quarta-feira, 30 de julho de 2025

O caminho da fé

Para se tornar plenamente cristã, a pessoa deve ser acompanhada no caminho da fé, que possui três etapas: o seguimento, o discipulado e o apostolado.

Antes de iniciar a etapa do seguimento, a pessoa ou desconhece completamente Jesus Cristo e a Igreja, ou tem um conhecimento reduzido, muitas vezes misturado com ensinamentos incorretos. 

A pessoa inicia o caminho da fé ou motivada pela família e amigos, ou por um sentimento religioso que surge em momentos de necessidade, como doenças e dificudades econômicas.

Na etapa do seguimento, que é um período preparatório e tem duração curta, a pessoa recebe um resumo da fé em Jesus Cristo e na Igreja, ressaltando a misericórdia e amor divinos, a salvação pela Cruz e a continuidade entre Cristo e a Igreja.

Nesta etapa, a transmissão da fé vem acompanhada do acolhimento e de uma linguagem amorosa e criativa, utilizando a arte e as tecnologias de comunicação, oferecendo uma espiritualidade simples que une fé e vida.

É compromisso da etapa do seguimento motivar a pessoa a avançar para o discipulado, entendendo que o resumo precisa ser desenvolvido e que o conhecimento deve ser aprofundado.

Na etapa do discipulado, que tem duração mais longa, a pessoa seria adicionada a um pequeno grupo para estudo e oração. Neste grupo, as pessoas recebem ensinamentos sobre a Bíblia, os Dez Mandamentos, os Sete Sacramentos, a Liturgia, a espiritualidade cristã, a organização da Igreja e sua Doutrina Social etc.

Nesta etapa, o sentimento religioso vai dando passo às convicções intelectuais. Ainda podem ser utilizadas a arte e as tecnologias, mas se busca formar para a simplicidade e sobriedade, deixando que os símbolos comuniquem por si mesmos, como a Bíblia impressa, o crucifixo, as imagens sacras, a velas, os espaços sagrados etc.

É compromisso da etapa do discipulado preparar o grupo para que celebre os sacramentos do Batismo, da Reconciliação, da Eucaristia e da Confirmação.

Também é compromisso deste etapa ajudar as pessoas a descobrir e desenvolver os próprios dons e talentos, a conhecer os serviços religiosos e sociais oferecidos pela Igreja aos necessitados, e a decidir se engajar numa comunidade, pastoral ou movimento da Igreja.

Finalmente, na etapa do apostolado, que tem duração permanente, a pessoa estaria vinculada à sua paróquia para perseverar e aprofundar seu conhecimento e espiritualidade, e para servir a Cristo na Igreja e na sociedade.

Nesta etapa, a pessoa cresce na compreensão e na execução do seu serviço, exercendo-o na obediência, na humildade, na constância, no sentimento de pertença, no trabalho em equipe, na disponibilidade missionária, na responsabilidade social etc.

É compromisso da etapa do apostolado pensar e repensar as estratégias da evangelização, propondo meios concretos para que a Igreja seja fiel à sua essência e tradições, ao mesmo tempo que responda às legítimas necessidades das pessoas nas complexas realidades do mundo urbano atual, resistindo à indiferença religiosa, ao individualismo, ao consumismo, à concentração de bens, à corrupção, à promiscuidade sexual etc.

É evidente que, para acompanhar as pessoas no caminho da fé, é fundamental uma preparação qualificada aos acompanhantes, que considere os objetivos específicos da etapa do seguimento, do discipulado e do apostolado.

Sem a devida preparação, os objetivos não seriam alcançados e a evangelização ficaria seriamente comprometida na sua eficácia.

A rigor, não deveria haver acompanhantes sem prévia preparação. A formação deveria ocorrer também durante o processo, num espírito de reciclagem dos acompanhantes e de seu aperfeiçoamento, equilibrando teoria e prática.

Os formadores dos acompanhantes poderiam ser os próprios bispos, presbíteros e diáconos, abrindo espaço para fiéis leigos qualificados e aperfeiçoados pela experiência prática.

- Em qual etapa do caminho da fé você se encontra?

- Você se sente suficientemente acompanhado pela Igreja na etapa que está percorrendo?

- Você acha que a pessoa que acompanha você foi suficientemente preparada para essa função?

quinta-feira, 24 de julho de 2025

Igreja Católica e juventude

Seguindo os passos do seu Fundador, a Igreja Católica vê os jovens com empatia e esperança, oferecendo-lhes ajuda para que cheguem a ser tudo o que Deus sonhou para eles.

É uma questão vocacional: trata-se de ajudar os jovens a descobrirem quem eles são, de onde eles vieram, para onde eles vão, para que eles existem, o que eles querem, o que é o bem e como alcançá-lo etc.

Para a Igreja Católica, os jovens são bons porque foram criados à imagem de Deus. Mas ela sabe que as famílias desestruturadas, as dificuldades econômicas, as crises sociais e o intercâmbio cultural podem influenciar negativamente os jovens, prejudicando o seu desenvolvimento.

Na teoria, a Igreja Católica, como Mãe, acolhe os jovens, sem preconceitos, oferecendo-lhes um ambiente de confiança e amizade, de oração e espiritualidade, de formação humana e doutrinal, de análise crítica dos problemas sociais, de capacitação de lideranças e engajamento na Igreja e na sociedade.

Na prática, há poucos membros da Igreja Católica suficientemente formados para o acompanhamento da juventude. As consequências são uma evangelização que não convence, não converte e não engaja os jovens. Muitos só frequentam a Igreja Católica se são obrigados pelos pais e, quando eles têm oportunidade, eles a abandonam.

Mal preparados, muitos membros da Igreja Católica não dão ouvidos nem espaços para os jovens, criticando-os e se sentindo incomodados com os legítimos questionamentos juvenis a respeito da Tradição e da Hierarquia da Igreja.

Bispos, padres, diáconos, religiosos e leigos engajados devem conhecer e praticar as orientações oficiais da Igreja Católica sobre a juventude, como o documento Christus vivit, de 2019.

De fato, Jesus é o eterno jovem, é o frescor da novidade de Deus que, com Seus questionamentos e práticas, revolucionou as tradições engessadas do Judaísmo. E a juventude, por sua vez, é um lugar teológico a partir do qual Deus fala à humanidade, convidando à leveza, à alegria, à busca, à liberdade, à criatividade.

Os jovens esperam da Igreja Católica uma aliada no seu desenvolvimento humano e espiritual.

- Falta à Igreja Católica uma sincera opção pela juventude?

- Os jovens se sentem representados pela Igreja Católica?

terça-feira, 22 de julho de 2025

Por tal e tal motivo

- Jovem, por que você não frequenta a Igreja Católica?


- Porque não sou cristão; tenho outras crenças.

- Porque frequento outra igreja.

- Porque não acredito em Deus.

- Porque é uma Igreja intolerante e preconceituosa.

- Porque os padres estão envolvidos em escândalos econômicos e sexuais.

- Porque é uma Igreja que não se atualizou, já não é interessante e não fala nossa linguagem.

- Porque ela é hierárquica, não democrática. Ela não me representa.

- Porque ela é muito rígida e engessada.

- Porque não me sinto acolhido, ouvido e respeitado; teria que deixar de ser quem sou.

- Porque a missa é repetitiva e desanimada; dá preguiça e sono.

- Porque sou proibido de comungar, de me confessar.

- Porque ela é muito popular e não dá um tratamento diferenciado aos empresários, políticos, artistas e esportistas; ela nivela e não diferencia as classes sociais.

- Porque meus pais me forçaram a ir na minha infância e adolescência e hoje só faço o que eu decido.

- Porque religião é coisa de velho e doente; ainda não sinto necessidade de ir.

- Porque ando afastado de Deus, estou pecando e não quero ser hipócrita.


- Estas são justificativas esdrúxulas ou algumas são válidas?

- A Igreja deve mudar para trazer de volta os jovens ou deve permanecer como está, mesmo perdendo a juventude?

quinta-feira, 10 de julho de 2025

Renovado em Cristo

"Vivo, mas não eu; é Cristo que vive em mim" (cf. Gálatas 2, 20).

As pessoas costumam passar a vida correndo atrás de dinheiro, de sexo e de poder. Eu não estou julgando ninguém. Eu mesmo vivi assim durante muito tempo, colecionando decepções e magoando a muitas pessoas.

Mas, à medida que eu fui conhecendo a Cristo, as coisas deste mundo foram perdendo o encanto para mim (cf. Filipenses 3, 😎. Eu descobri que Cristo é a pérola mais preciosa e, para adquirí-la, eu abri mão de tudo o que eu possuía (cf. Mateus 13, 45-46). Cristo é a minha maior riqueza, e ninguém pode arrancá-la de mim (cf. Mateus 6, 19-20). Pra mim basta o pão de cada dia e, o que eu tiver de mais, compartilho com quem estiver precisando (cf. Mateus 6, 11). Minha meta é o Céu.

Eu experimentei o amor de Cristo por mim: incondicional, eterno e pessoal (cf. João 15, 15). E decidi corresponder, amando-O da mesma forma, com um coração indiviso, sem casar-me, sem formar uma nova família, amando as pessoas com um amor casto, na amizade, sem interesses sexuais, sem possuir nem aprisionar, cultivando a liberdade interior (cf. I Coríntios 7, 32). Amo como sou amado por Cristo; amo como amando ao próprio Cristo; amo com o amor dos anjos (cf. Mateus 22, 30).

Eu entendi que Cristo foi constituído o Rei do universo pela Sua obediência a Deus até a morte de Cruz (cf. Filipenses 2, 8-9). Eu compreendi que toda honra e glória pertencem unicamente a Deus, a Cristo (cf. Apocalipse 5, 12). Eu entendi que é preciso que Cristo cresça e eu diminua (cf. João 3, 30). Eu compreendi que Cristo quer que eu reine com Ele, a fim de que a justiça, a paz e o bem se estabeleçam neste mundo (cf. Romanos 14, 17). Eu aprendi que o poder é uma ilusão e que, nas mãos erradas, pode trazer muita dor e sofrimento. Eu entendi que o poder é serviço (cf. Mateus 20, 25-27).

Eu aprendi que o amor une as pessoas e que somos todos irmãos porque Deus é nosso Pai comum (cf. Efésios 4, 6). Eu entendi que, enquanto o diabo divide, o Espírito de Deus reúne (cf. Efésios 4, 3). Eu aprendi que eu não me basto, que eu preciso das pessoas, como um corpo em que os membros se ajudam mutuamente (cf. I Coríntios 12, 21). Eu descobri que muitas vezes eu sou cego para enxergar meus próprios defeitos e que as correções fraternas me ajudam a identificá-los e corrigí-los (cf. Mateus 18, 15). Eu aprendi que a solidão é o outro nome do Inferno.

Você também é chamado ao seguimento de Cristo na radicalidade da pobreza, da castidade, da obediência e da vida fraterna em comunidade, antecipando o Céu na terra e se contrapondo ao consumismo e ao acúmulo, à promiscuidade, à ambição desmedida e à autosuficiência, lamentavelmente tão enraizadas no mundo contemporâneo (cf. Mateus 5, 13-16).

Diga sim a Cristo; responda sim à vida!

quinta-feira, 3 de julho de 2025

Protestantização da sociedade

Há uma torcida, um apoio à protestantização da sociedade, sobretudo pelos donos de canais de televisão, rádio e Internet, e pelos banqueiros, empresários e políticos. 

Supostamente tais torcedores e apoiadores se baseiam em dados oficiais de pesquisas, como o Senso Nacional, que indicam tendências sociais.

É preciso admitir que muitos protestantes são proprietários de meios de comunicação de massa, de bancos e de empresas, ou exercem funções públicas.

Há um desejo de que os valores e referências do protestantismo permeiem toda a sociedade, ditando o comportamento das pessoas, das famílias e dos grupos sociais.

As pesquisas nacionais apontam para a redução do número de católicos, que vão perdendo o impacto na sociedade e na cultura, onde anteriormente eram muito relevantes.

Neste avançado processo de protestantização da sociedade, busca-se substituir símbolos católicos arraigados no imaginário popular. Um exemplo disso é a renomeação da Festa Junina para Festa do Milho, negando a referência católica a Santo Antônio, São João Batista e São Pedro.

Investe-se em personagens protestantes em novelas, séries e livros, em cantores protestantes em programas artísticos. Aposta-se em roupas e acessórios com referências protestantes, como também em restaurantes, padarias, hotéis e pacotes turísticos voltados a este público alvo.

Mas os dados das pesquisas também revelam uma volta dos católicos afastados à Igreja, e muitos deles com um viés mais tradicional e conservador, que se identificam com vestes mais solenes, com o latim e com o canto gregoriano, e que rejeitam manifestações como aplausos e devoções populares.

Os dados também demonstram um afastamento dos protestantes de suas igrejas motivado por decepções com a alta hierarquia religiosa envolvida em escândalos econômicos e sexuais, e que também misturara perigosamente o Evangelho e a política.

A sociedade brasileira é muito complexa e é preciso harmonizar as diferenças para evitar o radicalismo religioso e para fortalecer um ambiente de respeito e tolerância, sem manipulações nem julgamentos.


A quem interessa a protestantização da sociedade?

Por que os católicos afastados têm voltado à Igreja? Por que eles optam pelo conservadorismo e tradicionalismo?

Pense comigo

Por que eu não gosto de pobre? Porque pobre é vagabundo e preguiçoso; porque ele pesa no bolso da sociedade; porque ele suja e enfeia a cida...