segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

Gente bitolada

- Vou tirar o demônio de você!

- Tire primeiro o demônio que está em você, preconceituoso, discriminador! Você fica chamando de demônio o que não compreende. Você se acha superior a mim, mas não é. O mundo não é só preto e branco. Sua visão é reduzida demais. Você quer dividir os homens entre bons e maus e, claro, você está sempre entre os bons; os maus são os outros. Que pensamento mais simplista! Essa mentalidade pode ter funcionado no passado, mas hoje em dia não funciona mais. Pelo menos comigo não funciona!

- Em nome de deus, eu o expulso, demônio!

- Esse seu deus aí não é o meu. Seu deus é pequenininho demais. Não cabe em mim; não se encaixa em mim. O Deus em quem creio é amor; acolhe a todos; não ameaça; não é um tirano. Você não percebe, mas o seu deus é o seu ego. Você não adora um deus; adora a si mesmo!

- Demônio, cale-se e saia dele!

- Ridículo, como você é ridículo! Patético! Tenho é dó de você. Fique aí com sua visão estreita de deus, de religião. Não tenho tempo pra gente como você. Fui!

- Volte aqui. Volte aqui.


- Você conhece alguém bitolado?

- Como lidar com gente bitolada?

sábado, 27 de janeiro de 2024

Por que é tão importante um evento católico massivo?

Nós, católicos, somos cristãos aos quais Jesus transformou em pescadores de homens no imenso mar do mundo, da vida.

Geralmente permanecemos no interior de nossas igrejas e capelas, com as portas abertas, esperando que as pessoas cheguem até nós.

Quando se realiza um evento católico massivo, num ambiente público, temos a excelente oportunidade de testemunhar a alegria da fé diante das mulheres e homens, fazendo com que recordem a centralidade de Deus na vida e na História.

Por causa da correria do dia-a-dia e das diversas distrações que o mundo moderno oferece, muitas pessoas estão afastadas de Deus, com a fé adormecida, mergulhadas na noite escura do pecado.

Um evento católico massivo pode despertar a fé, reconduzir a Deus, relembrar que o Senhor é o princípio e fundamento de tudo.

Além de todas essas vantagens, participar de um evento católico massivo ajuda os fiéis a se conectarem com Deus e entre sí, testemunhando a catolicidade da Igreja, fortalecendo vínculos de amor-comunhão.

Em outras palavras, não há contra-indicação para eventos católicos massivos. Usemos e abusemos destas oportunidades que o Espírito Santo concede aos fiéis de testemunharem a vida nova que Cristo concedeu àqueles aos quais redimiu com seu sangue redentor na cruz do Calvário!

 

- Você já participou de um evento católico massivo? Como se sentiu?

- Como você convenceria alguém a participar de um evento católico massivo?

quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

Morador de rua

- Tenho observado o senhor aí deitado no chão o dia inteiro...

- Pois é...

- Por que o senhor fica assim?

- Não tenho motivação pra me levantar. Ninguém se importa comigo. Não tenho nada pra fazer, nada pra comer. Assim deitado, não gasto energia. Tenho um pouco de fraqueza, de tontura. Ontem não comi, só bebi.

- Entendi. O que o senhor faz pra comer?

- De noite sempre vem gente trazer marmita pra nós.

- É a sua única refeição do dia?

- Praticamente.

- O senhor tem família, tem alguma profissão?

- Eu larguei a minha família. Só dei vergonha pra eles. Fui ajudante de pedreiro, mas deixei de trabalhar por causa da bebida, dos vícios.

- O senhor quer sair dessa vida? Posso ajudar o senhor.

- Não tenho pra quem voltar, pra onde voltar. Gosto da rua, da liberdade. Já me acostumei a viver assim.

- O que posso fazer pelo senhor?

- Se quiser, aceito uns trocados.

- Mas vai usar pros vícios?

- Provavelmente, não vou mentir.

- Então não vou dar dinheiro, não. Quando quiser ajuda pra sair dos vícios, o senhor pode contar comigo.

- Tá bom. Vou continuar aqui deitado então.


- Por que os moradores de rua não querem sair dessa situação?

- Ao dar comida aos moradores de rua, nós estamos os ajudando ou os atrapalhando?

terça-feira, 9 de janeiro de 2024

Mc MorningStar

- E agora, conforme prometido, vamos entrevistar a artista revelação do ano. Seja bem-vinda, MC MorningStar. E conte pra nós, seus fãs, como você se inspira para escrever seus funks.

- Obrigada. Ah, sei lá. Eu canto o que eu acho que as pessoas gostam de ouvir, entendeu? A letra é o de menos. O pessoal curte mais as batidas, os efeitos sonoros.

- Você fala muito de sexo, com uma linguagem bem explícita, tipo proibidão mesmo.

- Rsrsrs... É música para jovens e solteiros. Não é para família, para gente casada. É a linguagem da favela, da periferia. É só para curtir o momento e rir, bebendo e fumando entre amigos.

- A galera dança seus funks. Fazem vídeos que viralizam na Internet. Já vi até crianças dançando nas redes sociais.

- Pois é, a molecada adora meus funks.

- Você também fala de traição, de crimes e de assassinatos nos seus funks.

- Eu traduzo a realidade da periferia em funks. Esse é nosso arroz-com-feijão de cada dia. Pessoas traem, roubam, matam, bebem, fumam, cheiram. É isso.

- Mas só tem isso nas favelas? Não tem coisas boas, positivas?

- Até tem, mas o que dá dinheiro é cantar sobre coisas erradas que todo mundo faz e curte.

- Você é casada? Tem filhos?

- Tenho um menino de 10 e outro de 5. Tenho meu marido, mas ainda não somos casados.

- Você deixa seus filhos ouvirem seus funks?

- Rsrsrs... Prefiro que não ouçam, mas se tiverem que escutar, não vejo problema. Eles precisam ir se acostumando com a linguagem da periferia.

- E seu marido não acha ruim as letras dos seus funks, as coreografias sensuais?

- Ele não gosta muito, não. Rsrsrs. Mas aceita porque é meu trabalho, o nosso ganha-pão. E os dançarinos são quase todos gays. Então meu marido confia.

- E dá pra ganhar a vida cantando funk?

- É muito difícil alcançar projeção nacional. A concorrência é imensa. Cada dia surge um novo funkeiro, uma nova funkeira na Internet. Estou aproveitando meus cinco minutos de fama.

- Que mensagem você deixa para seus fãs, para quem quer chegar um dia onde você chegou?

- Agradeço o carinho de todos. Continuem me seguindo nas redes sociais e compartilhando meus vídeos. E, para quem sonha em cantar funk, não desista, persista, ouse, que um dia se tornará realidade. Mas não deixe de estudar e trabalhar, pois um dia o sonho acaba e a vida tem que continuar.

- Valeu. Essa é a MC MorningStar, artista revelação do ano.


- O funk é a voz das favelas? Nas periferias só têm sexo, drogas e violência?

- Crianças devem ouvir e dançar funk nas redes sociais? Qual é o papel dos pais e da família?

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

Teologia ou Ciências da Religião

- Estou em dúvida se estudo Teologia ou Ciências da Religião.

- Depende de qual seja a sua motivação.

- Ah eu quero aprender mais sobre Deus, sobre a Igreja, sobre a minha fé.

- Então é melhor escolher a Teologia, pois as Ciências da Religião não partem da fé, mas são uma visão do fenômeno religioso a partir da Sociologia, da História, da Psicologia, da Antropologia, da Economia, entre outras ciências.

- Não partem da fé?

- Não. As pessoas que estudam Ciências da Religião não buscam aumentar a sua fé. Até mesmo um ateu pode estudar e ensinar Ciências da Religião. Estudam-se diversas religiões, suas doutrinas, escrituras, lugares e objetos sagrados, e o impacto das religiões nas sociedades e viceversa. Estuda-se a origem das igrejas, seus fundadores, doutrinas e tradições. Não é Teologia.

- Entendi. E a Teologia? O que estuda então?

- A Teologia, sim, parte da fé e busca aumentar a fé de quem a aprofunda. Até se estudam outras religiões, mas se dá ênfase no Cristianismo e no Judaísmo. Parte-se da tradição judaico-cristã presente nas Sagradas Escrituras, descobrindo o Deus que vai se revelando, Sua vontade, Seu modo de agir, Suas intenções e promessas.

- Ah é isso mesmo que quero aprender!

- A Teologia conta a História do povo israelita e dos cristãos, dos tempos antigos aos atuais, no mundo inteiro e no nosso país. Ensina o sentido das celebrações e como realizá-las corretamente. Fala sobre as leis que governam a Igreja e a Sua missão neste mundo. Fala sobre a administração interna da Igreja e os diversos serviços de evangelização e caridade.

- Muito obrigado. Você me ajudou muito. É a Teologia que eu quero estudar!


- Tem sentido estudar Ciências da Religião?

- Você teria interesse em estudar Teologia?

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Executivo e legislativo

- Este ano temos eleições municipais, né?

- Sim, em 2024 vamos votar para prefeito e vereadores.

- Vou ser sincero com você: não sei o que fazem o prefeito nem os vereadores. Eu voto mas nem sei a diferença entre eles, o que fazem.

- Então vamos resolver isso agora! Trata-se do poder executivo e do legislativo.

- Não tem o judiciário também?

- Sim, são os juízes nos tribunais estaduais e federal, que julgam os cidadãos conforme a Constituição. Mas não votamos neles, que são indicados pelo poder executivo e são aprovados ou reprovados pelo poder legislativo.

- Ah, não sabia disso.

- Voltemos ao poder executivo que, nas cidades, é exercido pelo prefeito, sim, escolhido pelo povo em eleições diretas.

- O que faz o prefeito?

- Ele é escolhido para executar da forma mais eficiente as leis aprovadas pelos vereadores, garantindo que sejam cumpridas. O prefeito decide e propõe planos de ação de administração e de fiscalização de diversos programas (social, educação, cultura, saúde, infraestrutura) a fim de garantir sua qualidade e eficácia.

- Então é o prefeito quem manda?

- Não. É o responsável por executar as leis, ajudado por seus secretários. O prefeito é fiscalizado pelos vereadores.

- O que fazem os vereadores?

- Eles são escolhidos para propor e aprovar leis com o objetivo de conduzir a vida dos cidadãos no município. Na cidade há diversos grupos sociais, cada qual com seus interesses específicos. Esses grupos buscam eleger um ou mais vereadores para que seus interesses sejam defendidos e ampliados.

- Mas isso é certo?

- É legítimo. A Constituição permite, desde que não haja prejuízo para a sociedade. Os vereadores devem buscar o bem dos cidadãos em geral, na coletividade; mas podem representar os interesses de grupos específicos. Para aprovar uma lei, o vereador deve fazer alianças com companheiros, defendendo seu projeto com argumentos convincentes, aceitando sugestões. Do contrário, a lei é reprovada.

- Pensei que os vereadores nos fizessem favores, sabe? Conseguir uma vaga na creche, um leito no hospital, uma cesta básica...

- Não são favores, são direitos, que devem ser garantidos. A maioria dos cidadãos não conhece seus direitos. E muitos querem que tudo continue igual. Assim, os cidadãos dependem dos vereadores. Isso está errado.

- Pensei que os vereadores fossem como padrinhos, a quem recorremos quando precisamos.

- Um bom vereador é próximo dos cidadãos que votaram nele, os conhece, os ouve, os orienta, atende suas reais necessidades e legítimos interesses.

- Seria bom ter um prefeito, um vereador católicos praticantes.

- Com certeza! Os católicos representam uma considerável parcela da sociedade. Mas é importante lembrarmos que o Estado é laico e que um prefeito ou vereador não deve favorecer nenhuma religião ou igreja. Deve-se buscar o bem comum. Mas, sendo católico praticante, o prefeito ou vereador pode priorizar o cuidado dos pobres nas periferias, e defender a família e a vida.

- Votarei num prefeito e vereador católicos!

- Ótima decisão!


- Você sabe a diferença entre o poder executivo e o legislativo?

- É importante ter um prefeito ou vereador católico, ou a sua igreja e religião não importam, desde que sejam competentes?

Pense comigo

Por que eu não gosto de pobre? Porque pobre é vagabundo e preguiçoso; porque ele pesa no bolso da sociedade; porque ele suja e enfeia a cida...