- Irmã, você não pode aceitar que a sua filha seja lésbica. Isso é pecado. A Bíblia diz que não vai para o Céu...
- Irmã, eu já conversei com a minha filha. Ela me disse que já tentou gostar de homem, mas que não conseguiu. Disse que era um grande sofrimento e angústia, que rezava para ser diferente, mas não teve jeito. Aos prantos, ela me pediu que não a julgasse, não a discriminasse e me deu um abraço apertado.
- Sim, mas...
- Não foi fácil, sabe. Continua sendo difícil. Mas ela é a minha filha. Muita gente virou as costas: parentes, colegas do colégio, irmãos da igreja... E eu faria o mesmo? Deixaria minha filha sozinha sofrendo?
- Eu sei, mas...
- Conversei com Deus e disse pra Ele: "Senhor, Vós sois Amor, e quem ama permanece em Vós. Então, entre julgar e condenar, eu decido amar. Não concordo com o que a minha filha faz, mas eu a levei nove meses no ventre. Meu compromisso é amá-la todos os dias. Se eu estiver errada, Senhor, perdoai a mim e à minha menina".
- Mas se você a aceita assim...
- Penso em Jesus. Ele acolhia os pecadores, tomava refeição com eles, tinha paciência... Ué, se eu sou cristã, devo agir como Jesus... E tenho que começar em casa, com a minha família...
- Irmã, fique quieta e me deixe lhe falar...
- Fique quieta a senhora! Nem conhece a minha filha e fica aí julgando-a. Saiba que ela é uma menina de ouro: trabalhadora, estudiosa, educada, todo mundo gosta dela. Tem defeitos? Sim, como todo mundo. Mas eu escolhi valorizar mais as qualidades.
- Mas, se continuar lésbica, vai para o inferno...
- Você é que vai acabar no inferno, se continuar assim julgando as pessoas. É por causa de gente assim como você que muitos abandonam a igreja...
- Você é cúmplice do pecado da sua filha, pois está se omitindo.
- Eu não me omiti. Ensinei a ela o que era certo e errado aos olhos de Deus. Mas, independente disso, vou aceitá-la como ela é. Só lhe pedi que respeitasse as pessoas e a nossa casa, pois ainda temos outros filhos pequenos. E que se protegesse e tomasse muito cuidado, pois a sociedade é homofóbica.
- Bem, irmã, quem avisa amiga é.
- Sei que o seu marido é alcoólico e que o seu filho usa crack, e nunca lhe disse nada, e nunca lhes julguei. Pelo contrário, rezei pela senhora e sua família. Acho que deveria fazer o mesmo.
- Não dá pra conversar com você, irmã. Passar bem!
- Deus abençoe a sua vida.
- Se você tivesse uma filha lésbica, como a trataria?
- Por que há tanto julgamento entre os cristãos?
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