terça-feira, 12 de maio de 2020

Em paz com a morte

Não vou te subestimar, oh morte, 
Es um adversário que merece respeito. 
Houve um tempo em que eras implacável, 
Mas, ainda hoje, causas angústia e terror. 
 
Houve quem te chamasse de "irmã", 
Vendo-te como serva de Deus, 
Como quem resgata do sofrimento, 
Chegando na hora e lugar determinados. 
 
No entanto, para grande parte dos mortais, 
Tu foste temida como a cruel impiedosa, 
Que não faz distinção entre as pessoas, 
Que arranca lágrimas dos corações mais duros. 
 
Chegavas para trazer desgraças: 
Solidão, desavenças, privações, impotência. 
Alianças desfeitas, projetos suspensos, 
Familiares e amigos, cada qual por seu lado. 
 
Momentos felizes deixados para trás, 
Papéis queimados, roupas e sapatos doados. 
Objetos pessoais em sacos de lixo, 
Flores no túmulo regadas por lágrimas. 
 
Então veio a ressurreição de Cristo e tudo mudou. 
Para quem tem fé, vida e morte ganham novo sentido. 
Ainda dói, dói muito, despedir um ser querido, 
Mas essa dor é aliviada pela confiança em Deus. 
 
Entende-se que de Deus viemos e a Ele regressamos, 
Que Ele nos fez, somos d'Ele, e nosso lugar é ao Seu lado. 
Sabe-se que estamos neste mundo como peregrinos 
Caminhando rumo  à pátria definitiva, que é os Céus. 
 
Amamos a vida, curtimos a vida, pois ela é dom de Deus, 
Mas não nos apegamos a nada; tudo ficará ao partirmos. 
Vivemos cada dia como se fosse o primeiro ou o último 
Sem perder a oportunidade de amar e de ajudar. 
 
Sabemos que se tornou eterno tudo o que o amor amou, 
E que não importa quem vai ou quem fica 
Pois todos vamos nos encontrar na Casa de Deus 
E, pela oração, Céus e terra se comunicam no amor 
 
Não sabemos se lá há bosques, rios, montanhas ou animais 
Sabemos que é a Jerusalém celeste, habitada por Deus 
Onde viveremos com  os anjos, os santos, os amados do Pai, 
Gozando da plenitude eterna, sem segredos nem mistérios. 



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