- Pai, eu te amo!
- Eita!?! Você está bem? Está com febre? Aconteceu alguma coisa?
- Ah pai, pára. Estou falando sério! Eu te amo!
- Tá, obrigado. Mas de onde veio isso? Por que você está me dizendo isso? Você não costuma me dizer isso...
- Tá vendo porquê eu não te falo? Você não leva a sério. Fica tirando sarro. Eu fico com medo, com vergonha da sua reação...
- É meu jeito, você sabe... Mas me conte: por que está me dizendo?
- Como você sabe, acabei de chegar de um retiro da Igreja. Lá falaram tantas coisas sobre pai e mãe... Que a gente não vai ter pra sempre os pais... Que temos que aproveitar enquanto nós os temos... Que devemos dizer que os amamos... E tal... Que, ao chegar em casa, tínhamos que dizer isso pros pais... Então estou aqui dizendo isso pra você...
- Entendi.
- Eu estava tremendo, suando, morrendo de medo e de vergonha. Ensaiei um monte de vezes. Mas consegui! Consegui!
- Por que esse medo, essa vergonha?
- Ah pai, sei lá... Você é meio seco, né... Zueiro... E também eu sou desobediente, malcriado... Não sabia como ia ser sua reação.
- Filho, o pai te ama também. Não sou muito de falar, não sou bom com as palavras.
- Eu também não...
- Mas eu demonstro meu amor não deixando que nada te falte. Desculpe se, às vezes, sou bravo, mas é porque quero o melhor pra você, que você se torne uma boa pessoa. Vem aqui me dar um abraço, vai...
- Pai, obrigado por tudo e desculpe minhas malcriações. Quero te tratar melhor de agora pra frente. Quero que sejamos bons amigos.
- Pode contar com isso. Da minha parte, seremos melhores amigos.
- Nossa, estou tão feliz!
- Eu também, filho. Eu também!
- Como ajudar pais e filhos a declararem seu amor uns pelos outros?
- Por que é tão difícil declarar amor em algumas famílias?
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