dos santos, do compromisso com os pobres e com o Reino de Deus no mundo, da esperança na vida eterna após a morte etc.

Há muitíssimos corações a serem conquistados para Cristo, há muitas lágrimas a serem enxugadas, há muitas pessoas depressivas e sozinhas esperando uma visita, um abraço sincero e acolhedor, há muitas mãos e estômagos vazios mendigando um pedaço de pão, há muitas inquietações e dúvidas esperando uma resposta comprometida com a Verdade, há muitos casais e famílias em conflito desejando se reconciliar no amor, há muita gente angustiada precisando de um ombro amigo, de ouvidos dispostos a escutar sem julgamentos, há pessoas que se consideram um caso perdido, pensando em tirar a própria vida.

Essa multidão de pessoas está sendo suficientemente considerada pelas nossas comunidades, pastorais e movimentos? Ou nos limitamos a rezar por elas, de longe, sem vê-las, sem visitá-las, sem que elas saibam que existimos e que somos o sacramento de Cristo no mundo?

É possível tornar as nossas comunidades, pastorais e movimentos decididamente missionários? Sim, claro que sim; é perfeitamente possível, desde que nossos ministros ordenados e não ordenados decidamos obedecer a intenção original de Jesus Cristo ao fundar a Igreja, incluindo nos nossos calendários atividades abertamente missionárias, envolvendo as crianças, os adolescentes, os jovens, os casais, os idosos, as mulheres, os homens, enfim, todos, todos pela missão.

Os missionários devem estar minimamente formados para anunciar a Jesus Cristo, para ouvir as pessoas, para falar sobre a Igreja, a sua programação e os seus serviços. A Eucaristia dominical também deve estar comprometida com as missões, oferecendo àqueles que chegam um ambiente celebrativo alegre, envolvente e místico.

Sejamos aquela Igreja que Jesus Cristo fundou e desejou: uma comunidade missionária em saída!


sexta-feira, 5 de julho de 2019

Padre e casal

É verdade: os sacerdotes católicos, por amor a Cristo e à Igreja, e por um dom especial do Espírito Santo a eles concedido, dedicam-se em tempo integral e de modo permanente ao anúncio da Palavra de Deus e ao acompanhamento das comunidades cristãs, santificando aos fiéis através da celebração dos sacramentos da Igreja, promovendo a vida das pessoas mais pobres, contribuindo à manifestação do Reino de Deus no mundo.

Pelo celibato (ou pelo voto de castidade, no caso dos especialmente consagrados a Deus), os sacerdotes vivem em continência sexual, privando-se de constituir uma nova família pelo sacramento do Matrimônio, sem esposa e sem filhos, adiantando no tempo presente o estilo de vida que vai se iniciar na eternidade feliz junto a Deus, quando as mulheres e homens já não vão se unir íntima e sexualmente, pois vão ser como os anjos dos Céus.

Vivendo em continência, os sacerdotes, exercendo a dimensão profética do seu ministério, sem palavras, anunciam o amor livre, gratuito e universal - plenamente vivido pelo Filho de Deus feito Homem - e, ao mesmo tempo, denunciam o hedonismo, a supervalorização e banalização da sexualidade e da sensualidade. Demonstram, sem se equivocarem, que o corpo humano é templo sagrado onde habita o Espírito Santo.

Um católico que aceitou o chamado de Jesus Cristo para viver a sua fé na radicalidade do celibato ou da castidade, livremente renunciando ao Matrimônio e à vida de casal e de família, poderia aconselhar as esposas e esposos? A resposta é: sim, poderia.

Jesus Cristo e a Igreja valorizam o amor conjugal e as famílias, entendendo a união da mulher ao homem abençoada por Deus como um sinal incontestável do amor gratuito e fiel de Deus-Esposo pela humanidade-esposa (e as comunidades cristãs compreenderam o Matrimônio como sinal do amor de Cristo-Esposo pela Igreja-Esposa). E, quanto à família, esta é apresentada como igreja doméstica, Santuário da Vida.

Os sacerdotes, havendo estudado Filosofia e Teologia, possuem uma aprimorada compreensão tanto do ser humano individual quanto das instituições da sociedade, entre elas a família. Eles conhecem sobre as possibilidades e limites do corpo humano, sobre as luzes e sombras do seu coração. Tais conhecimentos surgiram da vivência familiar dos sacerdotes e foram se aprimorando no exercício do seu ministério, na meditação da Palavra de Deus e do Magistério da Igreja, no acompanhamento pastoral, na direção espiritual, no sacramento da Reconciliação.

É verdade que se trata de um conhecimento mais teórico que prático; e não se pode subestimar a importância da prática que enriquece a teoria e vice-versa. Mas isso não impede que os sacerdotes ofereçam sábios conselhos aos casais que recorrem a eles e os solicitam.

Na eventualidade de que a situação concreta vivida pelo casal supere os conhecimentos e experiências do sacerdote, ele vai reconhecer a própria limitação e vai saber encaminhar o casal a pessoas melhor preparadas nas diversas áreas de conhecimento teórico e prático.

Na área de atuação específica do sacerdote - ou seja, a dimensão religiosa e espiritual - o casal vai encontrar os mais relevantes conselhos para que vivam plenamente a sua vocação matrimonial, no amor e na doação cotidiana que, apesar do sofrimento, são fonte de felicidade e santidade.

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Vacinação

O corpo é a exteriorização do nosso interior, e é a maneira pela qual nos relacionamos com as demais pessoas e com o mundo. Em vez de falar “tenho um corpo”, deveríamos dizer “sou um corpo”. Cuidar do nosso corpo, conservá-lo saudável e limpo, protegê-lo de ameaças é sinal de auto-estima, de amor próprio.

Infelizmente, por razões diversas, o corpo acaba padecendo de doenças, algumas adquiridas por negligência pessoal e outras por circunstâncias externas, como epidemias e mudanças climáticas bruscas.

Graças à sua impressionante capacidade de auto-regulação, geralmente o corpo consegue sozinho vencer as ameaças internas sem maiores dificuldades ou conseqüências.

Mas existem situações em que o corpo está tão indefeso - por exemplo, nos primeiros meses de vida, e na velhice - que ele depende de ajuda para vencer algumas doenças ou limitações.

A medicina se apresenta como conjunto de ciências da saúde que - graças ao conhecimento dos seus profissionais, aos seus equipamentos de análise, à manipulação de elementos químicos - oferece uma ajuda qualificada ao corpo que sofre e luta.

Além da medicina curativa (para tratar o corpo das doenças já adquiridas), existe também a medicina preventiva (para proteger o corpo das doenças).

Apesar dos esforços dos profissionais da área da saúde para amenizar essa situação, os medicamentos produzem no corpo efeitos colaterais, tanto na modalidade curativa quanto na preventiva. A pressão arterial pode ser afetada, o nível de açúcar no sangue pode variar, alergias podem surgir etc. Os efeitos colaterais costumam ser mínimos, mas, em casos mais graves, os laboratórios aconselham a suspender imediatamente o tratamento e buscar um médico.

Há casos que, apesar dos fortes efeitos colaterais, é recomendável seguir o tratamento pois, do contrário, existe real risco de morte. Seria um mal menor para evitar um mal maior.

O ideal - sempre que possível - é deixar que o corpo se auto-regule, sem a necessidade de consumir medicamentos (um processo incômodo, que costuma levar alguns dias com sensações físicas desagradáveis).

Entretanto, quando o corpo está indefeso ou fragilizado, apesar dos efeitos colaterais dos medicamentos, convém utilizá-los.

Há algumas doenças graves e gravíssimas - que comprovadamente levam à morte e são altamente contagiosas e epidêmicas - que devem e precisam ser evitadas a todo custo.

Para tanto, são fabricadas as vacinas, cujo objetivo é estimular o corpo a se defender introduzindo nele doses mínimas de vírus - produzidas em laboratório sob controle estrito de profissionais e seguindo normas e tratados internacionais.

Graças às vacinas, doenças perigosas como poliomielite, sarampo e rubéola foram controladas, e muitas crianças não se contagiaram.

Na atualidade, há pessoas e instituições tentando convencer as pessoas e as famílias a não se vacinarem, invocando diferentes teorias da conspiração. Por exemplo: supostamente alguns países desenvolvidos adicionam nas vacinas utilizadas nos países subdesenvolvidos substâncias que provocam esterilidade ou mesmo diversos tipos de câncer a fim de controlar a taxa de natalidade e dizimar as populações mais pobres.

Claro que o ser humano é livre para decidir, e é preciso respeitar a liberdade dos pais e a sua autoridade sobre os filhos. Mas recomendamos insistentemente que as crianças, os doentes e os idosos exerçam o seu direito de serem vacinados gratuitamente, a fim de evitar epidemias de doenças.

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Anorexia

A anorexia é um estado psicológico mais ou menos permanente segundo o qual uma pessoa vê o próprio corpo de um modo distorcido da realidade, como se estivesse acima do peso normal, desenvolvendo assim um grave distúrbio alimentar, comendo menos que o necessário para não engordar, expondo-se a quadros de anemia e subnutrição.

Com a intenção válida de apresentar um saudável estilo de vida em oposição ao sedentarismo vigente acompanhado do consumo exagerado de alimentos industrializados, com excesso de açúcar, sódio e gordura, de bebidas alcoólicas, de substâncias tóxicas, muitas vezes os meios de comunicação acabam produzindo nas pessoas uma obsessão por um corpo “perfeito”, conforme modelos pré-estabelecidos.

Em vez de buscar a ajuda de um profissional da área da Nutrição, da Educação Física, muitas pessoas buscam “fórmulas mágicas”, dietas “milagrosas”, medicamentos “controversos” e intervenções cirúrgicas “invasivas” que até podem produzir resultados rápidos, mas com sérias conseqüências físicas e psicológicas.

Apesar de que muitas pessoas adultas sejam adeptas desses “recursos estéticos”, são os adolescentes que perigosamente mais recorrem a estes artifícios, geralmente porque sofrem de baixa auto-estima, porque são vítimas de bullying, porque se deixam influenciar mais facilmente pelos meios de comunicação.

Uma pessoa anoréxica está tão convencida do seu sobrepeso que não lhe importa a evidência da sua imagem refletida no espelho, tampouco o diagnóstico médico ou a opinião dos familiares e amigos próximos.

Algumas pessoas anoréxicas, após as refeições, estimulam artificialmente o vômito para não engordarem.

A anorexia pode ser tratada, e as pessoas podem se recuperar desse transtorno psicológico, desse distúrbio alimentar. Para tanto é fundamental a ajuda profissional de um psicólogo, de um psiquiatra, de um nutricionista. A recuperação é mais acelerada quando o tratamento é realizado logo no início.

Casos prolongados de anorexia costumam deixar nas pessoas quadros severos de baixa imunidade, de anemia profunda e de subdesenvolvimento físico e neurológico. Há diversos relatos de mortes provocadas pela anorexia. É uma questão de saúde pública.

É necessário acompanhar de perto e com muito amor e carinho as pessoas anoréxicas e, ao mesmo tempo, orientar com firmeza os adolescentes e jovens sobre os cuidados com a aparência, com o próprio corpo, resistindo às modas e tendências extravagantes e excêntricas impostas pelos meios de comunicação. A saúde é mais importante que a beleza estética.

O que agrada a Deus - e deveria nos agradar também - é um coração bondoso e generoso, cheio de amor para oferecer; a beleza interior é mais importante que a exterior. A primeira permanece e encanta, enquanto a segunda é passageira e pode enganar.


terça-feira, 2 de julho de 2019

Quantos filhos?

Os filhos são uma bênção de Deus para um casal; eles são o fruto do seu amor, o amparo para a mãe e para o pai na doença e na velhice. Novas filhas e filhos de Deus passam a existir através da colaboração direta das mulheres e homens, que põem em prática a missão de crescer e se multiplicar, dominando a criação para melhor servir ao Criador.

A sexualidade é um dom precioso de Deus, e a fecundidade é uma graça imensa. Uma mulher ou homem estéril, no impedimento de gerar novas vidas de um modo natural, sofre muito e se angustia, considerando a esterilidade uma maldição, um castigo.

Ao decidirem chamar à vida um novo ser humano, a mãe e o pai se comprometem a cuidar bem do fruto das suas entranhas, desde a gestação, a vida intra-uterina, colocando à sua disposição toda a sua capacidade de amar e proteger e também todos os recursos materiais e financeiros, a fim de que possa crescer de modo integral e alcançar a sua plenitude como ser humano.

Além de lhe transmitirem bons valores e costumes, a mãe e o pai cristãos católicos também assumiram o compromisso da educação do filho conforme a fé da Igreja, a fim de que chegue a conhecer, amar e servir a Deus, vivendo em comunidade e ajudando o Reino de Deus a crescer no mundo pela força do amor.

As mulheres e homens, diferentes dos demais seres vivos, têm a capacidade de pensar, de se organizar, de conhecer a relação entre causa e efeito; eles têm também a liberdade, o livre arbítrio, não estão fatalmente submetidos à ditadura dos instintos.

Os animais, por exemplo, quando se encontram sexualmente férteis, cedem com facilidade aos desejos do corpo, entregando-se sem reservas ao sexo. E a conseqüência mais comum é a fecundação da fêmea pelo macho e a posterior gestação de filhotes, culminando no seu nascimento. Os machos facilmente abandonam os seus filhotes, enquanto as fêmeas instintivamente lhes alimentam e protegem, até que possam sobreviver sozinhos.

A fim de exercerem a maternidade e a paternidade de modo responsável, o casal deve planejar a quantidade de filhos que desejam trazer ao mundo. Num passado não muito distante, as mães e pais - sem muita consciência do que estavam fazendo - geravam uma grande quantidade de filhos, muitas vezes deixando de lhes oferecer o amor, a educação e os cuidados necessários. A própria importância da mulher era restrita à geração e educação dos filhos e ao cuidado da casa, e o sexo era pensado única e exclusivamente para a procriação.

Hoje os tempos são outros: as mulheres e os homens buscam ter menos filhos para poder lhes dar melhores condições de vida; as mulheres estudam e trabalham para se realizarem profissionalmente e contribuir na economia da família; compreende-se que o sexo favorece o amor do casal e gera saúde para o corpo e para a mente.

A respeito da quantidade de filhos, na atualidade se fala de dois a três filhos. Um é pouco, pensando tanto nos pais quanto no filho. Acima de três é complicado para a vida profissional do casal e também para a economia familiar.

Claro que, em caso de uma gravidez fora do planejamento, a mãe e o pai obrigatoriamente devem acolher e criar o filho que conceberam.

Para planejar a gravidez, o casal deve recorrer a métodos naturais, conforme ensinado pela Igreja, sem utilizar meios artificiais, como o preservativo masculino ou feminino, a laqueadura, a vasectomia, substâncias abortivas etc.

O argumento de que os filhos são enviados por Deus e que as mães e pais devem acolhê-los não se sustenta, pois estaria negando a liberdade da mulher e do homem, bem como a sua capacidade de pensar e de se organizar.


Pense comigo

Por que eu não gosto de pobre? Porque pobre é vagabundo e preguiçoso; porque ele pesa no bolso da sociedade; porque ele suja e enfeia a cida...