- Como você se descobriu gay?
- Desde criança eu me sentia diferente dos outros meninos.
- Sei.
- Não gostava das mesmas coisas que eles. Eles adoravam futebol. Nunca gostei. Brincavam de briguinhas. Eu me afastava. Mexiam com as meninas. Sempre fui tímido. Diziam que eu era viado. Eu não queria ir pra escola. Chorava triste sozinho.
- Seus pais não percebiam?
- Meu pai brigava comigo, dizendo que eu era delicado, que eu devia andar como homem. Eu chorava, no colo da minha mãe.
- Você tinha amigos?
- Poucos. Tinha mais amigas. Gostava dos assuntos delas. Eu me sentia acolhido.
- O que você gostava de fazer?
- De brincar? Andava de bicicleta. Gostava de dançar, de cantar.
- E a sua adolescência?
- Foi mais difícil. A perseguição cresceu. Havia a pressão para ter namorada. Sentia que o mundo me rejeitava, que não estava preparado para me acolher.
- Você encontrou ajuda?
- A sociedade me rejeitou, a Igreja me rejeitou, minha família me rejeitou. Encontrei ajuda pela Internet, entre pessoas como eu.
- E como você se sente hoje?
- Hoje não espero nada de ninguém. Procuro não incomodar e passar desapercebido.
- O que você acha das pessoas que se assumem?
- Sei lá. É direito delas. Eu respeito. Mas não quero bater de frente com a sociedade. Quero paz, sabe?
- Entendo.
- A sociedade é homofóbica. Não vou mudar as pessoas. Elas são como são.
- O que você espera de nós?
- Não espero nada, além de respeito. Não incomodo ninguém. Espero não ser incomodado também.
- Como você age em relação aos gays?
- O que você faria se tivesse um gay na sua família?
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