quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Pense comigo

Por que eu não gosto de pobre? Porque pobre é vagabundo e preguiçoso; porque ele pesa no bolso da sociedade; porque ele suja e enfeia a cidade; porque ele é aproveitador e acomodado; porque ele vive às custas do governo; porque ele não contribui com nada e quer receber o fruto do trabalho dos outros; porque ele traiçoeiro, desonesto e violento; porque é fraco e viciado em álcool e drogas etc.

O que eu faria com o pobre? Eu não lhe daria nada; eu lhe diria que limpasse um terreno ou pintasse a guia das calçadas para ganhar dinheiro, comer e vestir; eu tiraria os mendigos das avenidas e praças e faria eles voltarem para sua cidade de origem; eu obrigaria os viciados a receberem tratamento médico e psiquiátrico; eu colocaria os criminosos atrás das grades; eu cortaria toda ajuda do governo, que não resolve mas aumenta o problema e faz o pobre depender dos políticos e continuar votando neles etc.

O que diz o humanismo? O pobre é uma pessoa e deve ser tratado como tal. A sociedade deve cuidar dos seus cidadãos, direcionando parte da sua arrecadação ao bem estar social dos cidadãos mais vulneráveis, especialmente as crianças, os idosos e os doentes, os que vivem na miséria e mendicância. Tal cuidado passa por garantir as condições mínimas de alimentação, vestuário, higiene pessoal, socorro médico, integridade física etc. Para ajudar a pessoa a superar a pobreza extrema, a sociedade deve oferecer cursos profissionalizantes e oportunidades de trabalho e renda, com as ferramentas e equipamentos de segurança correspondentes, além do alojamento. Ao pobre deve ser garantido o seu direito fundamental à liberdade, assumindo as consequências das suas escolhas.

O que diz o Cristianismo? Sendo pessoa humana, o pobre é imagem e semelhança de Deus, tendo uma altíssima dignidade. Como todo ser humano, o pobre tem o direito de conhecer a Cristo e ao Espírito Santo, para que se converte, abandone seus pecados e disfrute da vida nova na Igreja e na sociedade. O cristão vê a Cristo no faminto, no doente, no desabrigado, no dependente químico, que espera para ser atendido nas suas necessidades materiais e espirituais. O cristão acredita na conversão do preguiçoso e do desonesto pela pregação e pela formação humana e cristã. Para o cristão, o pobre não é um peso, mas um irmão que nos ajuda a sair do comodismo, da indiferença, da avareza. O cristão não julga o pobre, mas o acompanha e apóia na defesa dos seus direitos individuais e sociais.

quinta-feira, 30 de outubro de 2025

A maldade

Embora muitos de nós não gostemos de admitir, a maldade está esparramada pelo mundo. É o joio que nasce e cresce entre o trigo (cf. Mateus 13, 24-43).

O homem, embora criado à imagem de Deus para ser bom, costuma usar a sua liberdade e capacidades para o mal. E a maldade pessoal tem consequências sociais, mais ainda quando os maus se associam para delinquir.

O mal é um dragão imenso, é uma estrutura com engrenagens complexas, com raízes que se aprofundam na sociedade, com ramos que se estendem por toda parte, com incontáveis braços e cabeças, sempre se recriando e se reinventando, mais ainda em tempos de tecnologias.

O mal está nos homens e nas mulheres, nos jovens e nos idosos, nos ricos e nos pobres, nos grandes centros urbanos e nas periferias e pequenas cidades, em todas as raças e religiões, em analfabetos e diplomados.

Embora seja uma tarefa difícil e ingrata, o mal precisa ser contido, já que é impossível eliminá-lo completamente. É um trabalho diário pessoal e familiar, mas também das instituições sociais como as escolas, as religiões, a política e, sobretudo, a polícia e as forças armadas.

Não podemos subestimar o mal. Há muita gente armada, preparada para matar, sem remorso nem empatia, numa espécie de engenharia da criminalidade. Neste mercado criminoso, há gente produzindo, gente traficando e gente consumindo. Há fornecedores e há milhonários que compram juízes e sentenças, dentro e fora do país.

A miséria, por um lado, e a impunidade, por outro, levam muitas pessoas ao crime, que atrai pelo suposto enriquecimento rápido e fácil para quem não tem profissão nem emprego, pelas festas cheias de drogas e sexo, pelas casas, carros e viagens luxuosos.

A família e os amigos geralmente não apoiam a decisão do criminoso, embora algumas se beneficiam dos bens adquiridos ilegalmente. Pela convivência diária, os criminosos vão formando uma irmandade, até porque é muito difícil sair do crime depois de ter entrado nele.

Não há uma "bala de prata", uma fórmula mágica, para resolver o grave problema da criminalidade. Há muitas experiências que se demonstraram ineficazes e ineficientes, com efeitos colaterais terríveis, como várias vítimas inocentes, destruição de casas, carros e ônibus, importunação da ordem pública, caos social.

Ao mesmo tempo, a polícia, as forças armadas e a política não podem ficar de braços cruzados, se omitindo diante da expansão da criminalidade, que não respeita as leis sociais e explora economicamente os mais pobres.

Finalmente, não pode faltar a empatia nem o acompanhamento emocional e espiritual das famílias e vizinhanças que sofrem pelo trabalho da segurança pública para neutralizar e conter a livre atuação dos criminosos na sociedade.

Até que se prove o contrário, toda pessoa é inocente. Antes do julgamento e da condenação, deve ser garantido à pessoa o amplo direito à defesa. Mas é importante demonstrar às pessoas que o crime não compensa e que as autoridades civis estão prontas para defender os cidadãos e as famílias da violência e da maldade.

sexta-feira, 3 de outubro de 2025

Entenda para poder explicar

- Como foi mesmo que ela disse?

- Ela disse assim: "Deus mandou a Si mesmo ao mundo, para que Ele fosse morto e cumprisse a justiça d'Ele, nos salvando da ira d'Ele, num sistema religioso sacrificial que Ele mesmo criou".

- Mas isso é muito confuso!

- Ela disse que justamente por isso já não acreditava no Cristianismo.

- Provavelmente ela é atéia e está apenas ridicularizando quem tem fé. Mas conclusões como esta podem surgir de uma evangelização mal feita e superficial.

- E como a gente poderia resolver aquela confusão?

- Vamos por parte. De propósito, ela misturou Deus Pai Criador com Deus Filho Salvador, Jesus. Ou então ela não entendeu que, embora seja um só Deus, a Santíssima Trindade é formada por três pessoas divinas distintas em perfeita comunhão de amor e liberdade, cada qual com sua identidade e função.

- Sim, tem razão. Este entendimento é fundamental.

- Sobre o sistema religioso sacrificial, este era ensinado e praticado pelas religiões dos povos vizinhos dos israelitas, nos tempos em que o Primeiro Testamento foi escrito. O Judaísmo se apropriou das experiências religiosas vizinhas e afirmou que era vontade divina.

- Sério?!?

- Sim. E, por incrível que pareça, o sacrifício de animais já era um grande avanço comparado a religiões que sacrificavam seres humanos às suas divindades.

- Deus do Céu!

- Pois é. Então, em vez de matar o criminoso, o pecador, sacrificava-se um animal, e o sangue dele derramado era o sinal para o perdão divino.

- Mas Deus Pai não poderia simplesmente perdoar, sem a necessidade de matar animais, já que Deus é amor?

- Ela também fez esta mesma pergunta. E os israelitas respondiam que Deus era bom mas que também era justo. Pedagogicamente falando, pelo sistema religioso sacrificial, Deus estava educando os israelitas sobre as consequências dos seus erros. Na mentalidade judaica, se Deus fosse apenas bom e misericordioso, os israelitas não iam respeitá-Lo e iam abusar da Sua bondade. Além disso, era preciso pensar na resposta às vítimas dos crimes, que legitimente pediam justiça a Deus.

- Isso é complicado, hein? Mas nós não somos judeus; nós somos cristãos!

- Sim, mas o Messias foi prometido aos judeus e veio para eles, em primeiro lugar. Tanto nas promessas quanto no cumprimento delas, estava a mentalidade judaica sacrificial.

- Então realmente Deus Pai quis a morte de Deus Filho para perdoar os pecadores?

- Na lógica judaica, sim, Deus Pai quis, para realizar a justiça perfeita. E era a única forma de vencer o mal e a morte, de uma vez por todas, pois o sangue de animais não tinha poder para isso.

- Se não fosse assim, Deus Pai daria um castigo eterno aos pecadores, enviando-os ao inferno? Isso não é desproporcional?

- Por isso vem a lógica do Cristianismo, meu caro. Na evangelização, ensinamos que Jesus veio, por um lado, cumprir as promessas messiânicas, na lógica judaica sacrificial e, por outro lado, resolver definitivamente a situação do mal e da morte, encerrando os sacrifícios. E o segredo estava no amor de Jesus, pelo qual Ele aceitou morrer no lugar dos pecadores para que a perfeita justiça acontecesse.

- Mas isso tudo funcionou? O mal e a morte continuam presentes no mundo...

- Ela também fez esta consideração. E a evangelização responde dizendo que a morte e a ressurreição de Jesus iniciaram um processo irreversível de restauração da humanidade, que avança cada dia mais quando corações se abrem à fé cristã e ao amor. O mal e o pecado estão com seus dias contados. A vitória é certa!

terça-feira, 9 de setembro de 2025

Cultura popular e liturgia

Por cultura popular, entende-se as expressões e preferências das pessoas simples, talvez pouco escolarizadas, das cidades do interior ou das periferias dos grandes centros urbanos.

Quando se fala em Liturgia, pensa-se numa manifestação religiosa solene, organizada e executada por / para pessoas instruídas, como bispos e autoridades civis, particularmente em espaços religiosos oficiais - um santuário ou catedral, por exemplo.

A cultura popular é diversa e reflete as origens dos povos, dando-lhes identidade. Trata-se de elementos que se aprende desde a infância e se transmite de uma geração à outra. Pode-se pensar nos indígenas, nos quilombolas, nos sertanejos, nos gaúchos, nos ribeirinhos, nos sambistas e rappers etc.

A Liturgia é uma expressão oficial da fé, uma herança de tempos passados e de países distantes, com uma linguagem e estrutura próprias. São partes essenciais da expressão litúrgica as palavras, os gestos, os objetos, as vestimentas, os ritos etc, e devem estar presentes necessariamente.

Uma das tarefas da evangelização é justamente tornar a Liturgia compreensível e significativa às novas gerações, a fim de que participem ativamente nela.

Em décadas passadas, os bispos da América Latina orientavam os fiéis a respeitar e valorizar as culturas populares, evangelizando os povos a partir da sua própria linguagem cultural, especialmente a geração mais jovem. Embora reconhecessem as limitações das culturas populares e a oficialidade da Liturgia, os bispos encorajavam o diálogo frutífero.

É verdade que houve alguns excessos na concretização deste diálogo, mas eles foram fraternalmente sendo expostos e corrigidos.

Na atualidade, nota-se, por um lado, uma crescente exaltação da Liturgia oficial e, por outro lado, um desinteresse ou menosprezo pela cultura popular, tanto da parte dos bispos quanto da parte dos fiéis leigos.

São vistos com suspeita e como ameaça os instrumentos e ritmos populares, as procissões, os símbolos culturais. Incentiva-se o canto gregoriano, o uso do órgão, expressões em latim, com a desculpa de tornar a Liturgia mais solene e sóbria, a exemplo do que é visto no Vaticano.

Em tempos de influenciadores nas redes sociais, há padres e fiéis leigos tradicionalistas que tratam de doutrinar os católicos, exaltando a Liturgia em detrimento da cultura popular.

Um desafio constante para a catolicidade da Igreja é alcançar o justo equilíbrio entre preservar a Tradição milenar e permitir a inculturação do Evangelho entre os povos. Há muitos valores populares, enraizados na diversidade cultural, que podem ser devidamente conservados, porque são profundamente humanos.

Já dizia Rupertus Meldenius, "no essencial, unidade; no não essencial, liberdade; em todas as coisas, caridade".

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

O salto da fé

O Criador do Universo é o Deus de Israel e o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.

Quanto mais se sabe sobre o imenso universo, mais se reconhece que ele não pode ser fruto do acaso, devido à suas complexas leis e forças de movimento. Sendo assim, é necessário afirmar que o universo procede de uma inteligência extraordinária que pensou nos mínimos detalhes e de uma capacidade incrível que realizou o projeto. O homem, pela sua inteligência e racionalidade, é o único ser conhecido capaz de pensar no Criador do Universo.

Os povos antigos, que não tinham acesso às atuais tecnologias de investigação, chamaram de Deus essa inteligência e capacidade únicas. Muitos pensadores conseguem chegar até este ponto, sem a necessidade de recorrer às religiões. Os israelitas também chamaram de Deus o Criador do Universo.

A dificuldade dos pensadores começa quando aquela inteligência e capacidade únicas foi personalizada e apresentada como divindade de um povo específico. Vale dizer que não foram só os israelitas que personificaram o Criador do Universo. Os demais povos fizeram o mesmo, com maior ou menor sucesso.

Para passar do Criador do Universo ao Deus de Israel, não basta pensar, é preciso crer, ter fé. Os israelitas crêem firmemente que o Criador do Universo é um Deus pessoal - que os amou, que os escolheu como Seu povo, que fez uma aliança inquebrantável com eles, que lhes prometeu um Libertador.

Mas nós cristãos fomos ainda mais longe, crendo firmemente que o Deus pessoal dos israelitas - que é o Criador do Universo - tem um Filho que, sendo divino, fez-se também humano, a fim de libertar quem n'Ele cresse.

Em outras palavras, o Criador do Universo é o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é Seu Filho único - Deus verdadeiro - mas, n'Ele, os cristãos se tornam filhos adotivos. Isso se dá porque, além de Pai e Filho, o Deus cristão é também Espírito Santo, que é dado aos que crêem em Jesus Cristo para que vivam como filhos e recebam como herança a vida eterna.

Para finalizar: os pensadores, sem recorrer à fé, só conseguem chegar à conclusão que o Universo foi criado por uma inteligência e capacidade únicas. Mas, para chegar ao Deus pessoal dos israelitas e ao Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, não basta pensar, é preciso crer, ter fé.

- Por que os pensadores têm dificuldade para passar do Criador do Universo ao Deus de Israel e ao Pai de Jesus Cristo?

- Por que o homem é o único ser conhecido capaz de pensar no Criador do Universo?

quarta-feira, 13 de agosto de 2025

Ser leigo estigmatino

Refletindo sobre as vocações na Igreja e recordando que a vocação é o chamado ao seguimento de Cristo, falemos sobre o Laicado Estigmatino.
Sabemos que o leigo é o fiel católico batizado e evangelizado que pratica a sua fé na comunidade. Muitos são casados e têm filhos, mantendo a sua família com o próprio trabalho. Há também leigos solteiros e viúvos.
O leigo segue a Cristo engajando-se numa comunidade, pastoral ou movimento, ajudando os padres e os bispos. Também estão envolvidos em projetos sociais na área da educação, da cultura, dos meios de comunicação, do meio ambiente, na promoção humana, na solidariedade com os necessitados.
Há fiéis que, preservando as características próprias da vocação laical, sentem-se chamados e identificados com a espiritualidade e o carisma de alguma congregação religiosa, optando por se consagrarem a Cristo nela por devoção.
A Congregação Estigmatina, fundada por São Gaspar Bertoni, acolhe os fiéis leigos que se identificam com o seu Fundador e que desejam se consagrar devotamente para viver a espiritualidade bertoniana e o carisma estigmatino.
Há um período de discernimento e formação em que os candidatos são acompanhados por um membro da Congregação Estigmatina previamente determinado. 
Durante este tempo, os futuros leigos Estigmatina vão conhecer melhor a vida e as obras de São Gaspar Bertoni e aprofundar sobre a Congregação Estigmatina.
Eles vão aprender que ser leigo estigmatina é estar a serviço dos bispos, é apoiar a educação cristã da juventude, é pregar a Palavra de Deus, é ser missionário onde for necessário, é cuidar dos pobres e doentes, é acolher como patronos os Santos Esposos Maria e José, é ser devoto do Sagrado Coração de Jesus, é se espelhar em São Gaspar Bertoni, é valorizar a Eucaristia etc.
Tendo finalizado esta etapa preparatória, com a aprovação do acompanhador estigmatina, 9 fiel leigo pode fazer sua consagração devotamente na congregação, tornando-se um Leigo Estigmatino, com o compromisso das orações diárias, das reuniões mensais e do retiro anual, com a possibilidade de participar de atividades missionárias e vocacionais.
Assim o Leigo Estigmatino vai progredindo no conhecimento e na vivência da própria vocação.
Caso você ainda não seja um Leigo Estigmatino e tenha interesse de se tornar um, deixe-me saber e lhe orientarei em privado. Será uma imensa alegria!

quarta-feira, 30 de julho de 2025

O caminho da fé

Para se tornar plenamente cristã, a pessoa deve ser acompanhada no caminho da fé, que possui três etapas: o seguimento, o discipulado e o apostolado.

Antes de iniciar a etapa do seguimento, a pessoa ou desconhece completamente Jesus Cristo e a Igreja, ou tem um conhecimento reduzido, muitas vezes misturado com ensinamentos incorretos. 

A pessoa inicia o caminho da fé ou motivada pela família e amigos, ou por um sentimento religioso que surge em momentos de necessidade, como doenças e dificudades econômicas.

Na etapa do seguimento, que é um período preparatório e tem duração curta, a pessoa recebe um resumo da fé em Jesus Cristo e na Igreja, ressaltando a misericórdia e amor divinos, a salvação pela Cruz e a continuidade entre Cristo e a Igreja.

Nesta etapa, a transmissão da fé vem acompanhada do acolhimento e de uma linguagem amorosa e criativa, utilizando a arte e as tecnologias de comunicação, oferecendo uma espiritualidade simples que une fé e vida.

É compromisso da etapa do seguimento motivar a pessoa a avançar para o discipulado, entendendo que o resumo precisa ser desenvolvido e que o conhecimento deve ser aprofundado.

Na etapa do discipulado, que tem duração mais longa, a pessoa seria adicionada a um pequeno grupo para estudo e oração. Neste grupo, as pessoas recebem ensinamentos sobre a Bíblia, os Dez Mandamentos, os Sete Sacramentos, a Liturgia, a espiritualidade cristã, a organização da Igreja e sua Doutrina Social etc.

Nesta etapa, o sentimento religioso vai dando passo às convicções intelectuais. Ainda podem ser utilizadas a arte e as tecnologias, mas se busca formar para a simplicidade e sobriedade, deixando que os símbolos comuniquem por si mesmos, como a Bíblia impressa, o crucifixo, as imagens sacras, a velas, os espaços sagrados etc.

É compromisso da etapa do discipulado preparar o grupo para que celebre os sacramentos do Batismo, da Reconciliação, da Eucaristia e da Confirmação.

Também é compromisso deste etapa ajudar as pessoas a descobrir e desenvolver os próprios dons e talentos, a conhecer os serviços religiosos e sociais oferecidos pela Igreja aos necessitados, e a decidir se engajar numa comunidade, pastoral ou movimento da Igreja.

Finalmente, na etapa do apostolado, que tem duração permanente, a pessoa estaria vinculada à sua paróquia para perseverar e aprofundar seu conhecimento e espiritualidade, e para servir a Cristo na Igreja e na sociedade.

Nesta etapa, a pessoa cresce na compreensão e na execução do seu serviço, exercendo-o na obediência, na humildade, na constância, no sentimento de pertença, no trabalho em equipe, na disponibilidade missionária, na responsabilidade social etc.

É compromisso da etapa do apostolado pensar e repensar as estratégias da evangelização, propondo meios concretos para que a Igreja seja fiel à sua essência e tradições, ao mesmo tempo que responda às legítimas necessidades das pessoas nas complexas realidades do mundo urbano atual, resistindo à indiferença religiosa, ao individualismo, ao consumismo, à concentração de bens, à corrupção, à promiscuidade sexual etc.

É evidente que, para acompanhar as pessoas no caminho da fé, é fundamental uma preparação qualificada aos acompanhantes, que considere os objetivos específicos da etapa do seguimento, do discipulado e do apostolado.

Sem a devida preparação, os objetivos não seriam alcançados e a evangelização ficaria seriamente comprometida na sua eficácia.

A rigor, não deveria haver acompanhantes sem prévia preparação. A formação deveria ocorrer também durante o processo, num espírito de reciclagem dos acompanhantes e de seu aperfeiçoamento, equilibrando teoria e prática.

Os formadores dos acompanhantes poderiam ser os próprios bispos, presbíteros e diáconos, abrindo espaço para fiéis leigos qualificados e aperfeiçoados pela experiência prática.

- Em qual etapa do caminho da fé você se encontra?

- Você se sente suficientemente acompanhado pela Igreja na etapa que está percorrendo?

- Você acha que a pessoa que acompanha você foi suficientemente preparada para essa função?

Pense comigo

Por que eu não gosto de pobre? Porque pobre é vagabundo e preguiçoso; porque ele pesa no bolso da sociedade; porque ele suja e enfeia a cida...