domingo, 4 de dezembro de 2022

Espiritualidade estéril

- Eu rezo todos os dias. Acordo de madrugada pra assistir a missa com aquele padre, depois rezo o terço com a missionária pelo rádio e, às três da tarde, acompanho o terço da misericórdia pela TV.

- Ah é?

- É. Na minha casa vejo canal católico o dia inteiro. E, no meu carro, só ouço rádio católica. Só louvor e oração.

- Entendi.

- Minhas camisas são todas de santos. Eu gosto, sabe? Tenho no pescoço o escapulário e no pulso o terço. São a minha proteção, e minhas armas no combate.

- Sei.

- Nunca me faltam água e sal bentos pra eu aspergir na minha casa é expulsar todo mal. Faço romaria todo ano.

- Mas venha cá: você atua em alguma pastoral ou movimento?

- Como assim?

- Se você participa, ajuda em algum grupo da Igreja...

- Eu intercedo da minha casa.

- Mas não frequenta nenhum grupo?

- Não tenho tempo, tenho muitos afazeres.

- Mas à missa você vai?

- Vou quando posso. Geralmente assisto pela TV.

- Então, me desculpe, mas a sua espiritualidade é estéril. Você está mais para o devocionismo do que para a religião cristã. A oração necessariamente leva à comunidade, ao engajamento, ao serviço aos irmãos. Do contrário, é alienação que nos afasta dos outros e, por consequência, do próprio Deus.

- Eu não penso assim.

- A fé verdadeira se vive em comunidade, servindo ao próximo. O resto é vaidade religiosa, é culto ao próprio ego.


- A sua espiritualidade tem sido fértil ou estéril?

- Como ajudar as pessoas a viverem sua fé em comunidade, servindo os irmãos?

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