- Sinceramente? Não gosto de Natal. Acho patético. As pessoas brigam o ano inteiro e, depois, fingem que se gostam, que se suportam. Aqueles sorrisinhos falsos e bons desejos só da boca pra fora. Detesto.
- Mas será que essas pessoas não estão se esforçando para serem melhores, para superarem as dificuldades?
- Aquelas risadas exageradas são todas resultado de muito álcool no sangue.
- Credo, que pessimismo. Eu vejo de um jeito diferente: as bebidas deixam que as emoções fluam mais livremente.
- Aquele monte de comida. Não sei para quê tanto desperdício. Um monte de gente passando fome.
- Não. É porque deve sobrar para o almoço do dia seguinte. Natal é um dia especial, sempre surgem visitantes. É preciso se preparar. E certamente os mais pobres têm de comer, ao menos no Natal.
- Gasta-se dinheiro com presentes inúteis, só para que o comércio ganhe dinheiro.
- Não pense assim: são expressões do carinho e gratidão pelo que os seres queridos representam na nossa vida.
- E todo mundo estrelando roupas novas. As crianças barulhentas com seus brinquedos. Uns fazendo inveja pros outros.
- O exterior é um reflexo do interior. Que problema tem as pessoas se vestirem bem no Natal e as crianças desfrutarem dos seus presentes?
- Sei lá. Depois de adulto, perdi o encanto pelo Natal. Se eu pudesse, ficaria trancado no meu quarto. Mas me chamariam de antisocial.
- Sim, o problema não está no Natal, mas em você, na maneira como você vê as coisas, as pessoas. Veja o mundo com mais amor.
- Blá blá blá...
- Deixe esse mal humor, esse baixo astral, essa amargura, e se renda ao espírito do Natal. Afinal, Jesus nasceu e Ele é o motivo da nossa alegria, a razão dessa festa toda.
- O que fazer com os rabugentos do Natal?
- Será que eles têm razão em alguma coisa?