quinta-feira, 6 de março de 2025

Nada de sacrifício

Vivemos em tempos de facilidades. Tudo está fácil, ao alcance das mãos, nos aparelhos de celular ou nos computadores. Já não é mais preciso pegar filas em bancos, gastar combustível do carro e pegar trânsito nas avenidas. Bastam alguns poucos minutos e, pronto, no conforto do nosso lar, temos satisfeitas as nossas necessidades: fazemos compras online de alimentos, roupas, equipamentos eletrônicos, passagens aéreas etc.

As coisas acontecem no dia e horário determinados por nós: consultas médicas, reuniões, filmes e séries de Netflix etc. Temos tudo sob controle.

Estamos empoderados, e não queremos dar um passo sequer para trás. Estamos mal acostumados.

Nesse contexto, ninguém quer abrir mão dos direitos conquistados, ninguém quer saber de sacrifício, que é interpretado como algo negativo, que tira o sagrado direito por conforto e comodidade.

Temos nos tornado preguiçosos, sedentários, dispersos, acomodados, obesos, ansiosos, consumistas, vaidosos, desperdiçando sem compartilhar.

Não há vitórias nem conquistas sem sacrifício, sem esforço, sem renúncia. Os excessos nos adoecem e enfraquecem. Nos tornamos presas fáceis. Não chegamos a nenhum lugar assim. O que vem fácil, vai fácil.

Estamos na Quaresma. É um tempo para acordar para a vida. É um tempo para sair da zona de conforto, da mesmice, da rotina. Para obter novos resultados precisamos tentar novas estratégias; do contrário, só daremos volta ao redor de nós mesmos, sem sair do lugar. É necessário disciplina, objetivos claros, passos seguros.

Somos humanos. Precisamos nos lembrar disso. Precisamos nos reconectar com o nosso coração, com os nossos sentimentos. Precisamos olhar o outro nos olhos e reconhecer que ele é nosso irmão. A dor dele tem que doer em nós. A necessidade dele tem que ser a nossa. Superemos a indiferença.

Não tenhamos medo de fazer sacrifícios. Eles são remédios para curar as doenças da nossa alma, da nossa mente, com efeitos positivos no nosso corpo também.

Quem sabe deixar um pouco de lado as redes sociais, que nos escravizam e distraem? Quem sabe deixar a sensualidade e o erotismo, a pornografia, a masturbação? Quem sabe deixar de comprar o que não precisamos?

Será um nadar contra a correnteza. Mas coragem! Voltemos ao que é essencial, ao que é natural, ao que fortalece e faz crescer.


- Você está precisando fazer sacrifícios?

- Que benefícios os sacrifícios trariam a você?

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